Two Broken Hearts
51 Cilada
POV Edward
Assim que Bella saiu para ir à casa da amiga, eu soube que estava perdido.
Eu havia partido o seu coração mais uma vez. Desta, por ter acreditado que ela seria forte o suficiente para ouvir a minha história sem se despedaçar por dentro. Mas, obviamente, aquilo não era a verdade. Estava muito longe de ser a verdade. Isabella era frágil como vidro. E precisava da minha proteção, não das minhas verdades duras sendo jogadas contra ela.
Eu sempre soube que haveriam consequências quando ela soubesse de tudo. Por isso, adiei o máximo possível a nossa conversa. Por isso, tentei afastá-la de mim ou me afastar dela. Tentei não ser o caçador que eu era , não com ela. Tentei não transformá-la em minha vítima, quando sabia que em algum momento, invariavelmente, ela se tornaria minha vítima. Minha e da arrogância desenfreada da minha família.
Os Cullen eram monstros egoístas, manipuladores, verdadeiros sádicos.
Aquilo não começara com Esme. Começara muito antes dela...
Tomei um banho e me vesti para ir ao Central Park, onde o Coronel havia marcado para que eu me encontrasse com um dos seus capachos. Eu presumi que as coisas fossem esquentar por lá. Por isso, escondi no bolso o punhal com o qual o meu avô havia me presenteado no meu aniversário de catorze anos. Um presente estranho para se dar a um garoto.
Era bem a cara daquele desgraçado.
O tempo andava maluco em Nova York e estava começando a esfriar lá fora. Eu enfiei a jaqueta de couro pelos braços e peguei as chaves de casa e da moto.
Foi quando um estrondo me fez dar um passo para trás, pego de surpresa. Alguém havia arrombado a porta da frente. Eu senti a adrenalina correr pelo meu sangue. Em vez de considerar a opção de fugir, toquei de leve o bolso onde guardara o punhal.
E esperei o meu oponente se aproximar.
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POV Bella
O corredor assustadoramente branco do hospital me fazia lembrar do período em que Charlie esteve internado, quando eu era criança. O teto, o chão, as paredes e o caminhar vazio e monótono dos plantonistas ainda eram familiares para mim.
Vazia. Era exatamente como eu me sentia por dentro. O típico burburinho de hospital atravessava os corredores e as paredes, mas não chegavam até mim. Eu estava oca, anestesiada por fora, mas por dentro, mergulhada em um pesadelo.
O mais triste sobre um rapaz, de vinte e dois anos, inconsciente em um quarto de hospital, é ter certeza de que a sua mãe não ligaria a mínima por saber disso.
Depois que Edward havia sido atendido na emergência do hospital público mais próximo, eu pensei em telefonar para Esme e contar com havia encontrado seu filho caído no chão do quarto e o diagnóstico feito pelos médicos: quatro vértebras fraturadas, uma costela quebrada, além de diversas contusões espalhadas pelo corpo e pelo rosto.
E uma concussão cerebral que poderia, ou não, se agravar nas próximas horas.
Alice estava sentada ao meu lado, segurando minha mão, enquanto Gwen fumava do lado de fora. Nos raros momentos de consciência que eu tinha, conseguia perceber que as duas estavam uma pilha.
_ Vem pra casa comigo, Bella. Nós podemos voltar pela manhã e trazer café e rosquinhas. Ele vai acordar com fome.
Eu tentei sorrir para mostrar a ela que estava bem. Foi um fracasso miserável.
_ Você pode ir pra casa, Ali _ eu assegurei, apertando a sua mão dentro da minha. _ Eu vou ficar aqui, esperando ele acordar.
A verdade é que não havia nenhuma casa para mim. O meu lugar era com Edward agora. E onde quer que ele estivesse, era lá que eu deveria estar.
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POV Edward
O rangido de passos no chão de madeira me posicionou para o ataque. Decidi não sacar o punhal antes que aquela briga começasse. O humor da minha família andava tão instável quanto o clima em Nova York. Talvez Carlisle e o Coronel quisessem apenas uma boa conversa amigável dessa vez. Com eles, eu nunca podia ter certeza.
Enfiei os dedos no bolso traseiro direito, sentindo a lâmina afiada do punhal quase cortar a minha carne.
_ Olá, Edward.
Assim que deu o primeiro passo para dentro do quarto, a sombra que havia surgido no vão da porta deixou de ser apenas uma sombra. Um rosnado escapou da minha garganta, enquanto um largo sorriso satisfeito ia aparecendo no seu rosto.
_ Jacob Black _ eu quase cospi ao dizer o seu nome.
Ele deu mais dois passos adiante, mas ficou estático quando percebeu o que eu havia acabado de tirar do bolso da calça.
Seu sorriso se modificou. De satisfeito passou a cuidadoso, precavido. Uma precaução vinda de uma experiência que eu conhecia muito bem.
_ Muito bem, Edward. Parece que você não abre mão de velhas lembranças _ ele deu uma piscadela cínica, enfiando a mão no bolso e tirando de lá o seu próprio brinquedo. _ Talvez você e eu possamos nos divertir juntos como grandes amigos... sabe como é, em homenagem aos velhos tempos.
Havia claridade suficiente entrando pela janela do quarto, embora não houvesse luz elétrica e o sol não brilhasse do lado de fora. A lâmina de um punhal reluzia na mão direita de Jake. Um belo punhal de haste banhada em prata pura, idêntico ao que eu também segurava.
Uma coincidência repulsiva.
_ Parece que você também é apegado ao passado.
_ A boa e velha nostalgia _ ele respondeu. _ Você sabe como é.
Enquanto ele falava, seus olhos cintilaram com um brilho doentio.
E quando ele avançou para mim, não estava mais sorrindo.
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POV Bella
Uma coisa havia me assustado, assim que tomei consciência dela.
Edward havia dito que me buscaria na casa de Alice, naquela noite. Na ansiedade de vê-lo de novo, de estar com ele e dizer que não estava magoada ou decepcionada com o seu passado, eu quase havia me esquecido disso. Eu havia ligado algumas vezes, sem sucesso. Em vez de ficar preocupada, achei que ele estivesse ocupado, talvez até mesmo, atendendo no Seven. Então, eu havia feito as minhas malas e seguido para a vila, ainda incerta quanto a reação dele, mas sem medo de arriscar tudo em nome do que eu acreditava.
O que tinha me assustado, entretanto, foi entender que se eu não tivesse seguido o meu coração, Edward ainda estaria deitado no chão daquele quarto. Inconsciente. Talvez morto. Esse pensamento fazia um dedo gélido percorrer a minha espinha, de cima a baixo. E quanto mais eu procurava me distanciar dele, mais ele me perseguia.
O médico de plantão, Dr. Hyde, estava mantendo Edward em observação por um período máximo de doze horas. A concussão que ele havia sofrido, a princípio, curaria no decorrer daquele tempo. O problema era que Edward não acordava. E ninguém se atrevia a fazer um diagnóstico mais preciso enquanto ele não abrisse os olhos.
Estudar medicina havia me dado uma vantagem, um diferencial que era, ao mesmo tempo, um dom e uma maldição. Eu sabia exatamente qual era a preocupação do Dr. Hyde. Se a concussão se desenvolvesse para uma contusão cerebral grave poderia resultar em uma hemorragia e os danos poderiam ser inestimáveis, possivelmente fatais.
Eram cinco da manhã. Faltavam seis horas para o prazo de Edward se esgotar. Passado esse tempo, ele seria transferido de ambulância para outro hospital com mais recursos do outro lado da cidade. Outra vez eu quase sucumbi à vontade de ligar para Charlie e e Esme. Se tivesse o telefone do pai ou do avô de Edward, de fato, teria feito aquilo. Independente do motivo que os mantinham distantes, Edward precisava de tratamento adequado e alguém deveria se assumir responsável.
Meu celular tocou no bolso da calça. Eu demorei dois segundos para perceber que não era o visor que estava embaçado. Então sequei os olhos antes de atender.
_ Oi, Ali.
_ Oi, Bella. Eu não consegui dormir... _ ela balbuciou, fazendo uma pausa antes de exalar um suspiro exausto. _ Já é uma boa hora para aquelas rosquinhas?
_ Ainda não, Ali. Mas vou manter você avisada _ eu prometi, com a voz engasgada, antes de me despedir e desligar depressa.
Apertei o punho contra a boca, sabendo que o primeiro soluço despertaria uma torrente de lágrimas que eu não poderia conter.
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POV Edward
Jake saltou sobre mim com os dentes arreganhados em um sorriso feroz. A vantagem inicial foi toda sua. Nós dois fomos ao chão, o peso do seu corpo me mantendo imóvel, assim como a lâmina afiada contra a minha garganta. A face do amigo que eu conhecera, um dia, transformada em monstro.
Naquele momento, ele não se parecia em nada com um ser humano. Era como um lobo gigante acuando e atacando uma presa indefesa.
Mas eu não o deixaria me transformar em sua presa. O tempo que eu vinha me mantendo longe de brigas havia tornado os meus movimentos mais lentos, mas eu ainda sabia muito bem como virar o jogo numa luta. Lancei minha cabeça adiante, cortando o espaço entre nós e acertando-o em cheio no nariz. O sangue esguichou de lá como uma fonte. O punhal caiu da sua mão e eu consegui espaço suficiente para golpeá-lo no rosto com o cotovelo.
Jake tombou para o lado com o impacto. Dessa vez, em um movimento rápido, eu assumi a posição de vantagem sobre o meu oponente. Era quase excitante voltar à ativa novamente. Quase.
Encurralado entre o chão e eu, meu antigo melhor amigo ergueu as mãos em sinal de derrota, quando eu pressionei o punhal na lateral do seu pescoço.
O riso em sua boca, agora, era escancarado, nervoso, claramente alarmado. Seus olhos estavam arregalados de medo e o rosto coberto pelo sangue que jorrava do nariz quebrado. Ele estava se borrando de medo, o filho da puta.
_ Ok, Cullen. Você venceu, você venceu _ ele disse, ofegante. _ Que tal nós dois... conversarmos... conversarmos civilizadamente?
Eu balancei a cabeça, em negativa.
_ Nossa civilidade morreu no dia em que você enfiou Isabella nisso.
Ele fechou os olhos, arfando, os braços ainda abertos, as mãos viradas para cima em sinal de rendição.
_ Me desculpa, parceiro... eu estava só cumprindo ordens. Eu nunca... eu nunca quis fazer mal pra garota. Eu não sou esse tipo de sujeito...
Ouvi um barulho atrás de mim e me virei naquela direção. Dustin me encarava com um sorriso psicopata no rosto. Seu nariz ainda trazia a prova da nossa pequena discussão, dias antes. Atrás dele estava Ethan, o Gladiador, deslizando o seu próprio punhal prateado entre os dedos e de uma mão para a outra.
_ Ora essa, os irmãos finalmente reunidos... e isso não é bom? Eu não sei vocês, mas eu estou feliz pra caralho!
O som da risada rouca de Jacob me fez entender que eu havia caído numa armadilha. Aquilo não era a merda de uma disputa honesta. Era uma porra de um massacre planejado. Três malditos psicopatas. Três malditos assassinos.
O Coronel havia se superado dessa vez.
_ Diga adeus a esse mundo, Edward Cullen _ Dustin disse, antes de chutar minha cabeça com a ponta da sua bota.
A dor que eu senti foi lancinante, me lançando a beira da inconsciência. Eu caí no chão, com a sensação de que o meu crânio havia sido esmigalhado. De longe, Dustin era o mais pesado dos três. Eu já havia visto-o chutar a cabeça de ovelhas e porcos na fazenda antes de abatê-los. E de outros homens antes de matá-los.
Tive uma vaga impressão de Jake se levantando e Ethan se movendo, juntando-se aos outros dois.
_ Quebrem a cara dele _ Jake deu as ordens, sua voz se confundindo com a imagem turva do seu rosto em algum lugar acima de mim. _ Melhor, quebrem ele todo.. até não sobrar mais nada.
Punhos e botas se moveram contra mim e, quando eu pensei que nenhuma dor pudesse ser mais excruciante do que a da minha cabeça, uma centena de dores diferentes foram me atingindo, uma após a outra, uma mas forte do que a outra.
Eu ainda podia ouvir suas vozes e suas risadas homicidas, enquanto uma escuridão mortal ia tomando conta de mim. Meu último pensamento, antes de mergulhar de vez na inconsciência, foi a doçura do sorriso de Isabella quando eu amei pela primeira vez.
Ah Deus, por favor... não deixe que tenha sido a última.
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POV Bella
_ Isabella Swan?
E abri os olhos, piscando várias vezes até o Dr. Hyde entrar no foco. Com o seu jaleco branco e estetoscópio pendurado no pescoço, ele era a imagem daquilo que eu sempre almejei ser: um salvador de vidas. Um sonho que, provavelmente, Charlie arrancaria de mim em breve, quando se desse conta de que aquela história não terminaria com a filha pródiga voltando para casa. Aquele pensamento havia me assombrado na última semana.
Agora, entretanto, haviam fantasmas mais presentes para me aterrorizar.
_ Doutor? Como ele está? _ eu perguntei, me sentindo estúpida por ter adormecido com a cabeça apoiada na parede do corredor.
A verdade é que eu estava me sentindo exausta, esgotada. O meu corpo doía em partes que eu nem julgava serem possíveis.
O médico olhou para mim de um jeito compreensivo, como se soubesse exatamente como eu estava me sentindo. Ele abriu um sorriso afável. Era um profissional, mas também um ser humano, e suas palavras me varreram com uma onda de alívio.
_ Você já pode parar de se preocupar, o rapaz acordou.
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