Two Broken Hearts
30 Quebrados
Notas iniciais
Incontáveis segundos se passaram e nenhuma palavra saiu da minha boca. Eu estava rígida sob Edward que, aos poucos, foi se retirando de mim. Senti minha intimidade relaxar, livre da pressão dolorosa que ele havia feito e, de repente, era como se ele nunca tivesse estado lá. Em vez de me sentir liberta e aliviada, fiquei deprimida. Tinha plena consciência de que havia estragado o melhor momento da minha vida até então, e de que Edward nunca mais iria se interessar por mim daquela forma. Provavelmente, aliás, de nenhuma outra.
_ Fala, Isabela.
O tom de voz dele não foi autoritário nem impaciente, mas com certeza firme o bastante para me convencer a abrir o jogo.
Respirei fundo, reunindo coragem não sabia de onde.
_ É. Sou _ baixei os olhos, constrangida. Foi a única coisa que me ocorreu dizer e, depois disso, me calei.
Esperei que Edward desse um salto para longe de mim e saísse do quarto, furioso, batendo a porta com um estrondo. Ao contrário, ele rolou para o meu lado e se deitou, os braços cruzados sob a cabeça.
_ Que merda, Bella _ ele gemeu de olhos fechados, engolindo duro._ Que merda. Você entende o que quase aconteceu aqui? Você consegue entender o que nós quase fizemos?
Continuei de costas no colchão, fitando o teto branco e a luz nua que pendia do bocal, presa por um emaranhado de fios. Meus braços estavam estendidos ao lado do corpo e nossas mãos quase podiam se tocar. Enquanto meus músculos começavam a relaxar, a sensação do calor emanando dele era tentadora. Eu queria ser tocada, queria ser acariciada, queria que ele me abraçasse. Admitir aquilo para mim mesma era constrangedor e o início de um grande problema.
Soltei um suspiro involuntário.
_ Claro que eu entendo, Edward. Não é como se eu tivesse sido criada num convento.
Ele riu entre os dentes.
_ É claro que não. É só como se você fosse uma virgem deitada na minha cama e eu estivesse a ponto de comer você com vontade. Só isso, porra.
Fechei os olhos com força. As palavras dele deixavam meu rosto em brasas. Eu queria voltar no tempo, queria desaparecer. Queria nunca ter nascido. Era estranho o poder que Edward tinha de colocar sentimentos dentro de mim... ele estava sempre me ditando emoções, me impondo coisas. Se em um momento era raiva, no seguinte, eu sentia piedade pelo seu passado; outras vezes, queria me perder naqueles olhos verdes. Para sempre.
Para sempre...
Ele se levantou do colchão e vestiu a box e os jeans, tão depressa como se sua vida dependesse daquilo. Seu rosto era uma máscara de auto-controle e os músculos das costas estavam todos tensionados, como se ele estivesse fazendo bastante força para tomar aquela decisão. Era estranho como, sendo ele um cara tão misterioso e distante, às vezes fosse tão fácil, para mim, ler suas expressões.
_ Edward, não seja um idiota comigo.
Achei que ele não tivesse escutado. Então, quando alcançou a maçaneta da porta, se deteve e respirou fundo antes de voltar os olhos sobre o ombro, na minha direção.
_ Eu vou ligar para a sua casa e amanhã mesmo você vai embora. Que se foda. Eu não sou um puritano e você obviamente não é o tipo de mulher com a qual estou acostumado.
Mordi o lábio inferior e esperei, esmagada pelo peso das suas palavras. Então ele saiu do quarto e fechou a porta atrás dele, e eu não pude fazer outra coisa exceto engolir minhas lágrimas junto a um milhão de perguntas que talvez nunca tivessem respostas.
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Permaneci alguns minutos assim, tentando ouvir qualquer som do outro lado da porta do quarto. Mas um silêncio absoluto havia se instalado e eu desconfiava que Edward tivesse saído de casa.
Sem outra solução, levantei devagar sentindo o cansaço se aproximando, vesti o mesmo short e camiseta e voltei para o colchão. Eu precisava de roupas limpas, mas definitivamente não podia dar o endereço dali para Rhonda. Mesmo que Edward mudasse de ideia no dia seguinte, nosso estranho relacionamento inconstante, cheio de altos e baixos, estava fadado ao fracasso. Cogitei pegar o celular e pedir a ajuda de Alice, mas envolver a baixinha naquilo quando ela estava tão confusa a respeito dos próprios sentimentos era injusto demais.
Então virei de lado no colchão e pensei nos últimos acontecimentos da minha vida. Recordei os planos para a faculdade, minha indecisão, minhas angústias, minha sede de controle e minhas próprias limitações. Lembrei da agenda vermelha abandonada na estante do quarto, tão dispensável quanto todo o resto. Cada dia mais eu me perdia da garota que havia sido antes e, honestamente, não sabia se deveria gostar ou odiar a a garota na qual estava me transformando. E já estava começando a questionar minha decisão de deixar a casa do meu pai. Ser criada em meio a frieza de Charlie havia sido difícil, conhecer a supremacia das suas decisões também fora uma decepção. Eu tinha confundido sua repentina atenção em relação a mim com afeto, mas descobrira que, vinda do meu pai, a atenção estava mais associada a sede de controle das pessoas.
Edward havia surgido como uma luz no fim do túnel, a tal promessa de libertação que todo sentenciado secretamente espera no corredor da morte. Quanto mais ele me provocava com seu jeito torto, duro e quebrado, mais a raiva dentro de mim ameaçava vir a tona. Mas a luz dele era uma centelha de fogo brilhando no meio de um poço escuro e solitário, e não havia ninguém que pudesse resgatar sua alma de lá. Então eu me lembrei do menininho da foto, com seus olhos luminosos e o sorriso fácil, e meu coração se encheu de uma tristeza infinita. A sensação de não ter conseguido chegar a tempo de impedir um mal absoluto e sem conserto.
Edward estava quebrado, eu estava quebrada. E nenhum dos dois era capaz de consertar o outro, porque era tarde demais para consertar a si mesmo.
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Acordei com o brilho do sol e o barulho de crianças chorando. Fiquei um tempo assim, entre os lençois, ouvindo os sons da vila pela manhã e, então, me lembrei de que era domingo. Me levantei da cama aos poucos, totalmente sem ânimo, e entreabri a porta do quarto, dando uma espiada pela fresta.
A casa continuava em silêncio, nenhuma movimentação. Com certeza, eu estava sozinha. Me aproveitando daquele momento de privacidade, me esgueirei para dentro do banheiro e encostei a porta. Dessa vez, havia uma toalha lá dentro. Me senti estranha sabendo que, de uma forma ou de outra, Edward havia se lembrado de mim...
Tirei a roupa e entrei no box. A água que caiu do chuveiro era quente e maravilhosa. Me entreguei ao alívio e ao conforto que se derramavam sobre minha pele e massageavam os meus músculos, provocando uma deliciosa sensação de relaxamento. Molhei meu cabelo, deixando a água fumegante cair sobre a nuca por alguns minutos. Então fechei o chuveiro e saí, enrolada na toalha.
No quarto, vi a mala de Edward aberta num canto. Estava assim desde a noite anterior, algumas roupas saindo e espalhando-se pelo chão. Desorganizado. Eu senti o meu lado maníaco-obsessivo balançar a cabeça reprovadoramente e reprimi o desejo de arrumar tudo com cuidado. Então um nó atravessou minha garganta e eu fiquei paralisada. Duas peças de roupa estavam dispostas sobre o colchão, uma camiseta e um short de tactel, ambas pretas. E ambas masculinas.
Caminhei devagar até elas, como se fossem uma miragem, e nem precisei aproximá-los do rosto para sentir o perfume de Edward se desprender dali. Ele havia estado no quarto. Enquanto eu tomava banho, ele havia entrado no quarto e deixado as roupas para mim. As roupas dele. Mordi o lábio inferior e senti meu coração se desmanchar em uma emoção inteiramente nova que eu ainda não conhecia. Afeto, gratidão, uma tímida confiança... e talvez, só talvez, um pouco de amor.
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