Two Broken Hearts
73 Sarah Lasser
Pov Edward
Minha primeira reação quando Bella contou que Esme estava atrás do incêndio foi querer correr até a mansão dos Swan e arrancar a confissão daquela mulher. Com as minhas próprias mãos. O sangue ferveu, algo quente e maldoso borbulhando dentro de mim, no lago mais profundo, aquele onde geralmente enterramos nossos piores segredos.
Esme estava longe de ser um modelo de mãe, no sentido mais puro e nobre da palavra. Mas, daquela vez, ela tinha ido longe demais. Tão longe que me fazia desejar quebrar seu pescoço.
No entanto, Bella me forçou a me acalmar e pensar com clareza. E a ouvir o restante da história.
— Fico feliz em saber que você fez as pazes com o seu pai _ e ficava mesmo. Àquela altura, eu já imaginava que o diabo, ou seja, Charlie Swan, não era tão feio quanto pintavam. O Coronel havia forjado a imagem de um homem vil e ganancioso, quando, agora, Charlie se parecia para mim mais como um pai que errou tentando acertar. Um homem cético e um tanto egocêntrico, mas não alguém capaz de prejudicar outra pessoa intencionalmente.
— Eu também fico. Especialmente sabendo que ele está doente _ ela suspirou e, pela sua voz, eu sabia exatamente o que estava sentindo. Bella estava lamentando o fato de que só havia conseguido se aproximar do pai no que, talvez, fossem seus últimos momentos juntos. _ Ele não sabe nada a respeito de Esme, Edward. Agora eu tenho certeza. E eu tenho medo de contar a ele e deixá-lo ainda mais doente.
Eu assenti, acariciando a sua nuca e puxando-a para um beijo carinhoso nos lábios. Desde aquela manhã, quando Bella abriu os olhos naquele quarto de hospital, eu não conseguia mais tirar minhas mãos de cima dela. Parecia que todo e qualquer contato físico era insuficiente.
Eu sabia que nós dois sofreríamos separados, mas não podia aceitar o convite de Alice e Gwen. Minha presença ali era um risco enorme para todas elas. Eu sabia que o Coronel entraria em ação buscando vingança a qualquer momento, pela minha audácia em deixar a fazenda, e as três, Alice, Gwen e Bella, seriam um alvo tentador para ele executar os seus planos.
— Sei como você se sente, mas precisa contar _ opinei. _ Seu pai está, literalmente, dormindo com o maldito inimigo. Esme nunca foi confiável e, agora, sabemos também que ela é uma criminosa. Precisamos entregá-la pra justiça, Bella.
— Eu sei, eu sei _ ela assentiu, fechando os olhos e massageando as têmporas. Eu estava me sentindo um lixo. Sabia que ela estava carregando um peso como a porra da estátua da liberdade nos ombros e queria tirá-lo de lá, mas não sabia como. _ Mas precisamos de Jacob para isso.
— Jacob?
— Sim. Ele precisa confirmar que Esme planejou aquele incêndio. Sem o depoimento dele, é a minha palavra contra a dela.
— Sua palavra parece o bastante pra mim _ eu rejeitei a ideia de ter que confrontar Jake antes de colocar Esme atrás das grades. O acerto de contas com ele seria uma missão lenta e prazerosa para mim. Impedir Esme de praticar outra loucura contra Bella, no entanto, era muito mais urgente.
— Pra você, sim. Mas não para a polícia _ ela explicou, o semblante tenso. _ Minha madrasta é uma pessoa muito admirada e reconhecida pelo seu trabalho. Ela administra obras de caridade, mantém um consultório voltado só pra elite de NY. Esme tem prestígio, eu não. Eu sou só a enteada rebelde que fugiu de casa e abandonou a faculdade. E se descobrirem que meu pai está doente, eu vou ser a filha aproveitadora tentando aplicar um golpe. Eu não posso entregar minha cabeça numa bandeja de prata para Esme. Não vou deixar que ela vença, Edward.
Eu respirei fundo, sabendo que, longe de ser o que eu queria ouvir, tudo o que Bella estava falando era a mais perfeita verdade. Eu estava sendo emotivo e intempestivo, e ela controlada e racional, como sempre.
— E o que quer fazer?
Ela ergueu os olhos para mim e o que eu vi neles não foi medo ou insegurança, mas tanta certeza e determinação que me deixaram perplexo.
— Eu vou fazê-la provar do seu próprio veneno.
—----------------------------------
Eu odiava a ideia de ver Bella se expondo, mas precisava admitir que o plano dela tinha chances de dar certo. Por isso, aceitei ficar na retaguarda para o caso de ela precisar de mim.
Enquanto isso, eu tinha a minha própria missão e era nela que estava trabalhando agora.
O metrô me deixou na Union Square Garden e eu atravessei a praça, seguindo pela Park Avenue em direção ao Gramercy Theatre. Ao lado dele, havia um bar chamado Olympus. Quando eu entrei, o cara atrás do balcão me ofereceu uma caneca de cerveja e apontou na direção da tv.
— É fã dos Sox?
Eu dei um longo gole antes de balançar a cabeça negativamente.
— Ótimo. Se não você ia dar o fora daqui.
Eu o encarei por um momento. Ele era um cara alto e fortão, com músculos do tamanho de bolas de futebol. No entanto, não era grande como um jogador de futebol americano, mas sim, como o gigante daquela história sobre o pé de feijão. Tinha barba escura e grosseira, assim como o cabelo que caía sobre os ombros, e também um bigode cheio de espuma branca.
— Meu nome é Hércules _ ele tirou uma caneca de trás do balcão e deu um gole ainda maior do que o meu, engrossando a espuma sobre o bigode. _ Esse bar é meu.
— Que bom _ eu disse, provando mais da cerveja. Estava gelada e descia bem._ Eu estou procurando uma pessoa, Hércules.
Ele se apoiou sobre o balcão com ambas as mãos e eu pensei que fosse pular para o outro lado. Mas o gigante só se inclinou para a frente, como se fosse me contar um segredo.
— Não sou um maldito informante, garoto _ ele estreitou os olhos, num gesto de ameaça. _ Desde que você atravessou aquela porta, eu soube que estava atrás de encrenca.
Eu inclinei a cabeça para o lado. Hércules, O Idiota, estava a fim de me causar problemas. Ir até o Olympus e falar com ele, estava começando a parecer uma perda de tempo.
— Então está enganado, cara. Eu disse que estou atrás de uma pessoa. Mas se a encrenca aparecer, eu não vou fugir dela.
Ele estreitou o cenho e me analisou com cuidado. Depois, retornou a sua posição inicial e relaxou os ombros.
— Merda, garoto _ rugiu. _ Achei que você fosse um maldito policial. Esses caras vivem rodeando o meu bar como moscas varejeiras. Quem você está procurando?
— Jacob Black.
Os olhos dele se acenderam e um sorriso feroz surgiu em seu rosto.
— Pois se você o encontrar, me faça um favor. Arranque todos os dentes dele, um a um, e me traga dentro de uma caixinha de fósforos, junto com a língua.
Eu ri. Por que eu não estava surpreso? Ah, claro. Jake sempre tinha sido ótimo em fazer novas amizades.
— Ele é seu amigo?
— Pode-se dizer que não _ eu terminei minha cerveja e depositei a caneca sobre o balcão, junto a uma nota de cinco dólares. _ Não mais.
— Então que Deus o ajude a pegá-lo _ Hércules deu um sorriso de canto que, ao contrário de torná-lo mais amigável, o fez parecer ainda mais ameaçador. _ Porque se eu pegar, não vou ter um pingo de pena.
Eu me senti tentado a perguntar o que Jacob havia feito para deixar Hércules puto da vida. Mas tinha assuntos a resolver e tinha pressa, também. Eu havia seguido a pista de Jake até o Olympus, o bar onde ele vinha fazendo a segurança nas últimas semanas. Depois de conhecer Hércules, eu estava me perguntando porque um cara daquele tamanho precisava de algum outro tipo de segurança do bar.
O fato é que Jacob estava desaparecido de novo e eu não sabia mais aonde encontrar o seu rastro.
A resposta estava sentada na única mesa do Olympus ocupada em plena tarde.
Era uma ruiva magra e bonita, com seios grandes que pulavam do decote da blusa vermelha. Ela tinha excesso de maquiagem no rosto e cabelos cheios, encaracolados, como uma jovem rebelde dos anos 80. Estava fumando um cigarro e fez um sinal com o dedo para que eu me aproximasse.
— Você está procurando o Jacob?
— Já sei _ acenei com a cabeça. _ Quando o encontrar, vou arrancar seu fígado, temperar com alho e servir com gorgonzola pra você no jantar.
Ela me olhou espantada e piscou algumas vezes, antes de voltar a atenção para sua bebida novamente, que segurava com as duas mãos trêmulas.
— Esquece. Achei que vocês fossem amigos.
Eu estava prestes a ir embora, mas sua reação me chamou a atenção. Eu sentei a mesa, de frente para ela.
A ruiva me encarou com um par de olhos angustiados.
— Me desculpe _ eu disse, sorrindo torto como eu sabia que elas gostavam. _ Jake é um velho amigo. Parece que o grandão ali não gosta dele _ eu apontei para Hércules sobre o ombro, sem nem vê-lo realmente. Minha atenção estava cem por cento focada na ruiva, que tinha os olhos úmidos e a marca de uma lágrima na bochecha esquerda. _ Eu o estou procurando para trabalho.
— Precisa de um parceiro? _ ela sorriu, parecendo esperançosa.
— Sim, preciso _ eu arrisquei. _ Tenho um serviço, mas só confio em Jake para fazê-lo comigo.
Os ombros dela relaxaram quando ela exalou um suspiro de alívio.
— Ótimo. Jake precisa mesmo de um trabalho _ ela confessou, parecendo animada de repente, embora seus olhos mantivessem um brilho melancólico._ Ele precisou viajar para o interior, eu não sei bem aonde. Parece que o avô dele tem uma fazenda no Tenessee ou algo do tipo.
Eu fiz que sim com a cabeça.
— Fica em Maryland, na verdade.
— Maryland? _ ela perguntou, curiosa.
— Sim, o avô dele vive em Baltimore. Jake e eu crescemos juntos.
— Ah _ a ruiva abriu um sorriso luminoso._ É bom,finalmente, saber alguma coisa de concreto sobre o passado do Jake. Às vezes, ele é tão misterioso. Tão...
— Fechado?
Ela assentiu, concordando, e passou a língua pelos lábios saboreando o último gole da bebida.
— Vocês estão juntos há pouco tempo?
— Só algumas semanas _ ela confirmou e o seu semblante se tornou circunspecto. _ Sabe, às vezes ele me assusta. Em alguns momentos, parece meio frio e distante. Em outros, ele chega a ficar arredio. Mas então... volta a ser o Jake carinhoso e quente que eu amo.
— Eu entendo.
Senti pena da pobre garota. Apaixonar-se por alguém instável e perturbado como Jacob Black, com certeza, era um problema e tanto.
— Você sabe quando ele retorna de Maryland?
Ela suspirou novamente, olhando para o fundo do copo vazio.
— Só amanhã a noite _ então, seus olhos se acenderam. _ Você quer encontrá-lo? Eu posso marcar um encontro entre os dois.
— Onde ele está morando? _ a ansiedade na minha voz me traiu e ela franziu o cenho antes de responder.
— Eu não acho que deva dar essa informação. Mas posso marcar um encontro entre vocês dois. Em um bar talvez. Não este, claro_ ela olhou por cima do meu ombro, provavelmente para o Hércules carrancudo atrás do balcão.
— Claro_ eu assenti, sabendo que aquele seria o fim da jogada. Se Jacob fora ao encontro do Coronel, àquela altura, ele já teria descoberto que Bella estava viva e jamais viria ao meu encontro. _ Por que não marcamos em um local mais privado? O trabalho é delicado, um assunto particular _ eu baixei o tom de voz para instigar sua curiosidade.
— Mas eu não posso dar o meu endereço _ ela recusou com veemência.
— Ele mora com você?
A ruiva pareceu se arrepender das últimas palavras.
— Qual é o seu nome?
— Daniel Williams _ eu respondi, no improviso. Williams era um cara a quem Jacob e eu fizemos um ou dois favores no passado. Ele vivia em Baltimore, também, na época, e pelo que eu sabia, continuava por lá. _ E o seu?
Ela pensou por um instante.
— Sarah Lasser.
Eu não podia dizer, com certeza, que ela estava falando a verdade. Mas torci para que estivesse.
Porque eu descobriria o endereço de Sarah Lasser nem que fosse preciso descer ao décimo círculo do inferno para isso.
E, àquela noite, apareceria por lá para fazer uma visita a um velho amigo.
Fale com o autor