Notas iniciais
Boa leitura, meninas!

Jacob e eu passamos a próxima hora sobre a moto. Nós literalmente pegamos a estrada e a idéia do asfalto ficando para trás era libertadora. Mantive os olhos bem abertos, mas não para tentar reconhecer o caminho pelo qual estávamos seguindo, e sim, para absorver cada segundo daquele momento fantástico. Estar em movimento promovia em mim uma transformação absoluta. A cada lufada de ar fresco era como se meu estoque pessoal de energia fosse reabastecido.

Jake exagerava nas curvas fechadas, inclinando-se sobre a direção, enquanto a velocidade crescia e crescia, até que eu deixei de ver os números e o odômetro se tornou uma mancha, um borrão em meio à claridade do dia. A princípio, eu mantive minhas mãos fincadas em sua cintura, mas, com o decorrer do tempo, meus braços passaram a envolver o seu corpo e a lateral do meu rosto se grudou às suas costas, livrando os meus olhos para testemunhar o espetáculo da natureza que se desenrolava ao nosso redor. O medo da velocidade se tornou pequeno perto da adrenalina que eu estava sentindo.

Observei o cenário se transformar de uma metrópole civilizada e tradicional para uma zona acidentada, cheia de aclives e declives, uma espécie de mundo pós-apocalíptico que eu só havia assistido nos filmes. De cinza, quase tudo havia se revertido em marrom. Casas, prédios e veículos esportivos desapareceram, dando lugar a um cânion, acima das nossas cabeças, que era magnífico na mesma proporção em que era assustador.

Eu me perguntei como seria aquele lugar debaixo de um céu azul e limpo. Antes de olhar na direção em que deveria estar o sol, no entanto, senti as primeiras gotas grossas de chuva caírem sobre as minhas costas, o impacto que seria doloroso amenizado pela jaqueta.

Jacob reduziu a velocidade e a R1 parou sob o desfiladeiro. Enquanto ele descia da moto, eu dava um tempo para que o meu coração se acalmasse e minhas pernas entrassem de novo em conexão com o resto do corpo.

Ele estendeu a mão e eu aceitei a ajuda, escorregando da garupa com a sensação de ter pernas feitas de geléia.

_ Que lugar é esse?

_ Você nunca veio aqui? _ ele perguntou, surpreso.

Eu neguei com a cabeça, olhando ao redor, admirada. Nós estávamos agora em meio a um verde suntuoso, a área acinzentada presente correspondendo a muros de pedras que se erguiam até o desfiladeiro que eu observara, de baixo, durante o caminho. Era um parque. Mas não era nem um pouco como o Central Park ou como o Riverside. Não havia nada de plano, organizado ou corriqueiro ali. Ao longe, eu podia ouvir o som de água caindo contra as pedras.

_ Tem uma cachoeira? _ perguntei, animada, me afastando alguns passos na direção do barulho.

_ Com certeza _ ele permaneceu parado junto à moto, me dando espaço para explorar o local como quisesse. _ Bem vinda ao meu lugar favorito em Nova York, o Letchworth State Park. Bonito, né?

_ Você ta brincando?! _ eu exclamei _ Isso aqui é incrível!

Jake riu, satisfeito.

_ Espera até voltarmos aqui no inverno. Existe um gêiser que congela quando a neve chega à cidade.

Eu não deixei de perceber o convite implícito, mas antes que pudesse fazer qualquer comentário, ouvi as vozes e risadas de um grupo que atravessava a ponte logo acima de nós. Eles estavam em seis ou sete pessoas e não pareciam turistas. Usavam bonés, camisetas e leggings ou bermudas. Todos pareciam felizes e bem dispostos, exprimindo uma energia contagiante.

_ É um ótimo lugar pra fazer trilhas e praticar esportes radicais _ Jake explicou, quando viu para onde eu estava olhando.

Eu assenti, me dando conta pela primeira vez das mochilas e do material esportivo que eles carregavam. Então, de repente, dei um passo para trás sobressaltada, quando o ronco de uma moto se ergueu acima dos outros sons do parque.

Encostado contra a R1, Jacob soltou uma risada rouca e divertida. Eu olhei para o alto e o barulho assomou quando outros motores juntaram-se ao primeiro. Era um encontro de motoqueiros. Mas eles não se pareciam com os clientes do Rockats, homens rústicos e barbados farreando com velhos amigos. Eram garotos entre dezoito e vinte e poucos anos, jaquetas de couro e jeans destruídos, sobre motos de todas as cores e modelos.

_ Parece que a gente chegou bem na hora do espetáculo _ Jake cruzou os braços, acompanhando a minha linha de visão.

Notei que o desfiladeiro tinha largura suficiente para que os rapazes se espalhassem pelo lugar. Alguns abriram latas de cerveja e bebericaram enquanto conversavam entre si. Por um longo momento, o único som no parque, além da cachoeira e do canto dos pássaros, era o das suas vozes excitadas, uma se sobrepondo a outra.

_ Você conhece eles? Você é um deles? _ eu perguntei a Jacob, notando que aquela poderia ser uma justificativa aceitável para a sua troca recente de veículo. Talvez ele houvesse ganhado numa aposta. Ou disputa.

Um brilho malicioso atravessou os seus olhos e ele veio andando até mim, sem se deter até estar ao meu lado, ombro a ombro.

_ Eu não gosto de me amarrar a tribos, gangues nem nada disso. Mas gosto da emoção. Às vezes, corro com eles. Ficou impressionada?

Eu deixaria que ele se gabasse a vontade. Obviamente estava impressionada, mas talvez não do jeito que ele acreditava.

De repente, o silêncio tomou conta do parque, aquele tipo de silêncio que acompanha a sensação crescente de que algo desagradável está para acontecer. Meus olhos se fixaram na curva do cânion logo abaixo dos rapazes, onde dois motoqueiros chegaram vindos de direções opostas. Eles pararam a, mais ou menos, vinte ou trinta metros um do outro, e então os motores na pista de cima voltaram a trovejar, crescendo a tal ponto que eu precisei resistir ao ímpeto de cobrir os ouvidos com as mãos. O barulho era ensurdecedor.

_ É um ritual de guerra.

Eu ouvi a voz de Jake enevoada pelo ronco das motos, mas não me virei para ele. Estava hipnotizada pela visão dos dois garotos de pé sobre as motos, preparando-se para a disputa. Meu coração subiu para a boca e eu cravei as unhas com força nas palmas das mãos. Se meu corpo pudesse responder às ordens dadas pelo meu cérebro naquele momento, eu teria corrido para longe dali ou, pelo menos, fechado os olhos.

O desfiladeiro era extremamente perigoso e a curva debaixo não era, nem de perto, tão larga quanto a de cima. Eu estava prestes a testemunhar um duplo suicídio. Os motoqueiros apertaram o acelerador, se provocando mutuamente antes de partirem para o confronto direto. Assim que fizessem aquilo, eles iriam se chocar uns contra os outros. A única alternativa era desviarem e caírem de uma altitude de centenas de metros, ou seja, não havia escapatória da morte. Eu comecei a suar frio. De repente, o parque perdeu toda a magia e eu desejei estar em outro lugar, qualquer outro que não fosse aquele.

_ Aquela R1 é quase tão bonita quanto a minha _ Jake gritou ao meu lado para se fazer ouvir, indiferente enquanto assistia ao desastre iminente bem diante dos nossos olhos.

E foi então que eu percebi, alarmada. De um dos lados da disputa, a R1 parecia alheia ao destino trágico que aguardava o seu dono. Vestindo camisa, calça e capacete pretos, a mesma cor da moto, o piloto acelerou e empinou, da mesma forma que o seu adversário, os dois veículos ganhando velocidade a medida que frações de segundo corriam. Eu reconheceria aquele corpo em qualquer lugar, mesmo que não pudesse ver o seu rosto.

Um grito de dor ficou travado na minha garganta.

Senti minhas pernas fraquejarem e me apoiei em Jake, antes do mundo escurecer e sumir.

Notas finais
Oi, meninas! Super apressada no trabalho, mas consegui escrever e postar hehe e aí, será que o bad boy da R1 preta vai com tudo pra cima ou desvia na última hora? E será que a Bella sobrevive a esse dia emocionante? rs Espero os reviews de vocês, bjssss