Notas iniciais
Hey! Primeiro de tudo, quero agradecer por todos os comentários recebidos, mas... Observações nas notas finais, por favor, leiam elas! — Cams LaFont

Assim que passei pela porta de meu quarto — já meramente atrasada, devo dizer — notei um novo guarda andando pelos corredores do terceiro andar.

Gabriel Leger.

— O que faz por aqui, Leger? — Ele abriu um sorriso para mim, enquanto eu caminhava até ele, ouvindo meus saltos no mármore.

— O que imagina, docinho? — Não pude conter um sorriso, e passei meus braços por seu pescoço, enquanto ele me abraçava com força, apertando minha cintura. — Cercada de bofes, não? — Me afastei dele com um sorriso no rosto, lhe avaliando.

— Você fica muito bem de farda, Leger.

— E eu não sei? — Sorri ainda mais, sem conseguir conter minha felicidade ao vê-lo. Ele era uma das pessoas mais próximas de mim e Alexa, assim como Aaron... Só que Aaron não era gay, e Alexa e ele estavam em um relacionamento. Já Gabe, por outro lado... — Mas é sério, como está a vida amorosa? — Piscou para mim, enquanto eu olhava em volta, como se notasse só agora que estava atrasada para algo.

— Me esqueci completamente do jantar! — Nós dois sabíamos que eu estava apenas despistando-o, eu já estava á caminho do jantar quando encontrei com ele.

Enquanto me afastava dele, ele abriu um sorriso, gritando de volta para mim:

— Não vou me esquecer de lhe pedir a resposta, Rosemarie! — Ele não conseguiu ver minha expressão, porque eu terminei de descer as escadas e comecei a descer outro lance.

O sorriso animado que eu tinha em meu rosto se desfez quando parei nas portas do salão de jantar, só então notando que por estar tão atrasada, consequentemente teria todos os olhares voltados para mim. Ah, céus. Tudo bem, eu podia suportar isso, não era como se isso tudo nunca acontecesse.

Entrei dentro do salão de jantar, e como o esperado, todos os olhares se voltaram para mim, e se não, fiz questão de não notar, não conseguiria fazê-lo, mal conseguia manter minha expressão neutra.

Após conseguir despistar todos os olhares sob mim — ou ignora-los, dependendo o ponto de vista —, comecei a jantar, e pensar nos encontros que havia tido no dia de hoje.

Bryan Everhart e Denis Prado haviam sido meus encontros do dia de hoje, e não posso dizer que aproveitei de todos os segundos que passei com eles, porque seria mentira. Preferiria ter ficado em meu quarto estudando política do que ter saído com eles. Eu, provavelmente, estava sendo um tanto quanto drástica á situação, mas era simplesmente irritante ter saído com os dois.

Eles não eram pessoas ruins, muito pelo contrário, eram príncipes, então, beiravam a perfeição, só que isso havia me irritado, e muito, enquanto tentavam me conquistar — num gesto em comum de muitos príncipes, devo admitir — eles pareciam se esquecer de que, apesar de ser uma princesa e carregar uma futura coroa pesada, eu ainda era humana e apreciava muitas qualidades nas pessoas. Uma delas era a sinceridade, algo que eu sentia que os dois príncipes não haviam usado.

Eles eram pessoas comuns — se é que o termo “príncipe” antes de seus nomes se permita usar o comum —, medianos, sem mais ou menos. Haviam me feito rir em alguns momentos, como deveriam fazer, mas a vontade de manda-los embora havia predominado, e eu não havia o feito por um mínimo motivo: eu ainda queria lhes dar alguma chance antes de fazê-lo, sentia que era o certo á se fazer, apesar de que provavelmente mandaria os dois embora tanto quanto antes fosse possível.

Logo após o jantar, me retirei para meu quarto, onde terminei de ler um dos livros que Maxon havia recomendado, e minhas criadas interviram com um grande e maior significado: o Jornal Oficial de Illéa. Céus, eu não tinha a mínima ideia do que diria quando as câmeras focassem em mim, mas sentia que se não começasse a pensar logo, seria um pleno desastre... Em rede nacional. Juntando-se ao fato de que precisava agir como uma futura rainha e mostrar que era capaz disso aos meus pais, era preocupante não ter o que dizer já planejado. Mas também parecia bom, não queria agir como um robô, onde tudo havia sido metricamente calculado.

O jornal começou, enquanto eu tentava me manter apenas meramente interessada, sabia que tudo aquilo era importante, mas manter minha pulsação constante também era algo muito importante no momento. Não estava nem um pouco animada para parecer um pimentão em plena rede nacional.

Assim que consegui acalmar meus nervos — nem que minimamente —, passei a prestar atenção nos príncipes.

Eles eram bons em entreter o provo, devo admitir, mas falavam coisas que podiam se considerar normais, até. Claro que alguns se sobressaíam, como Caleb, que realmente me deixou curiosa sobre seu discurso. Ao invés de comentar sobre todas as vezes que saímos juntos, ele decidiu focar no que adoraria mudar em Illéa — sem ofender nosso país, obviamente.

E aquilo realmente me admirou, me fascinou. Ele havia ganhado alguns pontos comigo.

Erradicar a possível fome do país era algo que sempre ganharia pontos comigo. Tirar o país da miséria era algo que eu adoraria conseguir fazer. Não que todo o país estivesse na miséria, claro que não, afinal, mais da metade dele não passava fome desde que meu pai havia subido ao trono, mas ainda havia essa parcela da população que clamava por um prato de comida por dia, e eu queria que eles não precisassem mais fazê-lo. Aparentemente não era a única.

Eu também tinha que dar os créditos ao Sr. Blue, ele havia sido muito bom com seu monólogo sobre os vestidos e sobre quem era quem, era uma performance digna. E exatamente geniosa.

Meus problemas começaram quando Arthur Gravesen começou a falar. Céus, aquele garoto ainda iria me dar nos nervos, e muito.

Enquanto Alexa se acomodou em sua poltrona, eu sentia as dobras de meus dedos doerem.

— Veja só se não é nosso nadador! — Enquanto a plateia soltou alguns gritos animados, eu usei toda a minha força para não revirar os olhos. Céus, como ele era detestável. Tão egocêntrico.

Demoraria muito para tudo isso acabar?

Aparentemente, sim.

— Só nadando e morrendo na praia, ultimamente. — Era para rir? — Isso é deprimente, Gavril! — Talvez ele devesse entrar para um clube de teatro, se sairia muito melhor. — Só me resta rezar para que você esteja correto.

— Sobre o quê, jovem Romeu? — Fadae brincou com ele, o que me fez ter ainda mais vontade de que aquela entrevista acabasse logo, não poderíamos simplesmente pular para o final? Seria de enorme ajuda.

— Rezo para que minha Julieta realmente me odeie por um amor reprimido. — Ele voltou á se sentar de modo correto, ao menos isso. — É triste depender de uma fada madrinha para continuar na luta, sabe? — Ah, como eu odiava ele, depois de tudo o que já havia acontecido entre nós, ele ainda fazia questão de falar isso?

Que tipo de pessoa ele era? Queria se mandado embora com Rosemarie Schreave quebrando regras? Ah, caramba.

Eu poderia já ter gostado dele, admito — apesar de não me orgulhar nem por um segundo de ter sentido isso — mas... Ele não gostava de uma certa princesa na época, o que fez com que meu mero coraçãozinho mudasse de água para vinho, a partir do momento em que eu gostava dele, passei á não gostar, e esse sentimento foi nutrido por alguns poucos anos, crescendo e se tornando o início de algo muito pior: ódio.

— Se bem entendi, uma das irmãs quer você longe daqui, e a outra te mantém por perto. — Gavril Fadae podia calar a boca á qualquer momento que eu agradeceria. — Por que ela é tão generosa?

Eu jamais poderia ter imaginado o que viria á seguir.

— Não sei. — Admitiu o príncipe — Alexa, por que você ainda não me mandou embora?

Honestamente, e muito honestamente, eu poderia ter voado por todo o salão, ido diretamente até onde ele estava e apertado seu pescoço com tanta força que só conseguiriam me soltar de seu corpo morto quando eu quisesse.

Mas, obviamente, não fui o que eu fiz. Eu sentia todas as minhas terminações nervosas implorarem para que eu me levantasse daquela cadeira e mandasse o príncipe embora, contudo, não foi o que eu fiz.

— Se não me engano, seu tempo acabou, Gravesen. — Pouco me importava com essa droga de tempo, Arthur precisava sair daquele palco, e agora, caso contrário outras coisas aconteceriam, e não seriam muito boas para ambos os lados, mas arrisco dizer que seriam piores para o dele. Muito piores.

Raiva é um ótimo motivador, já comentei?

— Sim senhora, anjo. — Eu não conseguia crer no que tinha acabado de ouvir saindo de sua boca. Não conseguia. Ele sorriu, se levantou da cadeira e fez o cumprimento real na minha direção. Cafajeste.

Ele voltou para sua cadeira, enquanto toda a plateia gritava.

Ele era ótimo com ibope.

Após ele, veio o último á se apresentar, mas sequer gravei seu nome, estava mais ocupada ouvindo William tentando me acalmar.

— Não importa o que aconteceu entre vocês dois, esse cara é um babaca, está me ouvindo, Rose? — Eu olhava fixamente para Gravesen, que também não perdia tempo me encarando de volta, mas sentia que meu corpo relaxava á medida que ouvia a Davis. — Ele é um completo idiotia, e te juro que se pudesse lhe daria um soco, melhor? — Não pude conter um sorriso animado, e voltei meu olhar para William, que sorriu de volta á mim. — Viu? Você é muito melhor que ele, não precisa se atingir por quaisquer que sejam as provocações de baixo nível. — Concordei com a cabeça, e fiz uma nota mental para agradecer William depois, ele merecia isso. Acredito que nenhum dos outros príncipes próximos á mim teria muita coragem de enfrentar a fera que eu havia me tornado após a apresentação de Gravesen. Muitíssimo ao contrário, faziam questão de manter uma distância segura.

Após o jornal, eu e William caminhávamos pela entrada do palácio, desviando de todas as roseiras de seu jardim, nós dois rindo.

— Vamos lá, admita, até que foi engraçado! — Revirei os olhos para ele, mas não pude conter o riso, não tinha sido muito engraçado, pelo contrário, mas eu podia tentar me divertir com isso, ao invés de me irritar. — Fadae se saiu bem, devo dizer, ele notou que não seria uma boa ideia termos entrevistas com as princesas nessa noite.

William segurou minha mão, nos parando e se virando para me encarar completamente, ficando na minha frente.

— Aqui. — Ele pegou algo do bolso de seu paletó, um pequeno embrulho de seda. Tudo aquilo cabia em minhas mãos, mas ele fez questão de me fazer segurar e envolver minhas mãos. — Estava esperando que conseguíssemos um tempo sozinhos para lhe dar isso. Seu aniversário está chegando, e... Bem, você sabe. — Ele abriu um sorriso confiante, o que me fez sorrir de volta, e então olhei para nossas mãos juntas, pensando o que era o presente. — E eu sei o que você está pensando, então, não ouse abrir esse presente na minha frente. Isso sim seria humilhação. — Estreitei os olhos para ele, sem conseguir conter a curiosidade.

— Ok, certo, mas... O que é? — Implorei, enquanto voltávamos á andar, mas agora ele segurava minha mão esquerda, enquanto com a direita eu segurava seu presente.

Ele me deu uma olhada de rabo de olho antes de levantar o olhar para a lua.

— Você ainda espera que eu responda.

— Eu vou abrir aqui, então. — Fiz bico, enquanto ele bufava.

— Princesas são sempre assim mimadas?

— Nem sempre, eu, por exemplo, só tenho alguns problemas com príncipes fúteis e que não aceitam que abram seus presentes na sua presença.

— Uma pena, você terá de aprender a conviver com isso. — Piscou para mim, e então colocou a mão esquerda, sua mão livre, em seu peito, me olhando com espanto. — Á não ser que você não seja forte o suficiente com a curiosidade e me mande embora nesse exato momento. — Revirei os olhos para ele.

— Não seja tolo.

— Foi o que pensei. — Sorri para ele, vendo toda minha guarda andando por volta de nós dois. A guarda havia aumentado consideravelmente após a descoberta dos rebeldes sulistas, e também os únicos rebeldes que tínhamos informações no momento. Minha proteção estava muito mais dura, assim como a de Alexandra, ou de meus pais. Até mesmo os príncipes tinham escoltas maiores enquanto andavam pelos jardins, e etc, mesmo que não tanta quanto a família real tinha, eles ainda eram príncipes de outros países, então, imagine o problema que teríamos caso um grupo rebelde decidisse matar um deles? Nada bonito.

Logo depois me despedi de William, indo para meu quarto e abrindo seu presente.

Era uma pulseira fina de ouro, que continha alguns pequenos pingentes desenhados em algumas formas, uma das formas era uma pequena coroa. Parecia ser uma miniatura da coroa que o rei usava. Também havia meu apelido incrustrado em um pequeno filete de ouro.

Fui dormir sorrindo.

Por incrível que pareça, eu dormi bem. Ao menos até as três da madrugada, horário em que perdi o sono por completo e decidi levantar. Continuei trabalhando no projeto de aniversário até as quatro, horário em que fui até a varanda, vendo os guardas na rua ficarem á postos ao verem á luz da varanda acender, e me sentei ali, começando a ler um novo livro.

Era um dos diários de Illéa. Alexa havia me emprestado ele uns dias atrás após eu pedir, e estava quase no final, havia apenas parado para que pudesse trabalhar no aniversário e fazer o resumo dos livros de política e economia de papai.

Algumas horas depois, eu me sentia tentada á voltar para a cama, mas agora era tarde de mais para sentir sono, logo as criadas estariam no quarto, e eu estaria pior do que já estava.

Como imaginei, alguns minutos depois minhas criadas entraram nos meus aposentos, e a partir daí meu dia começou a ficar agitado.

Após o café da manhã, fui diretamente para o último andar do castelo, onde havia uma pequena sala secreta, na qual havia alguns livros perigosos para o futuro de nossa nação.

Olhei pela janela com um dos diários de Gregory Illéa em minhas mãos, apreciando a visão de Angeles que eu tinha, e então soltei um suspiro, me sentando no sofá e começando a folear o diário. Já havia dado uma olhada nele, mais por cima, mas não de modo tão detalhado e crítico. Se eu queria ser uma rainha, precisava conhecer pontos de vista de todos os reis anteriores, assim como de suas rainhas. Meus pais eram ótimos nisso, mas eu também queria mais opiniões, e a melhor fonte para consegui-las era Gregory, o fundador de nossa nação.

Não que ele tivesse sido muito bom para ela, devo admitir.

Horas depois eu saía da saleta, notando que logo seria meio dia, e precisava continuar com os preparativos para a festa de aniversário que estava por vir.

Assim que pisei dentro de meu quarto, America apareceu, desesperada.

— Meu Deus, minha filha, você tem noção de quantos guardas seu pai mobilizou?

— O que? O que aconteceu? — Perguntei, confusa.

— Achamos que você tinha sido sequestrada, ninguém soube de nada sobre você por horas, querida.

— Eu estava na sala secreta, lendo. — Minha mãe levantou as sobrancelhas, surpresa. — Esqueci de avisar, desculpe. — Ela abriu a boca e a fechou, completamente pasma.

— Você estava lendo? — Eu me sentia péssima depois dessa. Era óbvio que ninguém me procuraria por lá, isso era feitio de Alexa, eles provavelmente haviam me procurado nos estábulos, nos jardins, até mesmo na piscina, nos campos, em tudo, mas jamais me procurariam na livraria, e principalmente: jamais me procurariam na sala secreta. Era óbvio que esse pensamento sequer passaria por suas mentes.

— Sim, mãe, estava lendo. — Soltei um suspiro derrotado, era cansativo. Eu estava me esforçando, mas America havia acabado de me provar que tinha uma grande falta de confiança em mim sobre meus possíveis deveres como rainha.

Ela parecia ter notado que eu não estava muito feliz.

— Ah, querida, não me leve á mal. Não foi isso que pretendia dizer. — Ela disse, se aproximando.

— Claro que não. — Minha voz saiu fria, o que fez ela parar de se aproximar. — Alexa é a irmã que estão acostumados á ver lendo, entendo isso. Tudo bem.

A boca de minha mãe estava em uma linha fina, como se ela não soubesse como reagir.

— Eu acredito que você será uma boa rainha, mas ainda é estranho ver minha filha mais agitada sentada lendo um livro.

— Tudo bem, America. — Ela parecia ainda mais em choque por eu ter chamado-a pelo primeiro nome, e não por mãe. — Eu poderia ficar á sós? Estou bem cansada, e daqui a pouco é o almoço, preciso me arrumar.

— Claro, querida. — Ela ainda estava atordoada ao sair de meu quarto.

E eu estava chateada.

Por que tanta falta de fé em mim? Isso desanimava, e muito. Era como se todos já esperassem que eu não fosse levar á sério, ou que fosse estragar tudo.

Mas eu não ia. Não ia mesmo. Era capaz de fazer algo certo na minha vida.

Olhei meu relógio, e notei que na realidade não era nem perto de meio dia, ainda tinha uma hora e meia. Ok, eu havia feito um ótimo trabalho afastando minha mãe, e me sentia ainda mais como Alexa. Já havia visto isso muitas vezes entre minha mãe e minha irmã, mas nunca tinha sentido na pele, e devo dizer que não era um sentimento tão bom assim.

Saí de meu quarto arrumando meus cabelos, dando de cara com uma criada prestes á bater na minha porta.

— Alteza. — Ela disse, sem jeito.

— Sim? — Perguntei, tentando canalizar minha raiva para mim, a criada não tinha nada haver com meu mundo.

— Ahn, eu tenho um bilhete. — Ela pegou algo de dentro de seu avental, o típico uniforme do palácio, e me entregou.

— Obrigada, senhorita. — Ela abriu um sorriso sem jeito e sumiu pelo corredor, entrando no quarto do futuro príncipe de Illéa. Bem, em um dos quartos. Haviam quatro quartos desse gênero nesse andar. Meu quarto ligado á outro, e o quarto de Alexa ligado á outro. O terceiro andar do palácio havia sido adaptado após meu nascimento e de minha irmã, para que quando nós ficássemos noivas nossos noivos tivessem suas acomodações, mas o antigo quarto de meu pai ainda estava lá.

Para um irmão que nunca nasceu.

Desviei meus pensamentos para o pequeno cartão que tinha em mãos, e o abri, vendo que era um bilhete de um dos príncipes, mas esse não era de Erik, que não tinha assinatura — dessa vez, se fosse dele, mesmo sem assinatura eu saberia dizer que era seu —, era de Dimitri Ivanov.

Adoraria ter a honra de ver se seu nome faz jus ás flores. Em russo, Rose tem o apelido Roza, o que, consequentemente, significa Rosa em inglês. Apesar de duvidar muito que qualquer rosa no mundo seja mais bela que você, gostaria de tentar encontrar uma.

Eu tinha que admitir, foi bonitinho.

Tudo bem, foi mais do que isso, meu coração bateu um pouquinho mais rápido. Ele era bom, bem galante, e bom em elogios. Mas nossas roseiras também eram lindas, e elas, com certeza, deveriam ser absurdamente mais bonitas que eu. Agora eu estava tentada á lhe provar isso.

Entrei em meu quarto novamente, vendo que do outro lado do bilhete havia um aviso: “Onze horas. Você sabe onde me encontrar”.

Eu tinha algumas ideias, mas não tinha certeza sobre todas.

Deixei o bilhete em minha escrivaninha, assim, as criadas saberiam aonde eu havia ido caso precisassem entrar em contato — e ninguém precisaria me procurar — e saí de lá, tomando a decisão que poderia ir diretamente até o jardim que havia mais rosas.

Onde eu encontrei o Príncipe Ivanov.

— Você é boa em adivinhar as coisas. — Ele comentou, beijando minha mão, enquanto eu abria um sorriso para o mesmo.

— Obrigada, um palpite correto sempre ajuda. — Olhei em volta, e então para ele. — Como encontrou esse lugar?

— Pode não parecer, mas muitos russos apreciam a beleza. — A indireta pairou no ar. — E eu vejo muitas coisas belas por aqui. — Ele falou isso olhando para mim, e, caramba, eu não saberia dizer se ele era atrevido, galante ou apenas desesperado.

— Não irei discordar do senhor.

— Apenas Dimitri.

Concordei com a cabeça, começando a caminhar, o que fez o mesmo fazer o mesmo.

— Apreciando o palácio?

— Muito, senhorita, o clima de Angeles nessa época do ano é muito melhor que andar com casacos na Rússia. — Olhei para ele, curiosa. — É, bem, temos nosso verão por lá, mas nada se compara á aqui. Lá é extremamente frio no inverno, e no verão as temperaturas apenas aumentam um pouco. Ás vezes é possível tomarmos um banho numa piscina, e tudo mais, mas também é bem complicado encontrar um dia propício á esse banho.

— Entendo, deve ser um tanto quanto irritante. — Eu não gostaria de viver na Rússia, devo admitir.

— Você acaba acostumando, e muitas coisas também fazem valer a pena. — Eu concordei com ele, não poderia discordar disso.

Algum tempo depois, nosso encontro terminou com ele se despedindo — também com um beijo em minha mão, algo que já havia se tornado comum em meus encontros com a maioria dos príncipes.

Me peguei olhando os campos enquanto andava solitariamente por entre os arbustos e flores, e só notei que um príncipe me observava quando ele entrou na minha vista, tirando minha visão dos campos.

— Entretida pensando em como transformará esses campos em lindos castelos para governar? — Vermont me perguntou, parando ao meu lado e então olhando os campos, dos quais desviei o olhar para encará-lo.

— Você sabe que eu jamais faria isso.

— Sei, mas não poderia perder a oportunidade de provoca-la.

Um sorriso se formou em meu rosto, enquanto ele começava a caminhar comigo em silêncio.

— Dimitri foi ótimo com a cantada das rosas, tenho que admitir, queria ter pensado naquela antes.

— Você sabe que não é assim.

— Na realidade, é exatamente assim, Rose, pense comigo, todos os homens aqui já escolheram seus lados, muitos de forma errônea, devo dizer. — Eu não podia discordar, mas também não era obrigada á concordar. — Queria poder ter mais tempo com você. — Admitiu, enquanto eu abria um sorriso para ele.

— Você tem tempo agora, e além do mais, rosa, em francês, é rose, assim como no inglês, não há muito o que se preocupar com uma cantada dessas.

Ele levantou uma sobrancelha para mim, sem crer no que eu havia disso.

— Você acabou de me dizer que ele usou o clichê de Rose e Rosa com você?

— Sim, imaginava que soubesse. — Caramba, eu havia sido pega no flagra.

— E você caiu tão fácil? — Ele parecia incrédulo, agora.

— Bem, foi bonito o jeito que ele falou. — Me defendi, enquanto ele bufava.

— Não consigo crer que você, Rosemarie Schreave, caiu numa cantada tão fútil.

— Ei! Olhe como fala, continuo sendo uma princesa.

— E eu sou um príncipe, estamos quites. — Ele piscou para mim, olhando ás arvores que agora apareciam mais próximas, devido á nossa proximidade com os campos. — Caramba, Illéa é um dos países mais bonitos que já conheci, isso é algo que tenho de admitir.

— Duvido muito, a França é um país lindo, Sr. Vermont.

— Verdade, mas Illéa também é, principalmente com toda sua história, seus monumentos históricos, as pessoas... — Ele abriu um sorrisinho de canto de boca para mim ao dizer a última parte.

— Você é um fã de história? — Ele olhou para mim, e nós dois paramos de andar naquele momento, chegando ao fim do caminho de pedras, que se abria em um gramado.

Ele abriu espaço para que eu passasse por ele, indo em direção á uma fonte de tamanho mediano.

— História de países, sim, de guerras nem tanto. — Informou, me fazendo abrir um sorriso. — Imagino que por esse belo sorriso, você também.

— Imaginou corretamente.

Enquanto dávamos a volta pela fonte, soltei um suspiro.

— Honestamente, preciso me sentar, meus pés estão me matando.

— Céus, graças a Deus, achava que nunca ia pedir. — Ele riu fraco, o que me fez olhar para ele. — Eu notei que você estava cansada, quanto já andou por hoje com esses saltos?

Meu vestido sequer permitia que a ponta dos saltos fosse vista, era um milagre que ele tivesse notado.

— Bastante. — Eu não podia negar isso. Nós dois nos sentamos em um banco de madeira que havia perto da fonte, e encaramos a mesma.

Alguns minutos depois, ele pegou minhas mãos, as duas que estavam pousadas em cima de meu vestido, e as segurou, me forçando á olhar para ele.

— Sei que seu aniversário e de sua irmã está chegando, mas ainda não poderei lhe dar seu presente.

— Não estou pedindo por um, Caleb.

— Sei que não, mas queria lhe deixar isso claro, sei que outros príncipes já lhe deram os deles, muitos já estão se gabando por causa disso. — Essa era uma informação interessante. — Mas o meu precisa ser importado da França, e demorei tempo de mais para escolher ele, apesar de que acredito ter escolhido corretamente, não queria correr riscos de me enganar com seus gostos.

Estreitei os olhos após ouvir isso.

— O que você está planejando, Senhor Vermont? — Ele abriu um sorriso inocente, o que o fez ficar ainda mais bonito do que já era.

— Você verá, Alteza. Você verá. — Não pude deixar de ficar desconfiada. — Não fique assim! Você vai gostar.

— Odeio ficar curiosa.

— Eu sei, esse é um dos objetivos de deixa-la assim, gosto de ver você se perguntando o que eu posso estar planejando.

— Isso não é justo.

— Continuo gostando. — Bufei, soltando minhas mãos das suas e cruzando os braços. Estava mais fazendo uma cena do que realmente curiosa, gostava daquela pequena brincadeira, ou jogo, como fossem chamados, era interessante, e eu me sentia bem brincando com Caleb, era como se fosse o certo.

Alguns guardas apareceram alguns segundos depois, apressados.

— Alteza, Senhor. — Um dos dois guardas nos cumprimento, enquanto Caleb apenas assentia, e eu encarava-os. — O almoço já foi serviço, e o rei pede pela presença da senhorita.

— Claro, obrigada. Já estaremos indo. — O guarda que havia falado concordou, e os dois se afastaram, com Caleb se levantando e me mostrando sua mão, que aceitei.

Nós dois entramos no salão juntos — mas agora sem as mãos dadas, ou braços — atraindo a total atenção para nós dois novamente, e devo dizer que os olhares que Caleb recebeu estavam longe de serem amigáveis.

Na saída do almoço, acabei encontrando com Daniel, o príncipe esperto com vestidos. Italianos faziam jus á suas características, no final das contas.

— Obrigada pelo vestido, Blue. — Falei, me aproximando dele, enquanto o mesmo abria um sorriso convencido.

— Ah, sabia que iria gostar, todas gostam. — Piscou, fazendo graça. Não pude deixar de sorrir. — Mas, sinceramente, fico feliz que tenha gostado. Adorei lhe ver com azul. Azul é a cor do céu, e o céu só perde na beleza pra você.

Abri um sorriso contido, agora. Eu sempre não sabia como reagir á cantadas, era um pequeno problema, mas não era tão ruim assim, levando em conta minha posição — e a dos príncipes.

— Então você gosta do céu, correto? — Perguntei, lembrando de uma coisa.

— Claro. — Ele disse, meramente confuso.

— Gostaria de conhecer o céu de Illéa? — Fiz uma pausa. — Devo dizer que não é tão bonito de dia, afinal, você não conseguirá ver muito, mas pouco também não verá.

Ele sorriu, concordando.

— Claro, adoraria.

Subimos até uma área aberta do topo do palácio, como um terraço, apesar de ter mais um, o principal, esse aqui era mais utilizado para estudos astronômicos, e era por esse motivo que estávamos ali, sua luneta nos ajudaria, e muito.

Foi engraçado ver o quão entretido Daniel ficou com a luneta, parecia que ele havia nascido para aquilo, e não para a realeza. Era incrível ver o quanto uma pessoa podia ficar feliz ao lado de algo que gostava.

Desci com ele, rindo sobre o que ele havia dito sobre a forma de uma nuvem — piadas internas á parte —, e assim que o deixei na porta de seu quarto, subindo as escadas para o meu, vi Caleb sentado em um dos degraus, com uma expressão séria, talvez desolada.

Arrumei meu vestido, parando e me sentando ao seu lado.

— Aproveitando os outros príncipes, Alteza? — Ele tinha um tom um tanto quanto irritado em sua voz, o que me fez ficar preocupada.

— Eu deveria responder que não? — Minha voz demonstrava incredulidade.

— Não. — Falou, derrotado. — É só que... — Ele parou, se interrompendo por completo, como se tivesse sido impedido.

— Sim? — Pedi, queria saber o que ele tinha á dizer. Ele olhou em volta, e notei que os guardas tentavam tomar conta de suas vidas, mas ainda era extremamente tentador ouvir a conversa.

Me levantei, lhe mostrando a mão.

— Já sei onde podemos resolver essa conversa. — Ele suspirou, pegando minha mão enquanto subíamos para o terceiro andar, com todos os guardas nos segundo com o olhar. Subimos para o quarto andar por uma das escadas disponíveis, e então lhe mostrei o terraço. Não o que eu havia estado com Daniel alguns minutos atrás, mas sim um que eu nunca tinha trago ninguém. Exceto minha família.

— Trouxe seu príncipe italiano aqui? — Perguntou Caleb, com amargura.

— Não fale assim, Vermont. — O repreendi. — Sabe que não gostaria de manda-lo para casa.

— Bem, você está entretida com vários outros príncipes, não vejo razão para que você não queira me mandar para casa.

Senti meu coração doer.

— Você quer ir para casa? — Ele levantou o olhar, me encarando por completo, e ignorando a vista que tínhamos ali, com o sol praticamente prestes a começar á se por.

Responda que não, por favor.

— Não. Mas sinto que é isso que você quer.

— O que?! — Eu estava incrédula, tanto que soltei uma risada falsa. — Mas é óbvio que não, pra você não? — Ele fez um gesto negativo com a cabeça, travando o maxilar. — Mas que coisa, Caleb, eu saio com os outros, e você sabe muito disso, preciso disso, e á não ser que você tenha um bom e grande motivo para que eu mude isso, continuarei saindo com cada um deles. Isso continua sendo uma competição, independentemente do que eu sinto por você ou do que minha irmã sente pelos seus favoritos, ainda é uma competição e precisamos continuar com a mesma, gostando nós ou não, gostando você ou não.

— Então eu sou um de seus favoritos? — Perguntou, agora com um sorrisinho malicioso.

Céus.

— Não acredito que disse isso, não com um assunto tão sério.

Ele suspirou, mas assentiu.

— Ok, entendo o que disse, mas não concordo, e se eu tiver um motivo muito bom para que eu seja o único que você consiga ver na seleção? Como, por exemplo, Aaron. Aaron é ótimo com Alexa, vejo algo que muitos outros competidores não veem nos dois. A maioria continua investido em Alexa, o que é engraçado, mas é ótimo pra mim, tenho mais Rose. — Revirei os olhos para ele, mas cruzei os braços, o encarando. — Certo, estou perdendo o foco.

— Absolutamente.

Eu esperava que ele fosse continuar debatendo sobre como era possível que eu me tornasse uma pequena Alexa com sentimentos, mas não, ele parou na minha frente, levantando meu rosto com uma de suas mãos, me fazendo encarar aqueles olhos azuis.

— Posso ser mandado embora por isso, sabe? — Eu estava em choque, não sabia o que dizer.

Sua boca se aproximou, e então, pela primeira vez na vida, beijei alguém.

Caramba.

Suas mãos ficaram em meu rosto, enquanto as minhas foram para seu peito, o mesmo que eu sentia os botões do paletó, mas ainda conseguia sentir algumas elevações. Ele provavelmente deveria usar e abusar de atividades físicas. Não que fosse ruim.

Ele se afastou, me olhando curioso.

— Acreditei que ia levar um tapa.

— Eu estou tentada á isso. — Ele abriu um sorriso cafajeste que eu nunca tinha visto em seu rosto, e então parou.

— Espere, esse foi seu primeiro? Julgando o fato de que você viveu trancafiada nesses portões, e antes da seleção nunca deve ter se relacionado com nenhum outro...

— Sim, foi, Vermont. — O cortei, revirando os olhos.

— Bem, vamos fazer o segundo valer mais á pena.

E sua boca estava novamente na minha.

Notas finais
Primeiramente: Qualquer crítica construtiva é bem aceita. E "segundamente": Gente, mais de 60 leitores e sequer dez comentários no último capítulo? Eu e a Drama conversamos, e eu estou pedindo o e-mail dos leitores, que mandem por comentários, para que caso a fic seja excluída por falta dos mesmos, os leitores que comentam não sejam prejudicados e ainda possam ler a continuidade da fic. Sério, gente, mais de 60 leitores e sequer 10 comentários? Qualquer escritor fica chateado com isso. Amamos vocês, mas isso super desmotiva. Bem, lembrem-se que TC tem um tumblr para que ajude vocês na compreensão dos personagens e tudo mais: http://two-crowns.tumblr.com/ Vejo vocês nos comentários! ^^