Notas iniciais
Hey, pessoal, espero que gostem do capítulo! Quem está postando o capítulo é a Cams (LaFont), mas deveria ser a Drama (Queen), só que ela está viajando, então sou eu quem posta! — Cams LaFont

Não foi um dia cansativo, apesar de tudo. Mesmo com toda a correria devido ao tempo gasto com os príncipes, eu estava nitidamente bem adaptada a situações como essa. Contudo, realmente sentia falta de ter um tempo para mim mesma enquanto o sol ainda brilhava. Com as reuniões com minha irmã e papai, as aulas com mamãe, e a insistência de Silvia em nos repassar todas as regras de etiqueta antes do jantar — cujo motivo ainda não entendi, já que nesse ponto Rose e eu nos portamos muito bem —, só consegui ter um tempo livre depois das oito horas.

Levantei-me da mesa após o jantar e subi as escadas principais, tentando me concentrar mesmo com os olhares curiosos de vinte e sete príncipes sobre mim. Pela visão periférica, notei que Rosemarie não tardou muito a se retirar também. Suspirei. Ela já havia marcado dois encontros e tudo o que eu queria era ficar sozinha. Não sozinha, exatamente, mas algo a respeito de minha ética me dizia para não marcar um possível encontro com Aaron tão cedo.

Assim que cheguei ao salão do terceiro andar, corri em direção a meu quarto. Ficava do lado oposto ao de Rose, e eu era capaz de ouvir certa movimentação no quarto dela. Provavelmente estava se arrumando mais. Deus, por que ela estava tão empolgada com essa coisa ridícula? Aproveitei-me da ausência dos guardas em minha porta e rapidamente adentrei o quarto, jogando os saltos em algum canto e colocando sapatilhas. Digamos que era por extrema necessidade.

Virei-me para a porta, com o intuito de sair novamente, mas os guardas haviam se materializado lá. Droga. Eu precisava sair. Não aguentava aquele sufoco, aquela pressão. Necessitava urgentemente de ar puro. Do meu refúgio naquele castelo. Abri a veneziana que dava na sacada e mergulhei no frio da noite. Quando criança, eu já havia escapado pela varanda várias vezes, mas será que conseguiria?

Nem tive tempo de pensar duas vezes. Segurei num galho firme bem próximo a grade e comecei a conduzir com uma única direção: para baixo. Mas eu não tinha mais doze anos e aquilo não era mais tão fácil. Mesmo agarrando-me com força, eu não conseguia encontrar caminhos para continuar descendo. Resultado: preferi pular para a varanda logo abaixo de mim, no segundo andar. No momento que meus pés tocaram o chão, a luz do quarto acendeu. Não era realmente meu dia. Tentei voltar pelo mesmo galho, mas já estava muito estreito e se rompeu, causando um estardalhaço. Merda.

— Oi? — Uma voz grossa soou atrás de mim. Eu preferiria simplesmente desaparecer a passar por aquele momento. — Princesa?

Okay. Era só um príncipe. Provavelmente, um príncipe bonito, já que Rose concordara em eliminar os nem tão atraentes, já que ela não ficaria com nenhum deles. E, devo admitir, minha irmã tem bom gosto. Suspirei, tomando forças pra enfrentar aquilo como uma mulher adulta. E me virei.

— Olá, príncipe... — Travei. Qual era mesmo o nome dele? E o país? Deus, por que tinha de ser um desconhecido? Pare de reclamar, Alexandra, pelo menos não é algum conhecido que você não suporta, pensei comigo mesma. Infelizmente, o rapaz à minha frente não usava o broche de identificação. Nem terno. Na verdade, só estava com a calça, sapatos, e a camisa aberta nos três botões de cima. — Perdão, qual é mesmo seu nome?

— Kyle, senhorita. — ele segurou minha mão direita e a beijou. — Kyle West, príncipe da Bélgica. E perdoe-me, também. Não sei qual das duas é a senhorita.

— É um prazer, Kyle. — ri nervosamente. Como me livrar daquela situação embaraçosa? Não é algo digno de uma princesa saltar pelas árvores tentando fugir do palácio e de suas responsabilidades. — Sou Rosemarie. É bom ver você novamente. — Rose iria me matar por isso? Iria. Meus pais surtariam se descobrissem que estou me passando por ela? Surtariam. Mas que graça teria essa Seleção se eu não pudesse aprontar algumas para o lado de minha irmã? — Peço desculpas por aparecer aqui na sua varanda. Meus pais não querem me deixar cavalgar a essas horas, e eu tentei dar um jeito na situação.

— Ah... Não se preocupe. — Ele riu, subindo as mangas da camisa pérola. Kyle tinha belos braços, admito. Quase tão bonitos quanto os de Aaron. Quase. — Se a senhorita permitir e quiser, eu poderia acompanhá-la até os jardins. Então conseguiria sair livremente para cavalgar, sem despertar suspeitas.

Garoto inteligente. Isso era bom, muito bom.

— Seria um prazer. — sorri, adentrando o quarto e vendo-o colocar o terno rapidamente. Segurei seu braço e saímos no saguão do segundo andar. Por sorte, era troca de turnos dos guardas, então nenhum olhar curioso presenciou a cena. — Então, senhor West, quais seus passatempos favoritos?

— Sou apaixonado por cozinhar. Mas deixe isso entre nós. Meus pais a todo tempo insistem que não é algo com o que um príncipe devesse gastar seu tempo, quando está cheio de criados. — ele suspirou. Ao que parece, os belgas realmente seguiam o código de nobreza à risca. — E a senhorita, além de cavalgar?

— Música. — respondi, enquanto descíamos as escadas e nos aproximávamos dos portões laterais. — Gosto de ouvir, gosto de tocar.

— Qual instrumento? — Kyle sorriu, subitamente curioso na conversa. — Eu diria que toca piano.

— Violino, na verdade. — respondi, rapidamente. Eu era Rose, não Alexa. Tinha que manter isso em minha cabeça. — Alexandra é quem prefere o piano. Não vejo muita graça. — dei de ombros, usando e abusando do meu lado atriz. — O senhor toca alguma coisa?

— Arranho alguma coisa na guitarra. — ele abaixou a cabeça e riu. Já chegávamos ao jardim e eu sequer havia percebido o tempo passar. — Não é um instrumento nobre, mas é no qual eu me encontro, fazer o quê. Eu devo ter sido algum plebeu em outra vida.

A risada de Kyle soou macia. Era bom ouvi-lo rir. Quase tão bom quanto ouvir Aaron rir. Droga. Por que eu ficava os comparando a todo o momento? Fechei os olhos por um breve segundo e tentei me concentrar em tudo. Aquilo era apenas um jogo para a maioria deles. Metade dos príncipes, se não mais, queriam apenas a coroa. Eu não poderia simplesmente sair com qualquer um, como Rose faz. Eu não conseguia. Enrijeci ao lado do garoto, que parou repentinamente.

— Obrigada por me trazer até aqui, Kyle. — sorri educadamente e me afastei alguns passos. — Vejo o senhor amanhã.

E, sem olhar para trás, saí em direção ao me refúgio.

Vocês devem estar se perguntando quem é meu refúgio. No entanto, entendam, eu não me refugio em pessoas. Pessoas mudam, traem, mentem. Lugares não. Lugares estarão lá, independente do tempo, da ocasião, da boa vontade. Estarão quando precisar deles, e basta ir até eles. E eles lhes acolherão. Eu tenho um lugar. Meu lugar é uma casa na árvore. Uma casa na árvore que eu construí uns dois anos atrás com a ajuda de Aaron. Uma casa na árvore que ninguém além de nós dois sabe a localização e da existência, porque foi feita pra ser minha. E foi o príncipe inglês quem permitiu que eu tivesse um espaço pra chamar de meu.

Subi as escadas improvisadas que incrivelmente resistiram ao tempo e o aroma de eucalipto preencheu minhas narinas. Era uma casa simples e pequena. Além do alçapão no chão que permitia a entrada, a única conexão com o meio exterior era uma janela voltada para o oeste, que permitia a entrada de luz ao entardecer. Infelizmente, aquele não era o caso. O céu já estava negro, ainda que a lua iluminasse parcialmente a cabana.

Acendi uma vela, e a chama foi o suficiente para conferir claridade a todo o espaço. Sentei-me no colchão que Aaron me ajudara a tirar de um dos esconderijos contra invasões e me cobri, pegando o livro que estava ao lado. Já possuía uma fina camada de pó; há pouco mais de um mês — quando recebi a notícia da Seleção — eu não sentia a necessidade de fugir. Abri na página marcada, mas a leitura me deu sono pela primeira vez na vida. Eu não dormira a noite. E o sono me tomou.

— Psiu — um ruído quase inaudível me fez acordar assustada. — Olá, Bela Adormecida.

Era Aaron. Por um momento até achei que estava sonhando, mas a verdade é que eu raramente sonhava, e sonhar com um garoto seria algo único. Sentei-me no colchão e olhei de relance para a vela, que já possuía a metade do tamanho inicial. Eu provavelmente estivera cochilando por duas horas, o que implicava já se passar das dez e meia da noite.

— Olá — respondi, ainda meio grogue e voltando a me acomodar sob as cobertas — O que faz aqui? Decidiu reivindicar seu patrimônio? Sinto muito, não vai acontecer.

— Não se preocupe, se quisesse te expulsar da minha magnífica propriedade já teria feito a eras — o príncipe riu e se sentou ao meu lado, passando os dedos em meu cabelo — Seu pai esta feito louco atrás de você. Colocou três quartos dos guardas do palácio à sua procura.

— O que? — resmunguei, com a menor vontade de me levantar — Isso é sério? Ele nunca deu por minha falta quando eu fugia pra cá...

— Acredite ou não, Maxon Schreave fez quentão de entrar em todos os quartos do segundo andar para ver se nenhum príncipe estava faltando. — não sei se era a frase em si, minha imaginação sobre o momento, ou o sono, mas eu dei muita risada. — Venha, vou levar você lá para dentro. Falar que te encontrei em baixo de uma árvore, dormindo, com um livro do lado.

Acho que dormi novamente, porque só recobrei a consciência quando as luzes do palácio me acordaram. Mantive os olhos fechados para tentar me acostumar com a claridade aos poucos. Os braços de Aaron em minhas costas e pernas me carregavam, e ele recusava qualquer insistência em permitir que os guardas me levassem para o quarto.

— Deixe que eu a levo, Thompson. — a voz de papai era perfeitamente audível. Droga. Naquele momento, admitisse eu ou não, os braços do inglês pareciam o melhor lugar para se estar. — Onde ela estava?

— Pegou no sono enquanto lia, senhor. Encontrei-a dormindo no pé de uma árvore próxima ao lago. — ele suspirou pesadamente, eu senti. Como resposta, involuntariamente me aproximei mais dele. Eu estava num estado de semiconsciência que seria assombroso em outros momentos, mas que ali permitia que eu assistisse a tudo como espectadora. — Não prefere que eu a leve? Não quero acordá-la.

Não ouvi a resposta de papai, mas provavelmente concordou, pois no momento seguinte Aaron já me carregava escada acima. Deitou-me na cama e fechou a porta da varanda pela qual eu havia escapado. Cada vez mais seus passos distanciavam, e eu não aguentei; tive de chama-lo. No mínimo, ele merecia um agradecimento.

— Aaron — abrindo os olhos, sussurrei; mas dada sua súbita aproximação, ele me ouviu. — Obrigada.

— Não há de quê, princesa. — ele se aproximou de mim e beijou o minha testa, voltando a se afastar. — Durma bem, Lexi.

E eu dormi maravilhosamente bem. Tão maravilhosamente bem que não tive sonhos ou sequer pesadelos. Tão maravilhosamente bem que não acordei uma única vez, que não precisei de um único calmante ou de uma única lufada do vento gélido da madrugada. Tão maravilhosamente bem que só acordei com as batidas insistentes de Lorena na porta do quarto.

— Entrem — resmunguei, apenas me virando de bruços com a finalidade de evitar a claridade que logo tomaria conta do quarto. — Fechem a porta, por favor.

— Na verdade, senhorita, sou apenas eu. — Lorena deixou a bandeja a meu lado e colocou o novo vestido sobre a poltrona. — As outras duas foram designadas a preparar o café-da-manhã, que será coletivo. Ao que parece, a senhora sua mãe gostaria que vocês interagissem o máximo possível com os príncipes.

— Ela só pode estra brincando... — levantei-me e permiti que a criada me ajudasse a tirar o vestido da noite anterior e tomei uma ducha rápida. Ao que parece, eu já estava atrasada para minha aula de piano antes do café. Olhei para a bandeja de prata ao lado da cama. Um copo de água e os remédios de todo dia: vitaminas suplementares, cápsulas de colágeno para evitar desgaste das articulações e os anti-inflamatórios para o tombo que eu levara do cavalo na semana anterior. Tomei tudo de uma vez e me vesti correndo, deixando o cabelo solto e apenas passando um brilho nos lábios. Tempo. Eu não tinha tempo.

Agradeci à Lorena pelo vestido cinza. Era realmente lindo, ainda que não fosse a minha cor. O modelo era excelente, ainda mais por permitir que eu utilizasse sapatilhas sem que elas fossem vistas. Meus pés mereciam um descanso. Corri escada a baixo, em direção à sala de música. Felizmente mamãe ainda não havia chegado. Sentei-me ao piano e peguei as partituras.

— Está atrasada. — comecei a rir quando a porta se abriu. — Devia ser mais cuidadosa com seus horários, mãe.

— Ah, desculpe-me, Vossa Alteza. — uma voz masculina soou atrás de mim, fazendo-me dar um pulo. — Estava numa reunião com seu pai, que a propósito gostaria de ver a senhorita nesse exato momento.

— Quem é você mesmo? — arqueei as sobrancelhas, observando atentamente os movimentos um tanto quanto desequilibrados do garoto à minha frente. Devia ser uns cinco anos mais velho, e com metade da minha coordenação motora.

— Nathan Archbald, Vossa Alteza. Seu novo professor de música.

— Não me chame de Vossa Alteza, não sou a rainha. — revirei os olhos. Eu odiava que utilizassem vocativos de nobreza comigo. Até mesmoprincesa não me atraía, quem dirá Vossa Alteza. — E, falando em rainha, por que minha mãe não vai mais me dar aulas?

— Não faço a mínima ideia, Vossa... Senhorita Schreave. — ele se corrigiu. Melhor assim. — Mas o senhor seu pai pediu encarecidamente que fosse à sala dele nesse exato momento. Até trocou as suas aulas de piano dessa semana para aulas de violino com sua irmã.

— Dessa semana? — bufei — Legal, uma semana sem música. Parabéns.

Revoltada, saí de lá. Uma das minhas poucas distrações nos momentos de crise era meu piano. Mas tentei não me deixar abalar. Pelo menos, era algo a menos com o que se preocupar: um professor completamente estranho com dois pés esquerdos. Nem cheguei a bater na porta do escritório de meu pai, apenas virei a maçaneta e entrei, encostando-me ao batente e cruzando os braços.

— Bom dia para você também. — Ele sorriu. — Não adianta fazer cara feia, nada vai estragar esse rostinho lindo que eu e sua mãe fizemos.

Não pude deixar de sorrir com essa, e acho que até corei um pouco. Desisti do comportamento infantil e fechei a porta, sentando-me na poltrona à sua frente. Maxon parecia menos cansado que no dia anterior, ainda que, aparentemente, ele tenha passado grande parte de seu descanso procurando por mim.

— Por que me chamou? — fui direto ao ponto. Não gostava de enrolação. — Já sei, estou de castigo por ontem, né? É por isso que está me obrigando a conviver com mais um cara novo, não bastasse os trinta e cinco filhinhos de papai lá fora?

— Meu Deus, como você consegue ser insuportável às vezes. — ele suspirou. — Só quero pedir que não saia mais durante a noite, pelo menos, não sozinha. Quero que evite ao máximo o lado de fora do palácio e...

— Sem chance! Odeio ficar aqui dentro, essa pressão toda me sufoca. Não quero ter que conviver com uma tonelada de desconhecidos que querem me conhecer, e além do mais...

— Não parecia tão ruim enquanto fingia dormir nos braços de Aaron.

Nessa hora me calei, apenas fechando a cara. Se minha escolha já era tão óbvia, por que ele não permitia que eu me livrasse da Seleção? Por que não anunciar minha decisão e acabar com tudo isso? Infelizmente, meu instinto dizia que não era apenas por causa de Rosemarie.

— O que você quer?

— Quero que conheça os outros príncipes. Que repense sua escolha.

— Por quê? — perguntei, indignada. — Cadê aquela história de siga o coração?

— Alexandra — ele suspirou — Aaron é o único filho homem. Ele vai ter que assumir a Inglaterra. Caso seja o único no seu coração, ótimo, mas repense sua escolha.

— Qual o problema dele assumir o trono? Eu me mudo pra lá, se for preciso. Não é algo tão ruim assim, muito menos tão complicado de se lidar. Você tem Rosemarie. Ela pode assumir Illéa se for preciso, a menos que também se case com um herdeiro. Então por que você só quer revogar o meu direito, e não o dela? — meus olhos já se enchiam de lágrimas.

— Vamos fazer um acordo, então. — ele suspirou, não satisfeito com minha revolta. — Você vai conhecer todos eles. Vai tentar ser gentil, explorar outras possibilidades. Vai ter tempo de sobra, porque você está oficialmente dispensada de todos seus deveres políticos como princesa. Em troca, vou ensinar à Rose como governar esse país.

Não era uma proposta muito boa, admito. Mas era a melhor que eu conseguiria. Apenas acenei positivamente, enquanto enxugava as insistentes lágrimas de raiva que percorriam minha face. Sem falar mais nada, saí do escritório e comecei a vagar pelo salão do primeiro andar. Eu estava sem fome, provavelmente tomaria o café mais tarde, ou sequer tomaria.

Depois de ter a certeza de ter me livrado da expressão chorosa, encaminhei-me à porta lateral leste. Eu gostava do jardim leste, muito mais que o oeste. Talvez a ideia de um dia novo fosse menos deprimente que um dia que passara. Voltei a me sentar no balanço do dia anterior, mas a presença de outro príncipe ao meu lado retirou-me de meus devaneios. Ao que parece, seria assim pelas próximas semanas.

— Belo dia, não? — ele perguntou, educadamente. Virei-me para encará-lo, a luz do sol da manhã cegava-me, e não conseguia ler o nome em seu broche. — Andrew Van Persen, Holanda, 19. — ele respondeu, lendo meus pensamentos. Dezenove anos, a mesma idade de Aaron.

— É um dia claro demais. — sorri — Qual das gêmeas acha que eu sou?

— Eu não acho; eu sei. — Andrew sorriu. Conforme meus olhos se adaptaram, pude vê-lo melhor. Era um rapaz alto e muito bonito, com cabelos negros e olhos azuis elétricos. — É Alexandra.

— Como sabe? — perguntei, realmente curiosa.

Senhorita Schreave! — um grito inconfundível veio da porta do castelo. Silvia. — Hora do café-da-manhã, America exige sua presença.

— Parece que você tem que ir. — o príncipe Holandês riu, segurando minha mão e beijando os nós dos dedos. — Por que não fazemos assim: você me permite algumas horas do seu tempo, e eu conto como consigo distinguir uma da outra?

Eu não sei se queria. De fato, não queria; mas devia ir. E Andrew parecia um cara legal, ainda que eu estranhasse o fato de um desconhecido aprender em um dia como diferenciar minha irmã de mim sem ao menos conversar durante um médio período.

— Tudo bem. Vejo você depois do jantar, aqui no jardim. Ao que parece, tenho que ficar até onde a vista dos guardas alcança. — levantei-me e saí em direção ao castelo. Minha parte estava feita. Era bom que meu pai cumprisse a dele.

Entrei no salão principal e tudo o que vi foi uma movimentação geral. Príncipes subindo e descendo as escadas, entrando e saindo dos cômodos. Deus, eu não aguentaria aquilo por muito mais tempo. Quanto tempo levaria para Rose aprender a ser uma rainha e escolher um príncipe? Suspirei e dei um passo para frente, mas um par de firmes braços me puxou.

A princípio não reconheci o lugar, muito menos quem fez isso, mas quando minhas costas tocaram a parede fria, notei que era o corredor para um dos esconderijos: mais precisamente, o que estava sem um colchão, já que eu e Aaron havíamos levado algumas coisas para a casa na árvore. Tal pensamento já me fez descobrir quem havia me puxado pra lá.

— Dormiu bem? — o inglês me perguntou, com um sotaque acentuado pelo sorriso no canto dos lábios.

— Divinamente bem. — sorri — Minha noite foi melhor do que essa meia hora que estou acordada.

— Seu pai também falou com você? — ele perguntou, surpreso. Acenei com a cabeça, confirmando. — Ele pediu que eu mantivesse certa distância. Está achando que talvez você esteja se deixando levar pelo fato de já nos conhecermos a tempos.

— E é claro que estou. É o único que conheço, pode-se assim dizer. O que eu sei sobre a personalidade e o caráter dos outros trinta e quatro que vieram? — cruzei os braços e revirei os olhos. — O que vamos fazer?

— Você vai conhecer os outros príncipes, vai ter encontros, vai fazer o que seu pai quer que faça. Se no final das contas ainda preferir estar comigo...

— Tudo bem, mas o que vamos fazer, de verdade? — sorri, apenas apoiando-me mais à parede enquanto o garoto se aproximava.

Aaron era muito homem para alguém com dezenove anos. Os braços firmes, o corpo forte e atlético. A pouca luz do ambiente, seus cabelos louros tinham uma tonalidade dourada, e seus olhos verdes se aproximavam do cinza. A distância era tão mínima que eu sentia o calor radiar de seu corpo — e que corpo —, causando-me arrepios.

— Sempre fui propenso a quebrar regras, de qualquer forma.

E então ele tocou minha cintura. Não como costumávamos fazer ao dançar valsas e mais valsas nos eventos. Não. Tinha um toque de paixão, desejo. Deus, aquela era a primeira vez que eu sentia aquilo na minha e a única coisa que eu queria é que não acabasse. Fechei os olhos, sentindo meus batimentos se acelerarem. Seu rosto se aproximou de meu pescoço, os lábios e a barba por fazer roçavam a pele de minha nuca. Era torturante, de certa forma.

Mas era bom.

Apertei com força seus braços, o êxtase do momento era tão grande que não havia nada além de nós dois. Sua boca subiu para meu queixo, despejando ali algumas mordidas, e ainda bem que eu estava sem maquiagem, porque ela sem dúvidas me delataria. Desci minhas mãos por seu peito definido no exato momento que ele me beijou. E que beijo. Calmo, mas cheio de fogo. Doce, mas amargo por saber que não poderíamos nos beijar para sempre. Seus lábios se encaixavam nos meus, e Aaron fazia tudo sem a mínima pressa, o que só fazia aquele calor dentro de mim se acender ainda mais. O toque de nossas línguas foi meu delírio. De tudo que a Seleção poderia me proporcionar, eu já tinha a certeza do que queria: Aaron Thompson. A todo o momento.

Rapidamente perdi o fôlego. Dizem que a prática leva à perfeição, e o complicado é que eu não tinha nenhuma prática. Meu primeiro beijo. Proibido, até certo ponto. O segundo veio logo depois. E o terceiro. Quase surgiu um quarto, mas eu lembrei que mamãe me mataria se eu não me apresentasse no café-da-manhã.

— Tenho que ir — resmunguei. — E você também. Logo irão notar nossa ausência, e não será uma coisa muito legal.

— É uma pena — ele riu — Eu poderia ficar aqui o dia inteiro.

Deus. Aaron Thompson era muito homem.

Saí em disparada, notando o cessar do movimento. Quanto tempo eu teria passado naquele corredor? Que não fosse muito, torci. Mas ao contrário de minhas preces, eu estava relativamente atrasada.

— Alexandra, isso são modos? — America me perguntou no momento que coloquei o primeiro pé dentro da sala. Os príncipes já começavam a se sentar, e a família real já estava toda à mesa.

— Perdão por isso, Vossa Majestade — Arthur Gravesen sorriu a meu lado. — Eu a atrasei. Estávamos tendo uma conversa interessante sobre filosofia política. Minhas sinceras desculpas.

Meu pai sorriu. É claro que ele gostou disso. A Dinamarca seria um excelente parceiro comercial, e Arthur era apenas o quarto na sucessão do trono. Era o tipo de candidato que ele considera ideal. Virei-me para o dinamarquês com uma nítida expressão de agradecimento e ele sorriu de volta. Ao que parece, os dois únicos príncipes que eu quis manter no castelo durante a primeira eliminação foram ótimas escolhas.

Notas finais
Ficamos duas semanas sem TC por um grande motivo: Nyah! Fanfiction offline! Independente disso, não será postado nenhum capítulo durante a semana nem nada do gênero por causa do tempo perdido, apenas sábado que vem vocês deverão ter o próximo capítulo. Mas, independentemente disso tudo, espero que estejam gostando, mas lembrem-se que comentários ajudam, e muito! Temos mais de 30 acompanhamentos e tivemos apenas 4 comentários no último capítulo... Gente, é um tanto quanto desanimador! Críticas construtivas são sempre aceitas! Até o próximo ^^