Two Broken Hearts

61 O Passado Sempre Volta


POV Edward

A primeira atitude que tive ao chegar em Maryland foi ligar para Isabella. O vôo, que durou pouco mais de uma hora, foi o mais cansativo de toda a minha vida. Eu supunha ser devido aos motivos que me levavam até lá, mas, eu também sabia que, independente da justificativa da minha presença em Maryland, o fato de simplesmente estar lá já me causava uma náusea profunda.

Ouvir a voz de Bella, ao telefone, não injetou sequer uma gota de ânimo na minha alma. Em vez disso, uma saudade triste e dolorosa massageou o meu peito até que eu quase não pude respirar. Ela parecia fria e distante. Eu a havia magoado. Tudo em que eu vinha me empenhando nos últimos meses — não ser uma decepção em sua vida — havia ido por água abaixo com um único telefonema do Coronel. O homem que eu amara e admirara por grande parte da minha vida, agora, era o demônio que acorrentava a minha alma. Maldito filho da puta. Naquele momento, eu descobri que seria capaz de matar o meu avô se tivesse a chance.

Esperei amanhecer sentado em uma das cadeiras azuis pouco confortáveis do terminal. Minha coragem de partir direto para a fazenda havia arrefecido durante a viagem. Velar o meu pai, durante a madrugada, não me parecia uma opção viável quando tantas lembranças me invadiam em ondas gigantes desde que eu havia chegado à cidade. Estava decidido. Eu partiria assim que amanhecesse.

Foi exatamente o que eu fiz.

Ainda estava escuro quando o primeiro taxista chegou ao Aeroporto Internacional de Blatimore, o BWI. Eu tinha certeza de que, se tivesse comunicado a minha chegada, o Coronel enviaria um carro e um motorista para me buscar, mas aquilo era a última coisa que eu desejava. Eu precisava de paz. Ar puro. Humanidade. E aquela, talvez, fosse a última chance que eu teria de ter essas três coisas pelos próximos dias.

Eu já havia decidido. Estaria presente no enterro de Carlisle naquela manhã e partiria ainda pela tarde. De volta para Nova York. De volta para a minha realidade. De volta para Bella. Bella... que se despedira de mim no aeroporto com os olhos rasos para que eu não a visse chorar. Minha Bella, minha doce garota que era mais forte do que uma rocha, mas que ignorava isso completamente.

Maldição. Maldito passado fodido. Por que tudo precisava voltar justamente quando as coisas pareciam estar se encaixando?

O táxi reduziu a velocidade, quando a placa de madeira "Propriedade de Joseph Daniel Cullen" surgiu a nossa frente. Magnificente, ostentosa e prepotente, exatamente como eu me recordava. Quando o veículo cruzou os umbrais onde se lia o nome de meu bisavô, eu senti a garganta inchar até que fosse incapaz de engolir a própria saliva.

Uma vastidão de terra que se estendia até o limite de um céu azul, onde um sol brilhante começava a raiar. Uma terra que se derramava até muito mais do que os olhos eram capazes de ver. Bois e bezerros sendo pastoreados, capatazes gritando serviço aos seus subordinados, campos verdejantes de plantações inesgotáveis, crianças correndo, sujas de barro, com mato grudado nas calças e nas barras dos vestidos. A vida na fazenda havia parado em mil novecentos e noventa e dois, o ano em que eu fiz dez anos.

Eu massageei a ponte do nariz entre o indicador e o polegar, fechando os olhos, mas o cheiro peculiar da terra invadiu os meus pulmões e meus ombros arriaram.

— Chegamos, senhor _ o taxista anunciou com o característico sotaque do interior. Um sotaque pelo qual eu sempre passeara, sem nunca ficar preso a ele. O Coronel mantivera seu único neto viajando e explorando, conhecendo o mundo para que, assim, aprendesse a amar e glorificar a sua saudosa terra.

Meu avô era um cretino sádico, mas era também um homem brilhante. Toda vez que eu voltava para Maryland era como se o meu coração se enchesse até dobrar de tamanho, e depois explodisse em uma sensação de milhares de estrelas cadentes desabando sobre a terra.

— Sim, é aqui _ eu respondi.

Eu desci do carro e fiquei estatelado observando o taxista manobrar e retornar pelo caminho que havíamos feito até ali. Minha única mala era tão leve que parecia inadequada e desnecessária. Eu poderia estar carregando, muito bem, uma mochila. Poucas pessoas notaram a minha chegada, a maioria capatazes ocupados com suas obrigações. Ocupados demais para dar atenção ao neto mimado do patrão que retornava às suas raízes, vestindo jeans surrados, camisa preta e óculos escuros. Uma porra de um filho pródigo.

O pensamento me fez rir e eu acendi um cigarro, dando uma única tragada antes de atirá-lo no chão e apagar a chama flamejante com a sola do tênis.

— Seja bem vindo de volta, desgraçado _ eu disse para mim mesmo, antes de subir os degraus em direção às enormes portas de madeira que encerravam o palácio do Coronel.

—-------------------------------------------

POV Bella

O domingo amanheceu sob a fina névoa de uma chuva persistente. Assim que abri os olhos, sozinha na cama que me acostumara a dividir com Edward, eu os fechei de novo.

Ele me telefonara perto das duas da manhã, avisando sobre a sua chegada a Maryland. Uma parte de mim sentiu-se feliz por saber que a viagem correra bem; a outra parte, muito maior e mais significativa, se condoeu por perceber que era verdade. Edward estava a quilômetros de distância de mim, mas cada vez mais próximo do que costumava chamar seu "passado sombrio".

Às sete da da manhã, quando o celular tocou de novo, eu precisei fazer um esforço sobre-humano para estender meu braço e pegar o aparelho.

— Alô?

— Bella? Sou eu.

A voz de Esme chegou até mim com uma onda de nostalgia, mas, em seguida, a decepção me atirou de volta contra a cama. Ela ainda era a mesma vadia suja, cruel e mentirosa que havia me enganado a vida inteira.

— O que você quer?

Esme suspirou, antes de voltar a falar.

— Eu nem mesmo sei como começar, filha.

— Não me chame assim _ eu grunhi, irritada. _ Você não é a minha mãe.

— Eu gostaria de ter sido, acredite _ ela lamentou, com a sua voz sonora de anjo.

"Um perfeito anjo caído".

— O que você quer? _ indaguei pela segunda vez _ Eu vou desligar.

— Não, por favor _ ela me interrompeu, parecendo ansiosa _ Ouça o que eu vou dizer. É difícil e muito importante. Eu não teria ligado se fosse de outro jeito e você sabe disso.

Eu respirei fundo. Não havia recebido notícias de Esme ou de Charlie nos últimos três meses, ou de quem quer fosse no palácio de vidro dos Swan. Eu tinha uma convicção absoluta de que nenhum assunto, fosse qual fosse, teria gravidade suficiente para me obrigar a atender aquele telefonema.

Mas quando Esme voltou a falar, minhas mãos ficaram geladas subitamente e eu perdi a consciência.

Notas finais
Bom dia, meninas! Espero que tenham curtido o capítulo :) as coisas estão ficando tensas com a chegada do Edward na fazenda e a Bella também recebendo notícias da sua família problemática. O que será que Esme tem a dizer? Palpites? Será algo relacionado ao Edward e ao Coronel? Ao Charlie? Ou veneno purinho mesmo? hehe Obrigada à leitora, danniprado pela recomendação maravilhosa!! Fiquei muito honrada e muito grata, danni :* Espero comentários de vocês! Beijos enormes!