Notas iniciais
Olá! Como vão? Mais um capítulo online, que espero que gostem :3 Outra coisinha: Mio dios, CINCO recomendações? Não sei o que dizer, mas, mesmo que a Drama já tenha agradecido para as três que havíamos recebido até o último capítulo, quero agradecer á elas e as duas novas recomendações: Evil Queen, Lú, L Anon Mellark, Maah e Gabii Bieber, muito obrigada! — Cams LaFont

Eu me sentia sufocada. Não com um travesseiro em meu rosto, ou com mãos em meu pescoço, me sentia sufocada com presença das pessoas, com esperança, com homens, com tudo.

Céus, quando eu havia invertido esse pequeno papel com minha irmã?

Eu estava — ainda, ao menos — animada para a Seleção, mas parecia algo tão... diferente. Tão incerto, tão confuso.

Sentia que nada mais parecia correto. Não que sempre fosse assim, era óbvio que não era, tínhamos essa ilusão por falta de opções, de escolhas, era algo comum para mim, mas no momento que me deram uma chance, uma única e pequena chance, uma nova possibilidade, tudo pareceu piorar. Ou melhorar, não saberia dizer no momento, de tão conflitantes que eram minhas emoções.

Honestamente, eu estava feliz por ter a chance de tentar, até mesmo ter a chance de provar que conseguia ser alguém que poderia fazer algo sem errar, mas... E se eu falhasse? Além de decepcionar muitas pessoas — incluindo meus pais, que estavam apostando em mim, e um país inteiro, eu estaria tirando possíveis chances de minha própria irmã ser feliz.

Se já não bastasse pressão suficiente, ainda tinha que me preocupar com Alexa sendo feliz. Céus.

Acho que eu nunca fiquei tão feliz pela desculpa “Seleção” quanto naquele momento. Havia dormido mal na última noite, e somando ao fato de não parar de pensar nas decisões que tinha que tomar, e nas minhas novas chances, eu estava péssima. Como minha própria tia havia dito.

America não estava errada, contudo, também não estava completamente correta. Ela tinha falado uma meia verdade: sim, estávamos com essa aparência cansada, talvez exausta, por causa da Seleção, mas era muito mais que isso. Alexa tinha coisas para se preocupar — incluindo um relacionamento dentre vários outros — e agora eu tinha um treinamento.

Escapuli rapidamente do Salão das Mulheres, indo diretamente até meu quarto, onde troquei de roupas e logo após isso fui até os estábulos, pegando minha égua e montando-a.

Horas depois eu me encontrava na biblioteca real.

— Se não é a Princesa Schreave. — Ouvi uma voz conhecida atrás de mim e me virei, vendo Matheo Delacroix sorrindo desdenhoso para mim.

Eu poderia fingir ser Alexandra, afinal, ela já havia feito isso comigo e não seria nada mal, mas eu gostava de Matheo, e não poderia dizer o mesmo de Alexa. Ela detestava-o. Se não mais.

— Ao vivo e em cores. — Abri um sorriso tranquilo, e ele pareceu confuso.

— Espere... Rose? — Ele piscou algumas vezes. — Nunca esperei te encontrar por aqui.

— Não é o único. — Ele sorriu, se aproximando e pegando o livro de minhas mãos, olhando a capa e então me encarando de modo questionador.

— Eu estou muitíssimo confuso.

— Coisas reais, estou decidindo que posso tentar. Essas coisas. — Tentei não falar de mais, por mais que imaginasse que Matheo soubesse de muito mais coisas que os outros príncipes, ainda não podia falar de mais.

— Ah, o cachorrinho de Alexa. Ele é filho único, não?

Soltei um suspiro, assentindo.

— Entendo. Se quiser... Posso te ajudar. — Eu não saberia dizer até que ponto ia sua personalidade e seu interesse, e se aquele interesse de me ajudar era realmente real, ou ele estava ali com terceiras intenções.

— Eu adoraria, mas não poderei no momento. — Isso era uma meia verdade. — Preciso resolver algumas coisas e voltar para o Salão das Mulheres.

— Ah, aquele salão. — Ele revirou os olhos, desdenhando outra vez. — Acho que vejo você mais tarde, então. — Concordei, me virando e pegando o segundo livro, procurando pelo terceiro, e então saindo dali, enquanto ele passava os olhos por livros aleatórios. Ele deveria, provavelmente, estar apenas matando tempo.

E então eu tive um encontro no meio do corredor com o único príncipe que eu gostaria que estivesse no próprio país, e não no meu. Arthur Gravesen.

— Alteza.

— Senhor.

Ele parou na minha frente, mudando a posição de pernas.

— Sinto que você não irá me chamar para sair em nenhum momento, até que Alexandra decida me mandar embora, estou errado?

— Não. — Ele mesmo podia decidir ir embora. Agora. Agora mesmo. Eu não me importava, muito pelo contrário.

— Posso saber seus motivos?

— Ainda não é hora. — E, infelizmente, ele não estava indo para casa.

Com essa deixa, caminhei até as escadas e subi até o segundo andar, vendo a porta do escritório de papai aberta. Talvez o termo aberta não seja correto, ela tinha uma pequena brecha de abertura, o que não era comum, e também havia algo estranho... Não havia guardas no corredor. Mesmo que fosse mudança de turno, esta era uma área que dificilmente ficaria sem guarda algum, exceto em ataque rebelde, o que não estava acontecendo nesse exato momento.

Caminhei pelo corredor, parando na porta, e então decidindo á abrir sem sequer bater. Seja lá o que Maxon pretendia deixando-a assim — e totalmente desprotegida, sem guarda algum — ele não precisava se preocupar com uma de suas filhas se intrometendo, certo?

Abri a porta mais cautelosamente do que pensei que faria, e dei de cara com dois príncipes.

Um deles olhava papéis, sentado na cadeira do Rei. O outro estava olhando o armário atrás da mesa de meu pai, os dois completamente centrados em seu trabalho.

E eu continuei ali, até mesmo me encostei na porta, olhando o que faziam, totalmente absortos á minha presença.

Para espiões, eram realmente péssimos nesse serviço.

— Como imagino que não notaram minha presença, devo dizer que vi mais do que vocês dois gostariam. — Na primeira palavra dita os dois já haviam me encarado, assustados, seus nomes refletindo em seus broxes.

Fritz Boettger e Anthony Well. Aqueles nomes não iriam sair de minha mente.

— Antes de ir conversar com minha irmã sobre isso, gostaria de saber o que pretendiam encontrar nesta sala. Além de estarem atuando como traidores, é claro, eu gostaria de saber a verdade. É o melhor que podem fazer nas suas posições, no momento.

Pela primeira vez na vida, vi príncipes em desespero, completamente surpresos e apavorados.

Aquilo seria até mesmo engraçado, se não fosse complicado e perigoso. O que eles queriam?

— Precisávamos saber qual de vocês duas, Alexandra ou Rosemarie, era a sucessora ao trono. — Fritz se pronunciou, recebendo uma olhada nem um pouco bonita de Anthony. — Você é qual?

— Compreendo que vocês dois estão aqui pela coroa, mas porque não trabalhar juntos de maneira á fazer eu e minha irmã nos apaixonarmos por cada um? Parece um plano muito melhor.

— E mais demorado. — Anthony se pronunciou. — Nós dois precisávamos focar na sucessora. E esta é Rosemarie, Boettger.

— Bem, como imaginam, vocês podem arrumar suas malas, e de preferência devem embarcar ainda hoje. Não posso manter dois traidores em baixo de meu nariz, principalmente em uma competição tão séria, algo que vocês dois realmente não levaram a sério. Apenas irei conversar com Alexandra por uma questão de regras, mas, como devem imaginar, eu não sou a irmã mais dura. Recomendo que não esperem pela janta.

— Mas... — Fritz parou de falar assim que levantei minhas sobrancelhas. — Certo, ordens são ordens.

— Ao menos isso um de vocês compreende. — Deixei os dois passarem por mim, os mesmos de cabeças baixas, sem ousar me encarar.

Fui até o terceiro andar, onde contatei um guarda sobre o ocorrido, e imediatamente ele entendeu a ameaça que poderia ter com o emprego de muitos guardas, sumindo dali.

Deixei os livros em meu quarto e notei um pequeno bilhete em minha escrivaninha. Ele tinha meu nome em letras cursivas e douradas, mas eu não via o nome do remetente em lugar algum.

Abri o bilhete, vendo uma letra ainda mais vaidosa ali, e comecei a lê-lo:

Senhorita Rosemarie, como deve estar se perguntando, e provavelmente deve ter olhado a assinatura no final desta carta, não encontrando nada, lhe darei uma informação valiosa: não irei dizer meu nome nesta carta. Caso queira descobrir quem escreveu isto, encontre-me no jardim noroeste, em qualquer horário do dia, estarei lhe esperando lá, e em caso de dúvidas, basta pedir á um guarda que a acompanhe.

Ao seu dispor e curiosidade, desconhecido.

Mordi o lábio, tentando pensar em qual príncipe poderia ter escrito isso, e então peguei o envelope, dobrando o papel cuidadosamente dentro do envelope, e então indo até os espelhos que tinha em meu quarto, passando as mãos pelo cabelo.

Nesse momento não seria tão mal ter minhas criadas aqui, mas não iria chama-las.

Saí de meu quarto com a carta em mãos, descendo as escadas e seguindo pelos corredores, logo me encontrando em um dos jardins e caminhando pelas pedras bem postas em forma de caminho, logo já me encontrando no jardim noroeste.

Ele estava de costas para mim, olhando o sol já á pino. Céus, ainda não era nem meio dia. Tudo isso realmente havia se passado em tão pouco tempo?

Fiz uma nota mental de avisar á Alexa antes que me esquecesse, mas ainda tinha algumas horas antes de mandar os dois príncipes embora oficialmente. Não que realmente precisasse fazê-lo, eles sabiam muito bem o caminho até as portas do palácio. Mas eram as regras, afinal.

Caminhei lentamente até o príncipe, vendo os guardas nos olharem ansiosos e curiosos de suas posições.

— Você não deveria deixar uma princesa curiosa á esse ponto. — O corpo dele ficou um tanto quanto tenso, provavelmente estava surpreso, e então se virou para me encarar com um sorriso fraco nos lábios.

— Não imaginei que viria tão cedo.

— Subestimar a curiosidade de uma mulher é algo realmente perigoso, Senhor Nightwell.

— Anotarei isso. — Ele pegou minha mão, levando-a á seus lábios e depositando um beijo ali.

Eu me forçava á lembrar de sua ficha. Erik Nightwell, País de Gales... Vinte e um anos de idade.

Até que eu não estava tão mal assim.

O encontro foi bem, e honestamente, ele era um homem muito cativante, ele simplesmente conversava sobre tudo, sobre meus interesses, sobre os dele, eu não saberia sequer descrever uma sensação após o encontro, já que... Bem, eu não sabia sequer o que sentia.

Encontrei com Tia May nos corredores, á caminho do almoço, e ela me abriu um sorriso um tanto quanto malicioso.

— Qual era o sortudo da vez?

Soltei um risinho baixo, vendo Erik passar pelas portas que eu havia acabado de entrar, e parou ao meu lado.

— Senhora.

— Me chame de Senhorita, caso contrário jamais lhe darei uma benção para casar com minha sobrinha. — May abriu um sorriso tranquilo para Erik, que sorriu, assentindo.

— Senhorita.

— Muitíssimo melhor. — Não pude conter um sorriso, enquanto May passava o braço pela minha cintura, começando a caminhar comigo para longe do príncipe.

Assim que estávamos longe o suficiente, ela falou:

— Me conte, ele beija bem?

— Tia! — Mas não pude conter o riso, por mais embaraçosa que fosse a pergunta. — Eu ainda não beijei nenhum deles. — Ela fez uma careta desaprovadora em minha direção.

— Teremos que mudar isso logo, logo.

Eu sentia que ter tia May por perto durante a Seleção faria tudo ser ainda mais animado do que deveria, e adoraria isso.

Assim que o almoço terminou, acabei tendo de voltar para o Salão das Mulheres, onde passei a tarde resolvendo assuntos sobre a festa de aniversário, tendo um apoio básico de Alexa em alguns momentos, a mesma que estava vidrada em um livro novo que tinha em mãos.

Observei Alexa por cima dos papéis que escrevia e fazia anotações, vendo ela ler com um sorriso tranquilo no rosto, que continuava mesmo quando ela franzia a testa para alguma cena do livro em suas mãos.

Ela estava feliz. Um tanto preocupada, mas também mais feliz do que eu jamais tinha visto.

Ao que parece, a Seleção também fazia bem á nós.

Peguei meus papéis, decidindo ir para meu quarto terminar aquilo, e dando boa noite ás damas. Continuei caminhando pelo corredor, tendo alguns problemas com os papéis em minhas mãos, mesmo que tivessem uma pasta para isso, ainda não parecia ser o suficiente, afinal, eu também tinha um livro comigo.

E acabei derrubando tudo ao esbarrar com alguém numa virada de corredor.

— Me desculpe, senhorita, eu não... — Reconheci Nathan, meu professor, enquanto ele me ajudava a levantar do chão. Afinal, não era tão simples ficar em pé após um encontro daqueles e com os saltos que eu estava.

— Está tudo bem. — Ele pegou rapidamente minhas coisas do chão, pegando um dos papéis perdidos e lendo-o sem sequer notar.

— Aniversário chegando? — Perguntou, me entregando o papel, e então olhando para mim. — Ah, me desculpe novamente, Alteza. Eu não deveria estar fazendo perguntas tão estúpidas e...

— Está tudo bem. — Ri fraco, ele poderia ganhar de mim em uma competição de desastres. — Sim, como você deve imaginar, o meu aniversário e de minha irmã está próximo, e a responsável pela festa sou eu.

— Ah, certo. — Ele parecia desconfortável, o que tornou a situação ainda mais engraçada. — Já pensou nos músicos? — Ele pareceu notar isso agora. — Se quiser, posso lhe recomendar alguns ótimos, sei que a senhorita deve ter várias recomendações reais, mas também conheço ótimos músicos.

Mordi o lábio, pensando.

— Eu adoraria, acho que preciso ouvir músicas novas, assim como toda a realeza. — Não pude deixar de rir de minha própria piada, mesmo que Nathan não estivesse entendendo muito. E então me lembrei de uma coisa... — Senhor, se eu conseguisse uma autorização, você poderia trazer alguns músicos de rua para o palácio, algum dia desses?

Ele parecia em choque, mas retomou a consciência rapidamente.

— Me chame de Nathan, alteza. Não sou ninguém da realeza, e muito menos alguém importante para que me chame assim. — Concordei com a cabeça. — Eu poderia tentar, e seria uma experiência incrível, somando-se ao fato de que você poderia aprender muito com eles e se tornar uma musicista ainda mais incrível do que é, seria ótimo.

Concordei com a cabeça novamente, animada com a ideia, apesar de sentir que ela não seria muito bem aceita pelo Rei. Completos desconhecidos dentro dos muros do castelo? Até meus pais tinham seus limites.

Mas Nathan estava errado, e por mais que eu desejasse o contrário, ele estava tremendamente enganado.

Havia mais um competidor na seleção, eu podia notar, e ele estava conseguindo ganhar meu coração aos poucos, tão lentamente como aprender a cavalgar, ou ler um livro, aprender sobre economia ou qualquer outra coisa, eu estava sentindo a pequena faísca começar a surgir — talvez isso fosse se apaixonar, afinal —, mas esse novo competidor na Seleção, que só então eu havia notado, estava muitíssimo enganado. Ele se considerava uma pessoa que não era importante.

Eu discordava completamente. E meu coração também.

E ao invés de pensar negativamente sobre o que estava acontecendo lá no fundo do meu próprio coração, eu estava feliz. Até agora, os príncipes só haviam se mostrado presentes, pessoas inteligentes, leais, racionais e... bom, não acionavam nenhuma alavanca em meu peito, que fazia com que eu perdesse o ar ou algo do tipo, sequer faziam aquela faísca aparecer. Eu estava feliz por sentir aquela faísca que estava sentindo com Nathan.

— Vou tentar resolver isso com o Rei. — Nathan concordou, e abri um sorriso fraco, me despedindo com ele e começando a andar, mas parando e me virando após tomar uma decisão. Eu seria feita delas se subisse ao trono, e eram elas que poderiam me definir, então por que não começar desde já? — E... Nathan? — Ele me encarou, um tanto quanto confuso. — Me chame de Rose.

Eu, obviamente, não iria descobrir agora se essa havia sido uma boa ou péssima decisão, mas meu coração insistia em repetir: ótima decisão, princesa.

Pena que até onde eu sabia o coração e o cérebro não trabalhavam juntos.

Me sentei na escrivaninha, abrindo a pasta e pegando alguns papéis, e juntando o livro á minha pilha. Péssima tentativa de distração.

“Me chame de Rose”.

Ah, droga.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e encontro com vocês nos comentários! ;) Críticas, além de elogios, são MUITO bem vindas, então... Já sabem! Lembrando que a fanfiction tem um tumblr de apoio, que com ele vocês não ficarão confusos entre os personagens: http://two-crowns.tumblr.com/ Até o próximo ^^