Two Broken Hearts

5 O Diabo Dorme No Fim do Corredor


Eu estava trancada no quarto há quase meia hora, completamente passada e morrendo de curiosidade, quando o celular tocou.

_ Bella, me desculpa. Acabei ficando presa na escola de artes até agora e REALMENTE preciso de um banho! Uns alunos engraçadinhos resolveram que seria divertido dar um banho de tinta na modelo, sabe? E eu estava nua... nua como vim ao mundo!

_ Não precisa entrar em tantos detalhes, Ali _ eu acabei rindo a contragosto.

_ Claro que preciso. Especialmente quando descobri que Jasper Hale é aluno novo da escola.

_ Quem?

_ Jasper é aquela coisinha fofa e gostosa que eu andei catando na festa de ontem. Além de lindo e inteligente, ele é totalmente diferente dos caras com quem eu costumo sair, sabe?

_ Os sem cérebro que se justificam pela própria aparência?

Eu podia imaginar ela rolando os olhos do outro lado da linha.

_ Ok, Bella. Magoou. O que todos esses pobres, humanos e imperfeitos rapazes fizeram pra você, além de tentar te comer e levar um fora?

Batidinhas hesitantes na porta me fizeram saltar da cama. Eu tinha coisas mais urgentes naquele momento do que as questões existenciais que Alice levantava para mim.

Inventei que estava ocupada e prometi que nos veríamos no dia seguinte, o que era pouco provável porque tinha uma lista grande de responsabilidades programadas para o domingo.

Assim que abri a porta, me deparei com um par de olhos azuis assustados.

_ Entra _ pedi, dando passagem.

Esme realmente entrou, indo se sentar na beira da minha cama. Ainda estava vestida como uma estrela de Hollywood, mas sua expressão não era mais glamourosa. Ela parecia ter sido atropelada por um caminhão.

Pelo visto a conversa não havia sido fácil depois que Charlie descera as escadas e me obrigara a ir para o quarto. Os dois estavam me colocando totalmente de fora do drama e normalmente eu apreciaria aquilo mas, daquela vez, estava me sentindo estranhamente excluída.

Esme pareceu perceber aquilo. Sentadas na cama, lado a lado, ela procurou minha mão segurando dentro da sua.

_ Sei que não fomos justos com você, Bells. Preciso que me perdoe.

_ Perdoar o que? Eu nem cheguei a entender...

Ela exalou um suspiro, virando o tronco na minha direção. Nos olhamos olhos nos olhos, como já tínhamos feito tantas vezes, mas naquele momento era Esme que parecia procurar apoio.

_ Edward é meu filho, meu único filho. De sangue, claro. Eu não o vejo há muito tempo... desde que tinha dezesseis anos... e mesmo antes disso, eu já não o visitava com freqüência.

Aquela história parecia absurda. Esme era a melhor pessoa que eu já havia conhecido. Boa demais para sustentar uma mentira como aquela por tantos anos, e com certeza boa demais para abandonar um filho.

_ Por que? _ foi tudo o que consegui dizer.

As palavras pareciam presas junto ao nó na minha garganta.

_ É tão... difícil de explicar. E difícil de entender.

_ Eu não duvido. Tente.

Ela me observou com o cenho franzido, mas depois os olhos e perderam nas próprias lembranças.

_ Antes de me casar com seu pai, eu havia sido casada com outro homem. Bem, não no papel, mas havíamos morado juntos por anos. Seu nome é Carlisle e ele é o pai de Edward.

_ “É”? _ questionei _ Ele não está... tipo morto? O que aconteceu?

Esme balançou a cabeça em negativa.

_ Carlisle está muito bem de saúde. Ele vive em Graycon Falls, a cidade de onde eu vim.

_ Em Maryland _ eu confirmei.

_ Isso. Quando eu vim para a Nova York, estava tentando dar um rumo à minha vida. Precisava me afastar de Carlisle. Nós tínhamos, hm... nossos problemas .

Percebi que estávamos entrando em terreno proibido e não fiz perguntas naquele sentido. Se Esme quisesse, ela poderia se abrir comigo, mas eu não forçaria a barra.

_ E se afastou de Edward também? _ não pude evitar transparecer surpresa.

Era compreensível que um casal com problemas decidisse se separar, mas não era nada lógico que o filho desse casal precisasse viver separado da mãe. Por um momento, senti pena do babaca arrogante na minha cozinha.

Eu havia crescido sem a minha mãe, mas não por uma questão de abandono.

– Sei que parece horrível, Bells _ o rosto de Renné se contorceu numa expressão de desespero. _ Mas não foi como você imagina. Simplesmente não pude trazer Edward comigo, eu tive os meus motivos. Você precisa confiar em mim.

_ Ok. Então me diga o que aconteceu.

_ Por favor, não, Bells. Não me force a reviver velhas feridas... demorei tanto tempo pra cicatrizá-las, não posso reabrir todas elas agora.

A contragosto, eu assenti. Tinha uma necessidade doída de saber cada detalhe daquela história mal contada, mas não iria arrancar a verdade de Esme em uma única noite. Além disso...

_ E Edward?

_ Está na cozinha, fazendo um lanche _ ela me observou com atenção por um segundo. Quando falou, parecia insegura e receosa _ Sei que sou a esposa de Charlie e tecnicamente esta casa também me pertence, mas... eu queria pedir sua permissão. Bella.

Ergui uma sombrancelha, desconfiada. Aí vem...

_ Permissão pra que?

_ Quero que Edward passe alguns dias conosco. Preciso me reaproximar do meu filho e essa é a oportunidade perfeita. Mas não quero passar por cima da sua vontade, não quero que se sinta desconfortável com um estranho dentro da própria casa. Me diga, querida, com sinceridade... seria tão ruim assim se Edward viesse morar conosco? Provisoriamente, claro.

Ruim? Não, claro que não, Esme meu amor.... era MUITO pior do que ruim. Era PÉSSIMO! Era horroroso! Uma catástrofe!

Edward era um sujeitinho arrogante e intratável, e independente do processo que o levara até aquele estado de auto-contemplação narcisista (eu tinha certeza de que ele passava horas se adorando em frente ao espelho, e nem sabia explicar o por que), o fato é que nós dois, em pouquíssimo tempo, já tínhamos sérios problemas e ele não parecia nem um pouco inclinado a conviver com civilidade.

No entanto, Esme aguardava minha resposta com aquele par de olhos azuis suplicantes. O famoso olhar de cachorro pidão. O olhar de uma mãe implorando por uma segunda chance.

Antes que eu pudesse traçar uma lista dos prós e contras — por ordem de importância, claro — me vi aceitando a permanência de Edward naquela casa.

Provisoriamente, claro.

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O dia seguinte foi um daqueles chuvosos domingos deprimentes.

Esme havia saído para ver um paciente em estado grave antes mesmo que o resto da casa pudesse acordar. Charlie acabara levantando pouco tempo depois, de acordo com as informações de Ronda, mas se deitara de novo com um princípio de enxaqueca.

Eu continuava trancada no quarto, horas depois de ter acordado, vendo a chuva cair através das janelas gigantes de vidro. Não sabia que atitude tomar, o que deveria fazer... por isso liguei a tv, o celular e o IPad, tudo ao mesmo tempo.

Quando fico nervosa, de alguma forma a tecnologia me acalma.

Ter conhecimento de que Edward dormia profundamente em um quarto a cinqüenta metros de distância era o motivo do meu nervosismo. Eu não estava acostumada a ter homens por perto, com exceção de Charlie e John, nosso motorista de sessenta anos de idade totalmente fora do meu perímetro de desejo.

Cabelos bagunçados, olhar provocante, sorriso caótico. Oh, Deus. Ele era mesmo a chave para o apocalipse. Eu ficava imaginando o que Alice acharia, mas... quer saber? Dessa vez eu não precisava da opinião dela, era perfeitamente capaz de julgar por mim mesma.

Edward podia ser diabolicamente lindo, mas eu não cairia no seu charme barato de menino rebelde. Ah não. Esme havia me contado algumas coisas a seu respeito e, acreditem, nada do que eu tinha ouvido parecia bom. Ele era um tipo fatal de garoto problema... e dentro do meu juízo perfeito eu jamais me envolveria com alguém incapaz de manter a língua na boca e o pênis dentro das calças.

Exalei um suspiro, deixando o corpo cair de volta na cama.

Pênis e calças...

Eu já havia decidido dar uma chance a Edward de se retratar sobre o seu comportamento imbecil da noite passada. Ficar com a primeira impressão era algo imaturo e arriscado. E eu era muito, muito madura, além de odiar correr riscos. Estávamos vivendo sobre o mesmo teto agora e... aff.. em alguma hora precisaríamos encarar as diferenças de frente. Talvez até nos tornássemos bons amigos com o passar do tempo. Afinal, éramos... meio irmãos?

Não muito convencida, me arrastei para fora do quarto com pensamentos recorrentes que envolviam olhos verdes e profundos e um riso torto fodidamente atraente.

Whata fuck?!

O que eu encontrei no corredor, me desestabilizou por completo.

Notas finais
Oie, meninas! Como vocês estão? Estou muito feliz com os comentários que ando lendo. Maravilhoso saber que estão lendo a fic e gostando tanto! Ah, não se esqueçam de "favoritar" e "acompanhar" pelo Nyah, certo? :) Obs: não teremos posts nesse fim de semana, mas volto com tudo na semana que vem ok? Preciso saber o que estão achando, por favor, comentem s2