Two Broken Hearts
22 O Circo Pega Fogo - Parte 2
_ Vai, vai, vai, vai, vai, vai!
Edward e a motoqueira selvagem se encaravam, a medida em que se moviam pelo bar, manipulando garrafas, ingredientes e uma série de instrumentos que eu não saberia identificar. O clima da disputa era frenético. Dezenas de clientes berravam, outros permaneciam em silêncio concentrado, assim como eu.
Alice acompanhava tudo, inquieta.
_ Será que ele vence?
_ Eu não sei _ respondi sinceramente.
Por fora, eu parecia muito mais calma do que estava agora. O tempo inteiro, me perguntava o que Edward faria sem aquele emprego. Pela primeira vez, me dei conta de que as decisões de Charlie não garantiam a permanência do Cullen na cidade. A perspectiva de vê-lo ir embora trazia um misto de sentimentos confusos e eu tentava desesperadamente não pensar neles agora.
_ Você acha que ele volta para casa se tiver que sair do Seven? _ Alice leu meus pensamentos, voltando sua atenção então para outra coisa. _ Bells, olha aquilo!
Ela apontou para um círculo que se formara a alguns metros de nós. Dois caras se empurravam enquanto outros dois incentivavam em vez de tentar segurá-los.
_ Eu sabia _ Al resmungou, contrafeita. _ Odeio brigas. Odeio discussões. Simplesmente ODEIO esse tipo de ignorância.
_ Concordo com você.
Um urro coletivo surgiu em meio a clientela do Seven'n Seven. Enquanto a provocação se transformava em briga do lado de fora do bar, do lado de dentro, Edward e a loura encrenqueira terminavam juntos de preparar seus mojitos. Seis para cada no total, cada um de um sabor diferente.
_ Agora precisamos de um júri! _ a motoqueira gritou para o delírio coletivo.
Tanto Edward quanto ela iniciaram a seleção do seu júri. Eu não deixei de reparar em como ele estava lindo com os cabelos ainda mais em desordem do que o normal. O cenho franzido em uma expressão carrancuda arrematava o estilo bad boy infernal. Eu só não sabia dizer se o Cullen estava assim por ter sido desafiado por uma garota ou se realmente estava com medo de perder o emprego.
_ Oh, Bells... a gente precisa fazer alguma coisa.
Voltei minha atenção para o tumulto com o comentário de Alice. Os garotos se esmurravam e, agora, havia um único cara tentando separar enquanto uma dezena dava apoio aos brigões. Apesar de grande, o pacifista não era páreo para enfrentar o círculo que apoiava o confronto.
Era um espetáculo absurdo e brutal e olhando ao redor, tive o vislumbre de outra cena aterradora. Os dois seguranças que faziam a checagem de identidades na porta haviam sido engolidos pela massa na tentativa de chegar até a confusão e, com uma rapidez alarmante, novos conflitos estavam surgindo.
O álcool e a testosterona falavam por todos e, em questão de minutos, o Seven se transformaria num verdadeiro caos.
_ Vamos, Al.
Segurei Alice pelo pulso e, movida pela adrenalina e desespero, fui furando a multidão na direção contrária a briga. Olhei para trás apenas por um breve momento e vi Edward, que, do bar, examinava os rostos no lugar onde havíamos estado segundos antes. Ele parecia ansioso e preocupado. Tanto ele quanto a motoqueira já haviam se dado conta da guerra que sua discussão havia iniciado.
Socos, empurrões, cotoveladas. Um pedaço da minha camiseta preta foi rasgada e eu agradeci mentalmente por estar usando jeans e não saia, porque do contrário, provavelmente estaria nua até chegar lá. Segui em frente, empurrando quem se atrevesse a impedir minha passagem.
Alice se agarrara em mim como uma criança se agarrava à mãe. Eu podia imaginar o motivo de ela ter problemas com agressões, especialmente as físicas. O pouco que eu conhecia a respeito do seu passado não envolvia exatamente arco íris e borboletas.
_ Quero sair daqui, Bells... _ ela implorou, o olhar aterrorizado.
_ Nós vamos sair, eu prometo.
Mas a cada passo que eu dava parecia retroceder dois. A justificativa para aquilo era simples: a multidão estava nos jogando de volta.
Um punho passou raspando no meu rosto quando um garoto alto de moicano cor de rosa proferiu um soco. Alice gritou. Uma garota de vestido curto e saltos agulha altíssimos havia pisado no seu pé com força suficiente para deixar um hematoma ali no dia seguinte. Minha amiga tinha lágrimas nos olhos. Ao desviar a atenção para ela, perdi uma rota de fuga que se abriu como um clarão no meio da multidão. O caminho foi imediatamente preenchido por uma turba de desesperados que obviamente não estavam se divertindo com o ringue de MMA em que o Seven'n Seven havia se transformado.
Outra vez fui lançada para trás e por um triz, a mão suada de Alice não escapou da minha.
_ Não me solta _ ela suplicou em pânico, dois olhos grandes em um rosto pálido.
_ Não vou soltar.
Um segundo depois, me vi suspensa do chão ao mesmo tempo em que a mão de Alice se soltou da minha. Dois braços envolveram minha cintura e duas mãos me jogaram para o alto. Quando eu tive tempo para sentir medo, me vi segura no alto do balcão.
_ Toma conta dela! _ o Cullen gritou para um cara de uniforme ao lado do bar, antes de seguir para o olho do tornado.
De cima do balcão, o Seven’n Seven se parecia mais do que nunca com a teoria do Caos. Centenas de pessoas se agrediam, enquanto outras fugiam em uma correria desesperada pela porta de entrada. Notei a saída de incêndio vazia, mas era difícil que alguém pudesse notá-la no meio de todo o tumulto. Eu mesma não havia me dado conta antes. Os seguranças, agora quatro, tentavam conter a confusão, mas parecia improvável que conseguissem até salvar a própria pele.
Meu coração se apertou quando vi Alice. Ela estava sendo carregada pela multidão .
_ Alice! _ eu gritei, com as mãos em volta da boca.
O DJ havia desligado o som, mas minha voz foi abafada pelos gritos, urros e grunhidos animais que enchiam o bar. Ao longe, eu podia ouvir sirenes soando.
_ Alice!
Em um ato impulsivo, eu saltei do balcão, me esquivando quando o colega de Edward tentou me levar de volta para cima. Tentei furar a multidão de novo, empurrando e me desviando como havia feito antes. Mas agora todo o meu esforço parecia insuficiente. Consegui dar alguns passos adiante e quando ia ser engolida novamente, o Cullen surgiu diante de mim, me empurrando de volta até que eu estivesse encostada contra o balcão.
_ Ficou louca, garota?!
Soltei um suspiro de alívio quando vi Alice abraçada a ele em segurança. Ela tremia dos pés a cabeça, como uma criança assustada.
_ Vamos sair daqui _ eu disse.
_ Sim, mas não agora. Venham comigo.
Sem questionar, seguimos o Cullen para o lado de dentro do balcão, que parecia um oásis no meio de toda aquela loucura. Enquanto o barulho das sirenes se tornava mais forte, mais pessoas se atropelavam na direção da saída.
O Cullen riu.
Eu me virei para ele, perplexa.
_ Do que está rindo?
Ele deu de ombros.
_ É que é a primeira vez que eu fico feliz por ouvir a polícia chegando.
Alice se agachou em um canto com uma garrafa de vodka. Eu fiquei encostada contra a parede, de olhos fechados, com o Cullen ao meu lado. Meu coração batia na garganta, estava prestes a saltar pela boca.
Senti um calor envolver minha mão e abri os olhos. A mão de Edward estava na minha e ele me olhava de um jeito tranquilizador.
_ Shhh, já passou _ disse, apertando ainda mais a minha mão dentro da sua.
Ficamos assim por um momento, em silêncio. Quando a polícia invadiu o bar, muitos dos encrenqueiros já haviam fugido. Agora era possível ouvir outros sons, como choros, súplicas e alegações de inocência. Eu observei o garoto de moicano rosa ser levado algemado.
Edward se abaixou bruscamente, me puxando junto com ele. Caí sentada no chão duro e gemi. Uma garrafa zuniu no ar e explodiu na parede onde antes havíamos estado.
_ Filho da puta _ ele rosnou para um rosto qualquer nas sombras.
_ Você está bem? _ perguntei, preocupada de verdade.
_ Eu estou, você está?
Assenti com a cabeça, olhando o cenário ao redor. Garrafas quebradas, vidro estilhaçado, gente se arrastando ou sendo arrastada por policiais cansados de precisar intervir em brigas de bar.
Respirei fundo, deixando minha respiração se acalmar.
_ Podemos ir para casa? Agora.
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