Notas iniciais
Boa leitura, meninas!

Jasper chegou meia hora depois de Alice ter tomado sua terceira tequila. Somado às doses de Johnnie Walker, aquele poderia ser chamado de um porre considerável. Mas não para Alice Brandon. Ela ainda estava lá, linda e radiante, completamente sóbria do alto do seu salto 15cm.

Bem, talvez não completamente sóbria. Mas certamente bem mais do que eu poderia me considerar.

Para o meu desespero, Jasper cumprira sua promessa e não viera sozinho. Agora, nós três dividíamos uma mesa com seu primo, um sujeito alto, de porte musculoso e cabelos curtos e louros cortados bem rente. Seus olhos eram azuis e brilhavam maliciosos, enquanto sua mão tentava acariciar a minha coxa por baixo da mesa.

_ Ele não é um nerd, isso não é ótimo? _ Alice sussurrou, sentada ao meu lado direito em uma das mesas circulares de madeira envernizada que ficavam nas laterais do bar.

Dei uma olhada de esguelha no grandalhão cheio de hormônios a minha esquerda.

Não mesmo. Ele é um tarado!

_ Então, Emm joga futebol na Universidade de Nova York _ Jasper procurou quebrar o gelo, coisa que vinha tentando sem sucesso nas últimas duas horas. _ Ele está disputando uma vaga no Chicago Beers.

_ Sou quarterback _ Emmett inflou o peito e eu prendi o riso. _ Pode me chamar de Big Emm, é assim que todos me conhecem em NYU _ ele abriu um sorriso besta de canto, se gabando do apelido.

_ Posso ver o motivo _ apontei o par de braços grandes e torneados que irrompiam da camiseta branca com o slogan do Chicago. Imaginei-o fazendo demonstrações de força, amassando latas no início e por fim entortando barras de ferro enquanto soltava uma série de grunhidos ameaçadores.

Emmett deu uma piscadela cheia de segundas intenções

_ Não pode, não, gatinha. Quem sabe mais tarde?

Meu rosto corou violentamente.

_ Emm! _ Jasper não parecia chocado, mas com certeza aborrecido _ Eu juro que vou parar de te trazer comigo quando sair.

_ Precisamos de mais drinks? _ Alice saltou da cadeira, olhando na direção do bar, mas eu a puxei pela mão e ela caiu sentada ao meu lado de novo.

_ Ai!

_ Deixa que eu pego.

Seus olhinhos relampejaram de malícia pura.

_ Ah, claro... entendo.

Contei até três, querendo esganá-la.

_ Cala a boca, Alice. Eu já volto.

Fui me apertando entre a multidão até finalmente chegar ao “bar seguro”, que ficava do nosso lado da pista. Nele, não havia nenhum Edward Cullen me deixando doente com seus olhos verdes cheios de UVB cancerígeno. Neste, o barman era lindo, louro e se insinuava para meia dúzia de clientes como parecia ser de praxe da casa, mas não provocou nenhuma reação no meu estômago em particular.

_ Quatro margaritas na mesa quatro, por favor _ era o que todos estavam bebendo agora, exceto por mim, que me embriagava cada vez mais em garrafas de água e cubos de gelo.

O efeito do porre já estava passando, mas a idéia de acordar outra vez de ressaca quase me fez voltar a beber.

_ Um Jack Daniels.

Olhei para trás por cima do ombro e meu sangue gelou.

O cara abriu um sorriso de dentes brancos e perfeitos. Estava usando a mesma camiseta preta da última vez e ainda parecia grande e ameaçador, a síntese do perigo. Apesar de bonito pra cacete, eu não me espantaria se ele dirigisse uma Harley Davidson e usasse jaqueta de couro enquanto vagava pelas madrugadas de Nova York coletando cabeças em sacos plásticos.

_ Ei, eu lembro de você _ ele franziu o cenho por um instante e eu me perguntei se teria a menor dúvida a respeito de quem eu era ou, pior, de que estaria ali naquela noite. _ Hm... Bia? Barbie...? _ ele sorriu como quem pede desculpas, a expressão um misto de ingenuidade e confusão.

Minha garganta travou. Olhei de esguelha na direção da mesa onde Jasper, Emmett e Alice conversavam e riam, ignorando plenamente a minha existência.

Jacob estalou os dedos e o sorriso cresceu.

_ Bella.

Quando o barman me chamou, avisando que as margaritas seriam entregues na mesa, eu agradeci e comecei a me afastar do bar. Jake também recebeu o drink dele e então segurou minha mão, passando a andar comigo como se fossemos um casal de namorados.

Um nó travou minha garganta e eu puxei a minha mão enquanto atravessávamos a pista lotada.

Para a minha surpresa, ele me soltou rapidamente.

_ Posso saber por que tem medo de mim, Bella? _ perguntou, os lábios roçando no lóbulo da minha orelha.

Eu me virei então, encarando o par de olhos escuros e sedutores. Assim como Edward, Jake exalava perigo. No entanto, ao contrário de Edward, eu não me sentia nem um pouco inclinada a aceitar o tipo de perigo que ele representava. Os olhos de Edward carregavam dor, angústia e revolta. Os de Jake... eram a quintessência das trevas. Eu não conseguia olhar muito tempo para eles sem sentir os pelos eriçados na nuca.

_ E eu posso saber por que está me seguindo feito um cachorro?

Ao contrário da reação que eu esperava, ele deu uma risada rouca abafada pelo som da música.

Quando tornou a ficar sério, seus olhos ardiam sem desgrudar dos meus.

_ Eu prefiro pensar em mim como um lobo. Sabe? Encontro uma coisa da qual eu gosto e persigo até conseguir o que quero.

Engoli em seco, nem um pouco a vontade com o rumo da conversa.

_ Eu não sou sua presa, Sr Black.

Ele sorriu.

_ Você lembrou o meu nome.

Mordi o lábio, consciente da armadilha.

_ Me desculpe, meus amigos estão me esperando.

Olhei para a mesa e, para o meu alívio, Emmett ergueu um braço enorme acenando na minha direção. Antes que Jacob pudesse reagir, me enfiei entre um grupo de garotas bêbadas vestidas como líderes de torcida que passava por nós.

A certa altura do caminho, olhei sobre o ombro e ele havia sumido.

Quando as cheerleaders entraram no banheiro, me separei delas e dei meia volta em direção a mesa, onde Alice e Jasper se beijavam, as mãos entrelaçadas, e Emmett dava gargalhadas estrondosas.

Sentado entre Emm e Alice, Jacob sorriu de canto para mim, erguendo sua margarita.

_ Ah, Bella, pensei que você tinha sido sequestrada! _ Emmett deu um gole na sua bebida._ Esse é o Jake, meu running back.

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Por volta das quatro e meia da manhã, nos despedimos na porta do Seven’n Seven. Jacob desapareceu na sua moto – que não era realmente uma Harley Davidson, mas uma simples Honda Fan preta — e Jasper e Emmett deram uma carona a Alice, depois que eu garanti que ficaria perfeitamente bem voltando sozinha para casa. Qualquer traço de tequila ou uísque em mim já havia desaparecido, senão evaporado do meu sangue.

O C5 deslizou suavemente pelas ruas até que eu atravessei os portões eletrônicos do pequeno palácio de Charlie Swan, magnata da engenharia.

O silêncio dentro de casa era absoluto. Estava bem perto da hora de os empregados acordarem, mas faltava pelo menos duas horas para Charlie e Esme abandonarem seus lençóis de seda egípcia.

Subi as escadas e quando cheguei ao corredor que levava ao meu quarto, a porta do Cullen se abriu com um ruído da maçaneta.

Ah, merda. Meu coração disparou alucinado. Fiquei paralisada, hesitando sobre o que deveria fazer. Se eu corresse para o quarto, provavelmente seria surpreendida por Edward no meio do caminho como uma criminosa dentro da minha própria casa. Então, continuei o caminho para o quarto sem olhar para trás nem uma única vez, até que um “psiu” soou às minhas costas.

Devagar, me voltei na direção do som e meu queixo desabou. Não era Edward quem estava me chamando. Na porta do quarto de hóspedes, a loura vagabunda do Seven’n Seven fez um sinalzinho com o dedo para que eu me aproximasse. Tinha o rosto corado e afogueado. O vestido de piranha havia desaparecido, substituído por um lençol branco de seda que ela segurava contra o peito.

Eu não me movi. Apenas continuei encarando-a enquanto sentia um nó crescer na minha garganta.

_ Hey, irmãzinha _ ela sussurrou e a sua voz de cadela no cio me deu náuseas. _ Será que você pode arrumar umas... errr... camisinhas?

Alguma coisa dentro de mim se partiu. Tentei falar, mas nenhum som saiu da minha boca. Edward não tinha apenas dado trela àquela vadia no bar... tinha levado ela para dormir com ele. Dentro da minha casa. No quarto em frente ao meu.

Meu estômago revirou, de repente eu me sentia doente.

Tanya me olhou de cima a baixo com algum interesse. Havia tanto rímel nos seus cílios que eles quase encostavam nas sobrancelhas.

_ Vestido bonitinho. É Gabanna?

Continuei em silêncio, me prendendo o suficiente à imagem de Tanya nua em lençóis de seda para me arraigar à idéia de que Edward Cullen não prestava e não merecia minha atenção, interesse ou a menor compaixão. O que quer que existisse enterrado no seu passado poderia muito bem ficar por lá. Eu não queria saber.

Sem resposta, Tanya bufou, rolando os olhos teatralmente.

_ Você não é muito sociável, né? Deve ser por isso que o Edward te despreza _ lançado o último veneno, ela deu meia volta e desapareceu no interior do quarto.

Permaneci um tempo no corredor, imóvel, tentando entender o que havia acontecido. Quando finalmente desisti, fui para o meu próprio quarto com a sensação de estar quebrada por dentro.

A noite não havia sido nada parecida com o que eu esperara. As coisas entre Edward e eu não haviam se esclarecido e a pequena vitória que eu tivera sobre ele no bar, a qual parecera gloriosa naquele momento, agora não tinha sabor algum. Eu estava metida em uma guerra contra um homem que eu mal conhecia e contra o qual eu não tinha a menor vontade de guerrear.

Tomei um banho morno, sentindo a cabeça doer. Dessa vez, eu duvidava que tivesse a ver com o álcool. Levei Lara e o Tenente Ryan Fox para a cama na expectativa de pegar no sono, mas isto não aconteceu. Continuei acordada até os primeiros raios de sol brilharem, através da janela, em um céu azul e sem nuvens. Outro lindo dia.

Mas dentro do meu coração, estava cada vez mais escuro.

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POVEdward

Parei a moto em frente ao posto de gasolina e consultei o visor do relógio. Meio dia em ponto. Enquanto esperava, acendi um cigarro e me encostei contra a VFR 800X Crossrunner, uma lembrancinha dada pelo meu avô antes de me mudar para NY. “Uma pequena motivação”, como ele mesmo havia dito.

Pensar nele fazia o meu estômago doer.

Eu sabia que estava em dívida com o coronel Nathan Cullen. E qualquer dívida com ele, uma hora ou outra acabaria sendo cobrada. O coronel não era um homem de perdoar ou esquecer, mesmo que o sujeito em questão se tratasse do seu próprio neto.

Especialmente se tratando seu próprio neto, refleti com um senso de humor sombrio.

Pensar nele, conseqüentemente, fez com que eu me lembrasse de Carlisle. Eu precisava ligar para o meu pai e saber como andavam as coisas em Graycon Falls, meu lar no Estado de Maryland até três meses atrás. Eu sentia falta da minha cidade, da minha casa, do meu quarto e até da falsa sensação de segurança de ser filho de Carlisle Cullen e, principalmente, neto do coronel.

Mas voltar para casa não era uma opção. Não uma das boas. Apesar disso, estar em NY significava compartilhar o mesmo ar de Esme Cullen e dividir a casa com ela só havia tornado tudo ainda mais insuportável. Eu a odiava... um ódio tão grande que não cabia no peito. Mas ela ainda era minha mãe e olhar para ela, todos os dias, era amargo e doloroso. Fazê-la sofrer era doentio. Mas a maior parte de mim ainda queria vê-la sofrer... desesperadamente. Tanto quanto eu havia sofrido nos últimos quinze anos. A melhor forma de aliviar a minha dor era direcioná-la a ela e sua nova família.

Charlie Swan, aquele magnata imbecil e desprezível, incapaz de enxergar qualquer coisa além do próprio umbigo. Ele tinha tudo o que o dinheiro podia e não podia comprar: uma reputação, um palácio invejável, uma esposa dedicada e... Isabella. A mimada, convencida e presunçosa Isabella, com seus cabelos castanhos e respostinhas programadas na ponta da língua. Sua pele de cordeiro não me enganava, ela era tão asquerosa quanto o pai.

Fechei os olhos, enterrando os dedos nas palmas das mãos. Permaneci assim por algum tempo, até sentir a cabeça parar de latejar. Carlisle me aconselharia a partir para cima com tudo; o coronel diria que eu precisava pensar e manter o sangue frio.

Pela primeira vez, nem um nem o outro estavam ali para tomar as decisões por mim.

Notas finais
Boa noite, meninas, como estão? Espero que ótimas :) Estou bem feliz com a recepção que vocês deram à fic, e o capítulo maiorzinho com direito a POV Edward foi em agradecimento às duas recomendações da fic, a primeira feita pela Lanny e a mais recente pela Lady. Obrigada, garotas!! Quem quiser recomendar, a propósito, fique a vontade ;3 hahaha Então, o que acharam do capítulo? E dos personagens secundários? Me digam também sobre o POV do Edward... será que ele é o verdadeiro lobo dessa fic? Hmmmmm Próximo capítulo já está pronto e acho que vocês vão pirar um pouquinho hehe um breve spoiler: muitas me pediram um pouco mais de aproximação Beward, então talvez se surpreendam ;) mas quero ver muitos reviews antes ok? Obrigada por tudo, de coração, meninas! bgsbgs :*