Two Broken Hearts
48 Mau Julgamento
Seria mentira dizer que a confissão de Edward não havia me chocado um pouco. O choque maior, no entanto, foi perceber o quanto eu o condenava, internamente, por sua sede de vingança. Por mais que Charlie houvesse me decepcionado como pai, eu nunca teria considerado, seriamente, me vingar dele. A vingança não estava em mim. Mas ela estava em Edward. Escura como o lodo no fundo de um lago sombrio.
Apesar disso, eu me mantive firme e tentei escutá-lo até o fim.
_ Eu não vim para NY por acaso, Bella. Também não vim pra tentar uma reconciliação com a minha mãe _ ele admitiu, respirando fundo como se cada palavra fosse ainda mais dolorosa do que a anterior. Eu não duvidava que fosse. _ A intenção sempre foi me reaproximar dela, mas não pra fazer as pazes.
_ Você queria se vingar _ eu tentei disfarçar o tom de reprovação na minha voz. _ Queria vir aqui e magoá-la. Queria tornar a vida dela um inferno. A vida dela... e da minha família. Você não pensou nas consequências que isso traria pra outras pessoas, Edward?
_ Por que? _ ele rebateu, me encarando com frieza _ Quem pensou em mim alguma vez na vida, Bella? Me diz, quem?
Eu senti a pulsação acelerar e, dessa vez, não tinha nada a ver com a excitação que ele causava sobre mim. Eu me lembrei do clima péssimo na casa de Charlie após a chegada de Edward. A depressão de Esme, sua apatia. O quanto meu pai e minha madrasta haviam sofrido depois que o terremoto Edward Cullen havia atravessado nossas vidas. Pensei no meu próprio sofrimento. As palavras de Edward não conseguiam quebrar o sentimento egoísta que eu estava sentindo naquele momento. A auto-piedade.
_ Eu sinto muito... sinto por ter magoado você _ ele disse, com a voz derrotada. _ Você não fazia parte do plano quando eu cheguei a NY.
_ Ah _ aquilo não desculpava nada.
Eu engoli em seco, me sentindo estranhamente diferente em relação a ele. Sem perceber, eu havia levado os dedos em direção a têmpora e agora fazia uma massagem suave e regular, tentando eliminar a sensação de que alguém esmagava o meu crânio com as mãos. Minha cabeça parecia a ponto de explodir.
_ E qual era o seu plano? _ eu quis saber. _ Chegar a NY, achar Esme e virar a vida dela do avesso? Como você sabia onde ela estava, afinal?
Edward ficou em silêncio. Seu olhar estava fixo nas mãos caídas sobre o colo. Nós não nos tocávamos mais. Honestamente, eu não poderia tocá-lo de novo até que ele me fizesse entender o seu ponto de vista, os seus sentimentos. Eu tinha lidado com a dor do abandono, mesmo que de uma forma diferente, e nunca havia cogitado a possibilidade de me vingar prejudicando outras pessoas.
_ Achar Esme não foi um problema, Bella. Eu sempre soube onde ela estava _ ele respondeu, por fim.
Um vinco deve ter surgido no meio da minha testa, porque ele me olhou, aguardando pacientemente.
_ Sabia como?
_ Eu tinha todas as informações que precisava sobre ela. Sobre ela, sobre seu pai... _ Edward exalou um suspiro tenso. _ E sobre você.
Um alarme disparou dentro da minha cabeça e, de repente, se tornou doloroso respirar.
_ Sobre mim? _ eu lutei contra o nó se formando na minha garganta _ Então você sabia sobre mim! Você disse que eu não fazia parte do plano... você mentiu!
_ E não fazia.
_ Mas você nunca se importou _ eu o acusei, com a voz ríspida. _ É a mesma coisa! E quando você chegou...
_ Quando eu cheguei, eu encontrei uma família feliz que não merecia nada daquilo que tinha _ ele disse, sem pausas e sem rodeios. _ Um marido ganancioso e manipulador, uma mulher deslumbrada com a sua fortuna e uma garota mimada, que bancava a indiferente e se julgava perfeita, superior a todo mundo.
_ Isso não é verdade! _ eu gritei, indignada e corando de raiva _ Você não quis enxergar as coisas como eram de verdade. É claro... era mais fácil pra você se livrar de toda culpa, de qualquer tipo de remorso.
Edward suspirou outra vez, arriando os ombros. Quando olhou de volta para mim, seus olhos carregavam o peso de uma dor excruciante.
_ Todo remorso que eu sinto é em relação a você, Bella. Porque, conforme eu fui chegando perto, você foi se revelando como uma concha... fechada no início, mas linda por dentro. E muito, muito frágil. Então eu percebi que você era diferente deles.
_ Eu sou _ eu disse, as palavras saindo engasgadas. _ Mas eu não sou tão frágil.
Ele me olhou por um longo momento. Então, se ajoelhou sobre a cama e me puxou para que eu fizesse o mesmo. Edward me acomodou nos seus braços, o queixo encaixado na curva do meu pescoço. Duas lágrimas escorreram dos meus olhos e eu emiti um único soluço solitário.
_ Talvez não _ sua voz saiu abafada quando seus lábios pressionaram a minha pele. _ Mas eu vou cuidar de você mesmo assim. Você é minha responsabilidade agora.
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Quando eu voltei ao apartamento de Alice e Gwen, já estava amanhecendo. Edward me deixou de moto na portaria do prédio, com a promessa de que viria me ver naquela noite.
Eu não pude esconder uma pontada de decepção. Achei que, depois de ter se aberto comigo... mesmo que parcialmente... ele me convidaria para morar com ele e nós ficaríamos juntos. Mas Edward se justificou, dizendo que tinha algumas contas a acertar. Eu tinha medo. Por mim e por ele. Que tipo de gente assombrava o seu passado e como aquilo poderia nos afetar?
_ Bella! Que droga de noitada foi essa no meio da semana?! _ Alice apareceu na porta vestindo apenas uma camisa cinza de mangas compridas, com NYU bordado em letras pretas. _ Nós vamos nos atrasar pra aula.
_ Eu não vou _ dei um beijo rápido em sua testa antes de entrar no apartamento. _ Está tudo bem com você?
Alice trancou a porta antes de dar meia volta e se juntar a mim no sofá da sala. Sua cara estava péssima. O cabelo estava bagunçado, mas não do jeito convencional. Os seus olhos pareciam vermelhos e inchados, ela devia ter chorado durante toda a noite.
Caramba, a coisa era realmente grave! Eu nunca antes tinha visto Alice sofrendo por amor.
_ Jasper veio aqui, ontem a noite. Depois que você saiu.
_ Ah _ eu exclamei, tentando soar casual para não espantá-la. Ela podia ser bem arredia quanto queria. _ E aí, vocês conversaram?
Alice bufou.
_ Sim, conversamos. Ele me pediu desculpas pelo comportamento dos pais e se desculpou também por ser um banana. Mas acredito que isso não seja suficiente, né?
Pobre Alice... ela olhava diretamente para mim, agora, em busca de concordância.
_ E por que não é o suficiente?
Seu queixo despencou alguns metros antes de ela reunir forças pra me responder.
_ Porque não muda nada. Um banana sempre será um banana _ ela filosofou, muito enfática. _ Se ele não tem coragem pra enfrentar os pais, como eu vou poder ficar ao lado dele?
No fundo, eu entendi sua lógica. Mas no estado caótico em que minha amiga se encontrava, resolvi não dar muita bola para os fatos.
_ Eu não sei, Ali. O que eu sei é que, se você ficar ao lado do Jas, pode se tornar mais fácil pra ele tomar uma atitude em relação aos pais _ eu opinei, torcendo pra ela confiar no meu conselho. _ Se afastando, você não tem a menor chance de conseguir resolver nada.
Os olhos da baixinha passaram de irritados para petulantes numa fração de segundos.
_ E quem disse que eu quero resolver alguma coisa?
Eu bufei, alto. Como era difícil fazê-la dar o braço a torcer!
Ela se esquivou, de cenho franzido, quando eu passei as mãos pelo seu cabelo despenteado e oleoso. Depois, fixou o olhar nas próprias mãos, o esmalte cor de rosa descascando nas unhas.
Seu bico cresceu uns trinta centímetros.
_ Eu estou numa nova vibe de naturalidade...
_ Sei _ eu concordei. _ Por que você não vai se arrumar, hein? Mudei de ideia. Eu vou à aula com você.
E depois eu iria à casa de Charlie procurar Esme e descobrir mais algumas coisas sobre o passado misterioso de Edward Cullen.
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