Notas iniciais
Capítulo dedicado à leitora Anny que fez 19 aninhos no dia 22 de fevereiro. Anny, muita saúde, sucesso e uma vida repleta de felicidades :) Beijo grande!

Esme me encarava, tão imóvel quanto uma estátua de gesso, enquanto Charlie piscava aturdido.

_ O que você disse, Isabella?

_ Exatamente o que você escutou. Se expulsar alguém dessa casa, pode ter certeza de que eu vou junto.

Eu olhei de relance para Edward ao meu lado. A despeito do festival de emoções que dominava a sala, ele não parecia perplexo, contrariado, nem mesmo inquieto. Estava outra vez envolto em sua bolha de sabão repleta de egocentrismo. O teto estava desabando sobre nossas cabeças e ele parecia pronto para estrelar um comercial de pasta de dente!

Furioso, Charlie se dirigiu a ele desta vez.

_ E você, seu bastardo? Não vai dizer coisa alguma?

O Cullen riu, um som impregnado de sarcasmo e alguma outra coisa mais abaixo, que eu não consegui decifrar. Vestia seu uniforme de trabalho e tinha as chaves da moto nas mãos. Ele estava de saída.

_ Eu me reservo o direito de permanecer em silêncio, sabendo que tudo o que eu diga porderá, E SERÁ, usado contra mim nesse terminal de merda, desse juiz de merda. Dessa. Família. De. Merda.

Eu vi o lampejo de fúria nos olhos de Charlie antes mesmo de suas mãos se crisparem em punhos. Em seguida, ele saltou sobre Edward e os dois caíram no chão da sala, engalfinhados como dois animais.

_ Parem! _ Esme suplicou, um grito histérico _ Parem, pelo amor de Deus!

Rapidamente, Edward reverteu a situação e se colocou sobre Charlie, segurando-o pelo colarinho e imobilizando-o no chão. Meu pai se debateu, tentando voltar a posição inicial, mas não obteve sucesso. A camisa estava amassada e para fora da calça, exatamente como um garoto metido numa briga de rua.

Enquanto Esme chorava, eu permanecia estática, incapaz de qualquer reação. Merda. Em algum outra dimensão, em um universo paralelo, eu ainda era uma garota dotada de raciocínio lógico, capaz de responder aos estímulos do meu próprio cérebro. Mas ali, naquela sala, presa dentro do meu corpo, eu mal conseguia piscar.

_ Desgraçado! _ Charlie urrou como um cão raivoso, tentando dar um soco no Cullen que se esquivou com um sorriso seco nos lábios.

_ Você nem imagina o quanto.

Esme tentou puxar o filho pelos ombros, mas ele não se abalou.

_ Edward, por favor, solte o meu marido. O que deu em você? O que deu em vocês dois?!

– Seu filho é um desgraçado de merda, Esme! _ Charlie explodiu _Você trouxe um psicopata para essa casa, está feliz com isso? Ele vai acabar com todos nós, um por um!

_ Ou todos de uma única vez, ainda estou tentando me decidir _ o Cullen provocou.

Charlie se debateu de novo, mas ele nem se mexeu.

Esme se lançou de novo sobre o filho, tentando arrancá-lo de cima do marido a qualquer custo. Enquanto fazia isso, escorregou no piso, caindo de lado no chão.

Me dei conta de que a cena seria cômica, se não fosse trágica. Ela se pôs a chorar.

_ Por que você voltou, o que você quer de mim?! Eu pensei que estivesse me dando uma chance, que você quisesse uma reconciliação e estivesse disposto a ter uma nova família...

_ Eu tenho uma família. A MINHA família! E eu não preciso da sua, eu não quero a sua. Eu não quero você _ ele virou a cabeça na direção da mãe, o rosto retorcido em uma careta de ódio. _ Sua vaga...

_ Edward!

Todos os olhares recaíram sobre mim.

_ Vá até o seu quarto, pegue suas coisas e me espere lá fora.

Charlie havia desistido de tentar lutar e exalou um suspiro exaurido.

_ Isabella, nao seja estúpida. Nem pense em ir com ele.

_ Cala essa boca, pai.

Ele me encarou, furioso.

_ Se você sair por aquela porta, nunca mais...

_ Eu ja conheço a história _ interrompi, pouco interessada. _ E eu não vou querer voltar, não se preocupe.

Edward me observava, pela primeira vez no meio daquela loucura, ele parecia realmente intrigado.

_ É sério, Edward.

Ele se voltou para o meu pai com um olhar ameaçador e Charlie não tentou nada enquanto o Cullen ficava de pé.

_ Bella, você não tem que fazer isso _ Esme disse, os olhos marejados.

_ Pois é, parece que eu tenho sim.

Só então me dei conta do quanto estava nervosa. Minhas mãos tremiam e minha voz parecia engasgada. Meu estômago, por sua vez, estava embrulhado e eu achava que poderia vomitar a qualquer momento.

Rhonda entrou na sala justamente quando eu mais precisava dela. Agradeci mentalmente por isso.

Me afastei do centro do campo de batalha e segui até onde ela estava, antes que Charlie a colocasse para correr dali.

_ Rhonda, vou ligar para você depois. Então, você vai enviar as minhas coisas para o endereço que eu disser, ok?

_ Mas Bella...

_ Por favor, Rhonda.

Ela parecia tão engasgada e estática quanto eu estivera antes, então tomei as rédeas a puxei para um abraço apertado e carinhoso.

_ Eu te amo. Muito obrigada por tudo.

Ela chorou baixinho no meu ombro e nenhuma de nós olhou para Charlie ou Esme enquanto isso.

_ Eu também amo você. Tenha cuidado... com esse sujeito.

Definitivamente, Rhonda não gostava de Edward. Charlie tambem não. Esme, que era sua mãe, tinha suas próprias restrições quanto a ele. E eu? O que estava sentindo? E por que estava prestes a seguir os seus passos para fora daquela casa?

O Cullen desceu as escadas três minutos depois, uma mochila atirada de forma aleatória nas costas.

_ Estou pronto.

Assenti para ele.

_ Eu também.

Nós dois atravessamos a sala, ele no meu encalço, e não olhamos para trás nem enquanto cruzávamos o umbral da porta. O choro de Esme parecia vir de outro lugar, um som etéreo e distante. Charlie permaneceu em silêncio o tempo todo.

Quando chegamos na garagem, Edward subiu na moto e me estendeu um capacete, que eu prontamente peguei. Seu cabelo desalinhado ainda estava úmido e seu olhar para mim era desconfiado.

_ O que você está fazendo?

Eu dei de ombros, montando na garupa.

_ Você queria encontrar um jeito de destruir essa família. Eu estou dando isso a você, de mão beijada.

Eu não perguntei a Edward aonde estávamos indo. Simplesmente não queria ser o tipo de garota que ficava choramingando como uma criancinha no banco de trás do carro: "Estamos chegando? E agora, estamos chegando?" Então, senti a moto deslizar suavemente até atravessarmos os portões de casa e, de repente, estávamos ganhando velocidade enquanto o caminho se tornava asfalto e estrada.

Ele dirigiu por meia hora e eu só percebi que havíamos chegado quando a moto estava completamente parada. Tinha passado o trajeto inteiro pensando em Esme, Charlie, Rhonda e tudo o que eu havia deixado para trás. Na hora, o sangue quente havia se incumbido de mostrar apenas as coisas ruins que eu estava desprezando. Uma família caótica, um pai opressor e ausente, um lar desfeito. Agora a voz da lógica tentava se infiltrar pela minha consciência, alertando para o tipo de garota que eu era — responsável, controlada e inexperiente. O tipo de garota que não abandona a própria casa na garupa da moto de um cara como Edward Cullen.

_ Que lugar é esse? _ eu perguntei enquanto ele me ajudava a descer da moto.

_ Eu morava aqui antes de ir para sua casa.

_ Ah _ exclamei, surpresa _ Você não vivia... em Maryland?

_ Depois de Maryland.

Eu me calei. Era uma casa amarela de janelas azuis gradeadas. O pequeno quintal da frente tinha uma dúzia de vasos de plantas, todos com espécies diferentes. Eu esperei que Edward pegasse as chaves para abrir a porta, pequena, feita de madeira, mas ele apenas bateu e esperou.

Um minuto depois, a porta se abriu e uma senhora de cabelos brancos e óculos com grandes aros de metal, surgiu diante de nós.

_ Ruth?

Ela não levou nem um segundo para reconhecê-lo. Logo um sorriso prazeroso tomou conta do seu rosto.

_ Edward!

Assisti, um pouco pasma, os dois trocarem um abraço demorado e afetuoso. O Cullen tinha uma expressão tranquila e satisfeita, como a de alguém chegando em casa após uma longa, cansativa e desagradável viagem. Ao retornar, uma avó carinhosa o esperava com uma travessa de biscoitos recém-tirados do forno. Eu que já não estava entendendo porra nenhuma há muito tempo, fiquei sem entender mais ainda.

Edward perguntou pela saúde de Ruth, quis saber do gato e dos gerânios. Ruth respondeu que as coisas estavam bem, como sempre, tudo como ele havia deixado. Mas pareceu preocupada ao perguntar como ele estava. Aos meus ouvidos, aquilo não havia soado como mera gentileza. Além disso, a todo momento, ela lançava olhares furtivos para mim, mas nada discretos.

O Cullen suspirou em resposta a sua pergunta.

_ Eu ainda preciso do meu velho quarto de volta.

Ela assentiu, com seriedade.

_ Ele é todo seu _ e então a curiosidade pareceu vencer o jogo. _ Quem é ela?

Edward olhou para mim quase como se estivesse esquecido a minha presença. Em um momento, eu era a mártir que oferecera a vida por ele e, noutro, era mais um vaso de plantas no quintal da casa. Eu tive vontade de socá-lo.

Ele sorriu para ela, daquele jeito charmoso que parecia funcionar com mulheres de nove a noventa anos.

_ Uma amiga _ fez uma pausa. _ Ela também precisa de um lugar para ficar.

Ruth me analisou de cima a baixo, esperando descobrir chifrinhos crescendo em minha cabeça ou um rabo em lugar inapropriado. Por fim, deu de ombros.

_ Bem, você sabe que o seu é o unico quarto disponível.

Edward concordou, antes de me direcionar um olhar lascivo.

_ Eu contava com isso.

Ruth convidou Edward a aparecer para o lanche da tarde. Por sorte, os biscoitos de chocolate e menta que ele tanto gostava já estavam no forno. Não pude deixar de ficar desapontada por não ter sido incluída no convite. Eu costumava ser aquela de quem todos gostavam...

Ela deu a ele uma chave e ele me conduziu por um corredor estreito, lateral, que dava para os fundos da casa. Então descobri onde estávamos.

_ Hm. Quantas pessoas vivem aqui?

Ele me conduziu até o fim do corredor repleto de casas minúsculas de ambos os lados. Parecia não haver ninguém em nenhuma delas, apesar de Ruth ter dito que estavam lotados.

_ São quatro kitnetes... três famílias, então. E eu, claro.

"Nós", corrigi mentalmente, sentindo meu estômago se contrair. Agora eu começava a entender por que Edward tinha tanto desprezo pelo dinheiro da minha família. Ele era pobre, muito pobre. Me perguntei se a situação em Maryland poderia ter sido ainda tão pior a ponto de ele preferir morar em uma casa de cortiço alugada em NY?

Quando chegamos ao fim do corredor, ele subiu o único degrau que levava a porta da última kitinete. Ela ficava disposta de forma a fechar o espaço, como numa pequena vila. Uma vila retangular. Um vila limpa, tranquila, mas estreita, minúscula e com paredes horrivelmente descascadas. Eu não estava mesmo preparada para enfrentar aquilo. E estava com tanta raiva de mim mesma por estar bancando a garota mimada, que comecei a direcionar minha raiva a Edward. Por que, PORRA, ele simplesmente não tinha me contado?!

Ele abriu a porta. Eu subi atrás dele, mas congelei na entrada, sem saber se gostaria de ver o que tinha lá dentro.

Edward se voltou para mim com olhar duro.

_ Vai ficar parada?

Eu tive vontade de sair correndo.

Mas não fiz isso. Pelo contrário, eu entrei.

Notas finais
Oieeeeeeeee! Postei rapidinho, viram só? hehe louca pra saber quem tá querendo matar o Charlie, quem ficou contra o Edward e quem tá condenando a Bella! Mandem reviews, minhas queridas! Vale lembrar: quem está curtindo muito, favorite e faça uma recomendação. Vamos divulgar a história e fazer a escritora ficar nas nuvens! hahaha beijinhos