Aconteceu tudo muito rápido. Os seguranças alcançaram Edward e Jacob e, de repente, estavam separando a briga dos dois. As pessoas ao redor se recusavam a se afastar. Mais uma vez, o Seven se transformava num tumulto, embora com um número reduzido de clientes essa noite.

Com os pulsos torcidos para as costas, Jake e Edward foram escoltados até a saída do bar enquanto os seguranças faziam perguntas aos dois que eu não conseguia ouvir. Eu fiz o mesmo caminho, logo atrás dos seguranças, tentando fazer alguém me escutar, mas a música alta, toda a confusão e a falta de boa vontade dos dois sujeitos me deixou falando sozinha pelos próximos dois minutos. Só quando nós alcançamos a saída e respiramos um pouco do ar puro da noite lá fora, eu consegui fazer alguém perceber minha presença.

_ E você, quem é? _ um dos seguranças perguntou, me olhando de cima a baixo com desdém.

Edward e Jake se encaravam, a meio metro de distância um do outro, como dois lobos selvagens prestes a se atacar a qualquer momento. Eu respirei fundo. Precisava mostrar que era a pessoa mais sã entre os três.

_ Meu nome é Isabella _ respondi, inclinando a cabeça na direção de Edward. _ Eu sou irmã dele.

_ Meia irmã _ Edward grunhiu depois de se recuperar da surpresa. _ Só meia.

O segurança que continha Edward suspirou, meneando a cabeça.

_ Bom, eu não tô aqui pra discutir os problemas familiares dos dois. Se vocês são parentes, a moça também vai ter que vir com a gente.

Dessa vez, eu é que fui pega de surpresa.

_ Ir aonde?

_ Delegacia _ ele apontou para Jacob, com um sorriso cínico estampado no rosto. _ O rapaz ali decidiu prestar queixa contra o seu irmão.

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Passamos boa parte da noite na delegacia. Jake, Edward e eu. Como todos éramos maiores de idade, graças a Deus não fui forçada a chamar Charlie ou Esme para responder por aquela situação.

Tentei convencer Jacob a não prestar queixa, mas a única forma de fazê-lo desconsiderar o registro contra Edward foi quando o delegado disse que a situação não era tão simples e que caberia a Edward e a mim o direito de apresentar acusação contra ele também.

Eu olhei para Jacob de forma que ele soubesse exatamente o que eu estava pensando. Se ele abrisse qualquer registro daquele caso, eu não hesitaria em denunciá-lo pelo que aconteceu no bar. Seria a palavra dele contra a minha e eu não pensaria duas vezes em fornecer o máximo de detalhes possíveis sobre o comportamento dele essa noite. E sobre como Edward havia apenas intervindo ao perceber o perigo que ele representava para mim.

Meu reconhecimento pela intervenção de Edward não tinha nada a ver, no entanto, com o fato de que ele me devia algumas explicações. Quando nós três deixamos a delegacia, a R1 azul esperava estacionada do lado de fora. Eu nem imaginava quem a havia deixado ali, mas Jake subiu na moto e partiu sem nem olhar para trás. Eu não pude ver a emoção em seus olhos quando ele foi embora. Mas pude ver nitidamente a irritação estampada nos olhos de Edward.

_ O que você estava fazendo com esse cara, Isabella?!

Eu estreitei os olhos e cruzei os braços. Se Edward estava pensando em me culpar pelo que havia acontecido com Jake no bar, ele estava muito enganado. Afinal, era ele quem tinha uma história mal explicada ali. O cansaço da noite e toda a tensão acumulada, unidos ao ar pretensioso e acusador do Cullen, me levaram até a borda.

_ Jake era só um amigo. Mas isso não é mesmo tão surpreendente, né? _ eu instiguei, sem poder me conter. _ Acho que você tem suas próprias amiguinhas e é perfeitamente capaz de entender.

Eu vi que havia acertado no alvo. Os olhos de Edward tornaram-se mais escuros, me perfurando, e pela primeira vez, eu pude ver através dos pensamentos dele. Ele estava pensando em Jacob e eu juntos, e aquilo o estava consumindo.

_ Ah, entendi _ o tom do Cullen se tornou áspero. _ Então era esse tipo de amizade você tinha com ele... do tipo que começa dentro de um bar e acaba na cama _ ele cuspiu as palavras, me trazendo um nó na garganta.

Edward passou as mãos pelos cabelos, transtornado. Eu nunca o havia visto daquele jeito, o rosto vermelho, a respiração sôfrega, realmente a ponto de perder a cabeça. Eu me encolhi na calçada, já me arrependendo da provocação idiota que havia começado.

_ Me diz, Bella... quantos babacas acreditaram nessa sua historinha estúpida de virgindade? _ ele perguntou, com malícia.

Eu o encarei, sentindo a intensidade das suas palavras como um tapa na cara.

_ Você é um imbecil, Edward Cullen _ minha voz saiu fraca e trêmula. _ Eu nunca mais vou olhar pra você pelo resto da minha vida.

Que merda. Tudo o que eu não precisava era começar a chorar. Não naquele momento. Não na frente dele. Mas eu sentia uma necessidade tremenda de desmoronar. Havia tanta coisa a respeito de Edward entalada na minha garganta, que eu não saberia por onde começar. O meu peito estava apertado e eu me sentia sufocada com o peso de uma âncora me levando para baixo.

_ Como se eu quisesse olhar pra você de novo _ os olhos de Edward destilavam amargura. _ Mas eu devo admitir que você é uma excelente atriz, Isabella! Parabéns! Eu realmente cheguei a acreditar... _ ele engoliu seco, fazendo uma pausa e meu coração se partiu completamente _ que você fosse diferente. Que eu pudesse... _ ele meneou a cabeça, com decepção nos olhos. _ Deixa pra lá. Já não tem importância e você provavelmente riria de mim.

Eu inclinei o rosto para cima e encarei o céu escuro, sentindo as lágrimas queimarem os meus olhos. O barulho de um táxi dobrando a esquina cortou o silêncio da noite e eu tropecei na direção do meio-fio, fazendo sinal desesperadamente para que ele parasse. Eu não podia mais ficar ali. Não conseguiria suportar mais um minuto das acusações de Edward. Ele não podia saber o quanto estava me magoando, porque havia se tornado cego para os sentimentos dos outros.

Continuei acenando para o táxi, com um nó entalado na garganta. Passos ecoaram pela calçada e, um segundo depois, Edward me puxou pelo braço, nos colocando frente a frente. O táxi seguiu o seu curso e nós ficamos sozinhos na madrugada fria.

Edward ainda estava usando o seu uniforme do Seven. Seu cabelo cor de cobre estava revolto como sempre, mas naquela noite, ele parecia assombrado pelo vento frio e cortante. Eu não havia percebido quando aquele frio começara. Os pelos do meu braço se eriçavam exatamente onde as mãos dele me tocavam. Eu não pude deixar de desejar que o seu toque se intensificasse, assim como não pude deixar de me sentir patética por isso. Inferno. Por que desejá-lo tanto quando eu deveria esquecê-lo de uma vez por todas?

Olhei dentro dos olhos de Edward, verdes e incrivelmente profundos, por um longo minuto. Eu havia me deixado sugar para dentro deles, para um universo sombrio, um mundo de segredos obscuros. E agora me via completamente destruída, perdida dentro de uma espiral que me conduzia cada vez mais para o fundo.

Respirei fundo, sabendo a importância de formular as palavras porque, muito em breve, eu iria desabar.

_ No minuto em que a gente se conheceu, você deixou claro os seus sentimentos por mim _ uma rajada de vento nos atingiu em cheio, e eu afastei os cabelos dos olhos. Edward permaneceu imóvel e mechas acobreadas começaram a brincar em torno do seu lindo rosto. _ Você sempre me olhou com arrogância, com desprezo. Você fez eu me sentir... insignificante _ despejei, sugando o ar com força até o meu peito doer. _ Tudo o que eu quis... tudo o que eu tentei... foi... fazer você entender.

As mãos de Edward deslizaram pelos meus braços e ele entrelaçou os dedos ao redor dos meus pulsos. Eu podia sentir minha pulsação acelerar enquanto a intensidade do olhar dele roubava o meu fôlego.

_ Entender o que? _ ele perguntou naquela voz grave e profunda, que acabava comigo.

Eu fechei os olhos e minha cabeça pendeu para frente. Ombros arriados, eu me soltei dele e cobri o rosto com ambas as mãos, deixando escapar os primeiros soluços de forma patética. Ai, merda. Nas últimas semanas, eu havia me esforçado tanto para construir a imagem de uma nova Bella! Uma Bella segura, determinada e amadurecida. Agora, minha máscara caía diante da única pessoa que havia dado sentido a minha vida nos últimos tempos. E que havia tirado o sentido dela também.

Edward me puxou para os seus braços, mas eu mantive os meus estendidos ao longo do corpo, incapaz de retribuir, incapaz de ser coerente com o desejo absurdo que eu sentia de abracá-lo, beijá-lo, de dizer o que eu realmente sentia por ele. O meu peito subia e descia em soluços rápidos. Eu me sentia fraca, frágil, feita de vidro. O destino havia pisado em mim e me quebrado várias vezes ao longo dos anos, e agora eu já não conseguia respirar, esmagada por um peso insuportável.

Ele encostou minha cabeça junto ao seu peito, inclinando sua boca e deixando escapar a respiração lenta e morna no meu ouvido.

_ Eu vou levar você pra casa _ Edward sussurrou, derretendo qualquer resistência dentro de mim. _ E então talvez, você possa me fazer entender o que vem acontecendo entre a gente.

Meu coração se aqueceu pelo seu tom suave e eu desisti completamente de brigar, me aninhando ainda mais no seu peito. A sensação era doce e maravilhosa. Eu queria me ver presa ali para sempre. Seus dedos se enroscavam em meus cabelos, formando anéis antes de soltá-los de novo. Eu suspirei. Deus, aquilo era bom.

_ E depois? _ perguntei, deixando o calor do seu corpo me envolver.

_ Depois... _ ele disse. _ eu tenho a impressão de que não vou deixar você partir, Bella. Nunca mais.

Notas finais
Bom dia, meninas! Não demorei tanto dessa vez, né? rs A fic está em reta final e espero que vocês estejam curtindo! Deixem reviews com suas opiniões e expectativas por favor (: até o próximo!