Notas iniciais
Olá, meninas! Como estão? Metade deste capítulo é formada pelo pov do Edward sobre a cena do beijo e metade pelo pov da Bella sobre o momento atual. Não se percam rsrs Espero que se gostem! xoxo

POV Edward (dia anterior)

_ Seu filho da puta!

De novo ele se jogou contra mim, o punho acertando o lado direito do meu rosto. Meu supercílio cortado jorrou o líquido viscoso e quente e o sangue respingou na minha camisa preta (como tudo o que eu usava), manchando o chão asfaltado do estacionamento ao ar livre.

Cada um havia seguido para lá em seu próprio veículo, e de lá sairia da mesma forma. Se os dois estivessem vivos quando aquele confronto terminasse, é claro. Da minha parte, eu preferia vê-lo morto e tenho certeza de que a recíproca era verdadeira.

Estávamos há alguns metros do parque, onde crianças brincavam tranquilamente sob os olhares atentos das mães. Aquilo me fez lembrar um pouco a Esme da minha primeira infância. Seus cabelos louros e delicados eram como trigo soprado pelo vento. Eu carregaria aquela sua imagem pelo resto da minha vida, por mais que tentasse afastá-la.

A recordação foi a distração que ele esperava. Fui arremessado sem piedade, me chocando de costas contra o muro de pedra.

_ Seu desgraçado _ ele vociferou, andando na minha direção com os olhos em chamas.

Levei um novo soco e, desta vez, o estacionamento girou ao meu redor. Ele veio para cima com uma sucessão de socos rápidos, mas eu consegui desviar de um dos golpes e acabei segurando a sua nuca com ambas as mãos. Antes que ele pudesse virar o jogo, dei uma joelhada forte na boca do seu estômago, e ele se dobrou, caindo de joelhos, com um gemido sufocado.

_ Eu te mato se você se aproximar de mim de novo _ eu disse e não era apenas uma ameaça, mas uma promessa.

Enquanto me afastava pelo parque, ignorando os olhares curiosos no caminho, acendi um cigarro e me perguntei se aquele seria o único fantasma a vir me procurar em NY.

Quando cheguei à Casa de Tortura Charlie Swan, fui até o banheiro limpar os machucados. Por sorte, não esbarrei em nenhum dos 52495 empregados da família monstro, ou provavelmente Esme estaria no meu quarto em cinco minutos bancando a mamãezinha preocupada.

Isso era especulação minha, claro, dado as suas últimas performances teatrais. Desde que eu tinha chegado ali, todos os dias Esme tentava uma forma diferente de aproximação, às vezes com um sorriso no rosto, outras com lágrimas nos olhos. Eu ignorava todas com o mesmo desprezo. O tempo dela comigo havia acabado.

Nosso assunto agora era outro.

Me olhando no espelho, considerei que eu estava bem pior do que o meu adversário. Mas o fato é que, além de saber que ele era um perito no que estava fazendo, eu tinha a desculpa de que há muito tempo não entrava numa briga direta com alguém. O Edward dos velhos tempos com certeza teria feito um estrago respeitável no filho da puta.

Saí do banheiro sem fazer nenhum curativo. Os cortes e machucados eram todos superficiais, o imbecil não tinha chegado nem perto de um serviço decente. Por um momento, fiquei satisfeito por imaginar o tamanho da frustração do coronel se me visse saindo ileso de uma surra dos seus melhores capatazes. A satisfação caiu por terra, assim que eu constatei que a intenção não era me deixar em cima de uma cadeira de rodas, apenas me dar um alerta, um “aviso mais duro” como o velho costumava dizer.

Eu tinha sentimentos ambíguos em relação ao meu avô.

Na infância, ele havia sido um ídolo para mim, a imagem do herói todo poderoso capaz de transformar seus inimigos em poeira debaixo dos sapatos. Eu queria ser exatamente como ele, sonhava com isso.

Sabia que Carlisle tivera as mesmas aspirações durante um bom tempo, mas terminara se desviando do caminho com o passar dos anos. Agora, ele era mais um dos subordinados do coronel, um xerife sem respeito, sem nome, sem autoridade. Ainda carregava sua estrela dourada no peito, mas seu prestígio em Graycon Falls se limitava ao fato de ser filho do dono do distrito.

Parei na cozinha para comer alguma coisa e mantive as luzes apagadas para não chamar a atenção dos empregados.

Já tinha acabado de comer um sanduíche e estava sentado no escuro, quando vi uma silhueta surgir na porta iluminada pelo brilho tênue da lua. Não precisei de mais do que um segundo para perceber que era Isabella. Dei um salto na cadeira e mandei que não acendesse a luz. Não precisava que ela visse os machucados e fizesse um escândalo pela casa.

Quando me dei conta, o meu corpo já estava colado ao dela, nossos lábios a tão poucos centímetros que o menor movimento da sua respiração se tornava tentador e angustiante.

Ficamos nos encarando nas sombras. O corpo dela tremia ligeiramente, a pele macia retesada, implorando para ser tocada. Imaginei com quantos homens ela já havia estado, e dentro destes quantos apenas a haviam beijado e quantos também a haviam explorado intimamente. Seu cheiro era enlouquecedor.

Então, finalmente, parei de imaginar e a beijei.

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PDV Bella (atualmente)

Edward só voltou para casa perto do fim da tarde. Vi sua moto atravessar os portões que davam acesso ao jardim e observei enquanto ele a conduzia para a garagem, um cigarro pendendo entre os lábios e a jaqueta de couro preta sobre os ombros. Por um momento, ele ergueu a cabeça na direção da minha janela e nossos olhares se cruzaram.

Fiquei paralisada. Meu coração deu um mortal triplo dentro do peito e eu suspirei, não resignada mas condenada. Já não era capaz de controlar minhas próprias reações. Mesmo àquela distância, eu podia jurar que seus olhos verdes brilhavam e aquela nota de sarcasmo habitual pairava na sua expressão.

Impressão minha. Logo depois ele continuou o seu caminho, alheio ou simplesmente indiferente ao efeito que causava sobre mim. Dessa forma, o recado era claro: ele estava determinado a ignorar a minha existência e eu deveria fazer o mesmo em relação a ele.

Frustrada, fiquei tentada a ligar para Alice e desabafar. Eu precisava muito de um amigo naquele momento, ouvir conselhos ou sei lá, ter alguém por perto que me escutasse. Alguém para rir de coisas bobas.

Minha baixinha estava mesmo fazendo falta...

Sem uma alternativa atraente (e viável), separei o material para as aulas de segunda-feira e revisei a matéria de Prática Hospitalar, para o teste de terça. Quando terminei, arrumei meu armário e organizei os cardigans e suéteres por cores nas gavetas, separando calças por modelos, blusas e camisetas por estação, etc. Organizando eu me sentia mais calma, menos ansiosa, e ainda focava minha mente em qualquer coisa que não fossem os lábios do Cullen, quentes, suaves e macios dentro daquele beijo tão possessivo e autoritário.

Possessivo. Haha. Tinha mesmo graça. Tudo o que ele não nutria por mim era qualquer sentimento de ciúme ou posse. Se dependesse de Edward, eu poderia ser comida viva por uma horda de zumbis mutantes do espaço sideral e ainda assim, garanto, ele não daria a mínima.

É claro que eu poderia acreditar num conto de fadas onde Edward mantinha seus sentimentos em segredo, se apaixonando cada vez mais e perdidamente por mim. Onde o garotinho da foto ainda estava lá, escondido em algum lugar no fundo daquele cara rebelde e insensível.

Esse era o jeito mais fácil. Mas não era o jeito honesto.

A verdade é que Edward fora atacado por um breve desejo pelo desconhecido, uma súbita e inexplicável curiosidade pela filha proibida de Charlie Swan. Eu não era cega. Sabia que ele odiava o meu pai, assim como tinha raiva de mim e uma mágoa profunda de Esme. Até podia entender que todos os seus sentimentos estavam ligados ao abandono da mãe na infância. O que eu não conseguia compreender era o que ele estava fazendo ali, na minha casa, abrindo cada vez mais a ferida que não fora capaz de curar nesses anos.

A verdade é que todos nós, naquela casa, éramos peças do quebra-cabeça no estilo “circo dos horrores” que Edward havia trazido quando entrou na minha cozinha, na noite do meu aniversário, a imagem da determinação e arrogância.

Bufei, de repente mais irritada do que gostaria. Ele era um quebra-cabeça difícil pra cacete. E quanto mais confusa me deixava, mais eu me via envolvida no jogo.

Sabia que Ronda viria me chamar para o jantar, então me adiantei e vesti um short jeans, curto e desfiado e coloquei uma camiseta vermelha larga do Kings of Leon. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo no alto da cabeça. A noite estava realmente quente e a brisa entrando pela janela era morna e úmida. Eu estaria quase suando quando chegasse à sala de jantar, tudo porque o maldito ar condicionado central não estava funcionando.

Abri a porta do quarto.

Dei de cara com Edward encostado na parede, me observando.

Notas finais
Oieeee! Sumi uns dias pra tentar resolver uns lances que faltam pra eu pegar meu diploma na faculdade (terminei em junho mas não completei as horas acadêmicas, aff). Espero que os povs não tenham ficado confusos em relação ao momento de cada um. Ficaram? O pov do Edward é do dia anterior, entre a cena do posto de gasolina (onde ele estava esperando alguém) e o beijo que deu na Bella na cozinha; o pov da Bella é do dia seguinte, o momento atual da fic mesmo, em que o Edward tinha saído de novo (não se sabe pra onde, esse rueiro aff rs) e voltou. Agora ficou esperando ela abrir a porta do quarto WOOOOOW o que vai acontecer, hein? Fiz o Edward se abrir bastante nesse post, viram? Ele ainda é misterioso, mas deixei uma luz no fim do túnel pra vocês seguirem as pistas hehe Saudades de conversar por aqui, meninas! O numero de comentários aumentou e eu fiquei super feliz e realizada, obrigada mesmo! Mandem suas impressões sobre o capítulo e até o próximo, beijooo