Notas iniciais
Boa leitura!!

Quando abri os olhos de novo, a maioria dos sons ao meu redor havia silenciado e novos pingos de chuva caíam, gelados, sobre o meu rosto. Eu estava deitada e Jake se encontrava ajoelhado ao meu lado com um ligeiro sorriso de canto. Seu corpo bloqueava parcialmente a luz fraca que irradiava do céu entre nuvens, primeiro indício da existência solar naquele dia.

_ Garotas costumam ter muitos efeitos quando eu estou por perto _ ele deu um sorriso arteiro. _ Mas é a primeira vez que uma delas desmaia, eu juro.

Eu aceitei sua ajuda para me levantar, ainda atordoada. Pisquei algumas vezes, olhando ao redor, tentando me lembrar de onde estava e como havia chegado até ali. Letchworth State Park... ok. Eu tinha saído da faculdade há alguns minutos... ou seria mais tempo? ... de moto com Jacob Black, o cara que me enojara em nossos primeiros encontros no Seven'n Seven, mas, agora, me deixava misteriosamente intrigada. Algumas peças ainda não se encaixavam perfeitamente e meu coração pulou para a garganta quando Jake, ainda segurando minha mão, me puxou com força e nós corremos sob a chuva que aumentava.

Eu pude sentir meu casaco ficando molhado e meu cabelo se grudando ao pescoço a medida que nós disparávamos pelo parque, minha visão embaçada pela chuva. Jake, no entanto, não parecia ter qualquer problema em evitar pedras e outros obstáculos que surgiam no caminho. Eu me conformei em me manter no seu encalço enquanto ele ditava o nosso trajeto. Ao mesmo tempo, tentava recobrar pontos aparentemente importantes da minha consciência. Por que eu havia acordado no chão? Bem, o mais provável é que eu tivesse caído ou desmaiado, mas o motivo ainda me parecia uma incógnita.

Nós corremos até que eu avistei uma gruta e não diminuí o passo, acompanhando Jake quando ele seguiu naquela direção. A chuva fustigante provocou em mim um instinto primitivo: correr, fugir, me proteger. Logo nós estávamos abrigados sob a cavidade rochosa que eu descobri não ser tão grande quanto parecia. Sempre imaginei cavernas como espaços úmidos, escuros e profundos, onde eu certamente me depararia com uma dúzia de morcegos caso ousasse entrar. Estava começando a perceber o quão medrosa eu havia sido a vida inteira.

_ Frio? _ Jake perguntou, já tirando a jaqueta de couro pelos braços longos e cheios de músculos.

Sua pele cor de caramelo se tornava ainda mais escura ali dentro, assim como os seus olhos, e eu cheguei a conclusão de que Jake parecia muito mais sombrio em espaços fechados do que realmente era.

_ Obrigada _ disse quando ele pousou a jaqueta sobre os meus ombros sem vesti-la.

Melhor assim. Eu não queria que ele me tocasse, de forma alguma. Não sabia por que repudiava seu toque se, ao que tudo indicava, ele despertava algum tipo de interesse em mim.

Exalei um suspiro, intrigada, mas foi mal interpretado. Jake deu um passo na minha direção, segurando o meu queixo na ponta dos dedos.

_ Com frio ainda? _ perguntou, nossos corpos a poucos centímetros um do outro e o calor do dele me envolvendo.

Ele era quente. Bem quente. Alguns minutos com ele ali dentro e eu não precisaria me incomodar com os meus dentes batendo ou os meus ossos chacoalhando dentro do corpo. Os dedos dele escorregaram do meu queixo pela minha mandíbula, e logo eu senti seu polegar traçando pequenas linhas circulares atrás da minha orelha.

Soltei a respiração pela boca e dei um passo para trás.

_ Estou bem agora _ eu vi um ponto de interrogação surgir em forma de vinco entre as sobrancelhas dele. _ O que aconteceu lá fora, afinal?

Eu cruzei os braços, como forma de me proteger do frio e de qualquer outro avanço da parte dele. Jake continuou me observando como se eu fosse qualquer outra coisa, menos uma garota humana dotada de pele, sangue e hormônios.

Dei uma espiada para o lado de fora, mas não era realmente necessário. Eu podia ouvir o barulho abafado da chuva torrencial que caía lá fora.

_ O que aconteceu? Quer dizer, antes de você desabar no chão? _ ele bufou, cruzando os braços também e se encostando na parede oposta _ Estávamos assistindo a um legítimo desafio de motos _ ele abriu um sorrisinho cínico e zombeteiro. _ Acho que você ficou um pouco excitada demais, gata.

Ignorei o tom arrogante na voz dele ao passo em que minha mente começou a trabalhar depressa, trazendo a tona memórias em forma de sons e imagens. O desfiladeiro. Os motoqueiros. A adrenalina. O medo.

A R1 preta acelerando em direção à morte.

Edward corria perigo.

Senti minha pulsação acelerar e um gosto metálico invadiu a minha boca. Jake examinava o meu rosto com mesmo interesse de um observador diante de um inseto se debatendo em um pote de vidro.

_ Houve um acidente? _ eu tentei controlar ao máximo o tremor na minha voz, mas ele ainda era evidente.

Jake deu de ombros.

_ Você foi a nocaute antes que as motos se cruzassem. Nós perdemos o melhor da festa.

Eu senti uma onda de náusea me invadir. O melhor da festa? Alguém podia estar caído em algum lugar, precisando de socorro... ou pior ainda... eu me apoiei na parede da gruta, fechando os olhos e esperando que o enjôo passasse. Ouvi som de passos e quando abri os olhos de novo, Jake estava ao meu lado, com um olhar que era, ao mesmo tempo, avaliador e intrigado.

_ Aqueles caras fazem isso o tempo todo _ ele tentou me confortar, mas as palavras entravam pelo meu ouvido e se dissipavam bem antes de chegar ao coração. _ Provavelmente não foi nada.

Eu respirei fundo, sentindo o ar cortar os meus pulmões.

_ Você não entende... eu preciso ver com os meus próprios olhos.

_ É claro _ ele concordou, ajeitando alguns fios de cabelo molhado atrás da minha orelha. O toque, em vez de aquecer, me provocou um arrepio gelado pela espinha. _ Quando a chuva parar...

_ Por favor, Jake. Eu não vou me sentir bem, enquanto... _ "não vir que Edward está vivo", as palavras ficaram presas na minha garganta. _ Eu preciso. Por favor.

Ele me estudou por um instante, mas acabou assentindo. Saímos da gruta em uma carreira, tentando ignorar as gotas grossas de chuva desabando sobre nossas cabeças. Agora, eu tinha uma vaga noção do caminho de volta, mas não era o suficiente para me levar até lá sem ajuda. Se Jake não estivesse ali, provavelmente eu teria me perdido em alguma curva ou tropeçado na raíz de alguma árvore centenária. Para evitar esse tipo de desastre, deixei que mais uma vez ele fosse a frente, me guiando.

Dessa vez, eu me recusava a sucumbir ao meu instinto de proteção e Jake eu corremos sem parar até eu conseguir avistar a ponte, ainda a distância. Meus olhos imediatamente seguiram até o desfiladeiro e eu fiquei estatelada, em meio de caminho, piscando para me livrar das gotas de chuva sobre os meus cílios.

Não havia mais ninguém lá. As motos, os pilotos, o confronto. Tudo havia se dissipado de repente, como um temporal em pleno verão.

Jake parou mais a frente, quando viu que eu não mais o seguia e se virou na minha direção.

_ Você vem até o pé do desfiladeiro?

Eu sabia por que ele estava me perguntando isso. Se tivesse ocorrido algum acidente, os corpos talvez ainda estivessem lá. Pensar naquela possibilidade fez os pelos da minha nuca se eriçarem.

Eu não respondi. Em vez disso, fui atrás dele em passos bêbados, sem pensar no frio, no cansaço ou na jaqueta, pesada e encharcada, sobre os meus ombros. Cada passo parecia mais lento do que o anterior, mas, enfim, chegamos até o nosso destino.

_ Está vendo? Não há nada aqui.

Eu olhei ao redor, constatando que ele estava certo. Nenhum corpo, nem vestígios de sangue. Eu não acreditava que todos os indícios de um desastre tivessem desaparecido, mesmo sob aquele temporal. Teria que haver alguma coisa lá, algum rastro. E não havia.

Jake passou a mão pelo rosto para afastar a água. Sua camiseta estava grudada contra o corpo, mas ele nem parecia sentir frio. Era como um cachorro de rua, molhado, arisco e sem dono. Mais uma vez, me veio a mente o quanto ele me lembrava Edward, ao mesmo tempo que alguma coisa neles me parecia completamente diferente.

Eu engoli em seco. Não sabia por que, mas aquele pensamento me soava desconfortável.

_ Acho que eu sou menos radical do que você pensava _ comentei, os olhos buscando, de novo, lá no alto do desfiladeiro o rastro dos motoqueiros que haviam me assustado pouco tempo antes. Mas éramos apenas nós dois lá, sob o temporal.

Jake pigarreou, tentando soar formal e antiquado.

_ Acho que mulheres sensatas têm o seu fascínio _ ele apontou a cabeça na direção da qual viemos. _ Agora podemos voltar pra nossa fortaleza, donzela em apuros? Eu não sei você, mas eu estou ficando meio... molhado.

Eu forcei um sorriso, curvando o meu corpo enquanto o acompanhava de volta para a gruta.

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Um hora depois, a chuva amainou.

Jake e eu fizemos uma nova caminhada, dessa vez até a moto, e eu esperei que ele subisse, montando em seguida na garupa. A maior parte do tempo em que ficamos dentro da caverna, eu permaneci em silêncio, apenas escutando suas histórias sobre os jogos de futebol na NYU e sua parceria em campos com Emmett, o primo ogro de Jasper. Eles pareciam ser grandes amigos e as histórias chegavam divertidas aos meus ouvidos, mas meu coração estava distante e eu não consegui esboçar nenhuma reação diante delas.

A viagem para casa foi menos excitante, menos empolgante. Eu já não enxergava a transformação do caminho, seu retorno a uma metrópole civilizada e entediante, e não relembrava as imagens vívidas de um parque surreal, um lugar dos sonhos. Eu só conseguia pensar em um Edward acidentado e sendo levado para o hospital. Um Edward ferido. Ou morto.

Minha certeza de que nenhuma tragédia havia ocorrido estava sucumbindo um pouco mais a cada quilômetro de estrada que nós deixávamos para trás. Essa certeza foi, então, substituída por outra: eu precisava ver Edward. Precisava vê-lo são e salvo para saber que conseguiria colocar a cabeça no travesseiro aquela noite.

Jake me deixou, mais uma vez, diante do prédio de Gwen e Alice. Não fiz menção de devolver sua jaqueta e ele também não a pediu de volta. Eu me assustei quando ele deu a partida, um segundo depois de os meus pés tocarem o solo.

_ Passo pra buscar você aqui, às 23h.

_ O que? Me buscar?

Ele sorriu de canto, parecendo animado.

_ Vamos ao Seven. Talvez eu te deixe me pagar uma bebida _ Jake disse, antes de acelerar para longe de mim.

Antes que desaparecesse na esquina, eu dei as costas para aquela tarde de terça-feira e entrei no prédio, sabendo muito bem que iria com ele.

E sabendo, também, exatamente o por que.

Notas finais
Olá, meninas! Bomm diaa! E aí, o que acharam do capítulo? Será que o Edward vai estar no Seven no meio da semana, Bellinha? É tentar a sorte!! E se ele não estiver lá... será que ela vai deixar o orgulho de lado e ter coragem de ir até a vila? Sobre o Jake de cavalo branco e armadura brilhante... hmmm, isso não deixou a Bella nem um pouco impressionada né? Parece que o coração dela anda mesmo muito, muito longe!! Mandem reviews porque no próximo capítulo, Jake e Bella vão ao Seven e quem sabe... encontrem alguma surpresa por lá ;3 Beijinhosss