Notas iniciais
Boa tarde, meninas! Capítulo fresquinho de TBH :)

O Seven'n Seven ficava a quinze minutos de caminhada da delegacia. Edward e eu seguimos para lá em silêncio, cada um enfiado nos próprios pensamentos. Ele tomou minha mão entre a sua assim que começamos a andar e elas permaneceram entrelaçadas por todo o caminho, fazendo o meu coração bater tão alto que estava me deixando surda. Uma onda de ansiedade me assaltava sempre que as palavras dele invadiam a minha mente: "eu não vou deixar você partir"...

Quando chegamos ao Seven, as portas do bar estavam fechadas. Era evidente que, além dos clientes, todos os funcionários já haviam deixado o seu posto. Eu olhei para um lado e outro da rua deserta, o silêncio preenchendo todo o espaço entre Edward e eu. Mas não era um silêncio ruim. Era calmo e reconfortante. Ele tirou um molho de chaves do bolso e escolheu um delas. Quando o metal se encaixou na fechadura, Edward empurrou as portas duplas com ambas as mãos e eu fiquei frente a frente com o interior vazio do Seven’n Seven.

O único facho de luz ali dentro vinha das portas abertas que davam para a rua. Então, quando ele as fechou, nós mergulhamos na penumbra lado a lado.

_ Consegue me ver? _ ele perguntou, a voz rouca provocando um calafrio na minha alma. Eu estremeci, negando com a cabeça antes de perceber que, provavelmente, ele também não estava me vendo.

_ Não.

Escutei um som baixo escapar e percebi sua respiração ficar mais forte. As duas mãos de Edward envolveram meus braços e, de repente, eu estava suspensa no ar, as pernas enroladas em volta da sua cintura, nós dois nos beijando com paixão selvagem. Os lábios de Edward eram duros contra os meus e o seu toque parecia exigir que eu correspondesse a altura. Ele passou os dedos através do meu cabelo, enrolando-os em torno do punho na altura da nuca e me puxando com determinação. Seu aperto não era doloroso. Ao contrário disso, era excitante.

Com a cabeça inclinada para trás, meu pescoço ficou exposto para ele. Um gemido baixo escapou quando eu engoli a saliva, com dificuldade. Edward roçou os lábios na minha garganta. Meus olhos se fecharam a despeito da escuridão ao redor e eu suspirei, extasiada.

_ Ninguém nunca me beijou dessa forma _ eu admiti, sentindo sua boca passear pela minha pele que formigava de prazer.

_ Eu nunca quis beijar ninguém assim...

Com os braços ao redor do seu pescoço, eu me soltei da doce prisão que ele havia criado. Seus dedos soltaram o meu cabelo, tão devagar que era evidente o seu desagrado. Eu não conseguia vê-lo, mas podia imaginar seus olhos brilhando como duas chamas acesas naquela penumbra. Inclinei o meu rosto, então, para a frente, capturando sua boca com a minha e entrelaçando nossas línguas. Ele gemeu, surpreso e satisfeito. Seus dois braços se cruzaram sob as minhas coxas, e minhas mãos começaram a passear pelo seu peito, acariciando os músculos rígidos que estavam escondidos sob a camiseta preta. A despeito do frio que fazia lá fora, dentro do Seven, nós parecíamos prestes a entrar em combustão.

Edward chupou a minha língua uma última vez, com força, e então nossos lábios se separaram. O frio invadiu de novo a minha alma. Eu me sentia tonta, sem fôlego e desesperada por mais. Estendi a mão para acariciar sua bochecha e ele a beijou delicadamente.

_ Vamos. Preciso pegar uma coisa _ ele disse, fazendo o meu corpo deslizar devagar para o chão.

Àquela altura, eu não tinha muita confiança em minhas pernas, mesmo assim, elas não vacilaram. Edward não hesitou antes de entrelaçar nossas mãos novamente e seguir na frente, comigo em seu encalço. Eu ainda estava atordoada. Pela força do seu beijo e pela minha reação no fim. Uma sintonia parecia ter se estabelecido entre a gente, eu me sentia ainda mais atraída por ele. Para ele. Deus, eu queria aquele homem hoje mais do que nunca. E tinha certeza de que, no dia seguinte, só iria desejá-lo ainda mais. Tudo isso num ciclo sem fim.

O Cullen seguiu direto para o que parecia ser os fundos do bar, sem acender uma única luz no caminho. Ele conhecia muito bem o mapa do lugar, ao contrário de mim, que lutava para não tropeçar no que achava serem caixas de cerveja, pelo odor leve mas pungente. Lá dentro era quentinho, com certeza estávamos dentro de um depósito. Eu imaginei por que motivo, Edward teria me levado para dentro. As coisas que ele poderia fazer comigo em um depósito me despertavam um frenesi de pensamentos inquietantes. Todos eles me deixavam com tesão.

Ouvi o barulho das chaves e, logo em seguida, o clique de uma fechadura. Uma porta foi empurrada e eu dei de cara com o que deveria ser o estacionamento do Seven para funcionários. O único veículo ainda ali era a R1 preta luminosa. Eu sorri, me lembrando do dia em que ele quase havia me ensinado a pilotar.

Edward não disse nada, mas com certeza se lembrou também, porque acabou sorrindo junto. Meu peito se encheu de uma alegria, que era, até então, novidade para mim. A alegria de partilhar alguma coisa com o homem que, definitivamente, tinha o meu coração nas mãos.

Nós subimos na moto e eu rodeei sua cintura com os braços. O Cullen deu, então, a partida, os músculos do abdome rígidos sob as minhas mãos. Eu não parava de sorrir. Na verdade, eu nem queria parar. Em algum momento, no meio do caminho, pressionei o rosto de encontro às suas costas, deixando o calor do seu corpo me envolver e o seu cheiro acender em mim algo que já estava se tornando conhecido. Uma sensação agridoce de alvoroço na boca do estômago.

No início, eu pensei que Edward me levaria direto para a casa de Charlie. Afinal, ele não sabia que eu estivera hospedada nos últimos dias com Alice e Gwen. Por isso, foi uma surpresa quando a moto tomou um caminho diferente e eu me vi chegando à vila de Ruth.

O lugar estava mergulhado em um silêncio profundo. Certamente, todos dormiam. Além disso, a iluminação era limitada, vinda apenas da claridade da lua. Depois que deixamos a moto no interior da vila, nós seguimos para a última casa. Meu estômago se contorceu. Eu não tinha a intenção de voltar ali, não depois de ter sido expulsa por Edward. Mas, agora, que estava de volta, não me imaginava saindo de lá. Pelo menos, não sem ele.

Assim que ele girou a chave na fechadura, meu coração disparou com a expectativa do que estava para acontecer. Nós dois, definitivamente, não éramos bons com palavras. Pelo nosso histórico de diálogos, era mais provável que alguma coisa ruim resultasse daquela conversa do que, realmente, uma coisa boa.

_ Entra _ ele pediu. Então, eu entrei.

A casa estava às escuras e eu travei logo depois de atravessar a entrada. Só então tinha me ocorrido que, por algum motivo ainda desconhecido, Edward havia aprendido a viver na escuridão. As trevas combinavam muito mais com ele, com quem ele era agora. Mesmo assim, eu suspeitava que havia luz. Em algum lugar. Ela só estava escondida nas sombras.

Senti as mãos de Edward sobre os meus ombros e ele apoiou o queixo no topo da minha cabeça, me obrigando a fechar os olhos e suspirar.

_ Você não tem idéia do que fez comigo, Bella. Por que foi embora? Por que você me deixou?

_ Você me expulsou.

_ Não _ ele meneou a cabeça, seu queixo se movendo sobre a minha. _ Eu disse que você voltaria para a casa do seu pai porque, naquele momento, era o que devia ser feito.

_ O que deveria ser feito? _ eu franzi a testa, a confusão estampada nos meus olhos, mesmo que ele não pudesse ver. Seus dedos deslizavam pelos meus braços, num ritmo lento, um bálsamo calmante numa tempestade. _ Você quis se livrar de mim _ eu acusei numa voz claramente magoada.

_ Nunca _ ele respondeu, rouco, os lábios deslizando para a minha orelha. Eu ouvi o som da minha resistência se quebrando como algemas se partindo. _ Eu quis livrar você de mim _ suas palavras provocaram uma pontada no meu coração. _ Eu não mereço você, Bella. Mas é inútil... eu simplesmente não consigo mais deixar você ir.

Notas finais
Oi!!! O que acharam do capítulo e o que esperam para o futuro do nosso casal problema? Será que tem mais alguma armadilha no caminho desses dois? E será que o Edward finalmente vai abrir o passado dele para a Bella? Porque o coração ele já anda começando a abrir, não é mesmo? AIAI Conversamos pelos reviews, garotas! Beijossss