Two Broken Hearts

23 Perdendo o Controle


Edward não nos levou de volta para casa e também não deixou que Alice e eu voltássemos sozinhas. Ele ainda tinha algumas coisas a fazer no bar, mesmo depois de uma hora dando explicações a polícia. O dono do bar, um cara em torno de quarenta anos, cabelos escuros e uma barba espessa, já havia passado por ali também e era provável, de acordo com o agente Ryan que ele respondesse um processo sobre as medidas de segurança na casa.

Alice e eu pouco tivemos a dizer para as autoridades. Nada que eles já não tivessem escutado a noite inteira. Quando deixaram o Seven’n Seven, nós pudemos finalmente relaxar.

_ Como dizem... você está saindo da sua zona de conforto, isso não é ótimo?

Eu olhei para anãzinha de esguelha. Ela era uma amiga leal. Divertida, maluca e muito leal. Nossa relação sempre fora a de apoio entre duas pessoas com um passado tortuoso vivendo da melhor maneira possível, mas sem compartilhar essas experiências muito a fundo. Não desejávamos reviver nada, por isso, sempre que possível — o que era quase todo o tempo -, evitávamos os assuntos realmente dolorosos. Mas talvez, agora, eu estivesse começando a sentir falta de ter uma amiga para desabafar. Há quanto tempo não falava da minha mãe? E sobre os meus verdadeiros sentimentos em relação a Edward, quando eu havia falado com alguém sobre aquilo?

Deixei o corpo desabar na cadeira mais próxima e apoiei o tornozelo direito sobre a coxa esquerda, começando a tirar as sandálias. Meus pés estavam latejando, mas estranhamente eu estava sorrindo. Aquela noite havia ajudado a me aproximar um pouco mais de Edward e o meu coração ameaçava sair voando, como um balão cor de rosa. Era uma sensação apavorante de tão maravilhosa. Ainda não tinha nome, mas eu podia apostar que mais um pouco dela e logo, logo eu ficaria viciada.

O Seven' Seven estava praticamente vazio, com exceção de nós e dos funcionários que fechavam o bar e davam uma limpeza no lugar. Rose não parecia nada satisfeita esfregando o chão com água e sabão. Edward já havia cuidado de boa parte da bagunça e agora fechava o caixa. Havia ainda outros dois rapazes, um deles se chamava Steave e era o barman louro da minha primeira noite no Seven’n Seven. O outro era um cara negro e alto, coberto de tatuagens tribais, Johnny. Fora ele quem cuidara de mim no balcão a pedido de Edward. Eu já havia agradecido e me desculpado com ele, infinitas vezes.

_ Hoje foi incrível. Foi perfeito. Foi o máximo! _ Alice delirou, caindo sobre a cadeira ao meu lado.

_ Você ficou louca? _ eu contestei, mas bem no fundo sabia o quanto seria difícil esquecer a adrenalina daquela noite pulsando em minhas veias.

Os olhos de Alice brilhavam e ela parecia capaz de continuar tagarelando a noite inteira, especialmente após meia garrafa de Roth Califórnia.

_ Ah, eu senti falta de tanta loucura, Bells! Isso me faz pensar...

_ No que?

Silêncio.

_ Se... estou pronta pra viver um compromisso com o Jas.

Ca. ra. ca. Eu não esperava por um golpe de sinceridade naquele momento. Deixei as sandálias escorregarem para o espaço entre as nossas cadeiras e virei o corpo na direção dela.

Alice me encarava sob os longos cílios castanhos, quase dourados. Seus olhos eram azuis escuros, lindos como uma noite quente de verão.

Eu estendi minha mão, segurando a sua. Aquela noite havia sido assustadora e fantástica na mesma proporção. Sem regras, sem responsabilidades e sem culpas. Sem pensar no amanhã ou pior ainda, no ontem. Eu havia experimentado a vida como Edward Cullen por uma noite e Alice tinha mesmo razão. Sair da zona de conforto era ganhar asas para explorar um mundo que você ignorou a vida inteira.

_ Al, você é o centro da sua própria vida! Sempre foi dona dos seus caminhos e das suas escolhas, e eu invejo isso em você... essa capacidade sua de ser quem você é e não pedir permissão para nada. Você é tão livre...

_ Livre demais para se prender a um homem? _ ela perguntou, cheia de expectativa.

Eu estava pronta para assentir. Então meus olhos se voltaram para o bar, onde Edward havia tirado a parte de cima do uniforme e agora se enfiava em uma camiseta. Alheio a nossa conversa, ele já havia se voltado para dentro de novo, perdido no seu tenebroso universo particular de tatuagens e motos pretas.

Eu estava aprendendo a reconhecer quando a bad trip de Edward chegava. E não ansiava por aquilo, mas agora podia apostar, nem ele.

Só que eu também precisava admitir: bastava olhar para Edward e o meu coração parava. Não acelerava como prometiam a literatura e os filmes românticos, mas parava realmente. Um segundo mágico e misterioso suspenso no infinito. Eu também podia admitir, não sem algum esforço e sacrifício, que estava me tornando perigosamente apaixonada por Edward Cullen. No entanto, a palavra paixão parecia tão tolamente insuficiente que eu tinha medo até de respirar quando olhava para ele e romper o fio que me prendia ao chão.

Alice se mexeu, impaciente, ao meu lado.

_ Bells, você estava dizendo...?

_ Você deve seguir o seu coração. Não siga os seus instintos, siga o seu coração. Os seus instintos vão te dizer "Não vá. Tenha medo de seguir em frente. Você vai perder tudo e vai se ferir, vai se machucar..."

_ É isso o que eu sinto!

Sua voz me trouxe de volta a realidade. Ela ainda me encarava com uma expressão aflita e sua mão estava quente dentro da minha, enquanto o ar no bar vazio era frio e arrepiava a minha pele.

Um segundo atrás, eu não reparava em nada daquilo. Só... nele.

Apertei sua mão com tanta força que ela puxou de volta, surpresa.

_ Nossos instintos mentem, Alice. Eles não são confiáveis. As pessoas fazem de tudo para manter o controle das suas próprias vidas em um tolo instinto de autopreservação. Mas tem um pouco de ilusão nisso também, sabe? Porque ninguém é capaz de manter o controle o tempo todo. Cacete! Se você deseja, se arrisque. Se você ama, se entregue. E se você se machucar... então volte para casa e tome um porre para afogar as mágoas. Mas não deixe de tentar!

Os sons no bar tinha começado a ficar mais raros. Edward e Johnny se despediam, trocando risadas e socos amigáveis, enquanto o Cullen tirava um cigarro do maço. Os outros já haviam ido embora, incluindo a loura rainha da encrenca. Aos poucos, enquanto meus pensamentos voltavam a fazer sentido, eu a culpava secretamente por tudo o que havia acontecido naquela noite. Exceto, claro, pelas coisas boas que haviam resultado daquilo.

Alice me observava com dois olhos arregalados.

_ U-AU! Quem é você e onde está a minha amiga? _ então sua expressão se transformou num sorriso orgulhoso. _ Estou chocada. Eu não podia ter te ensinado melhor, Isabella Swan.

Sorri, pegando as sandálias enquanto aguardava Edward que vinha nos encontrar.

_ Obrigada, mestre.

_ De nada, Daniel San.

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Right to be Wrong — Joss Stone

Depois que deixamos Alice, Edward e eu seguimos para casa. Eu havia deixado que ele conduzisse o meu C5, já que sua moto ficaria guardada no Seven até a noite seguinte.

Nós cumprimos o caminho em silêncio, vez ou outra trocando olhares de canto elétricos e cheios de significados. Me assombrava vagamente o fato de que Edward havia entrado na minha vida sem pedir licença, e o tamanho do desastre que seria quando ele, enfim, saísse dela.

Nova York cintilava nas últimas horas da madrugada. Algumas pessoas ainda andavam pelas ruas, voltando das baladas. Garotas maquiadas, de vestidos curtos e brilhantes, saltos nas mãos e pés descalços sobre o asfalto.

Meu coração ia leve e eu sentia que poderia começar a dançar a qualquer momento. Veio então à minha mente uma das poucas recordações que eu tinha da minha mãe: ela e Charlie chegando de uma festa embriagados quando os primeiros raios de sol invadiam as janelas. Eu nunca havia visto duas pessoas mais bonitas, vivas e radiantes, e achei que nunca mais fosse encontrar aquilo de novo.

Observei meu reflexo pelo retrovisor do carro. Aparentemente, eu andara enganada.

Quando chegamos, estava amanhecendo. Charlie e Esme ainda dormiam, e a casa parecia completamente vazia. Eu sabia que àquela hora os empregados já estariam levantando e me surpreendi um pouco decepcionada por saber que a noite estava chegando ao fim.

De repente, eu soube: não podia deixar que terminasse. Não ainda. E não daquela maneira. Edward estava entrando em seu quarto e eu continuava encostada contra a porta do meu. O que eu poderia dizer a ele? Tecnicamente, a noite havia sido uma merda. E eu nem sabia o que pensar sobre nós.

_ Se continuar pensando, vai acabar perdendo a coragem.

Ergui os olhos. Edward também estava encostado contra a sua porta, olhando para mim, braços cruzados e um sorriso torto provocador. Ele estava certo. Respirei fundo e expulsei da mente o que Charlie pensaria, o que Esme gostaria ou o que Alice diria a respeito. Aquela era a minha vida, estava na hora de eu parar de assistir da plateia as coisas acontecerem.

Disparei como um raio, os pés cruzando a extensão do corredor. Só parei quando estava bem diante de Edward. Então, segurei seu rosto entre as mãos.

_ Boa noite, Cullen _ eu disse, antes de beijar sua boca.

Seus lábios eram macios e receptivos, exatamente como eu me lembrava. Uma sensação de calor inundou o meu corpo e eu tive que me forçar a lembrar que era só um beijo de boa noite.

Quando nos separamos, os olhos dele brilhavam.

Eu não disse mais nada. Apenas refiz o caminho de volta em passos rápidos, o coração disparado dentro do peito. Dentro do quarto, fechei a porta e me joguei sobre a cama, irradiando uma felicidade que eu nunca havia sentido.

Demorou muito tempo para eu cair no sono. E quando dormi, todos os meus sonhos foram recheados de Edward Cullen.

Direito de Errar

“Eu tenho o direito de errar
Meus erros me farão forte
Estou entrando no grande desconhecido
Sinto que tenho asas embora eu nunca tenha voado
Eu tenho minha opinião
Eu sou de carne e sangue até o osso
Eu não sou feita de pedra
Tenho direito de errar
Sendo assim, me deixe em paz

Eu tenho direito de errar
Já me seguraram por muito tempo
Eu tenho que me libertar
para finalmente respirar
Tenho direito de errar
Cantar minhas próprias canções
E posso ficar desafinada
Mas com certeza me sinto bem assim
Tenho direito de errar
Apenas me deixe em paz

Você tem direito a sua opinião
Mas é realmente minha decisão
Eu não posso retornar, estou numa missão
Se você se importa, não ofusque minha visão
Me deixe ser tudo o que posso ser
Não me desmotive com negatividade
Qualquer coisa lá fora que está esperando por mim
E eu estou indo disposta a enfrentar.”

Notas finais
Olá, meninas, tudo bem? Fiquei com saudades daqui e me sentindo muito em dívida com vocês, mas algumas vezes esbarro num capítulo meio complicado e esse aqui foi um deles. Não saiu como eu gostaria, mas acho que o próximo será mais emocionante :3 Mandem seus reviews! Adoro saber as expectativas de vocês com a fic hehe Obrigada a todas as leitoras que sempre permanecem aqui comigo! Um beijo enorme