Two Broken Hearts
50 Melhores Amigas
Passei pelo apartamento de Alice para me despedir e encontrei Gwen sentada no sofá da sala, comendo pipoca e tomando uma coca diet.
_ O que houve?
_ Ela foi demitida _ Alice explicou, se jogando no sofá ao lado da irmã. _ Mas não tem problema, eu vou dar um jeito. Vou largar a faculdade e arrumar um emprego fixo.
_ Como é?!
Gwen me lançou um olhar que dizia tudo. O assunto já havia sido discutido e Alice, como sempre, se mostrava irredutível.
_ Você não pode fazer isso! _ eu fechei a porta, deixando no corredor os meus problemas para dar a atenção necessária à minha amiga cabeça-dura. _ Alice, você deu tudo de si nessa faculdade... vai deixar tudo pra trás agora?
A baixinha revirou os olhos.
_ Qual é, Bella? Você e eu sabemos que as minhas notas altas ficaram lá no passado. As coisas mudaram. Faz muito tempo que eu não consigo mais me concentrar como antes _ ela deu de ombros _. Provavelmente, eu ficaria reprovada de qualquer jeito. Ou perderia a bolsa.
_ Você não vai ficar reprovada... olha, a gente pode estudar juntas. Podemos fazer um programa de estudos e recuperar suas notas. Falta pelo menos um semestre pro fim do ano, não é tão ruim assim.
Ela se jogou para trás no sofá, apoiando a cabeça no encosto e rolando os olhos para o teto.
_ Eu não vejo mais um motivo pra fazer faculdade. Sou pobre e meus pais não dão a mínima. Se o meu destino é trabalhar servindo mesas, por que perder tempo estudando?
Eu estava chocada. Aquela não era a Alice que eu conhecia.
_ Não adianta, Bella... eu já fiz de tudo, mas ela continua com essa ideia estúpida na cabeça _ Gwen se manifestou, enfiando um punhado de pipocas na boca pintada de roxo.
_ E o dinheiro que você ganha como modelo nas aulas de artes da Columbia? _ eu perguntei, me sentando na ponta livre do sofá de três lugares, tendo Gwen entre Alice e eu. Se estivéssemos, as duas, lado a lado, acho que eu teria sacudido a anã pelos ombros para ela acordar de uma vez para a realidade.
Ela deu de ombros pela segunda vez, mas seus olhos se estreitaram.
_ Eu pedi demissão.
Arregalei os olhos, boquiaberta.
_ E por que, Ali?
_ O dinheiro é pouco. Nunca daria pra sustentar esse apartamento _ ela justificou, fazendo um gesto amplo com as mãos, como se o lugar fosse enorme e não um cubículo.
_ Ela não quer esbarrar com Jasper Hale, vamos ser sinceros _ Gwen se intrometeu, trazendo a verdade a tona.
O silêncio pairou no ar. As bochechas de Alice estavam vermelhas como duas maçãs. Eu podia notar que estava furiosa com o comentário da irmã, mas anda mais sem graça por ter sido descoberta.
_ Eu disse alguma mentira, Ali? _ Gwen se virou de frente para ela, sentando sobre a perna cruzada _ Você deixou esse cara entrar na sua vida do jeito que eu disse que não deveria fazer.
Alice soltou um suspiro pesado, afundando entre as almofadas do sofá.
_ Eu sei, fui muito burra. Eu deveria ter seguido os seus conselhos e nunca me apaixonado.
Eu olhei de uma para a outra, sem saber exatamente o que dizer. Gwen tinha uma ideia bastante particular a respeito de homens e relacionamentos, uma ideia com a qual eu não concordava.
Especialmente agora que eu havia encontrado Edward Cullen.
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Decidi ir para a vila apenas a noite, assim teria mais tempo para conversar com Alice e fazê-la desistir de abandonar a faculdade. Fiz várias ligações para Edward, mas todas entraram em caixa postal.
_ Pra quem você está ligando? _ Ali perguntou, saindo do banheiro enrolada em uma toalha.
_ Para o Edward _ eu disse, reprimindo um sorrisinho de satisfação.
Foi a vez dela arregalar os olhos. Alice pulou para a cama, se sentando ao meu lado e me encarando, incrédula.
_ Edward Cullen? O bartender gostosão do Seven?
_ Esse mesmo _ eu afirmei, com uma pontinha de orgulho.
Ela deu um gritinho agudo e se atirou de costas na cama, me puxando para o seu lado. Nós duas ficamos deitadas por um tempo. Eu encarando o teto e Alice se despregar os olhos da minha cara de idiota apaixonada.
_ Olha pra essa cara! Você está perdida, Isabella Swan!
Nós duas rimos alto e parecia não haver qualquer reprovação na sua voz. Mesmo que, agora, ela tivesse decidido odiar os homens novamente.
_ Você não está... decepcionada? _ eu perguntei, virando a cabeça para olhar para ela.
Os olhos de Alice brilhavam de empolgação.
_ É claro que não _ ela recusou com o sorriso que eu amava. _ Uma de nós duas precisa ser feliz no amor, Bella. Estou contente que seja você.
Eu sorri de volta, sentindo o meu coração se aquecer. Depois daquela tarde longa e deprimente, as coisas estavam finalmente começando a ficar mais leves enquanto o sol caía no horizonte.
_ Obrigada, anãzinha. Mas acho que nada impede você de ser feliz também.
_ Esquece esse assunto, Bella. Pode parar de bancar o anjo da guarda...
_ Jas tem ligado pra você?
Ela suspirou, baixinho.
_ Todo santo dia.
Eu sorri, cutucando o ombro dela com o meu.
_ Então acho que ele não é tão banana assim.
Alice cobriu os ouvidos com os dedos e rolou para o lado, ficando de costas para mim, exatamente como uma criança pirracenta faria.
Respirei fundo, sabendo que o assunto estava encerrado. Por hora. Então, fiquei de joelhos sobre a cama e puxei os braços dela para baixo, insistindo quando ela apresentou resistência.
_ Ai, Bella! Você vai arrancar os meus braços!!
Eu revirei os olhos. Lá estava a versão de Alice "rainha do drama".
_ Desculpa. Só achei que você fosse querer ouvir alguns detalhes sórdidos entre Edward e eu _ eu cochichei no seu ouvido, com a voz mais sacana que pude.
Alice me empurrou de lado com uma força surpreendente e se sentou na cama, num salto rápido. Sua queixo tinha despencado uns dez centímetros. Eu podia imaginar um balde pipoca na sua mão. Ela estava cem por cento ligada agora.
_ Que tipo de detalhes sórdidos?
Eu sorri, sentindo o coração bater mais forte só por lembrar os momentos que havia vivido com Edward desde a noite passada.
Eu tinha muitas coisas para contar a Alice. Coisas sobre o meu passado, os últimos acontecimentos entre Edward e eu, a conversa daquela tarde com Esme. Eu estava aprendendo que precisava confiar em alguém e que não era tão perigoso assim ter uma melhor amiga, uma confidente.
Talvez, assim, ela também se sentisse a vontade para se abrir comigo a respeito da sua vida.
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_ Você tem certeza que vai ficar bem?
Alice estava parada diante de mim, na calçada, com olhos marejados e um bico gigantesco.
_ Sim, mas... é tão triste. Você foi a colega de apartamento mais rápida da História.
Eu sorri, puxando ela para outro abraço, o milésimo daquela noite desde que eu havia dito que ia embora. Para minha surpresa, apesar da tristeza da despedida, Alice não havia ficado nem um pouco contra a minha decisão. Aparentemente, mesmo sem conhecer Edward a fundo, ela confiava na natureza dos meus sentimentos por ele e vice versa.
Ali justificou tudo com base no seu sexto sentido. O mesmo que havia aconselhado que eu me afastasse de Jake.
_ Fique longe de problemas, Bella _ ela suplicou, enquanto Gwen e o taxista moviam as minhas coisas para o porta-malas do carro. Meu dinheiro estava quase acabando. Em breve, eu não um recurso de luxo como aquele. _ Edward parece gostar de você. E depois de tudo o que você contou... uau. Vocês dois precisam mesmo ficar juntos. Nasceram um para o outro.
As palavras dela me emocionaram. Eu me sentia exatamente daquele jeito, como se tivesse uma conexão tão profunda com Edward que ultrapassasse outras vidas. Eu tinha necessidade de ajudá-lo a curar as feridas do seu passado sombrio e sabia que apenas ele poderia me ajudar a renascer também.
_ Eu espero que você saiba que é minha melhor amiga, então vou ter que vir te visitar muitas vezes, baixinha. Preciso cuidar de você.
Ela me apertou com ainda mais força entre os braços.
_ Estou feliz por ter uma melhor amiga. Mesmo que ela seja uma nerd maníaca por controle tentando enfiar juízo na minha cabeça a qualquer custo.
Alice tinha toda razão naquele ponto. Alguém precisava enfiar juízo na sua cabecinha antes que fosse tarde demais. E agora, como melhor amiga, aquela tarefa era minha.
Eu entrei no táxi depois de me despedir de Gwen e o motorista seguiu para a vila, que não era longe dali.
Olhei para o relógio de pulso, quando estávamos nos aproximando do portão de entrada. Eram quase 23 horas. Conversar com Alice e convencê-la a repensar sua decisão de sair da faculdade havia demandado mais tempo do que eu imaginava.
Eu ainda não tinha conseguido contato com o celular de Edward, mas nas últimas duas horas, nem sequer havia tentado, envolvida na missão de recuperar minha baixinha preferida no mundo.
Então quando bati na porta da sua casa e ela cedeu, abrindo com facilidade, eu tive a sensação de que alguma coisa estava errada. Estava escuro lá dentro, como sempre, e eu nem tentei acender a luz.
Segui para o quarto iluminado pela luz da lua cheia suspensa no céu. Estava silencioso lá dentro.
Meu coração falhou uma batida. Edward estava caído no chão, o rosto coberto de machucados recentes, sangue escorrendo em filetes pela boca e supercílio. Ele não se mexia, não gemia e seus olhos estavam fechados.
Eu me atirei de joelhos ao seu lado, a pulsação agora disparada com o entendimento do que estava acontecendo.
_ Edward, Edward... acorda... pelo amor de Deus, acorda...
Lembrei da tarde com Jacob no desfiladeiro e do medo que senti ao imaginar Edward morto naquele confronto de motos.
Mas o medo que eu sentia agora era muito, muito mais real.
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