Ignorei os telefonemas de Alice durante todo o sábado. Sabia muito bem que ela estaria curtindo o fim de semana nos braços de Jasper, e não queria que minha depressão fosse estragada pela sua alegria sempre espontânea.

Então me tranquei no quarto e consultei o cronograma da agenda vermelha, que me encheu de consolo ao avisar sobre um trabalho importante a ser entregue após o feriado. Abri apostilas, cadernos e livros e trouxe o notebook para a cama, passando a pesquisar furiosamente o assunto do trabalho. Quanto mais pesquisava, mais distante se tornava a imagem de uma Tanya vadia nua montando um Edward Cullen sem camisinha. Honestamente, eu esperava que ele tivesse pego AIDS.

Não quis descer para tomar café, nem para almoçar. Se não fosse Ronda me trazer um suco de manhã teria passado aquele tempo todo em jejum. A verdade é que eu não estava com fome. Sentia uma dor de cabeça fraca mas persistente, a garganta arranhando, mas só quando dei o primeiro espirro, considerei a possibilidade de estar ficando gripada.

Quando desci, já estava escurecendo. Podia ouvir Charlie falando ao telefone, trancado no escritório, e sabia que Esme estava encerrada em seu quarto, provavelmente remoendo os fatos dos últimos dias. Sentia saudades de poder conversar com ela, ouvir seus conselhos, receber seu apoio, mas ainda estava magoada demais para fazer as pazes.

Entrei na cozinha e quando toquei no interruptor, alguma coisa se moveu nas sombras.

_ Não acende.

Encostei-me a parede e não ousei mover um músculo. Edward tinha dado um salto da cadeira e agora estava de pé, bem diante de mim. Eu não podia ver os traços do seu rosto, mas podia perceber os contornos e sentir sua proximidade com cada centímetro do meu corpo. Sua respiração era profunda mas controlada, as mãos apoiadas contra a parede às minhas costas. Seu hálito era quente e delicioso. Menta e cigarros. O perfume, uma mistura marcante que me deixou imediatamente tonta.

_ Não diga nada.

Tentei dizer que não mandasse em mim, mas havia perdido completamente o raciocínio. Provavelmente ele também tinha atirado o juízo na lixeira, pois, no momento seguinte, sua boca se apossou da minha com uma fúria selvagem. Ela era macia, mas determinada. Seu beijo era intenso e profundo. Suas mãos subiram pelos meus braços, enclausurando meu pescoço entre elas. Ele era sedento por controle, queria dominar tudo, cada segundo. Ou talvez estivesse apenas se atendo aquele fio de sanidade que o impedia de tornar tudo ainda mais definitivo entre nós. Aquilo que nos impedia de mudar de vez o rumo das coisas.

Edward lambeu e mordiscou meus lábios, enquanto eu explorava com os dedos cada centímetro de pele por baixo da camisa. Ele tinha mesmo gosto de menta e cigarros, e eu sentia minhas pernas fracas enquanto sua língua provocava e acariciava a minha. O corpo dele era forte e torneado, o abdomen rijo se contraindo sob o meu toque desejoso.

O meu mundo estava girando e Edward Cullen estava definitivamente nele. Eu não podia negar. Por mais irritante, insensível e egoísta que ele fosse, por mais que eu tentasse afastá-lo... eu não o odiava de verdade. Longe disso, estava irremediavelmente atraída por ele.

Suas mãos desceram para a minha cintura e me puxaram para cima. Senti minhas costas raspando contra a parede, e logo minhas pernas estavam enroladas ao redor da sua cintura. Sua língua invadia a minha boca sem reservas, quente e molhada, e eu podia sentir o seu membro duro entre as pernas, apertando o meu sexo. Agarrei seus cabelos enquanto correspondia ao beijo e o puxava ainda mais para perto de mim. Queria senti-lo perto. Queria senti-lo dentro. Nenhum homem estivera ali antes e eu queria que ele fosse o primeiro. Não sabia o por que, mas sabia que apesar de ser absurdamente errado, também era a única coisa certa no nosso mundo torto.

De repente, a luz da cozinha acendeu. Edward e eu nos separamos e eu escorreguei para o chão, não rápido o suficiente para que Gretha não tivesse tempo de nos surpreender.

_ Mas o que...?

_ Não é o que você está pensando, Gretha _ eu implorei com os olhos, sabendo que Charlie ficaria uma fera.

_ É exatamente o que você está pensando _ a voz de Edward irrompeu, silenciando ambas.

Agora, com a luz acesa, eu me assustei ao ver o seu rosto marcado por uma variedade de cortes e contusões. Ele havia passado a tarde fora, é verdade. Eu tinha ouvido o motor da sua moto se afastando bem mais cedo. Mas ainda trancada no quarto, não havia prestado atenção ao momento em que retornara. Nem ao jeito como retornara.

Edward lançou um olhar grave e ameaçador à Gretha, que se encolheu um pouco.

_ Se você abrir o bico, vou acabar encontrando um jeito de te fazer pagar _ ele disse antes de sair da cozinha.

Gretha me olhou, apavorada. Ela era nossa empregada há tantos anos que eu a considerava parte da família, assim como Ronda, Thereza ou John, motorista de Charlie.

_ Não precisa ter medo, Gretha... ele apenas falou por falar. É um idiota.

Ela me observou com expressão preocupada. Parecia hesitante, mas quando falou foi cheia de segurança.

_ Desculpe me intrometer, Bella, mas eu vi você crescer. Esse rapaz... bem, ele é encrenca. Eu vejo na forma como ele olha pra vocês. O Sr Charlie, a Sra Esme... você mesma. Ele deseja o mal e é capaz, sim, de fazer o mal. Tenha cuidado.

Depois que ela deixou a cozinha, eu apaguei a luz e passei algum tempo ali dentro, sozinha, tentando entender o que havia acontecido.

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Alice não estava presente para me fazer sucumbir à normalidade de um sábado à noite. Então, vesti o pijama mais cedo e me deitei sobre a cama, observando o teto enquanto os pensamentos desabavam sobre mim como uma avalanche.

Edward estava em seu quarto no fim do corredor. Sozinho. Desta vez, por mais que eu aguçasse os ouvidos, não conseguia ouvir o som do Metálica incendiando a casa. O que ele estaria fazendo naquele momento? O que estaria sentindo? Será que também estava pensando sobre o que havia acontecido entre nós? Possível. Desejando que acontecesse novamente? Pouco provável. Eu sabia que Edward me abominava, e estava claro para mim que o nosso beijo tinha sido causado por um breve surto de insanidade e testosterona.

Daquele momento em diante, ele voltaria a ignorar minha existência insignificante.

Dormir me parecia impossível, então convoquei Lara e o Tenente Fox, trazendo-os à minha realidade febril. Devorei páginas e mais páginas do romance até minha imaginação se encher com as imagens sensuais das figuras que se retorciam na relva e se entregavam mutuamente, na promessa de se amarem até o fim dos tempos.

Amor.

Uma palavra de quatro letras completamente estranha para mim.

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Your House (Alanis Morissette)

Era domingo e Charlie partiria a negócios para Connecticut no dia seguinte. Como forma de unir a família em tempos de caos, Esme arquitetou um almoço impecável, com os meus pratos preferidos e os de Charlie.

Meu pai foi educado o suficiente para não rejeitar a idéia, mas também não foi hipócrita a ponto de agir com falsidade. Atravessou o almoço em um silêncio respeitável, exceto por um único comentário acerca da comida de Ronda, quando esta veio trazer o vinho.

Edward não estava lá para ferrar tudo. Mas não precisava. Sua existência se fazia presente em cada silêncio, assim como se fez presente nos soluços de Esme quando esta subiu ao quarto. Meu pai subiu em seguida, mas tomou o rumo do escritório. Eu sabia que a indiferença dele magoava Esme mais do que a raiva. Sabia disso com a incontestável experiência de quem era ignorada por Charlie há anos.

Edward passou o dia inteiro fora. Minha imaginação começou a trabalhar contra mim, desenhando quadros de uma vagabunda qualquer trepando com ele como se o mundo fosse acabar. Lembrei de Tanya e o meu estômago revirou. Só de imaginá-lo com ela, eu tinha vontade de entrar no seu quarto e atirar todas as suas coisas pelas janelas.

A idéia surgiu, atraente demais para ser ignorada.

Precisei apenas atravessar um corredor e pronto. De repente estava no seu quarto, que cheirava a madeira e uma essência particular, o cheiro de Edward Cullen. Fechei os olhos, inalando por um momento. Era inebriante. Tanto quanto havia sido na véspera, quando nos beijamos na cozinha. Mas agora se tratava de um cômodo vazio, e eu me sentia um pouco patética revirando as gavetas atrás de pistas sobre o seu passado sombrio.

Além de roupas, no entanto, tudo o que encontrei foi uma foto guardada dentro de uma agenda em branco. Tinha sido rasgada ao meio e colada novamente com fita. Nela, uma jovem e linda Esme, com não mais do que vinte e cinco anos, segurava no colo um garotinho com sorriso radiante. Eu custava a acreditar que aquele fosse mesmo Edward. Apesar dos olhos verdes e dos cabelos cor de bronze, aquele sorriso parecia pertencer a outra pessoa.

Mesmo homem. Outro universo. Era bem verdade. E eu sabia daquilo porque tinha as mesmas fotos, recortes da primeira infância, guardadas em uma caixa no fundo do armário.

De repente, me dei conta de como as nossas histórias eram parecidas. De uma forma ou de outra, nós dois havíamos perdido nossas mães quando muito pequenos e aquilo havia nos dilacerado completamente.

Deitei na sua cama e deixei as lágrimas caírem, mornas e silenciosas, enquanto segurava contra o peito a foto do pequeno Edward contra o peito, sentindo qualquer resquício de raiva que eu sentisse dele se converter em compreensão. Chorei por ele, por mim e um pouco por nós.

Porque uma certeza batia suas asas geladas dentro de mim: Edward e eu estávamos quebrados e jamais haveria conserto.

“Eu fui à sua casa
Subi as escadas
Abri sua porta sem tocar a campainha
Atravessei o hall
Entrei no seu quarto onde podia sentir seu cheiro

E eu não deveria estar aqui
Sem permissão
Não deveria estar aqui

Você me perdoaria, amor, se eu dançasse no seu chuveiro?
Você me perdoaria, amor, se eu deitasse na sua cama?
Você me perdoaria, amor, se eu ficasse tarde inteira?

Eu tirei minha roupa
Coloquei seu roupão
Mexi nas suas gavetas
E encontrei sua colônia
Fui ao seu covil
Achei seus cds
E toquei seu Joni

E eu não deveria ficar por muito tempo
Você poderia voltar para casa logo
Não deveria ficar por muito tempo

Você me perdoaria, amor, se eu dançasse no seu chuveiro?
Você me perdoaria, amor, se eu deitasse na sua cama?
Você me perdoaria, amor, se eu ficasse a tarde inteira?”

Notas finais
Boa noite, meninas! Tudo bem? Então, o que acharam do capítulo? Já tinha postado há duas horas, mas pelo que eu vi não foi realmente enviado, que raiva =/ Me enviem comentários com as considerações de vocês por favor, quero saber o que estão achando *.* no último capítulo tivemos apenas seis reviews, embora o Nyah registre vários acompanhamentos e alguns favoritos :( podem por favor revisar conforme forem lendo? Obrigada pelos reviews e recomendações e, como sempre, por estarem aqui comigo :) bgsbgs