Two Crowns
51 Capítulo L
Notas iniciais

Dizer que vai ser rainha? Tranquilo. Acreditar nisso? Bem tranquilo.
Ser rainha? As coisas se tornam complicadas. Quer dizer, não é como se eu já não esperasse pelo que viria, mas eu seria coroada nos próximos momentos. Me casaria e então teria minha coroação. Maxon me passaria a coroa assim que eu me tornasse capaz de continuar com a linhagem dos Schreave, e isso era mostrado com o casamento.
Eu estava entrando em pânico.
Sempre me perguntei como seria o sentimento, como seria ter todo aquele poder nos ombros, e agora tudo o que eu queria era não descobrir. Não estava pronta para aquilo, mas era como Alexa havia conversado comigo um mês atrás, via telefone, mas ainda havia conversado. Nunca estaremos prontas, era essa a questão.
Era início de verão, quatro de julho, e eu sentia meu coração bater em meus ouvidos. Com dezoito, já era de se esperar que um casamento começasse a acontecer, e era o que a população pedia há meses. Eles queriam o casamento real, queriam algo novo. De todos os jeitos, o casamento de Alexandra veio primeiro, obviamente em frente ao meu, tanto por necessidade quanto por poder. Ela era a herdeira, perderia o trono no momento que ganhasse o da Suíça, falando numa língua clara.
Colar dourado colocado, vestido branco conferido, cabelo feio, unhas perfeitas, maquiagem ainda mais, e tudo o mais que eu necessitaria naquele dia, estava pronto. Mas eu ainda não.
Eu me encarava no espelho de corpo inteiro do salão que me encontrava. America, Daphne e Alexandra analisavam meus movimentos, enquanto eu respirava fundo.
— Estou bem. — Falei, notando o olhar de Alexa.
— Claro que está. — Ela piscou para mim. — Quer suas botas de cavalgada?
— Adoraria, mas elas ficaram no palácio. — Abri um sorriso fraco, então fechando os olhos e passando a mão por meu antebraço. Abri os olhos, então vendo minha mãe ao meu lado, apoiando a mão em meu cotovelo.
— Você acha que não está certo? Desfaremos isso, agora.
— Não, não. — Falei, surpresa. — Eu só... eu vou me tornar rainha assim que um anel de casamento for posto em meu dedo, é só chocante.
Daphne riu fracamente, caminhando até estar ao meu outro lado.
— Tudo que você verá pelos próximos dias será chocante, o reinado tem seus choques, mas tem sua beleza. — Concordei com a cabeça, engolindo em seco antes de concordar com a cabeça.
— Podemos ir. Estamos atrasadas.
— Que noiva nunca se atrasa? — Minha mãe sorriu, beijando minha bochecha e então me abraçando.
Alexa riu fracamente.
— Que rainha nunca se atrasa? — Retrucou ela, comigo rindo. Daphne segurou minha mão, me encarando nos olhos por alguns instantes antes de Alexa e eu nos encararmos. Ela precisava ir antes de mim, é claro, mas o que mais me surpreendia nela era não a coroa que ela obrigada a carregar em eventos como aquele, era a barriga. Tínhamos crescido juntas, e ali estava algo que provava que tínhamos crescido, talvez rápido de mais.
Ela me abraçou fracamente, a pequena barriga criando um espaço entre nós duas, e então ela se afastou.
Conferi minha aparência uma última vez no espelho.
O vestido dava a aparência de tomara de caia até poder ser visto seus ombros, que continham uma pequena renda — não como alças, mas como mangas curtas —, o mesmo vestido que se estendia grudado até minha cintura, onde se abria, liso, com pedaços de renda se espalhando até estar atrás de mim, estendendo-se pelo chão. Eu quase consegui cair por causa daquela bendita renda atrás de mim pelo menos três vezes. Não que aquilo não fosse surpresa.
Estava na hora.
Eu estava em um salão de festas pequeno em frente à Igreja que fora doada pelos Franceses, construída em quatro meses. Ela continha dois andares, com características católicas e góticas, mas numa divina mistura entre a cultura francesa e illeana. Illéa não poderia bancar nada naquela altura, mas a França podia. Era o presente de casamento da realeza francesa.
Os Vermont estavam em peso naquela festa. Toda a família de Caleb, inclusive como seus padrinhos. Seu irmão e a noiva estavam ali, também — eu imaginava como um homem talvez sedento por poder não se sentia naquele momento, vendo seu irmão se tornar rei antes dele, que era o irmão mais velho —, como padrinho e madrinha.
O hall de entrada havia acabado de ser librado, e lá estava Maxon Schreave.
Minha mãe, sogra e irmã se despediram de mim, então seguindo para a rua, garantindo que ninguém pudesse ver a noiva ali dentro, e meu pai me encarou, segurando meu rosto por alguns instantes, comigo mesma vendo uma lágrima escorrer por seu rosto, já marcado pela idade e problemas que tivera em todo o seu reinado. Sua filhinha estava crescendo, e dessa vez ele não poderia fazer mais nada para impedir e tentar mantê-la ao seu lado, apesar de que eu manteria meus pais no castelo, pretendia, ao menos. Caleb não discordava.
Caleb. Ele estava apenas a alguns metros de mim, talvez dois quilômetros, mas era pouco, bem pouco. Toda a tradição não permitia contato por dias, e aquilo doía, tínhamos estado juntos por praticamente um ano, lado a lado, e juntos como um casal por menos tempo, mas ainda sim juntos, e sempre no mesmo prédio, mesmo local, eram raras as vezes que não estávamos no palácio ao mesmo tempo.
— Quer desistir, Rose? — Meu pai me perguntou, sorrindo.
Ri fracamente.
— Não. Se eu não fizer isso agora, quando vou fazer?
Ele concordou com a cabeça, entendendo.
Por que diabos todos esperavam que eu desistisse?
Eu tinha as respostas, mas sabia que elas não se adequavam. Eu tinha deixado de ser a garota medrosa de anos atrás, aquela que tinha medo de tomar uma decisão concreta, principalmente quando se falava de política.
Maxon beijou minha testa, então passando a mão pelo meu rosto, antes de concordar com a abertura das portas.
As portas se abriram, comigo encarando o carro que me esperava. Era um jardim que havia na minha frente, se abrindo até a entrada da Igreja, mas eu não poderia andar até lá, além de ser um enorme jardim, havia fotógrafos e súditos.
O carro começou a dar a volta, enquanto eu analisava as pessoas, então abrindo minha janela e acenando para algumas garotinhas, piscando para elas.
— Vocês estão lindas, meninas! — Falei para duas garotinhas ruivas vestidas de branco, as duas pareciam irmãs, mas usavam perucas. Elas gritaram para mim, animadas.
Logo em seguida fechei a janela, então puxando o ar e encarando a Igreja que se aproximava. Maxon sorria para mim, mas eu podia ver que ele tentava não limpar o suor no terno que usava.
Saí do carro minutos depois, então subindo três degraus antes de me encontrar na frente das portas duplas e enormes da igreja.
Eu conseguia, conseguia fazer aquilo.
As portas foram liberadas, então eu entrei, vendo outra porta dupla me esperando, aquela que levaria ao meu futuro marido.
Caleb tinha feito certo ao me lembrar belos palavrões, porque puta merda. Minhas mãos tremiam mais do que as de Maxon, mas eu precisava acreditar naquilo. Eu tinha tido meses de treinamento, agora, sabia como governar, Caleb também sabia, tínhamos quem nos apoiava.
E eu estava pronta para ir aos braços dele assim que aquelas portas se abrissem.
Eu seria a rainha de Illéa, e precisava agir como tal, era isso.
As portas se abriram, a música clássica tocando, comigo soltando um último respirar fundo, então sendo segurada pelo braço de meu pai.
Lá estava ele. Caleb.
Ele usava o terno de casamento da França, é claro, era necessário para a cerimônia, mas o que me surpreendia não era aquilo. Era o olhar dele. Tínhamos metros e metros de distância, mas ainda assim... Amar era aquilo. Abri um sorriso, vendo apenas ele por alguns minutos, caminhando com meu pai ao meu lado, até lembrar de todas as pessoas.
A decoração da igreja era em branco e vermelho, com pequenos detalhes em bege. Tínhamos pensado no azul, vindo da França, as cores deles, mas não combinaria colocar azul e vermelho na mesma decoração.
Rosas vermelhas e brancas, o buquê vermelho em minhas mãos, nada disso importava.
Maxon deu minha mão à Caleb, recebendo um gesto de concordância como resposta, com Caleb beijando-a, e então seguimos ao altar. Ele apertou minha mão, sentindo-a tremer. Tínhamos conversado sobre aquilo, eu não estava com medo de desistir, tinha alertado isso à ele, estava com medo de ser rainha. Tinha medo de falhar com o país, tinha medo de falhar com aquelas garotinhas na rua. Tinha medo de falhar com quem acreditava em mim.
Alexa e Matheo, Aaron e Lydia, Daniel e Astra, Arthur e Heidi — Heidi e Arthur pareciam durar, apesar de tudo que poderia ser esperado —, Gabe e Keith, Dimitri e Kira e muitos outros como padrinhos.
O casamento, obviamente, não era pequeno. Por mais que eu gostasse de ter algo mais íntimo, era claro que isso não aconteceria. Aliados da França, aliados de Illéa, amigos, colegas, companheiros, parceiros de negócios, antigos amigos de início de universidade — um detalhe que Caleb insistia em esconder de mim até que eu finalmente arranquei dele. Ele havia trancado o curso de direito em uma universidade na França para vir à Illéa tentar a sorte.
A cerimônia fora narrada em duas línguas: inglês e francês, mas o que eu mais esperava era uma única cena.
— Sim.
Caleb me encarou por um instante antes de responder.
— Oui.
Após as juras, o padre falava o que eu mais esperava.
Pode beijar a noiva.
Caleb não fez um espetáculo, ele simplesmente passou a mão pela minha cintura e colou nossos lábios, comigo fechando os olhos e segurando sua nuca, logo no início do cabelo.
E então eu jurava lealdade completa a Illéa, sendo coroada e então coroando meu marido.
As pessoas se divertiam, as pessoas bebiam, as pessoas comemoravam, e lá estava eu, nos braços de ninguém mais, ninguém menos, que um rei que o país já tentou destruir o que eu reinava no momento. Aaron sorria, me girando pela pista de dança.
— Como você está, pirralha?
Pisquei algumas vezes, então fazendo uma careta.
— Preocupada.
Ele riu fracamente, então notando que estávamos prestes a ter a música mudada.
— Bem vinda ao poder, Rose. — Abri um sorriso fraco, com ele então parando de dançar e me abraçando. — Se precisar de um país, não hesite em procurar a Inglaterra.
Abri um sorriso fraco, concordando com a cabeça.
— E um amigo?
Ele piscou para mim.
— Está incluso no pacote. Foi bom te ver. Você está linda.
— Obrigada. — Retribui o sorriso, então vendo William caminhando até mim.
Seria uma longa noite.
Arthur e eu dançávamos, com ele animado, pela pista de dança, ele me contava sobre Heidi, que aparentemente fazia muito bem para ele. Ali estava o que eu gostaria de ter visto há muito tempo. Uma sombra passou por seu olhar por um instante antes dele continuar conversando comigo.
— Você acredita que vai longe? — Perguntei, notando que algo parecia estranho, até.
— Não posso prometer nada, espero que sim, mas...
— Amor acaba. — Ele concordou.
— Paixão, então, sem comentários.
Abri um sorriso triste, concordando. Nós dois sabíamos daquilo. A música terminou, outras vieram, pessoas dançaram comigo, inclusive meu melhor amigo, Matheo Delacroix, que tentava ao máximo manter a própria coroa sem cair, assim como eu. Era divertido ter ele ali.
Dancei com Dimka, que literalmente não conseguia ficar bêbado. Ele tentara, é claro, mas tinha desistido ao ver que eu encarava ele bebendo cada vez mais. Ele me puxou para uma dança, então, conversando sobre os planos que eu já sabia que ele tinha com Maxon, e que agora eram meus, ele também me convidou para o casamento dele, que seria na primavera do ano seguinte, a noiva, de acordo com ele, não era nenhuma Rosemarie Schreave, mas ele gostava dela, ela era divertida, além de bonita. Eu tinha conhecido ela algumas horas atrás, e ela uma russa que tinha nascido para ser rainha. Ela era linda, além de educada, ao contrário de mim alguns meses atrás.
E então eu me via nos braços de meu marido.
Caleb e eu dançávamos na pista de dança, comigo apoiando a cabeça em seu ombro, suas mãos em minha cintura, minhas mãos em seu pescoço, e ali estávamos.
Levantei meu rosto, puxando-o para um beijo antes de ver o irmão de Caleb caminhando até nós.
— Estamos partindo, Caleb. — Ele olhou para mim. — Rosemarie. — Abri um sorriso fraco, com ele se despedindo. Sua noiva também se despediu, assim como seus pais, com Daphne soprando um beijo para mim.
Foi quando eu olhei o salão, então soltando um suspiro cansado. Apenas os Schreave, com algumas exceções que incluíram Arthur e Dimitri — e suas acompanhantes —, estavam ali.
Estava na hora de partir para nosso último lugar como meros não-governantes.
A lua de mel. Onde meu pai manteria as pontas em Illéa e eu poderia aproveitar aqueles momentos sem nenhuma pressão.
Cannes, França.
Era esse o lugar no qual desembarcamos mais de quinze horas depois do final da festa de casamento, e demoramos uma hora de helicóptero até pousarmos na nova casa de verão da família Vermont, outra cortesia, agora do Rei, para nós.
Eu podia ver toda a cidade, o mar, os prédios, o porto, tudo, enquanto passávamos sobre ela, e eu podia dizer que estava apaixonada. Caleb ria das minhas expressões, nunca tinha estado ali por que preferia não usar as casas da família para aventuras sexuais. Eu realmente não gostava do termo, mas era quem ele era antes de Illéa.
A casa era feita de janelas e mais janelas, mas ainda tinha bastante madeira, criando um ar aconchegante. Três andares, segurança, e, é claro, privacidade.
Caleb me girou pela entrada da casa, tinha me tirado do chão minutos antes de entrarmos ali, comigo gargalhando alto.
— Prefere na cama ou na hidromassagem, querida? — Encarei ele, abrindo um sorriso.
— Nunca usei uma hidromassagem.
— Pra foder ou no geral?
— Pra foder. — Revirei os olhos para ele, com o mesmo rindo fracamente, então me colocando no chão antes de me puxar para um beijo, suas mãos segurando meu rosto, comigo passando as mãos pelo seu pescoço.
Senti ele andar comigo pela sala, então puxando uma porta e fechando assim que eu passei, tirando os saltos baixos que usava, sentindo ele puxar meu vestido após abrir o zíper. Eu já estava com outro vestido, é claro, já que tínhamos viajado, então o trabalho dele era bem mais fácil, era garantido que ele sofreria e muito com o vestido de casamento, eu podia apostar que ele não tinha muita prática com aquele tipo de vestido.
Abri sua camisa social assim que tirei sua gravata, já levemente frouxa, puxando o para um beijo assim que ele jogou-a no canto da sala cheia de janelas que estávamos, que mostrava todo o resto da casa, assim como tinha vidro no teto. A hidromassagem ali contida me chamava, devo dizer.
Parei de beijá-lo, então franzindo o cenho, ele levantou as sobrancelhas.
— Eu não sou sua querida. — Foi tudo o que falei antes de soltar meu sutiã, com ele rindo enquanto me beijava.
— Claro que não, Rose, claro que não.
Ele ligou a banheira que caberia pelo menos mais seis pessoas além de nós dois, então me puxando pela cintura até ele, comigo descendo as mãos, abrindo sua calça.
Ele desceu sua boca pelo meu pescoço, comigo empurrando sua calça, com o mesmo chutando-a, ele já tinha tirado os sapatos, restava-lhe a meia, que ele tirou rapidamente, ficando apenas de roupas íntimas. Eu só tinha metade das minhas.
Tirei o que restava de minha roupa, então fazendo um coque no cabelo enquanto descia meus beijos pelo corpo dele, praticamente me ajoelhando na sua frente antes de me levantar, abrindo um sorriso malicioso, ele quase conseguiu esconder as esperanças. Quase.
— Está esperando o que, querido? — Pisquei para ele antes de descer pela banheira, entrando ali dentro. Caleb tirou a cueca, então entrando logo atrás de mim, me virando pela cintura e me sentando em cima dele, ainda sem contato físico lá. Desci minha boca por todo o seu maxilar, chupando seu pescoço, então apertando suas costas ao sentir suas mãos em minha bunda, uma das mãos passando pela frente de meu corpo, me estimulando. A água já tinha enchido rápido, e agora apenas se remexia à nossa volta. Quanto mais dinheiro, mais qualidade, é verdade.
Caleb levou a boca a minha orelha, então mordendo o lóbulo dela e descendo os lábios pelo meu pescoço, apertando com força minha bunda enquanto o fazia, sua boca parou em meu ombro, com ele levantando o rosto.
— Me diga, Rose, você prefere gravatas ou banheiras?
Encarei ele por um instante antes de me arrumar em cima de seu corpo, rebolando levemente em cima dele.
— Estamos prestes a descobrir. — Me encaixei em cima dele, então soltando um suspiro, rebolando e colando nossas bocas.
Rosemarie Annabelle Schreave Vermont.
Aquilo era o início de uma história que eu adoraria escrever até o final. Caleb era a escolha certa, tudo parecia certo, apesar de todo o medo.
— Je ne pensais jamais que vous me faites tellement bien. — Falei, sentindo ele se remexer em baixo de mim, então nos levantando e me mudando de posição, ficando por cima de mim e me apoiando no pequeno banco que ele se apoiava anteriormente.
— Você me faz muito mais. — Respondeu, me puxando para outro beijo.
Estava na hora de fazer história, então.
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