Two Broken Hearts
15 Uma Visita Inesperada
Notas iniciais
Tentei disfarçar ao máximo, mas estava me roendo de curiosidade. Entre todas as visitas inesperadas do mundo – de Ozzy Osbourne a Stephenie Meyer, passando pelos zumbis de The Walking Dad – Edward Cullen era certamente a mais improvável.
Ele me encarava de um jeito sombrio e eu acabei recuando como um passarinho assustado quando andou na minha direção. Para minha surpresa, terminou passando direto por mim e entrou no quarto, fechando a porta em seguida.
Eu estava cada vez mais intrigada. Qual era a dele, afinal?
A verdade é que estar sozinha em um quarto com Edward Cullen carregava duas sensações: pânico e excitação. Remexi os dedos dos pés nervosamente no chinelo e mordi o lábio inferior, temendo e ansiando uma série de possibilidades.
O olhar de Edward foi brevemente atraído pelo movimento da minha boca, mas ele logo o desviou, deixando-o cair então sobre a cama, onde estavam minha mala aberta e uma série de roupas espalhadas. Vestidos frescos, blusas e saias leves, shorts coloridos. A Grécia no verão era um dos destinos preferidos dos turistas do mundo inteiro.
Suspirei, aborrecida.
Sem minha parceira de crimes baixinha e super-confiante, eu havia desistido de lutar. Sabia que a Isabella rebelde, independente e dona da verdade era uma utopia, eu não tinha forças para me impor contra as decisões do todo-poderoso Charlie Swan. Não importava quantos drinks eu tomasse ou a quantas festas fosse, ainda seria a garota decente e sensata cuja vida era planejada passo a passo assim como as páginas em sua agenda vermelha.
Pensar naquilo não trouxe o alento que eu imaginava. Só me deixou ainda mais triste e envergonhada de mim mesma. Vergonha de me sentir assim tão pequena e impotente...
Eu não era só sensata. Era também covarde e submissa.
Na tentativa de espantar a sensação de derrota, acabei encarando a face do demônio de olhos verdes cujo sorriso presunçoso havia desaparecido por completo.
Edward Cullen me olhou de volta, os cabelos cor de bronze revoltos ao redor do rosto descaradamente bonito. Eu já não sabia dizer que tipo de olhar era aquele, se agressivo ou apenas observador. De um jeito ou de outro, me perturbava.
Me peguei pensando na tatuagem apavorante que ele carregava. Eu nunca mais tinha pensado naquela tatuagem. Não havia me atrevido.
Cocei a garganta para quebrar o gelo.
Como ele não disse nada, resolvi tomar a frente das coisas.
_ O que você quer, Cullen? _ seu nome arranhou minha garganta como um espinho.
Ele levantou uma sobrancelha, surpreso. Depois sorriu torto.
Eu suspirei. Seu humor era mesmo de veneta.
_ Guarde as pedras, Swan. Eu vim propor um acordo.
Franzi a testa, confusa. O bichinho da curiosidade havia retornado e me dado uma bela mordida. Que tipo de acordo ele poderia querer comigo?
Antes que eu pudesse perguntar, ele fez o impensável e se sentou na beirada da minha cama, as mãos para trás espalmadas no colchão, como se fossemos velhos amigos.
Eu não esperava nada daquilo de Edward Cullen. Não esperava tê-lo no meu quarto, não esperava ouvi-lo falando em acordos. Não imaginava, na verdade, vê-lo falando comigo de novo depois do que havia ocorrido. Mas ele era mesmo uma caixinha de surpresas...
Uma caixa de Pandora.
Edward parecia a vontade quando prosseguiu.
_ Parece que Charlie descobriu como despachar você _ provocou com um sorriso desagradável que não chegava aos olhos. _ Grécia? Um trabalho bem feito.
_ Cala a boca, desgraçado.
Ele ergueu as mãos em sinal de rendição e o sangue borbulhou nas minhas veias.
_ Eu não vim brigar, vim te oferecer ajuda.
Arregalei os olhos, incrédula.
_ Ajuda? SUA ajuda?
Calmamente, ele tirou um maço de cigarros do bolso e enfiou um entre os dentes, apalpando o outro bolso em busca do que eu concluí ser um isqueiro. Logo o metal prateado reluzia entre seus dedos e Edward continuou aquela conversa estranha.
_ Posso ser seu inimigo ou seu aliado _ ele deu de ombros. _ A escolha é sua, claro. Mas sabe de uma coisa? _ os olhos do Cullen se estreitaram enquanto ele brincava com o isqueiro aceso entre os dedos _ Não é de um inimigo que você precisa agora, Swan. Afinal, você já tem o seu pai para isso.
As palavras dele eram punhais afiados, mas eu me segurei. Não ia deixar que percebesse o efeito que causavam em mim.
Depois de uma pausa, ele prosseguiu.
_ Sabe o que eu acho? Você não quer ir para a Grécia.
_ Ah, não?
Ele negou com a cabeça.
_ E o que eu quero, papai sabe tudo?
_ Ficar aqui e tentar salvar essa sua família torta da desgraça total _ ele respondeu com simplicidade. _ Mas pra isso precisa de respostas.
Tranquei minha língua dentro da boca. Eu não queria dar o braço a torcer mas era exatamente isso. Precisava de respostas e rápido, antes que tudo o que eu considerava sólido desmoronasse por completo a minha volta.
Edward Cullen que se fodesse. Ele não precisava aprovar minha idéia de família feliz, mas estava em dívida comigo. Havia chegado derrubando o meu mundo e eu o queria de volta. Torto, louco e errado... era o meu mundo!
_ Tá certo _ senti que caía como um patinho, mas não pude evitar. _ Por que Esme saiu de Maryland? E por que você resolveu vir atrás dela agora? O que você quer...
_ Calma, Swan! Eu não vou te dar todos os presentes de graça _ ele deu uma risada rouca e inalou mais fumaça. _ Ofereci ajuda pra te livrar da viagem, só isso.
Cruzei os braços, brigando com a ansiedade. E aí, me lembrei...
_ E o que você quer em troca?
Achei que Edward fosse ironizar e fazer jogo, mas assim que eu falei, seus olhos se tornaram escuros e o sorriso debochado apagou, dando lugar a uma expressão mais grave.
_ Eu quero uma aliança.
_ Aliança? _ repeti, atordoada.
O rosto dele era impassível, mas as palavras seguintes foram reveladoras.
_ Sim, você e eu, Swan: uma aliança. Charlie decidiu me expulsar daqui e eu não tenho mais recursos pra ficar em outro lugar. Não posso voltar para Maryland... não agora _ eu não ousei perguntar o motivo e duvidava que ele fosse me responder. _ Tudo o que eu quero é que você convença seu pai a me deixar ficar.
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