Entrar naquele quarto foi ao mesmo tempo um alívio e um tormento.

A imagem de Edward numa cama de hospital, coberto de fios e ligado a aparelhos, não era a melhor visão que eu poderia ter dele. Isso sem contar com os inúmeros ferimentos que cobriam o seu rosto, desde o supercílio cortado até o inchaço dos olhos e da boca cortada.

Além disso, uma ideia estúpida me mutilava por dentro. E se ele abrisse os olhos e tudo o que eu visse fosse a névoa vazia do não reconhecimento? Existem tantos casos de edemas que provocam a perda da memória...

Não, não... meu Deus, não. Eu poderia conviver com qualquer coisa, exceto com o esquecimento de Edward.

Eu me aproximei da cama e me sentei no banco que havia ao lado dela. Respirei fundo. Tomei coragem. O bip bip dos aparelhos estava me deixando louca, como se a vida de Edward fosse um fio tênue que estivesse se partindo, se extinguindo com o som fraco do seu coração pulsando.

Eu estendi minha mão e tomei seus dedos dentro dela.

Eles se moveram contra a minha carne e o meu coração deu um pulso, sobressaltado. As pálpebras de Edward se moveram, seus cílios se afastaram e... de repente.. lá estavam seus olhos verdes e profundos, encarando os meus.

Seus lábios se moveram tentando formar palavras.

_ Bella.

Foi tudo o que ele disse, mas para mim foi mais do que o suficiente.

Meus dois pulmões esvaziaram e foi só então que eu percebi que não estivera respirando no último minuto.

_ Oh, meu Deus, obrigada... obrigada...

As lágrimas rolaram pelos meus olhos, pelo meu rosto. Eu me inclinei sobre o seu corpo lacerado na cama daquele hospital e beijei as suas mãos e os seus dedos. E quando não foi o bastante, eu me levantei e me debrucei sobre ele, distribuindo beijos pelo seu rosto, olhos e boca.

Graças a Deus, ele não gemeu de dor. Ou eu teria me sentido seriamente culpada.

Como isso não aconteceu, eu continuei de pé, inclinada sobre ele, nossos olhos fixos numa conexão mágica e poderosa que nunca poderia ser quebrada.

_ Voce sentiu minha falta _ ele murmurou com a voz fraca, parecendo surpreso.

_ Mais do que qualquer pessoa no mundo.

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O Dr Hyde entrou no quarto cinco minutos depois, acompanhado por uma enfermeira.

Edward e eu ainda não havíamos conversado muito. Ele queria falar, ficava tentando formular palavras todo o tempo, mas eu só queria poupá-lo. Parecia um grande esforço quando seus lábios se moviam.

Naquele momento, parecia um grande esforço que ele se mantivesse respirando.

_ Ele ainda precisa ficar em observação, Srta Swan.

_ Por que? Não está tudo bem? _ eu perguntei, alarmada, esquecendo qualquer procedimento que tivesse aprendido no curso de medicina.

O Dr Hyde meneou a cabeça e sorriu, indulgente.

_ Edward está fora de perigo, é apenas um procedimento de segurança _ ele garantiu. _ Seu namorado sofreu lesões graves. Precisamos ter certeza de que não vai enfrentar qualquer problema ao retornar para casa.

Namorado. Eu olhei para Edward deitado na cama, esperando encontrá-lo dormindo. Seus olhos, no entanto, estavam abertos e ele se esforçou para me dar um sorriso que dizia "sim, namorado".

Minha barriga gelou e milhares de borboletinhas bateram asas ao mesmo tempo. Que patética. Um sorriso bobo se formou nos meus lábios.

Ele estava bem e isso era tudo o que importava.

Eu agradeci os cuidados do Dr Hyde e, quando ele nos deixou a sós novamente, eu me levantei e caminhei até a cama de Edward.

Seus olhos estavam pesando. Antes que se fechassem por completo, eu pousei os meus lábios sobre os dele, me sentindo a pessoa mais feliz do universo. Finalmente, finalmente, eu estava completa.

Esperei que ele adormecesse e, então, eu deixei o quarto, sabendo que ele estava vivo, que estava fora de perigo e que ficaríamos juntos.

Dessa vez, para sempre.

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Eu tive minhas primeiras horas de sono na casa de Alice, naquela manhã. Minhas primeiras horas depois de uma madrugada em claro, rezando para que Edward fosse forte o suficiente para voltar para mim daquele maldito pesadelo.

Quando eu acordei, minha mente estava menos exausta. Mas muito mais inquieta. Quem teria sido capaz de um ato covarde como aquele? Eu estava convencida de que não havia sido trabalho de apenas um homem. Além disso, eu havia passado pela vila novamente, para levar notícias a Ruth que nos vira saindo de ambulância durante a noite.

Eu havia entrado na casa de Edward e vasculhado cada centímetro, a procura de algo que pudesse ser encontrado ou algo que houvesse sido perdido. Nada. Além da porta arrombada e de manchas de sangue no piso de madeira, o lugar estava exatamente como antes.

Eu acreditava que a polícia seria capaz de lidar melhor com aquilo. Uma perícia eficiente revelaria a identidade dos agressores, através das manchas de sangue e outros indícios que eram invisíveis a uma pessoa leiga como eu. Mas eu também imaginava que Edward estivesse bastante ciente de quem o havia atacado. E do motivo.

Eu me lembrei da nossa conversa, na noite anterior, a respeito do seu histórico sombrio. Das suas dívidas, das coisas que ele precisava resolver. E entendi, finalmente, por que ele não me queria por perto até que as nuvens houvessem se dissipado.

Ele não era um homem livre. Não por que não quisesse desfazer as amarras do seu passado. Mas porque elas ainda o perseguiam.

E ele temia pela minha vida. Assim como eu temia pela vida dele.

Alice foi um amor, me trazendo o tal café e as rosquinhas assim que eu acordei, suando frio, de um pesadelo.

_ Acha que conseguimos entrar com isso no hospital? _ ela perguntou, sentada na beira da cama.

Eu me ajeitei, sentando também. Achei que não fosse conseguir comer nada, mas me enganei.

Meu estômago rocou, faminto, assim que sentiu o cheiro do açúcar e de toda aquela cafeína.

_ Acho que não _ respondi, sorrindo com sinceridade pela primeira vez em horas. _ Mas eu agradeço mesmo assim. Você foi uma companheira de hospital e tanto.

Ela deu de ombros, com um sorriso de fada madrinha no rosto.

_ Não agradeça. Melhores amigas são pra essas coisas.

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Edward voltou para casa no dia seguinte. Alice e Gwen fizeram uma vaquinha para o táxi e eu mesma fui buscá-lo no hospital.

Ele não reclamou de dor durante todo o caminho. Era um maldito bad boy durão. Mas eu tenho certeza de que cada vez que o táxi passava por cima de um buraco, ele devia ver estrelas.

_ Chegamos _ eu anunciei o óbvio, assim que o motorista parou o carro na frente da vila.

Ruth estava no portão, torcendo as mãos de ansiedade. Eu a havia avisado sobre a nossa chegada. Ela era como uma avó para Edward e merecia toda a consideração. Isso me fez lembrar dos meus avós e de quanto tempo fazia que não falava com eles.

Uma pontada de saudade me invadiu. Eles haviam sido muito bons para mim durante toda a minha vida. Eram pessoas boas que nunca me decepcionaram.

Edward se apoiou no meu ombro e eu mergulhei de volta na vida real. Havia alguém que precisava de mim agora, alguém que eu nunca desapontaria.

_ Ah, Edward.

Ruth se aproximou, receosa. Parecia hesitante entre beijá-lo ou abraçá-lo, e qual daquelas alternativas não o faria se quebrar em mil pedaços.

_ Eu estou bem, Ruth. Obrigado _ as palavras saíram dos lábios do próprio Edward, mas nem ele parecia muito confiante. _ Só preciso descansar um pouco.

Nós duas entendemos bem o recado. Ruth se prostrou de um lado e eu me mantive do outro. Nós então guiamos Edward para a sua própria casa, para que ele pudesse deitar e manter o repouso prescrito pelo médico.

Foi necessário nós ficarmos sozinhos para eu perceber uma coisa. O comportamento de Edward estava diferente. Nos dois dias em que estivemos juntos no hospital, eu o senti confiante e corajoso. Agora, ele parecia reticente e pensativo.

_ O que houve? _ eu perguntei, depois de ajudá-lo a se deitar no colchão acomodado no chão do quarto. O mesmo lugar onde havíamos feito amor, dias antes. As lembranças ainda eram tão fortes para mim que eu precisei me obrigar a voltar para o tempo presente _ Você quer me dizer alguma coisa.

_ Eu quero? _ ele provocou, com um sorriso torto avassalador.

Eu deveria ter ficado excitada e nervosa com aquele sorriso. Tavez estivesse ficando mesmo. Mas era óbvio que, outra vez, ele estava só mudando de assunto. Como na véspera, quando eu tinha perguntado quem o havia machucado. Ou no táxi, quando eu cobrei de novo a resposta para aquela pergunta.

Eu me agachei e subi no colchão, deitando ao seu lado.

Edward estendeu o braço para o lado e eu deitei minha cabeça nele. Tive vontade de me virar na sua direção e abraçá-lo pelo peito, entrelaçando minhas pernas nas dele. Mas não queria que ele se sentisse desconfortável ou dolorido.

Merda. Ele parecia tão forte e tão frágil. Como um escudo protetor. Mas, ao mesmo tempo, era eu quem deveria protegê-lo.

Mas do que? Todas as ameaças em relação a Edward tinham garras invisíveis. Para mim, eram como fantasmas que eu não podia ver.

Como poderia lutar contra algo que eu não conhecia ou sequer entendia?

_ Deveria. Ou eu vou começar a cobrar as respostas a outras pessoas.

Ele inclinou a cabeça para o lado, seus olhos lindos de matar fitando os meus com curiosidade.

_ Com quem por exemplo?

Eu engoli em seco, prevendo a tempestade.

_ Que tal o Coronel?

Notas finais
Boa tarde, meninas!! Muito feliz por saber que vocês curtiram o capítulo anterior e que têm curtido o rumo da fic :3 esse capítulo foi menos tenso pra vocês terem tempo de preparar o coraçãozinho para as próximas emoções hehe Ooops! A Bella colocou o Edward contra a parede! Parece que agora nosso bad boy vai ser obrigado a dar umas boas explicações... será??? Ou ele vai acabar saindo, como sempre, pela tangente? Mandem reviews com ideias, opiniões, críticas, pensamentos.. tudo o que vier na cabeça de vocês a respeito dessa nossa história! Combinado? Logo tem mais posts :D beijos e abraços em todas vocês!!!!!