Two Broken Hearts
32 Sherlock
Notas iniciais
O primeiro problema surgiu quando eu entendi que não tinha um veículo que me fizesse chegar ao endereço do encontro.
Pensei então em passar em casa e pegar de vez o meu carro — embora ele não estivesse realmente em meu nome, não estava nem aí se meu pai iria se importar. O fato é que eu estava longe pra cacete e não tinha tempo sobrando. Se estava realmente disposta a descobrir o segredo do Cullen, precisaria improvisar.
Alice morava em um bairro bem próximo, o que a tornava uma alternativa mais viável. Liguei para ela, mas descobri, frustrada, que apenas Gwen estava em casa. Alice estava na casa de praia de Jasper. Bom, pelo menos alguém estava se divertindo.
Para minha surpresa, apesar de nunca ter travado uma conversa mais profunda com Gwen, ela se prontificou a me ajudar assim que ouviu as palavras " seguir uma pessoa " e dez minutos depois, sua pick up cantava pneu na frente da vila.
Eu já tinha vestido minha roupa e aguardava sua chegada no portão, impaciente, agradecendo a sorte de não dar de cara novamente com Jessica e suas perguntas indesejáveis.
Gwen abriu a porta do carona e sorriu para mim. O cabelo rosa e o piercing de argola no nariz favoreciam a pose de durona. Segundo Alice, ela adorava inventar novos personagens para si mesma e encarava aquilo como um hobbie enquanto a carreira de atriz não deslanchava.
_ Entra, garota! Temos uma investigação a fazer. Você está com sorte hoje, sou uma ótima Sherlock.
Fiz exatamente o que ela sugeriu e fiquei feliz por descobrir que Gwen era discreta o bastante para não fazer um interrogatório desnecessário. Então seguimos em silêncio, exceto, é claro, por Motorhead tocando baixo no rádio da pick up.
Quando alcançamos o endereço, ela seguiu um pouco adiante e entrou em um beco, estacionando suave perto de latas de lixo.
_ Perfeito. Mas é local proibido, então seja rápida.
Eu nem pensei em convidá — la para ir junto, seria errado. Aquele segredo pertencia a Edward e talvez, agora, fosse pertencer a mim também.
_ Toma isso _ ela me entregou umcasaco preto de capuz e óculos escuros. Eu teria rido mas percebi que aquilo poderia realmente ser útil. _ Olha, _ ela me encarou, preocupada _ Não é nada perigoso de verdade, né? Você vai ficar encrencada?
_ Não, Gwen. Fica tranquila. E obrigada mesmo, tá legal? Pode ir embora. Daqui eu me viro.
Ela assentiu, ainda tentando decidir se acreditava ou não nas minhas palavras.
Vesti o casaco, coloquei os óculos e saltei da pick up. Refiz o caminho através do beco até sair na 42th, uma rua estreita e basicamente residencial. Tentei não chamar atenção, cabeça baixa e passos constantes, não muito rápida nem muito lenta.
Andei a rua toda, fazendo uma análise breve do lugar. Mulheres e crianças, alguns idosos... os homens em idade ativa provavelmente nos bares, em casa tomando uma cerveja ou mesmo trabalhando. Achei melhor assim. O lugar era feio, mas dessa forma parecia menos ameaçador.
Comprei um jornal na banca que estava fechando e sentei num dos bancos de pedra de uma mesa de xadrez com boa localização, me dando visão de todos os pontos. Atrás de mim havia apenas um muro imenso, parecendo uma fábrica desativada, que tomava quase a extensão da rua.
Fiquei atenta a uma mudança na movimentação. Um grupo de adolescentes passou por mim, rindo empolgadas, sequer me notando. Ótimo.
Estava me preparando para ficar ali por horas, mas quinze minutos depois, o estrondo de um portão de ferro me fez estremecer. Do outro lado da rua, um cara usando óculos escuros saía de dentro de uma casa com paredes verdes descascadas.
Era Edward Cullen.
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POV Edward
Eu sabia que ficar puto não ia resolver nada. Mas simplesmente não conseguia parar de ficar puto.
Saí de lá, batendo o portão furioso. Era a casa de Melinda, Milena, Melissa ou qualquer que fosse o nome da piranha que o Dustin estava comendo em Nova York. E por isso, aparentemente, tinha virado um ponto de encontro mais seguro. Seguro ao menos para ele achar que podiam me enfiar a porrada de novo.
Eu estava cansado de bancar o pau mandado. E cansado da mania do coronel achar que ele era o dono da porra da minha vida. Se quisesse fumar um cigarro, era melhor pedir ao coronel. Se precisasse dar uma mijada, precisava de permissão por escrito.
Meu avô não sabia com quem estava se metendo. Eu não era a merda do meu pai, então era melhor eles dois começarem a me levar a sério.
Estava pronto para subir na minha moto quando Dustin saiu de lá de dentro, segurando o nariz quebrado como se ele fosse cair a qualquer momento. Sua camisa xadrez vermelha e branca estava empapada de sangue. O velho Hulk não parecia mais tão poderoso assim.
_ Filho de uma puta! É isso o que você é, Edward, um riquinho mimado e filho de uma piranha mentirosa! Acho que eu tô até com pena de você!
A morena magricela com cara de drogada tentou segurá-lo, mas Dustin a empurrou no meio fio. Não senti pena. Gente assim sabia perfeitamente com quem estava se metendo, eu não iria interferir.
_ Sai, vagabunda. Não tô falando contigo. Eu vou arrebentar sua cara, Cullen! _ ele gritou com o punho estendido na minha direção, mas não fez o menor esforço para chegar até mim.
Eu ri, ligando a moto.
_ Avisa ao teu patrão que eu já tô cansado de falar com as namoradinhas dele. Da próxima vez, ele pode vir pessoalmente.
_ Desgraçado! Cullen, seu filho da...
Mas eu já tinha acelerado e a voz dele se perdeu no ronco da minha moto.
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POV Bella
Assisti a discussão entre Edward e o grandalhão de nariz quebrado sem mexer um músculo.
Por trás do jornal aberto, acompanhei cada gesto e cada palavra que saía da boca dos dois. Principalmente, cada ofensa. Uma em especial, "filho de uma piranha mentirosa", fez as costas de Edward retesarem. Achei que ele voltaria atrás para quebrar ainda mais a cara do sujeito, mas ele preferiu seguir em frente.
Minha cabeça estava fervilhando de idéias, cheia de pontos de interrogação. Aquele encontro havia esclarecido menos do que eu imaginava, mas agora com certeza eu tinha muito mais informações para analisar. Informações importantes sobre o Cullen.
A primeira delas era sua reação às ofensas contra a mãe, que me fizeram considerar melhor um xingamento banal porque, ali, parecia bastante específico — e tinha atingido com êxito o alvo.
A segunda foi a forma como o grandalhão se dirigiu a Edward: "riquinho mimado". Aquela informação também era nova para mim. Aliás, eu ainda não havia decidido se deveria acreditar nela. O Cullen vivia de um jeito muito modesto para alguém rico. Além disso, adorava esfregar minhas condições financeiras na minha cara.
A terceira informação era algo que o próprio Edward havia dito. "Seu patrão". Se aquele cara — e outros, como ele tinha mencionado — estava ali a mando de alguém, qual seria o motivo? E quem seria esse chefão misterioso?
E o pior de tudo: com que tipo de encrenca Edward Cullen estava metido?
Esperei o grandalhão e a mulher entrarem em casa e fiz o caminho de volta até o beco. Para o meu alivio, a pick up preta ainda estava lá com um anjo de piercing e cabelo cor de rosa no volante.
Dei uma corridinha até lá e saltei para o banco carona.
Gwen deu um pulo.
_ Garota, você me assustou! Eu estava tentando falar com a Ali mas ela nao me atende — ela disse, guardando o celular no bolso da jaqueta e já engatando a primeira marcha _ Conseguiu o que você queria?
Arranquei os óculos e o casaco, atirando os dois no banco de trás.
_ Não, mas estou mais perto. Posso te pedir outro favor?
Ela fez uma carinha de desgosto.
_ Não vai me pedir ajuda para ocultar um corpo né? Eu sou radical, não criminosa.
Eu tive que rir de verdade.
_ Nada disso. Eu só queria dar im tempo longe de casa.
Ela me olhou de esguelha enquanto dirigia para longe dali.
_ Dar um tempo por hoje ou por, tipo, um mês?
Eu respirei fundo, deixando o corpo afundar no banco.
_ Vou ter certeza essa noite.
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