Notas iniciais
Espero que gostem, meninas! Boa leitura :)

Quatro dias haviam se passado depois que Edward me propôs a aliança.

Desde aquele espantoso dia, eu não tivera uma única idéia de como fazê-lo permanecer em minha casa. Mas sim, eu estava ansiosa pra cacete para descobrir o mistério por trás do ódio que ele alimentava por Esme. E é claro, ainda queria que as coisas voltassem a ser como antes, comigo sendo confortavelmente ignorada por Charlie, mas ainda assim, me sentindo parte de uma família “normal”.

Para mim, ainda era impossível digerir que Esme houvesse abandonado o único filho com o ex-marido em uma cidade minúscula em um estado distante. Minha madrasta simplesmente não se encaixava na figura de mãe relapsa.

Eu sabia que as respostas só poderiam vir de dois lados: Esme ou Edward. E sabia também que ela não estava disposta a se abrir.

Nos dias que se seguiram ao pacto com Satan – foi assim que eu carinhosamente apelidei minha suposta trégua com o Cullen — , nós nos limitávamos a algumas trocas de olhares cheios de cobranças – da parte dele, claro — pelos cômodos da casa.

Nenhuma palavra. Nenhuma ameaça. Nada.

O Cullen ainda não havia resolvido cobrar minha parte no acordo diretamente, mas me lançava cada olhar de arrepiar a alma e eriçar todos os pelinhos do corpo.

Da minha parte, eu andara me sentindo intimidada mas apenas metade acorrentada àquele compromisso, uma vez que minha viagem à Grécia continuava de pé, firme como uma rocha.

Afinal, se ele não conseguia cumprir sua parte no pacto, eu não precisava me precipitar, não é mesmo?

Na quinta feira, porém, as coisas mudaram. Estávamos Esme, Charlie e eu à mesa de jantar, quando meu pai me surpreendeu à mesa com uma novidade intrigante.

_ Vamos precisar adiar sua viagem.

Meu garfo se chocou contra o fundo do prato, o retinir alto da porcelana despertando a atenção de Esme, que trazia um olhar catatônico enquanto remexia a salada. Ela estava visivelmente mais magra e pálida, e eu estava voltando ao meu estado de compaixão anterior. Era difícil vê-la sofrer por mais que estivesse magoada com ela.

Charlie esperava alguma outra reação da minha parte – além da destruição louças e talheres -, mas eu só continuei encarando-o, desconfiada.

Será que Deus existia e finalmente escutara alguma das minhas preces?

Continuei em silêncio, pisando em ovos. ”Tudo o que você disser poderá ser usado...” bem, vocês conhecem a história.

Como não prestei nenhuma contribuição à conversa, ele pigarreou e prosseguiu com o monólogo.

_ Recebi um email da companhia aérea esta tarde. Aparentemente houve um erro sistêmico _ grunhiu aborrecido enquanto Ronda o servia de mais vinho. Charlie detestava imprevistos e não tolerava erros, sistêmicos ou não. _ Sua reserva foi cancelada hoje, pela manhã.

CANCELADA?! Meu sistema nervoso entrou em festa. Pensar no meu sistema nervoso quando estava eufórica era, de alguma forma, relaxante. Eu queria gritar bem alto. PORRAAAAA! Em vez disso, mantive a fachada de seriedade, cruzando as mãos sobre o colo e encarando-o com interesse moderado.

_ Cancelada, mesmo?

Ai. MEU. DEUS. Todas as possibilidades transitavam pela minha mente naquele momento. Passagens não se cancelavam a toa. Que erro sistêmico teria sido capaz de, entre todas as reservas do mundo, mandar para o espaço justamente a minha?

Olhei para a cadeira oposta à minha, do outro lado da mesa, onde o Cullen egocêntrico deveria estar sentado com seu olhar irritado e sorriso petulante.

Ele não havia descido para o jantar. Mas eu já desconfiava de quem havia mexido os pauzinhos para fazer aquela magia acontecer.

Ri por dentro, sentindo o meu coração pulsar de um jeito desconhecido e idiota.

Enquanto isso Charlie, bebericava da taça sem prestar atenção às emoções que atravessavam o meu rosto. Eu poderia estar dançando um merengue sobre a mesa que ele não notaria.

Com um sorriso duro, ele sentenciou antes de voltar a se concentrar na comida.

_ Não se preocupe, Bella. Não consegui uma nova reserva para esse fim de semana, mas a companhia vai se redimir e conceder uma nova passagem em outra ocasião. À sua escolha. Um outro feriado, quem sabe?

Eu balancei a cabeça, assentindo depressa, sem confiar na minha língua.

Charlie ergueu o olhar para mim, brevemente.

_ Certo?

_ Certo _ meu riso nervoso dizia Culpada!, mas ele não pareceu perceber.

_ Certo _ repetiu. _ Tem algum lugar para onde queira ir nesse feriado?

Abri um novo sorriso, dessa vez mais confiante, e me aprumei na cadeira. Estava na hora de começar a trabalhar meus dotes artísticos.

_ Bem, se a Grécia não está disponível, então, não há nenhum outro lugar para mim.

Meu pai arqueou as sobrancelhas, admirado. Então sorriu.

_ Eu gosto da sua fibra _ elogiou, apontando um garfo na minha direção. _ Bem digna dos Swan.

UAU. Inflei o peito até quase explodir. A sensação de orgulho me preencheu dos pés a cabeça.

No mesmo dia, havia conseguido me livrar da viagem imposta por Charlie e conquistado até mesmo um pouco da sua admiração.

Nada mal para uma noite de quinta...

E, diretamente ou não, eu devia tudo aquilo à Edward Cullen.

–--------------------

Definitivamente, eu estava em dívida com o capeta. E aquele não era exatamente o tipo de dívida legal para alguém manter. Com minha reserva cancelada, eu precisava prestar contas a Edward. E rápido.

A solução para o problema, no entanto, surgiu de forma natural quando Alice e eu almoçávamos em uma lanchonete próxima a faculdade.

Era sexta-feira, último dia de aula antes do fim de semana e de um puta feriado prolongado que se estenderia até o meio da semana seguinte.

O dia estava quente. Mas quente mesmo. Alice usava uma frente única estampada e jeans super justos. Eu vestia jeans mais soltos e uma camiseta sem mangas, com estampa do Mickey Mouse. Ela estava arrasada com a minha aparência. Meus cabelos estavam presos em um coque bagunçado e eu tinha roído as unhas quase até o toco de tanta ansiedade que vinha sentindo naqueles dias, especialmente desde a véspera.

_ Bells, você parece uma velha.

Revirei os olhos, dando uma mordida grande no sanduíche de carne. Conhecia bem demais aquela conversa.

_ É sério _ ela assentiu, pouco concentrada no sorvete de morango, chocolate e calda quente à sua frente. _ Mas é estranho. Ao mesmo tempo em que parece a minha avó com esse coque, também parece minha vizinha de nove anos com essa blusa _ Alice deu de ombros. _ Os homens não sabem o que pensar.

_ É, Alice. Acertou na mosca _ debochei. _ Essa é realmente minha questão vital.

Ela negou com a cabeça.

_ Não deve ser a questão vital de ninguém. Mas é uma questão, Bells. Ninguém pode viver sozinha o tempo todo. Vai chegar uma hora... bem, você vai querer alguém pra, sabe? Hm... dividir...

Ela estava se enrolando e eu dei uma gargalhada alta, assistindo-a corar.

_ Oh, meu Deus, Alice Cullen... você está tão apaixonada que chega a vomitar arco-íris.

_ Não é isso!

_ É, sim _ provoquei, terminando meu lanche. _ Mas está errada. Totalmente enganada ao meu respeito. Eu não preciso dividir nada com ninguém _ sentenciei, me sentindo adulta e auto-suficiente.

_ Ah, Bells... _ ela suspirou, derrotada _ Você não sabe mesmo o que está falando. Mas quando chegar a hora, a vida vai te mostrar...

_ A vida é uma merda e o amor não existe, Alice.

O silêncio preencheu a mesa, mais alto do que qualquer outro som. Eu estava um pouco chocada comigo mesma. E envergonhada por ter dito aquilo em voz alta.

Fiquei observando o movimento no campus do outro lado da rua, o entra e sai dos estudantes. Minhas aulas haviam acabado há quase uma hora, mas eu ainda não tinha reunido coragem para ir para casa contar a Edward que havia fracassado. Sabia perfeitamente que ele não poderia descumprir sua parte no acordo. Estava feito. Exatamente por isso, era humilhante.

_ Bem, Jasper quer me levar para conhecer os pais dele no próximo fim de semana. O que você acha? _ ela tinha um sorriso malicioso nos lábios, mas que não subia aos olhos.

Estava mudando o rumo da conversa para não precisar pensar no que eu havia dito. O amor também era um conceito relativamente novo para Alice, e eu havia acabado de comprometê-lo um pouco. Eu tinha jogado uma lata de tinta preta na bela pintura em tons coloridos que Jasper a ajudara a pintar.

Ótimo. Além de envergonhada, também estava me sentindo uma sacana filha da mãe.

_ Acho incrível _ tentei remediar com um sorriso encorajador, mais falso do que os seios de Putanya – apelido secreto que eu arrumei para a biscate que passara aquela noite no quarto de Edward, depois do Seven’n Seven. Não sabia se eles vinham se encontrando regularmente depois daquilo.

Sinceramente, não queria nem imaginar.

_ Pois é, _ o sorriso de Al se tornou mais meigo e verdadeiro, enquanto ela brincava com a taça de sorvete quase cheia. Aparentemente o amor tirava a fome das pessoas _ ter um namorado não é tão ruim assim.

Escancarei a boca, fazendo questão de expressar meu espanto, e ela soltou uma gargalhada satisfeita.

_ Sim, sim e sim! Estamos namorando. Ah, Bells! Eu queria ter te contado antes mas não sabia como você iria receber, me desculpe _ o olhar dela tornou-se arrependido mas logo se acendeu novamente. _ Ele me pediu à beira do lago com um buquê de rosas cor de rosa e eu não tive como recusar. Eu... eu não quis recusar. Você entende? De repente, tudo o que eu queria era ser dele. Pertencer a ele _ exalou um suspiro incrivelmente longo. _ Ah, as coisas estão fazendo mais sentido agora...

Assenti, sorrindo, incapaz de dizer nada. O bom humor de Alice havia retornado com força total e eu tinha medo de ser eu mesma, fria e amarga, e estragar as coisas para ela definitivamente.

_ Quer saber? _ ela sorriu adorável, em tom de segredinhos _ A despeito de todas as minhas antigas frustrações e de tudo o que eu achava a respeito de relacionamentos... eu estou mesmo gostando de ser a namorada de alguém. É meio mágico, sabe?

Balancei a cabeça, fingindo saber, enquanto a ouvia tagarelar a respeito.

Mas na verdade não sabia. Não entrava na minha cabeça.

O que poderia haver de tão mágico na união de duas pessoas? Dois seres diferentes com vontades independentes, seus próprios medos, planos e interesses, fingindo se compreenderem, aceitarem, juntos para...?

_ ALICE!

_ O QUE?! _ ela se assustou, derramando calda de caramelo na blusa _ Ah, droga.

Me joguei sobre a mesa e dei um beijo estalado na sua bochecha.

_ Eu poderia beijar sua boca agora _ alardeei, soltando fogos.

Ela estreitou as sobrancelhas.

_ Isso faria de você uma lésbica e eu tenho aracnofobia. Sorry. Se bem que uma vez no primeiro ano eu quase... ei, eeeeei! Aonde você vai, sua doida?

O C5 me esperava no estacionamento do campus e, enquanto eu corria até lá, um plano completamente insensato foi se formando na minha mente.

Insensato. Mas poderia dar certo.

Notas finais
OH, CÉUS! Que confusão. Bella tem motivos para odiar e amar o Cullen ao mesmo tempo, como pode? Bem, ele conseguiu cumprir sua parte no acordo. E quanto a ela? Como será que vai fazer para mantê-lo na casa de Charlie? Todos sabemos que Bella não entende dos paranauê como o Cullen... será que ela vai mesmo conseguir "fazer a sua magia"? Hmmmm Bem, os personagens secundários estão voltando a aparecer. UEBA! Eles têm funções importantes na história como eu já disse, alguns mais do que os outros hehe Ah, tenho um palpite: acho que vocês vão gostar do que vai acontecer no próximo capítulo. E posso arriscar um spoiler inofensivo: Bella vai começar [pouco a pouco, nada de transformações milagrosas aqui] a mostrar força nessa fic. O que acham? Mandem reviews e façam uma Rebecca feliz! Bjsss