Two Broken Hearts
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Era um sábado a noite. Edward e eu estávamos debaixo das cobertas, com um balde de pipoca e muito refrigerante, como qualquer outro casal. Nós tínhamos comprado uma tv de tamanho generoso para o quarto e, agora, também havia uma cama confortável ali. O frio, finalmente, havia chegado a Nova York. Um frio suportável, por enquanto, mas não demoraria muito para que estivesse nevando.
Faltava pouco mais de um mês para o Natal e eu ainda não havia me decidido sobre falar ou não com Charlie a respeito de Esme. Ainda me parecia improvável que ele não conhecesse o caráter da mulher com quem dividia a cama há tantos anos. Esme era uma atriz talentosa, mas meu pai não era exatamente um homem ingênuo e inexperiente.
Eu estava trabalhando no escritório de Adriana em Manhattan, há quase três meses, e me mantinha firme na intenção de me dar o tempo necessário para descobrir o que queria fazer com a minha vida. A faculdade estava trancada e eu continuava morando "temporariamente" com Edward na vila de Ruth, embora soubesse que, uma hora ou outra, teria que tornar nosso compromisso sólido. Ele fazia pequenos apontamentos nessa direção, vez ou outra, e eu sempre saía pela tangente.
Eu amava Edward Cullen e tinha certeza absoluta daquilo, mas sabia que tinha meus próprios demônios a enfrentar, assim como ele tinha os dele para combater.
Trabalhar para a minha madrinha havia se mostrado uma ideia maravilhosa. Eu estava um nível acima de Jocelyn na hierarquia do escritório. Basicamente, ela cuidava da recepção e transferia ligações para a sala de Adriana, e eu era responsável por sua agenda de compromissos e contatos mais importantes. O salário era bastante razoável. Para falar a verdade, era mais do que eu estava esperando quando havia ido procurá-la.
O escritório em NY era o núcleo do império de Adriana Heche. Era dali que a magnata da indústria da moda comandava os seus negócios. O lugar funcionava como uma cabeça, mas o corpo da grife Heche, em si, era muito mais impressionante. Braços e pernas estavam situados em Paris, Milão, Hong Kong, Portugal e Londres, além de um andar inteiro na Quinta Avenida, ali mesmo em NY.
As únicas exigências da chefe em relação a mim eram: jamais chegar atrasada e me manter sempre apresentável. O primeiro compromisso era assegurado por Edward, que atravessava a cidade de moto comigo, todas as manhãs, geralmente após um plantão exaustivo no Seven.
O segundo havia ficado a cargo de Alice, claro. Após minha primeira semana de trabalho, eu havia pedido sua ajuda para ir às compras. Saks, Bloomingdale's e Macy's. Nenhuma das gigantes escapou do olhar ávido da minha melhor amiga.
Alice havia deixado seu trabalho como modelo do curso de artes para se dedicar a residência em um hospital nos arredores da cidade. No início, ela me mantinha atualizada sobre os progressos da nossa turma na universidade. Depois, cada vez menos. Alice percebeu primeiro do que eu — e muito antes de Edward — que o curso de Medicina era apenas mais uma obrigação monótona na minha vida antes super controlada. Me livrar dele foi como desfazer amarras que, há muito tempo, já estavam frouxas. E um passo importante no meu processo de auto descoberta.
Edward ainda não se sentia a vontade com o meu novo "estilo de vida". As roupas que eu usava, os móveis e utensílios que eu comprava para dentro de casa e até as compras de mercado... vez ou outra, qualquer coisa virava o estopim para um drama. Eu temia que, em algum momento, aquilo nos distanciasse. Ele recebia um pagamento consideravelmente menor pelos seus serviços no Seve'n Seven, o que garantia o aluguel e o básico em termos de alimentação.
Apesar de tudo, nós éramos cada vez mais um casal normal de namorados, com suas brigas e reconciliações, com a exceção de que estávamos sempre tentando consertar coisas quebradas dentro de nós mesmos.
Naquele sábado, o vidro estilhaçou pra valer.
O celular tocou quatro vezes antes que Edward reunisse coragem para estender o braço para fora da coberta e alcançar o aparelho.
— Número privado, pode ser do trabalho _ ele se desculpou antes de atender _ Alô? _ eu vi quando os músculos do seu pescoço contraíram e uma sensação incômoda alcançou a boca do meu estômago _ O que você quer?
Agora que eu conhecia a história de Edward, não me parecia assim tão difícil adivinhar do que se tratava aquela ligação. Eu esperei, impaciente, que ele desligasse, ouvindo cada um dos seus monossílabos irritados e torcendo para que não fosse tão ruim quanto parecia.
Eu sabia que o Coronel estava tentando encontrá-lo. Há pelo menos um mês, vinha fazendo contatos frequentes na intenção de se reconciliar com o neto, mas Edward se recusava a ceder. Eu achava que ele estava certo. Até que o Coronel provasse o contrário, haviam sido as suas ordens a colocar Edward no hospital da última vez e eu só queria que meu namorado mantivesse distância do maldito.
Quando Edward colocou o aparelho de lado e continuou sentado na cama, as mãos estavam cruzadas no colo e o olhar fixo em algum ponto adiante. Seu pensamento estava longe, o filme na tv esquecido. Eu me ergui até ficar sentada, depois me coloquei de joelhos e rastejei pela cama até estar às suas costas. Comecei a massagear seu pescoço. As linhas dos seus ombros, antes suaves e relaxadas, agora estavam rígidas.
Beijei sua orelha de leve, senti o cheiro amadeirado e único da sua pele entrar nos meus pulmões. Eu estava respirando Edward Cullen, há meses, e nenhuma briga ou discordância seria capaz de me fazer desejar o contrário.
Deixei o meu queixo pender sobre o seu ombro direito e fechei os olhos. Eu estava vestindo camiseta e calcinha. Ele usava uma box preta e nada mais. Nós tínhamos feito amor duas vezes naquela tarde e eu ainda podia sentir os efeitos daquilo em mim.
Edward suspirou e segurou minha mão, puxando o meu braço para envolver o seu peito. Eu fiquei daquele jeito, segurando-o num abraço de urso, até ter coragem de perguntar:
— É ruim assim?
Ele inclinou a cabeça até ela encostar na minha. Um mau pressentimento atravessou o meu coração, mas ele foi ofuscado pelo choque quando Edward voltou a falar.
— Eu preciso voltar para Maryland, Bella. O meu pai morreu.
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