Two Crowns
10 Capítulo IX
Notas iniciais

Assim que Rose saiu do Salão das Mulheres, não prolonguei minha permanência lá por muito mais tempo. Tia May olhava-me muito curiosamente, sem dúvidas querendo saber detalhes sobre a Seleção. Contudo, conhecia tão a mim quanto à Rose demasiadamente bem para ter uma noção geral do que se passava dentro de nossos cérebros e corações naquele momento.
— Alexandra — mamãe me chamou, forçando-me e a tirar os olhos do livro. Era uma cópia de um dos diários de Gregory Illéa e, admitisse eu ou não, minha cabeça ainda girava em torno da política. — Precisamos conversar. Pensei que talvez fosse melhor com a ausência de Rose, ela não está nos seus melhores dias.
— Claro, vamos conversar. — respirei fundo, tentando evitar um ataque de raiva. Eu sabia muito bem sobre o que America gostaria de conversar. — E, quanto à Rosemarie, eu fiquei assim por dezessete anos, ela vai sobreviver.
— Filha... Maxon sabe que você anda o ignorando. — ela encarou as próprias mãos, sem ter a certeza de como prosseguir — Mas espero que entenda que não estamos fazendo isso por mal. O coração muda. Ele faz algumas escolhas que no momento parecem tão certas, e, na realidade, não são. Eu e seu pai não queremos que se envolva tão a fundo com o senhor Thompson, porque isso pode impedi-la de fazer a escolha certa.
— Tudo bem. — voltei a encarar o livro. Poderia ser a futura rainha da Inglaterra, entretanto, agia como se tivesse oito anos. — Já tive essa conversa com ele, você não precisa se envolver nos nossos assuntos.
Era injusto com minha mãe? Era. No entanto, era a verdade.
Apressadamente, saí do salão, lançando um olhar de desculpas para tia May. Ela nada tinha a ver com a situação toda, só que compreendia. Pela posição, constatei que era em torno do meio-dia, mas pouco me importava. Não estava com fome, de qualquer forma. Passei pelo jardim, vendo um vulto de minha irmã com mais algum dos príncipes. Ela levava aquela coisa muito a sério. Subi até meu quarto, jogando-me na cama. Lorena havia arrumado tudo tão rapidamente que constatei que tivesse seguido meu conselho: arrumar duas ajudantes.
Eu precisava esfriar a cabeça. Odiava brigar com meus pais, mas eles pareciam pedir por isso nessa última semana. Por impulso, fechei a porta rapidamente e me troquei, colocando meu maiô favorito e uma saída de praia. Iria nadar. Era o melhor a se fazer: gastar energia. A piscina me transformava. Fora construída especialmente para mim, uma vez que eu me apaixonara pela água numa viagem à Inglaterra. Já saía do quarto quando uma mão me segurou pelo braço.
Era ele.
— Gabriel? — sorri, confusa — Meu Deus, Gabe, é mesmo você? — pulei em seus braços, apertando-o com força.
— Pode crer, baby. — o garoto respondeu. Quando me afastei, vi o quanto ele havia mudado nesses últimos seis meses. O loiro, que sempre fora forte, estava ainda mais musculoso. A definição de seus braços era facilmente notável por baixo do uniforme da guarda. Gabriel também estava mais alto, provavelmente com quase dois metros. — Oficial Gabriel Leger a seu dispor, Vossa Alteza.
— Não seja ridículo — revirei os olhos. Os orbes verdes do garoto, porém, mantinham o sorriso tranquilo. — Eu cresci com você, o que me dá a autorização para lhe espancar caso me chame novamente de alteza. Entendido, Gabe?
— Entendido, senhora. — ele riu, puxando-me num abraço e beijando minha testa. — Senti saudades, pirralha.
— Você é dois meses mais velho, não me chame de pirralha. — cruzei os braços, ainda sorrindo. — Alexa e só.
— Tudo bem, Alexa e só.
— Alguém está piadista demais ultimamente... — sorri, maliciosamente. — Pelo jeito está levando uma vida sexual ativa, porque né... — Gabriel corou. Meu Deus. Meu Deus. — Santo Deus...
— É... — ele riu descontraidamente. — Você deveria tentar.
— Quem é o bofe?! — Eu praticamente gritei. Ah, e, sim... Gabriel é gay — Como você não me fala essas coisas?
Tudo bem que ele não era assumido, e que não seria muito legal caso Aspen descobrisse sobre o filho, ou mesmo qualquer pessoa. Somente eu e Rose sabíamos sobre a opção sexual de Gabe, e era um segredo que levaríamos ao túmulo se ele não saísse do armário antes disso.
— Tudo ao seu tempo, baby. — ele riu — Mas recomendo que se apresse. Se fui bem informado de toda essa loucura que tem acontecido, você tem algo como uns três encontros hoje.
— Nem me fale. É realmente melhor eu ir... — abracei-o uma última vez, afastando-me. De súbito, virei-me novamente para o garoto. — Vai ficar responsável por mim?
— Confiaria em mais alguém? — sorri, negando. Gabe me conhecia.
— A propósito... — falei, já descendo as escadas — Você fica bem de farda.
Retornei ao Salão das Mulheres antes de ir nadar. Mamãe e tia May não estariam mais lá, e eu havia prometido ajudar Rose com a festa. Ainda que um dia ela fosse ter que lidar com isso sozinha, eu sabia que minha irmã não estava preparada psicologicamente para lidar com a situação toda. Organizar uma festa inteira pela primeira vez é algo extremamente cansativo e estressante. Poderia levar qualquer um à loucura.
Demorou menos do que eu esperava. No fundo, eu sabia que minha irmã precisava provar a si mesma que conseguia se virar sozinha, por isso acabei ajudando-a menos do que poderia. Queria falar-lhe sobre Gabriel, contudo, a presença insistente e próxima dos guardas me forçou a adiar essa conversa. Em vez disso, Rosemarie me contou sobre o que vira um pouco mais cedo: príncipes “espiões”.
— Já os mandei embora, — ela se explicou — só achei que deveria lhe informar.
— Espero que não fiquem para o Jornal Oficial. — comentei. O olhar de pânico que atravessou a face de minha irmã a entregava: ela havia se esquecido disso. — Corra. — sorri, e ela realmente correu.
Achei que teria finalmente meu momento de paz quando fosse para a piscina, entretanto, o destino brincava comigo. O lugar estava lotado. Tudo bem, não lotado. Porém, a mera presença de dois príncipes já me tirava do meu estado estável. Prendi o cabelo e tirei a saída de praia, disposta a entrar na água e não sair tão cedo, mas uma voz me impediu.
— Belas pernas, princesa. — era Andrew. E, meu Deus, que corpo. Por um milésimo de segundo eu me perguntei por que raios todos eles tinham esse corpo estrutural, no entanto, o motivo era óbvio: Rose havia mandado os outros embora.
— Sorte sua ter falado das minhas pernas. — sorri — Sol ou piscina?
— Piscina. — disse — Sol é para nosso amigo lá.
Não pude deixar de rir com o comentário de Andrew. A vinte metros de nós, aproximadamente, um dos príncipes passava bronzeador e se estirava ao sol. Tinha a pele morena: no mínimo, trabalhava em manter a cor “garoto verão”.
— Quem é aquele? — perguntei, confusa. Só então notei que ainda não conhecera a maioria deles.
— Nicholas DanBrook. Moldávia. — Van Persen respondeu. No mesmo momento, o garoto bronze se levantou, aparentemente notando minha presença, e se encaminhou até nós. Andrew sussurrou. — Cuidado, ele está armado com o bronzeador.
— Senhorita Schreave — o príncipe tinha um sotaque romeno. Charmoso. — É um prazer.
— Igualmente, senhor DanBrook. — cumprimentei-o, educadamente. Andrew segurava a risada. — Vejo que está aproveitando o Sol de Angeles, deve ser triste não ter praias em seu país. — agradeci mentalmente à Silvia pelas aulas de geografia. Se não por elas, como eu saberia o que inferno é a Moldávia?
— Ah, o clima de Angeles é incrível. — ele colocou os óculos escuros. Deus, o que tinha de sexy, tinha de fútil. — Perdão, princesa, mas devo me retirar. O Jornal é em pouco tempo, preciso estar pronto. — e, assim, saiu.
— Espere... — o príncipe holandês comentou comigo — O Jornal Oficial de Illéa não é daqui a seis horas?
— É — sorri. — Levar mais tempo que minha irmã para se arrumar é realmente uma qualidade deplorável em um príncipe.
— Ele precisa encontrar um terno com o corte preciso e na tonalidade certa para gerar um contraste nítido e não tão chocante, mas atrativo, com o tom de pele bronzeado caramelo dele, Alexandra. — Andrew suspirou dramaticamente. — Tem noção de quão complicado isso é?
— Tem noção de quão homoafetivo isso soou, Van Persen? — gargalhei, olhando para a água. — Uma corrida?
— Ganho um beijo? — ele arqueou a sobrancelha.
— Vai ter que ganhar de mim primeiro.
O príncipe holandês perdeu a corrida. É claro que perderia, eu não apostaria se não tivesse a certeza de que ganharia: herdei isso de meu pai. No fim das contas, nadar foi realmente relaxante. Andrew sentara-se à borda e ficara contando meu tempo. Eu havia melhorado notoriamente nos últimos dois anos, via isso nos milésimos de segundo que reduziam a cada semana.
— Cinquenta metros em vinte e seis segundos? — ele parecia espantado — Nada mal, hein.
— Um dia quebro o recorde mundial — fiz piada. Reduzir um centésimo era dificílimo. Quatro segundos, impossível. Saí da piscina. Já havia passado mais de duas horas nadando, nesse ritmo, não andaria no dia seguinte. — Droga! Esqueci minha toalha.
— Use a minha. — ele pegou a toalha sobre a espreguiçadeira e a colocou sobre meus ombros, levantando meus cabelos de modo a deixa-los por cima do tecido. — Já estou seco.
— Obrigada. — sorri. — Vou levar um ano para tirar todo esse cloro do meu cabelo. — resmunguei.
— Peça umas dicas para o senhor Ken. — Van Persen deu risada. Ele pegou minhas coisas, carregando-as enquanto voltávamos ao palácio. Com a mão livre, segurou a minha. Era até gostoso andar de mãos dadas com ele, tinha que admitir. — Então a senhorita gosta de nadar? Interessante.
— Gosto de muitas coisas. — corei ao notar que seus olhos azuis escuros me encaravam fixamente. — E você?
— Gosto das suas pernas. — ele riu, desviando o olhar. Parecia confuso. — Gosto do seu beijo também.
— Você nunca me beijou para saber.
— Meus sonhos não contam? — Andrew riu.
— Não — revirei os olhos, rindo — E, não, isso não é um desafio.
— Tarde demais.
O moreno me beijou. Algo no meu subconsciente já esperava por isso, ainda que algo no meu consciente — e com isso, quero dizer meu pensamento em Aaron — dissesse que era errado. E era errado. Coloque uma mão no peito de Andrew, ainda sentindo o toque macio dos seus lábios nos meus. Aos poucos, afastei-o delicadamente. Não sei se feliz ou infelizmente, contudo, o príncipe não entendeu o gesto como uma tentativa desesperadora de me livrar dele.
— Eu... — abaixei a cabeça, sem graça. — Eu... — Eu o que? Não sei, precisava falar alguma coisa. — Eu vejo você no Jornal — gaguejei.
— É... Acho que nos vemos lá. — Van Persen também parecia sem saber o que fazer.
— Não vou mandar você embora por me beijar. — revirei os olhos, entendendo o sentindo por trás da sua dúvida e insegurança. — E obrigada pela toalha. Vou pedir para providenciarem outra para você.
— Obrigado você. — ele comentou, confundindo-me — Pelo beijo, quero dizer.
— Agradeceria muitíssimo se deixasse isso entre nós. — pedi, e ele concordou imediatamente com um aceno.
— Não quero perder a chance de lhe roubar outro qualquer dia, não se preocupe.
Sorri e subi as escadas. Andrew era extremamente atrevido. Talvez isso o colocasse em problemas, o que não seria legal. Por mais que meu coração já pertencesse a Aaron, eu gostava da companhia do dono dos olhos azuis o suficiente para mantê-lo no castelo por mais um tempo.
Levei quase uma hora no banho. Lorena me xingava em todas as línguas possíveis por destruir meu cabelo no dia da primeira aparição pública após o início da Seleção. Se ela não fosse vegetariana, provavelmente teria comido meu pâncreas. Com o passar do tempo e meio quilo de máscara hidratante, porém, os nós se dissolveram e os fios voltaram à sua maciez natural.
— Nervosa para a apresentação de hoje? — outra das criadas, que não Lorena, perguntou.
— Um pouco — admiti. — São vinte e cinco príncipes. Dez a menos do que quando começamos, e a verdade é que eu nem faço ideia de porque mais da metade deles foi embora. Rose definiu tudo.
— Diga que foi falta de química. — a terceira propôs. Lorena havia feito boas escolhas. — Serve como desculpa para tudo.
— Ótima ideia. — sorri concordando, enquanto elas me preparavam para o jantar.
Foi um dos jantares que começara mais cedo em toda minha vida. Ao que parece, todos os príncipes teriam algo como dois minutos de conversa com Gavril Fadae, sobre seus gostos e pretensões. Nisso, seria gasta quase uma hora só sobre a Seleção. Assim, definiu-se que o Jornal Oficial de Illéa começaria uma hora e meia mais cedo. Eu teria que correr.
— Não entendo porque não usa mais vezes essa cor... Fica bem em você. — Arthur Gravesen foi o primeiro príncipe que encontrei no salão. Aparentemente, eu estava adiantada. Minha irmã, por outro lado...
— Verde não é uma das minhas favoritas. — sorri, segurando o braço que ele havia estendido a mim. — Não tive tempo de fazer isso antes, mas quero que saiba que fico agradecida por ter me encobertado esses dias.
— Não tem de quê, Alexa. — ele sorriu. Ainda não entendia porque minha irmã não gostava dele. Arthur sempre fora muito educado comigo, e suas segundas intenções sempre foram discretas, ainda que eu soubesse delas desde o último ano. — Ouvi boatos de que você encantou alguns corações com esse belo corpo essa tarde... — o dinamarquês riu ao me ver corar.
— Não posso nem nadar em paz com toda essa loucura. — revirei os olhos. — E você, ainda vive nas piscinas?
Paixão pela água era algo comum a mim e ele. Fora durante o natal do ano anterior que eu aprendera as melhores técnicas de nado em velocidade. E Gravesen fora meu professor. Talvez por não ter passado tanto tempo quanto eu passara com ele que Rosemarie se incomodava com a presença de Arthur. Admito que, a primeira vista, não passa de um garoto mimado.
— Eu tento, mas o clima não ajuda muito na frequência dos treinos. — o loiro sorriu, parando de caminhar e se virando de frente para mim. — Poderíamos marcar qualquer dia. Faz tempo que não vejo suas pernas.
— Deus! — exclamei — Por que vocês tiraram o dia para falar das minhas pernas?
— Simples, suas pernas são lindas. — a voz de Aaron soou em meus ouvidos e não pude impedir que um arrepio percorresse toda minha coluna. Ele se pôs a meu lado e encarou o dinamarquês. — Poderia nos dar um momento?
Arthur concordou e se retirou, contudo, não sem antes me dar uma piscadela.
— Olá, senhor ciúmes. — segurei a mão do inglês, entrelaçando nossos dedos discretamente. Estávamos atrás de uma coluna do salão do jantar, e não chamávamos a atenção em meio a tantos príncipes e criados que serviam a refeição.
— Olá, senhorita que me dá motivos. — ele abaixou os olhos. Droga. A maior evidência de que Aaron não estava bem era o fato de ele abaixar os olhos. — Vi você com o Van Persen. — Nó na garganta. Como reagir? Por sorte, ele prosseguiu. — Sabe, tenho uma bela vista da piscina da varanda do meu quarto. Vi vocês conversando e andando de mãos dadas. E depois... Depois o DanBrook começou a falar sobre suas pernas e...
Okay. Ele não tinha visto nada.
— Ei, ei. — aproximei-me mais dele e me encostei a seu peito. Aaron soltou a respiração, e só então notei que ele a prendia. — Eu prometi a meu pai que iria tentar abrir a mente sobre essa loucura toda. Só assim tenho a possibilidade de escolher você. E ele tem que me ver tentar. Mas isso não muda em nada o que sinto por você, Aaron Edward Thompson. Estamos entendidos?
— Estamos. — ele me abraçou. — Eu acho.
Eu não conseguia ver seus olhos de cachorro abandonado. Era de partir o coração. Subi minhas mãos por seu peito, colocando-as atrás de sua nuca. As mãos do inglês, por sua vez, puxavam-me pela cintura para mais e mais perto. Aquela sensação era incrível; parecia haver mini choques em cada ponto que nossos corpos se tocavam. Os lábios de Aaron começaram em minha nuca, subiram para minhas orelhas e tocaram minha boca por um milésimo de segundo antes que um pigarro nos interrompesse.
— Sem querer ser a chata, mas acho que vocês não vão querer ficar se agarrando com Maxon prestes a chegar ao salão. — tia May sorriu maliciosamente antes de dar meia volta, girando seu vestido amarelo rodado, e sair.
— Vai ao meu quarto hoje? — perguntei, afastando-me.
— Não. — ele sorriu. — Você vai ao meu.
O jantar passou sem mais delongas. Rose apareceu atrasada, atraindo toda a atenção para si em seu vestido alaranjado. Eu tinha uma inveja branca dela. Mesmo com a Seleção, as aulas de política, a festa a ser planejada e o Jornal Oficial, ela estava impecável. Todos os príncipes — e isso incluiu Aaron — desviaram o olhar para ela por longos segundos. Menos um. Matheo. O suíço apenas lhe deu uma olhada rápida e voltou a me fitar, até que eu o encarasse de volta. Tinha um sorriso no canto dos lábios e eu não entendia o motivo, entretanto, sabia que tinha alguma relação com o presente que ele me dera. E que eu não abrira.
A curiosidade acabou tomando conta de mim e, assim que o jantar acabou, corri de volta para meu quarto, ignorando os olhares curiosos de Gabriel. Peguei o pacote estrategicamente escondido sob a cama e o abri sobre a escrivaninha. Assim que as primeiras camadas do papel de embrulho se desfizeram, percebi que era um livro. Com certeza que já havia lido, pensei comigo mesma. Ledo engano. À minha frente estava nada mais, nada menos, que um exemplar do Kama Sutra.
Eu iria matar Matheo Delacroix.
Folheei as páginas apressadamente, lendo as anotações numa caligrafia fina. Eram repletas de informações como “melhor se mais perto” e “mais fundo se mais inclinado”. Aquilo me enojava.
Eu iria esquartejar Matheo Delacroix.
Ainda avançando pelas anotações, encontrei um envelope dentro. Tinha mesma caligrafia das anotações, com meu nome no lugar usual do destinatário. Não sei se pelo ódio ou mesmo se pela curiosidade, não tardei a abrir a carta. Era pequena, quase um bilhete. O sangue subiu minha cabeça já nas primeiras palavras:
Lexi,
Venho humildemente lhe oferecer esse livro, um dos meus favoritos, por sinal. Trata-se da única cópia existente com minhas incríveis anotações sobre como melhorar ainda mais nossas possíveis futuras noites juntos. Sei que gosta de ler, e não consegui encontrar presente melhor que um livro; que fosse um que não tivesse lido, então.
Sei que se considera inocente e pura demais para uma leitura de tal padrão, entretanto, tente enxergar isso como um desafio. Em minhas anotações estão minhas teorias, e até o mais leigo dos homens sabe que uma teoria só se torna uma lei quando comprovada experimentalmente.
Boa leitura,
P.S.: Você fica incrivelmente mais sexy quando está brava.
Eu iria queimar os pedaços de Matheo Delacroix.
Duas batidinhas na porta fizeram com que eu corresse e escondesse o livro e a carta sob o travesseiro. Tentei me recompor, no entanto sabia que meu rosto provavelmente estava vermelho e que o ódio era nítido em meus olhos. Que ousadia da parte dele. Mal sabia que eu poderia simplesmente enviar Gabe ao seu quarto. O suíço morreria dormindo, mas não era aquilo que eu queria. Delacroix iria sofrer — e muito — antes de implorar pela morte.
— Senhorita? — Lorena me chamou, tirando-me de meus pensamentos insanos sobre mil e uma maneiras de torturar Matheo. — Desculpe interrompê-la, mas precisamos arrumá-la.
O vestido era deslumbrante. Uma das criadas — cujo nome era Iris, se não me engano — comentou que se tratava de um presente de um dos príncipes. Aparentemente, nenhuma das três poderia dizer de qual se tratava, contudo, deixaram escapar que Rosemarie também havia ganhado um. Enquanto elas preparavam meu cabelo, deu uma rápida olhada na etiqueta, ou melhor, na ausência dela. Isso indicava uma confecção própria, e só havia um lugar no mundo capaz de fazer vestidos tão belos quanto aqueles: a Itália.
Ao sair do meu quarto, encontrei Rose descendo as escadas. Usava um vestido azul cobalto tão lindo e trabalhado quanto o meu. A confusão estava evidente em seu rosto e, ao me ver, atrasou o passo.
— Daniel Blue. — expliquei. Demorou um pouco para cair a ficha dela de que ele era o príncipe Italiano, todavia ela logo entendeu.
— Acho que ele se enganou com as cores... — ela fez um muxoxo ao ver meu vestido vermelho. — É a minha favorita.
— Não acho que seja um engano. — suspirei. — Talvez ele queira ser o único capaz de nos reconhecer desse modo esta noite.
Quando as luzes de acenderam e Gavril Fadae anunciou que estaríamos no ar em cinco minutos, meu coração parou. Eu havia esquecido completamente de que eles iriam querer nossos relatos sobre a Seleção, e eu não havia preparado nada. Os vinte e cinco príncipes se acomodaram em seus lugares, alguns aparentemente tão nervosos quanto eu. Aaron me sussurrou algo como “boa sorte”, logo após se virando para conversar com Andrew. Aquilo não poderia piorar.
Matheo se juntou aos dois numa conversa animada. Minhas bochechas começaram a esquentar. Raiva. Os vestidos funcionaram como uma distração diante àquela situação, porém pouco importavam agora. Eu precisava socá-lo o mais rápido possível.
— Filha, você está bem? — Maxon me perguntou. Por um momento, pensei em ignorá-lo como havia feito nos últimos tempos, mas decidi que era melhor não. Meu pai poderia não ser um aliado, mas seria ainda pior se decidisse ser meu inimigo nessa guerra entre cérebro e coração.
— Estou. Só um pouco nervosa. — menti.
— Eu costumava ficar pálida com essas aparições, não corada. — mamãe se pronunciou, rindo.
— Não está ajudando. — resmunguei.
Eu mal vi quando o programa começou. Foquei-me em apenas observar o que se passava no telão, vez ou outra permitindo que um sorriso se formasse no canto de meus lábios. Gavril deu as boas vindas e logo em seguida as entrevistas começaram, por ordem das províncias.
— Senhor William Davis, representante de Columbia, que tal algumas palavras para a população de Illéa? — Fadae propôs, indicando a poltrona à sua frente.
— Será um prazer, mas você pode me chamar de William — ele sorriu, virando-se para a plateia. — Todos vocês.
Várias entrevistas se seguiram, todas seguindo o mesmo padrão: os príncipes falavam um pouco de si e suas pretensões com a Seleção. Obviamente, todos pareciam esperar encontrar a mulher da vida deles. William foi o primeiro, seguido de Denis Prado, do Equador e de James Miller, da Polônia.
— Então, senhor Miller... — Gavril sorriu — Há alguns boatos de que o senhor está profundamente apaixonado por uma das irmãs. A informação confere?
Mas que droga, Fadae, deixe de ser tão invasivo.
— Sim, confere. — o ruivo sorriu, corando. — Sei que parece um tanto quanto recente, contudo, a personalidade dela me encantou desde o momento que tivemos nossa primeira conversa.
Quê?!
— Poderia nos dizer qual delas possui o seu coração em mãos?
Cale a boca, Gavril!
— Melhor não... — o polonês recuou ao olhar minha expressão nada feliz. — Tenho medo da rejeição — fez piada.
Assim que James saiu, Aaron foi chamado. Ele se portava magnificamente bem. Ainda que Maxon se esforçasse para esconder as estatísticas de mim, Rose deixara escapar que ele era um dos favoritos da população para se tornar o novo rei de Illéa.
— Senhor Thompson, que prazer revê-lo. — o apresentador sorriu para a plateia. — Faz cinco meses desde o Natal, não? Parece uma eternidade.
— Com certeza, Gavril. — Aaron se inclinou mais. Parecia completamente confortável. — Eu já estava com saudade de Illéa, é um país incrível.
— Imagino que com saudades das princesas, também. Quero dizer, você é um competidor em potencial, um dos que conhece a mais tempo nossas queridas Rosemarie e Alexandra, certo?
— Tenho certeza de que isso não vá afetar a decisão dela. — o inglês sorriu.
— Dela? No singular?
A plateia ficou em silêncio. Droga.
— Ah, Gavril, sejamos sinceros... Confiaria em algum príncipe que dissesse que está apaixonado pelas duas? — Aaron tencionou os músculos. Não havia planejado aquilo.
— Você tem razão, senhor Thompson... Imagino que ela deva ser muito importante para que você abandonasse seu pai doente e viesse disputar pela coroa.
— Primeiro, ela realmente é tudo para mim. E, segundo, não estou aqui pela coroa. Se... Ela... Quisesse abandonar a monarquia e viver como nômade, eu iria.
— Olhe só, alguém está apaixonado... — Fadae comentou, seguido de um “awn” da plateia.
— Não é paixão. — Aaron corou. — É amor.
Ele foi aplaudido ao se sentar. Talvez a história de abandonar tudo pelo amor tivesse tocado meu pai. Minha mãe segurava o choro. Rose mantinha o olhar fixo nos príncipes, e decidi fazê-lo também. Soltei o ar e voltei a observar as apresentações. O príncipe russo foi o seguinte. Falou pouco, principalmente sobre não ter tido tempo o suficiente com nós duas para que pudesse ter uma opinião — e um sentimento sobre nós — formados. A sinceridade dele pareceu ser seu ponto mais forte.
Dimitri Ivanov foi seguido por Kol Peterson, da Grécia, e Andrew Van Persen. Graças a Deus o holandês optou pela discrição, evitando fazer comentários que pudessem resultar em perguntas mais íntimas sobre sua relação com as princesas. Nicholas DanBrook foi o seguinte. Exultou o clima de Illéa e a afabilidade da população. Ao que parece, o boneco Ken havia ganhado alguns pontos com o povo.
Logo depois vieram Erik Nightwell e Patrick Hampson. Também muito discretos e curtos nas respostas, buscaram mais cativar a plateia que relatar os acontecimentos da última semana. Caleb Vermont fez um monólogo sobre as mudanças que ele planejava para Illéa caso se tornasse rei. Devo admitir, o francês falava bem. Seria uma boa opção para Rose, pois governaria a seu lado e manteria o país nos eixos. Louis Delfont também optou pela questão política, contudo parecia ter preparado o que falar. A falta de espontaneidade me fez duvidar de suas capacidades. E então chegou Matheo.
— O que tem achado da Seleção, senhor Delacroix? — Gavril perguntou. Estava mudando algumas perguntas, já que tudo parecia repetitivo.
— Ah, é uma situação única, isso lhe garanto. — ele riu, seguido da plateia.
Deus, não acredito que eles caíram no falso carisma dele.
— Já teve alguma conversa mais particular com alguma delas?
Cruzes, Fadae, segure essa curiosidade.
— Não do jeito que você imagina. — ele cruzou as mãos, inclinando o corpo na direção do apresentador. — Eu já conheço as duas há algum tempo, como deve saber. Não vou dizer que meu coração pertence a elas, como o meu querido amigo Aaron, mas uma delas me cativa profundamente. Por incrível que pareça, ela não me suporta.
Eu. Não. Acredito.
— Entre tapas e beijos? — Gavril riu. A plateia, contudo, parecia curiosa demais para prestar atenção no que ele falava.
— Só entre tapas mesmo. — Matheo suspirou. Falso. — Talvez seja isso que me cativa: eu não sou nada para ela. Tenho vontade de saber o porquê.
— Amor reprimido? — ele deu de ombros.
— Torço para isso, ainda que duvide muito. — ele riu. Ao se retirar, parecia sério. Olhou para mim e deu uma piscadela. Maldito. Ele queria me ver perder a calma.
O bom era ter um tempo para me recuperar entre as apresentações chocantes. Julian Arnold e Jacob O'Brien falaram pouco, contudo foram sinceros, como Dimitri. Fillipe Astor disse menos ainda, abusando do carisma, na tentativa de conquistar a plateia — ou, até mesmo, uma de nós duas. Até onde sei, Rose também não havia saído com ele. Alex Toil e Kevin DeLuca seguiram o caminho das pretensões políticas, bem como Caleb e Louis. Saíram-se bem, admito. O próximo a ser chamado por Daniel Blue.
— Senhor Blue, é um prazer conhece-lo. — observei atentamente a entrevista do Italiano. — Conte-me, o que tem achado da Seleção?
— Ah, Gavril, ela é repleta de desafios... — sorriu.
— Será que poderia nos dizer algum deles? — o apresentador instigou.
— Bom, o primeiro dilema é descobrir qual das duas princesas, Rosemarie ou Alexandra, é cada uma. Entenda meu lado, as duas são idênticas. — ele riu, seguido da plateia.
Facilmente manipuláveis, credo.
— Já conseguiu superar esse? — Fadae provocou.
É claro que ele conseguiria.
— Levou um tempo, só que aprendi a me virar com relação a isso. — sorriu em direção a mim e eu, instintivamente, revirei os olhos. — Tenho certeza de que muitos aqui errariam se lhes perguntassem quem é quem.
Touché.
— Parece-me tão confiante... — Gavril brincou. — Qual é qual, senhor Blue?
Difícil.
— Alexandra de vermelho, Rosemarie de azul. — respondeu rapidamente.
— Confirma, princesas? — o apresentador nos encarou, e as câmeras em nossa direção se acenderam: estávamos no ar.
— Confirma. — Rose respondeu, sorrindo. Graças a Deus ela intercedeu. Eu não atuaria tão bem.
Depois do incrível plano — e incrível digo sem ironia, foi realmente bom — de Daniel em se parecer superior aos outros, foi a vez de Kyle West. Corei ao me lembrar de que havia me passado por Rose, entretanto ele não citou o acontecido. Foi discreto, apenas comentando que gostava da companhia das princesas e que a Seleção o surpreendia a cada dia. Dustin Hemsworth, Santiago Lands e Bryan Everhart apenas respondiam ao que Gavril perguntava. Chegava até mesmo a ser entediante. Todavia, eu lhes dava esse direito: o Jornal Oficial de Illéa nunca fora tão cansativo. Quando chegou a vez de Arthur Gravesen, minha irmã se segurou em seu lugar. Acomodei-me mais no meu e esperei o show começar.
— Veja só se não é nosso nadador! — a plateia soltou alguns gritinhos. Digamos que quando algumas imagens de Arthur usando sunga apareceram nos tabloides de toda Illéa no Natal passado, ele conquistara metade da população feminina.
— Só nadando e morrendo na praia, ultimamente. — fez piada. — Isso é deprimente, Gavril! — ele se atirou na poltrona, dramatizando ainda mais. — Só me resta rezar para que você esteja correto.
— Sobre o quê, jovem Romeu? — foi a vez de Fadae brincar.
— Rezo para que minha Julieta realmente me odeie por um amor reprimido. — sentou-se decentemente, voltando à seriedade. — É triste depender de uma fada madrinha para continuar na luta, sabe?
— Se bem entendi, uma das irmãs quer você longe daqui, e a outra te mantém por perto. — Arthur concordou. — Por que ela é tão generosa?
— Não sei — admitiu. — Alexa, por que você ainda não me mandou embora?
Choque. Tudo bem, eu estava tensa. Imaginem Rose, porém. A garota tinha os dedos brancos de tanto fazer força. Definitivamente, eu não queria estar no lugar dela.
— Se não me engano, seu tempo acabou, Gravesen. — minha irmã praticamente rosnou.
— Sim senhora, anjo. — Arthur sorriu, levantou-se da cadeira e fez o cumprimento real na direção de minha irmã. Logo depois, voltou ao seu lugar entre os príncipes. A plateia gritava. O dinamarquês era bom com o ibope, Rosemarie sabia disso.
O último a se apresentar foi Jeremy Delano. A verdade é que nem sei sobre o que ele falou; estava mais preocupada com um possível surto de Rose. Felizmente, não aconteceu. Talvez fosse o olhar de Davis sobre o dela que a manteve calma. Ele sussurrava alguma coisa para minha irmã, e aquilo fez com que ela relaxasse.
William merecia um prêmio.
Talvez ele até ganhasse esse prêmio, na forma de mais um encontro com Rosemarie. No entanto, realmente não é da minha conta.
Gavril Fadae se esqueceu — ou achou por bem fingir esquecer — do discurso das princesas. Com isso, o Jornal Oficial de Illéa acabou antes do esperado. Graças a Deus. Eu não aguentava mais.
Subi correndo para meu quarto, livrando-me dos meus sapatos no momento que cheguei lá. Quase morri de felicidade ao ver que as criadas haviam deixado minha camisola e meu roupão separados sobre a cama. Elas mereciam uma bonificação por me encobrir nesses passeios noturnos. Troquei de roupa rapidamente e observei as luzes de apagarem aos poucos. Tinha oito minutos até os guardas se posicionarem no segundo andar. Saí do quarto na mesma velocidade que entrei, mas trombei com algo duro no caminho.
Gabriel.
Ele me olhou de cima a baixo, avaliando as possíveis razões que me levavam a sair do quarto no meio da noite e vestida de modo não usual para uma princesa. Já estava abrindo a boca a fim de implorar pela ajuda quando ele sorriu maliciosamente.
— Precisa de uma camisinha ou seu bofe já tem?
Assim que o choque passou, comecei a rir.
— Desculpe-me, não tenho uma vida sexual de dar inveja, ao contrário de você. — sorri, afastando-me e deixando um Gabe envergonhado para trás.
Desci apressadamente a escadaria que leva até o saguão dos quartos dos príncipes, esquivando-me dos pilares e das obras de arte. Assim que cheguei ao quarto de Aaron pensei em bater à porta, contudo as vozes dos guardas se aproximavam mais. Entrei sem bater.
Deus é bom.
Que visão que tive. Aaron Thompson estava de costas para mim, apenas de cueca. Tinha as costas esculpidas, os braços grandes e definidos. Suas pernas eram grossas e torneadas, e, admito, até sua bunda era excepcionalmente linda.
Aquele homem era a perdição.
Não sei se foi melhor vê-lo de costas ou quando de virou. O peito e a barriga fortes, os músculos tão evidentes que não parecia ter uma gota sequer de gordura no corpo todo. Comecei a corar. Fitei seus olhos verdes sorridentes. Por sorte que o inglês não fazia o tipo tímido, eu não saberia como reagir caso ele ficasse sem graça.
— Eu... Hum... — pigarreei, encarando o canto do quarto — Perdão, fiquei com medo dos guardas me verem, então entrei sem bater.
— Não tem problema. — ele respondeu, vestindo uma calça como pijama. Só a calça. Nada de camiseta. Bom ou ruim? Não sei. — Ei, você está corada? — Aaron riu, aproximando-se um pouco mais.
— Desculpe-me, eu... — encarei o outro canto. — Eu não estou acostumada em ver algo assim todo dia.
— Deveria. — ele respondeu de modo tão sério que consegui retornar o olhar ao seu. — Se tudo der certo, vai ver isso aqui toda noite.
Sorri. Não havia maldade nele. Talvez uma pequena malícia aceitável.
— Que tudo dê certo, então. — aproximei-me mais dele e lhe dei um selinho. Por incrível que pareça, Aaron parecia não esperar por aquilo. — O que foi?
— Não achei que tivesse coragem de me beijar no meu quarto, principalmente comigo seminu. — riu. — Você tem certeza disso? Poderia fazer coisas horríveis com você.
— Nada que você faça com esse corpo pode algum dia ser horrível, Aaron Thompson. — brinquei, puxando-o para a cama. — Se tudo der certo, algum dia vamos fazer mais do que beijar e com você mais do que seminu, então não tenho com o que me preocupar, certo?
Os olhos dele ficaram negros. Que aquilo era desejo, eu já sabia, mas nunca havia visto alguém ficar daquele jeito tão próximo a mim. Ele nos deitou na cama, colocando-se sobre mim. Os arrepios voltaram a percorrer meu corpo no momento que senti sua barba por fazer roçar em meus ombros e meu pescoço.
Aaron me beijou como nunca antes. Sua boca era quente e voraz, seu corpo estava completamente encostado ao meu. O inglês me levaria à loucura. Subi minhas mãos pela lateral de seu corpo, até a nuca. Involuntariamente, comecei a arranhar suas costas de cima a baixo.
Virei-me de modo a ficar sobre ele, e puxei meu corpo para trás, sentando-me em seu colo. Na tentativa de não separar o beijo, Aaron também se sentou, mas eu já estava sem ar. Afastei meu rosto do dele e aproveitei os momentos de pausa para tirar o roupão, ficando apenas com a camisola.
— Isso é errado. — ele comentou, recobrando a consciência e se jogando sobre os travesseiros. — Muitíssimo errado.
Eu ainda estava sentada sobre ele e respirando com dificuldade. Aaron tinha razão. Aquilo era tremendamente errado. Deitei-me sobre ele, beijando sua testa e, depois, me jogando a seu lado.
— Totalmente errado. — concordei.
— Deus, como o errado é bom. — ele sussurrou para si mesmo, entretanto a proximidade era tanta que não pude deixar de ouvir. — Alexandra Schreave, você vai me deixar louco.
— Eu disse que é errado, não que não vamos fazer. — sussurrei em seu ouvido. Instintivamente, as mãos dele voaram para minha cintura. — Algum dia, pelo menos.
— Não diga essas coisas em voz alta, você me deixa numa situação desconfortável. — ele riu, olhando para teto e acariciando minha cabeça que então repousava em seu peito. — Por que não mandei o convite de casamento antes? Por que quis esperar seu aniversário de dezoito?
— Porque você queria me dar oportunidade de escolha, claro. — brinquei.
— Sem chance. — ele nos virou mais uma vez na cama, voltando a ficar por cima. Seria uma longa noite de “quase lá”. — Você é minha.
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