POV Bella

— Bella?

— O que foi, Esme?_ eu sorri torto para a minha madrasta _ Parece que viu um fantasma.

Rhonda havia aberto a porta, autorizada pelos seguranças na entrada, e eu tinha pedido que ela chamasse Esme para me receber, dizendo apenas que ela tinha uma convidada muito especial para o jantar.

Eu havia passado o dia inteiro pensando naquilo que estava prestes a fazer. Pessoas vis e traiçoeiras, como a mulher de Charlie, capazes de enganar e prejudicar as pessoas a quem diziam amar, me deixavam enojada. A vingança não era uma tarefa que me agradava, como acontecia com Edward. Mas aquilo não se tratava de vingança. Eu precisava deter minha madrasta antes que fosse tarde demais e estava pronta para corromper alguns dos meus valores no processo, caso fosse necessário.

E eu sabia que seria.

— Eu resolvi me convidar para o jantar. Espero que não se incomode com a minha presença _ lancei o veneno. _ Não quero estragar o apetite de ninguém.

Esme engoliu em seco. Estava pálida como um cadáver e, dessa vez, não havia encenação alguma. Ela estava apavorada.

Eu sabia que, em parte, Edward ainda tinha dúvidas sobre a autoria do incêndio. Ele havia responsabilizado o Coronel desde o primeiro momento e isentá-lo, agora, da culpa, transferindo-a para a própria mãe, era quase impossível para ele. Além disso, ele não conhecia a extensão da loucura de Esme como eu conhecia. Eu a havia visto enlouquecer, uma vez, na cozinha daquela casa, enquanto conversávamos. Enquanto eu ainda a considerava mais do que a minha madrasta.

Esme havia sido uma amiga, uma confidente. A imagem mais próxima que eu havia conhecido de uma mãe.

Agora, ela me encarava no hall de entrada da mansão dos Swan, com as pupilas dilatadas e muda de espanto. Até aquele momento, ela havia acreditado que eu era um problema riscado da sua lista.

Pois bem, ela estava muito, muito enganada.

— Eu... ahn, claro que não _ minha madrasta se atrapalhou com as palavras e esfregou as mãos uma na outra, como se não soubesse bem o que fazer com elas agora._ Você... tudo bem com você? Quer dizer, vamos para a sala de jantar. Eu não sabia que seu pai desceria esta noite, mas... bom, é uma surpresa. Uma surpresa maravilhosa, claro.

— Claro que sim _ eu concordei, com um sorriso cínico no rosto, e a segui pelos corredores da mansão._ Aposto que você não esperava me ver.

— O que?_ ela tropeçou no tapete, murmurando um palavrão antes de continuar liderando a caminhada para a sala de jantar. Seus olhos estavam o tempo todo por cima do ombro, como se temesse que eu cravasse um punhal nas suas costas.

— Eu quero dizer, tão cedo.

— Ah _ ela exalou um suspiro, que não podia ser interpretado como outra coisa, se não alívio. _ É uma surpresa maravilhosa, Bella. Maravilhosa _ repetiu, como um disco arranhado.

Na sala de jantar, encontramos Teresa dispondo a louça e os talheres à mesa. Ela me olhou, surpresa, mas logo um sorriso saudoso se espalhou pelo seu rosto.

— Bella.

Esme deu um passo atrás, quando eu passei por ela e fui até minha querida Teresa, um dos anjos que haviam me criado depois da morte da minha mãe. Eu a abracei e beijei seu rosto com carinho, assim como havia feito com Rhonda, minutos antes, e desejando fazer o mesmo com os outros.
Teresa me envolveu pelos ombros, parecendo prestes a chorar.

— É tão bom vê-la de volta a esta casa!

— Ainda não _ eu murmurei no seu ouvido, sorrindo maliciosamente para Esme a alguns metros de distância, sabendo que ela não podia me ouvir. _ Primeiro, preciso resolver uma questão.

Minha madrasta bufou, ocupando o seu lugar habitual à mesa. Ela parecia irritada, subitamente mau humorada como eu nunca havia visto.

Aquilo me deixava feliz. A máscara de Esme, finalmente, estava caindo.

— Teresa, a mesa já deveria estar posta há um século! Maldita incompetência _ ela bufou uma segunda vez. Seus olhos dardejavam veneno para Teresa, mas eu sabia que a raiva da minha madrasta estava longe de ser dirigida aos funcionários da casa. Ela queria poder arrancar os meus olhos ali mesmo, na mesa de jantar, e devorá-los com o suflê.

Eu lancei um olhar cúmplice para Teresa. Depois, ocupei o meu antigo lugar, a esquerda da cabeceira da mesa, a esquerda de Charlie. Esme estava sentada a sua direita. Como se um alerta tivesse sido disparado, Charlie desceu as escadas naquele exato instante.

Meu pai parecia menos abatido do que na minha última visita e aquilo fez o meu coração transbordar de esperanças. Seu rosto estava menos pálido, seus olhos menos fundos. Ele ainda parecia magro, mas definitivamente mais disposto. Descia as escadas devagar, mas não pedira auxílio a ninguém.

Eu pensei em me levantar e ir ao seu encontro, ajudá-lo a se sentar a mesa. Mas, se eu bem conhecia Charlie, ele odiaria se ver dependente de outra pessoa.

— Fico feliz que você tenha vindo, Bella _ seus olhos sorriram antes dos lábios e eu adorei aquilo. _ Quando Rhonda me avisou que você estava aqui, eu fiquei tão animado que, por pouco, não esqueci de tirar o pijama. As refeições nesta casa, sem você, já não são mais as mesmas.

— É claro _ balbuciou Esme, remexendo no prato a comida que Teresa havia acabado de servir. _ Infelizmente, ela só veio para uma visita breve e logo vai embora de novo.

O silêncio pairou a mesa. O olhar de Charlie ficou vago e distante. Seu estado de espírito anterior havia sido contaminado pelo veneno da esposa.

Eu trinquei os dentes, contando até dez para não quebrar o seu pescoço.

— Pai, você parece bem melhor _ mudei o assunto, tentando reconquistar a felicidade inicial de Charlie. _ Eu fico feliz que esteja se recuperando.

— Obrigado, Bella. Parece que Deus é bom até mesmo com aqueles que não merecem _ ele disse, sorrindo. _ Como vai você? E o seu trabalho com Adriana? Conte para nós, as novidades!

Um sorriso surgiu e se congelou no meu rosto.

— Essa é a melhor parte. A casa onde Edward e eu estávamos vivendo sofreu um incêndio na noite passada. Um acidente infeliz _ eu acentuei as últimas palavras, olhando de Charlie para Esme e fixando o olhar nela antes de prosseguir. _ E eu gostaria de voltar a morar aqui com vocês, por uns tempos. Não preciso dizer que Edward viria junto, é claro.

Notas finais
Olá, queridas! Como têm passado? Hoje, a autora que vos fala completa mais um aninho de vida, êeeee! E eu vim comemorar com mais um capítulo para vocês (um pequenino, porque a vida anda meio corrida, especialmente hoje rs), o primeiro da saga: O Declíneo do Mal hahaha e aí, estão gostando da pontinha do iceberg que está por vir? Parece que Edward e Bella têm planos para a megera da Esme e eles já começaram a ser colocados em prática! E então, vamos fazer a bruxa surtar e pedir as contas? hahahaha beijos em todas e até os reviews! P.S. O capítulo poderia ser maior, mas fiquei com medo de demorar muito para ficar pronto e eu estava ansiosa para postar logo :)