Eu fui direto para a casa da Gwen naquela tarde.

Assim que chegamos, ela atirou as chaves do carro para um lado e os tênis de para o outro, jogando a jaqueta por cima do sofá.

Os pelos do meu braço se eriçaram e eu respirei bem fundo, contando até cinco. Três vezes. Quem disse que iria ser fácil? Reprimi uma vontade agressiva de fazer uma arrumação urgente por ali.

Especialmente quando ela me mostrou o seu quarto...

_ Olha, aqui é o meu canto. É meio bagunçado, mas eu meio que curto assim. Na verdade, eu meio que curto esse lance de viver a vida sem regras, sabe como é?

Eu fiz que sim com a cabeça. Claro que eu entendia, totalmente. Só que nunca.

_ A gente só tem um quarto aqui _ ela deu de ombros. _ Alice, às vezes, prefere dormir na sala... porque ela diz que eu canto SOAD dormindo. Quando ela chegar, mais tarde, vocês podem tirar no cara e coroa quem dorme onde.

Eu assenti. Estava aceitando qualquer coisa naquele momento. Mas qualquer coisa MESMO. Voltar para a vila e para Edward ainda não era uma opção. Além de ele ter deixado claro, na noite anterior, que me devolveria para o meu pai como se eu fosse uma esposa afeganistã mal criada, eu estava confusa demais sobre tudo o que havia visto para conseguir encará-lo.

Gwen foi para a cozinha e, enquanto isso, gentilmente, eu me ofereci para dar um jeito na organização da sala. Já que ia passar ao menos uma noite ali, não custava deixar tudo um pouco mais... organizado. Nada demais. Resisti bravamente a tentação de arrumar os CDs por ordem alfabética.

Quando achei que fossemos ter miojo para o almoço, me surpreendi com um cheiro maravilhoso vindo da cozinha.

_ Pode vir, garota!

Eu fui ate lá e descobri uma panela fumegante de macarronada a bolonhesa. Meu estômago deu um salto mortal triplo carpado.

Gwen e Alice não tinham mesa de jantar, então nos servimos e sentamos no sofá para comer, assistindo Os Simpsons na tv a cabo.

_ Eu já fiquei sem água nessa casa _ ela comentou, enrolando os fios de macarrão no garfo _ mas sem tv a cabo, jamais.

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O resto da tarde passou devagar, daquele jeito arrastado de quando você realmente não tem nada para fazer, exceto pensar. Gwen foi para o quarto "ter privacidade" ao telefone com o cara com quem ela estava saindo e eu tentei ligar para Alice, mas ela também não me atendeu.

Eu comecei a ficar preocupada. Esperava que o motivo de ela estar ignorando nossas chamadas fosse estar passando um domingo incrível com Jasper. Mas tinha medo de que não.

Não me surpreendi ao descobrir quatro chamadas perdidas e duas mensagens de texto no meu celular. Todas de Esme. Nas mensagens, ela dizia que meu pai estava muito preocupado com a minha ausência, mas era orgulhoso demais para dar o braço a torcer. Eu não estava nem aí. Se ele era muito orgulhoso, talvez estivesse na hora de eu ter um pouco de amor próprio também.

Deitada no sofá da sala e com a barriga cheia, acabei apagando. Quando acordei, achei que apenas tivesse cochilado, mas o sol já estava quase se pondo.

_ Ei, bela adormecida! Já era hora.

Gwen entrou na sala, secando os cabelos com uma toalha. Ela estava cheirando a uma essência gostosa, meio amadeirada, um perfume masculino. Eu mal a conhecia, mas já podia arriscar que era bem a cara dela. Usava jeans skinny destruídos, camiseta branca do AC/DC e um par de ankle boots com tachinhas prateadas.

_ Uau, vai sair com... alguém?

Ela arqueou as sobrancelhas, batendo os cílios cheios de rímel.

_ Logicamente. Com um cara. Um cara gostoso _ fez questão de acrescentar.

Eu imaginava qual fosse o tipo de homem para Gwen. Grandalhão, cheio de tatuagens e que falasse muito palavrão. Um sujeito mal encarado... como o cara que Edward tinha encontrado mais cedo.

Pensar naquilo me fez lembrar de que estava longe do Cullen por tempo suficiente para ela estar notando a minha ausência. Só não sabia dizer ao certo como ele estava lidando com aquilo.

O mais provável é que esteja dando pulos por ter se livrado de mim.

Eu me perguntei se Ruth teria nos aguardado mesmo para o almoço e esperei, sinceramente, que ele tivesse comparecido. Não achei justo a ideia de uma senhora idosa aguardando convidados que nunca chegariam.

_ Garota, eu vou...

_ É Bella.

Gwen fez uma careta engraçada e sorriu de canto.

_ Tá bom... Bella. Eu estou indo ao Rockats, então você tem duas opções: ou fica aí jogada nesse sofá, sozinha, até Alice chegar... SE ela ainda vier hoje para casa... ou vem comigo. E aí?

Um minuto de silêncio.

_ O que é... Rockats?

Gwen exalou um suspiro dramático.

_ É um bar cheio de motoqueiros perigosos e sarados, e garotas querendo arrumar encrenca. Meu... amigo, trabalha lá como segurança. Ele deixa a gente entrar de graça.

Eu hesitei.

_ Se está pensando na roupa feia que está vestindo, eu arrumo alguma coisa pra você.

Olhei para as minhas próprias roupas. Elas não eram feias. Só estavam... sujas? E julgando pelo que Gwen estava vestindo, eram inapropriadas, com certeza.

Um bar de motoqueiros. Garotas atrás de encrenca. Aquilo era certamente um lugar que eu não frequentaria. Nunca. Jamais. Nem em um milhão de anos.

_ Vou tomar um banho rápido.

Ela escancarou um sorriso.

_ Vou ver uma coisinha bem indecente pra você, garota.

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O Rockats estava fora de comparação com qualquer outro bar que eu já tivesse visto.

Na entrada, dúzias de motos estavam agrupadas, algumas que eram realmente raridades... Harley- Davidson antigas de vários modelos! Os donos eram uma atração a parte. Motoqueiros de todas as idades com características bem diferentes. Eles pareciam se organizar em turmas e nem todas pareciam interagir muito bem com as outras.

_ Aqui não costuma sair briga? _ eu perguntei a Gwen quando ela saiu do carro, vindo me fazer companhia do lado de fora.

Estava frio. Os últimos dias haviam sido de calor forte, mas naquela noite, a temperatura havia caído consideravelmente.

_ Definitivamente _ ela respondeu, com um sorriso atrevido. _ Vamos, garota. Você não vai dar pra trás agora, né?

Eu não respondi, mas quando ela começou a andar, eu acabei seguindo seus passos.

Um degrau definia onde terminava a rua e onde começava o bar. Nessa plataforma de cimento estavam espalhadas mesas e cadeiras de ferro, algumas enferrujadas. Um homem careca com uma barba de fazer inveja ao papai noel atirou cerveja na cara de outro, um segundo antes de nós passarmos por ali.

Gwen me puxou para o canto. Ela tinha reflexos bem melhores do que os meus.

_ Fica ligada _ ela avisou. _ Não queremos um olho roxo essa noite.

Eu concordei, mas por dentro estava me perguntando que merda de ideia tinha sido aquela?!

A parte dianteira do Rockats era um espaço a céu aberto. Mas conforme Gwen e eu avançamos, o lugar se fechou em uma espécie de bar, agora com portas e um teto sobre nossas cabeças. E um heavy metal ensurdecedor.

Os seguranças não demonstravam ter muito trabalho por ali. A lei parecia ser: quebrem suas caras e sejam felizes, porra! Um deles era um sujeito grande com tatuagens de dragão espalhadas pelos braços. O outro era um cara alto e relativamente magro, parecendo ter vinte e um ou vinte e dois anos. Se ele não estivesse ali, naquele lugar, vestindo couro dos pés a cabeça, eu juraria que, em vez de segurança, ele era um nerd da informática a serviço da Apple. Tinha cabelo ruivo e seu rosto era salpicado de sardas.

Seus olhos azuis se iluminaram assim que Gwen se aproximou dele. Ela o enlaçou pelo pescoço e ele correspondeu com um beijo tímido na boca.

Meu queixo deve ter batido no chão com força.

_ Bella, esse é o Todd. Todd, essa é uma amiga. Seja bonzinho e nos convide pra entrar e tomar uma cerveja.

Mais alguns beijinhos depois, Gwen e eu finalmente entrávamos no Rockats.

Mesas de sinuca, fumaça de cigarro e cheiro de cerveja. Os motoqueiros gritavam uns com os outros, enquanto as mulheres se esbaldavam na pista de dança.

_ Você quer ir ao banheiro? _ Gwen perguntou, apontando o polegar na direção de uma porta de madeira velha, onde se lia "Ladies".

_ Não, obrigada _ eu tinha certeza de que voltaria para casa se tivesse que fazer xixi.

Ela deu de ombros, mas não me deixou sozinha. Entortando o pescoço para trás, conferiu o próprio reflexo no teto espelhado do bar. Aquele era, de longe, o ponto forte do lugar, aliás.

Eu fiz o mesmo. Meus olhos se arregalaram ate quase sangrarem.

Gwen me obrigou a não dar palpites enquanto agia sobre a minha produção como se fosse uma substituta de Alice, só que muito, muito pior. Um outro duende do mal. Não tão baixo e nem um pouco fofo, mas ainda assim, determinado ate as últimas consequências. Para isso, eu aceitei ficar longe de espelhos.

Até chegarmos ali.

Calça de couro justa, botas pretas de salto agulha. A camiseta emprestada parecia uma segunda pele prateada. Meus seios duelavam por um espaço ali dentro... meu Deus, que vontade de chorar! Enquanto ela me fazia vestir aquelas roupas, eu juro que, sinceramente, não parecia tão ruim assim. Mas olhando o resultado geral, agora... era...

_ Gostosa.

Olhei para o lado. Dois olhos acinzentados me observavam, cobiçosos. O cara devia estar próximos dos trinta anos. Usava uma camiseta branca e colete jeans, bandana de caveira na cabeça. Parecia saído de uma produção antiga de Mad Max, mas não exalava nenhum ar específico de perigo. Quando ele sorria, um dente de ouro brilhava do lado direito da boca. Jesus.

Olhei para Gwen e ela sorriu, safada, me encorajando a seguir em frente.

Ah... não, obrigada?

_ Você. É. Gostosa _ ele repetiu, estreitando os olhos como se estivesse tentando ver meus peitos através do decote.

E olha que nem precisava de tanto esforço assim.

_ O. Bri. Ga. Da. _ eu me virei ara Gwen de novo, pedindo para a gente dar uma respirada em outro lugar.

Mas ela havia sumido.

Uma mão segurou o meu pulso e eu dei um passo para trás, perplexa, quando descobri de quem se tratava.

Notas finais
Oi, meninas!! Estou escrevendo do trabalho, então espero que não tenha ficado ruim :/ podem me dizer o que acharam? Beijos em todas!