Amaldiçoei o fato de não estar com a minha moto, quando o táxi ficou retido no trânsito de NY. Foram mais quarenta malditos minutos para chegar. O motorista havia tentado puxar um papo, mas depois de ver a expressão truculenta no meu rosto, desistiu e passou a acompanhar o jogo dos Knicks no rádio.

— Chegamos, senhor _ ele anunciou, assim que parou em frente a vila de Ruth. _ Tem certeza de que é este o endereço?

Eu não ouvi mais nada do que ele disse. Por um segundo, eu fiquei paralisado dentro do táxi, admirado com a fumaça que dançava no céu, subindo a partir de uma das casas na vila. Meu coração martelou dentro do peito como o prenúncio de uma coisa ruim. Então, finalmente, saí do estado contemplativo de merda em que eu me encontrava e atirei uma nota qualquer da carteira no banco da frente do carro, e, no segundo seguinte, já estava do lado de fora, sentindo o ar frio da cidade e o cheiro da fumaça me envolverem ao mesmo tempo.

Uma multidão tumultuava o portão da vila e o carro dos bombeiros se aproximava, com as sirenes ligadas e ensurdecedoras. Eu procurei Isabella com os olhos, enquanto empurrava um e outro na tentativa de me aproximar da entrada.

— Edward!

Eu olhei na direção do som abafado, o coração acelerado no peito. Era Jessica, uma das vizinhas. O bebê com as pernas enroladas em torno da sua cintura estreita, tinha o rosto colado ao peito da mãe, como se para se proteger da fumaça.

Ruth estava ao lado de Jessica, com olhos tristonhos e vazios. Eu odiei vê-la naquela situação.

— Ruth, eu sinto muito. Onde está, Bella? _ era muito difícil me concentrar em outra coisa naquele momento.

Ela meneou a cabeça em uma negativa.

— Ontem ela disse que iria à casa do pai. Depois disso, eu não a vi mais _ ela viu a expressão no meu rosto e engoliu em seco. _ Você acha que...? Edward!

Eu ignorei completamente os protestos de Ruth e invadi a vila, ao mesmo tempo em que os bombeiros procuravam isolar o local e iniciavam a operação.

— Senhor! Senhor! Não pode entrar aí!

Descobrir a origem do incêndio foi como ter uma faca cravada na traquéia. A casa em que Bella e eu morávamos. O fogo ainda não consumia a fachada, mas a fumaça escura saindo da única janela aberta, na sala, subia direto para o céu em garras espessas, tomando tudo para si.

Eu não pensei duas vezes. Forcei a porta com o pé, sabendo que, àquela altura, seria impossível tocar na maçaneta.

No segundo chute, a porta se abriu e a fumaça me engoliu, me asfixiando. Curvando o corpo para frente, comecei a tossir, os pulmões queimando.

Bella. Bella. Ela estaria ali dentro? Se estivesse, não havia nada o que se pudesse fazer. Maldição. Não, eu precisava acreditar. Não podia desistir e aceitar que tudo estava perdido. Eu precisava entrar lá e procurar por ela. Precisava salvá-la.

— Senhor, saia já daí! Isso é um serviço para o corpo de bombeiros de NY.

Eu me lancei para dentro da nuvem e segui para o interior da casa, ainda curvado, agora procurando me proteger do fogo. Mas ele ainda não havia chegado até a sala, o que me provocou uma onda de esperança. Eu precisava me apoiar na idéia de que Bella estava viva ou, para mim, tudo estaria perdido também. De uma coisa, eu tinha certeza irrevogável e absoluta: nunca mais haveria um mundo para mim sem ela. Se Bella tivesse morrido naquele incêndio, então, bom... eu morreria ali também.

Ouvi os bombeiros gritando do lado de fora, se preparando para entrar. O calor ali dentro era insuportável.

— Bella! Bella! _ gritar por ela era uma maldita necessidade, mas a fumaça abriu caminho pela minha garganta, tornando impossível respirar _ BELLA!

O primeiro indício de fogo vinha do quarto. Eu segui naquela direção, sabendo que poderia perder a consciência a qualquer momento. Havia inalado uma quantidade grande de fumaça e não era um completo idiota para desconhecer seus efeitos. Mesmo assim, precisava tentar.

Quando alcancei a porta do quarto, o desespero tomou conta de mim. O fogo se espalhava rapidamente, consumindo cortinas, tapete e a roupa de cama, que ardia em labaredas logo atrás de Bella, deitada no chão e inconsciente. Sua pele estava coberta de fuligem e o meu coração doeu com uma força esmagadora.

Eu me ajoelhei e, então, rastejei pelo chão até chegar a ela. A fumaça em cima era mais densa. Embaixo, o ar era mais limpo. O ímpeto de me deitar ao lado de Bella e descansar, apenas alguns minutos, era quase incontrolável. Antes que resistir se tornasse impossível, eu a peguei em meus braços e me coloquei de pé, voltando a engolir uma lufada de fumaça que me deixou tonto. Precisei me apoiar na parede, mas puxei o braço depressa quando senti o calor me atingir.

Eu me inclinei sobre Bella, protegendo o seu corpo com o meu. Se, em outras circunstâncias, carregá-la no colo seria algo simples, naquele momento, ela parecia ter triplicado o seu peso. Eu estava fraco e precisei andar devagar para me manter de pé.

Quando cheguei à sala, dois bombeiros me olharam admirados. O fogo já havia se alastrado ali também e eles trabalhavam depressa, mas com prudência, tentando eliminar as chamas.

Eu queria dizer a eles que o quarto era o pior lugar, que eles deveriam ter cuidado, mas as palavras ficaram presas na minha garganta quando olhei para o rosto de Bella, pálido como a morte, os lábios brancos e sem vida. Tentei apertá-la nos braços, mas eles estavam vacilantes.

Dei mais um passo adiante e os bombeiros me alcançaram. Um deles tomou Isabella dos meus braços e o outro colocou o meu próprio braço ao redor dos seus ombros.

— Vamos sair, Senhor. Vai ficar tudo bem.

Mas eu tinha a impressão de que nada, daquele momento em diante, ficaria bem outra vez.

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Eu passei aquela noite internado no hospital, sem ter notícias de Bella. O médico de plantão fez alguns exames iniciais e solicitou uma série de outros, mais apurados. Basicamente, eu estava bem, mas precisava de repouso. Eu tinha uma maldita máscara de oxigênio presa ao rosto que me impedia de falar e estava ficando irritado.

— Esse aí invadiu uma propriedade em chamas para resgatar a namorada, a garota do 407. Não tirem os olhos dele nem para ir ao banheiro _ o médico disse às enfermeiras, antes de sair.

Merda. Agora isso. Eu me sentia acabado, então podia imaginar como Bella estaria depois de ter respirado aquela fumaça por tanto tempo. Além disso, psicologicamente, ela deveria estar destruída. Antes de sair da casa, eu ouvi os bombeiros falarem em incêndio criminoso, por isso, eu tinha uma certeza. Se Bella estava arrasada naquele momento, outra pessoa teria a cabeça muito fodida mais tarde.

Uma das enfermeiras virou-se de costas para pegar a bandeja de água e comprimidos. A outra se manteve impassível, sem tirar os olhos de mim como orientou o médico.

Eu me curvei para cima na cama, urrando de dor, a boca aberta em forma de círculo. Os músculos do corpo inteiro tensionaram e eu revirei os olhos nas órbitas.

— Doutor, doutor! _ a enfermeira ao meu lado gritou, por puro desespero, pois o médico já estava longe.

Ela correu e passou pela porta como um raio, chamando pela equipe médica. A outra arregalou os olhos, em estado de pânico. Meu corpo foi sacudido por uma série de espasmos e eu caí no chão, me contorcendo.

Ela hesitou entre se aproximar e correr para procurar ajuda. A segunda opção foi vencedora e a enfermeira saiu em disparada, pegando o sentido contrário ao que a primeira tinha tomado no corredor.

Assim que eu me vi sozinho, os tremores pararam imediatamente, assim como o resto da encenação ridícula. Eu respirei fundo, me sentindo exausto. Talvez os médicos tivessem razão. Talvez eu precisasse mesmo de repouso. Mas não agora.

Eu me levantei depressa e atravessei a porta tranquilamente, indo em direção ao quarto 407.

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Deitada sobre a cama, Bella estava tão linda quanto na noite em que eu a conheci. Eu me aproximei, devagar, sentindo o meu amor por ela me envolver profunda e incondicionalmente. Eu estava apaixonado. Não do tipo de paixão adolescente que se esquece em cinco segundos, mas do tipo verdadeiro, sem limites, onde uma eternidade não é suficiente.

Quando eu a vi pela primeira vez, ainda não fazia idéia de que ela era a filha do meu inimigo. Ela estava absurdamente linda, perfeita, se mexendo na pista de um jeito excitante. Ela tocava os ombros e massageava a nuca, parecia precisar de libertação imediata. Por isso, e porque não podia mais me conter, eu me aproximei e rocei os lábios na sua orelha, sentindo-a estremecer.

Sussurrei a música que ela dançava em seu ouvido, segurei em sua cintura, movi seus quadris contra os meus. Eu a toquei e acariciei. E quando a música cessou, uma onda de vergonha e humilhação tomou conta de mim. Eu tinha me deixado dominar por uma emoção que ia além da excitação, ia além de tudo o que eu já havia conhecido. Envergonhado e confuso, eu fugi sem que ela pudesse ver o meu rosto.

Agora, eu estava diante dela outra vez. E de novo, ela não podia ver o meu rosto. Olhei para a máscara de oxigênio no rosto dela e os aparelhos ao redor.

Eu me sentei ao seu lado e segurei a sua mão. Sua pulsação era forte e ritmada. Eu sorri, o alívio me invadindo na forma de uma alegria inexplicável.

— Você vai ficar bem, Isabella Swan _ eu prometi, beijando o dorso da sua mão macia. _ Vai ficar bem para poder trocar de sobrenome e jurar me amar pelo resto da vida.

Notas finais
Bom dia, meninas! Tudo bem? Estou um pouco apressada hoje por conta de alguns problemas pessoais - estou aqui junto com a equipe do trabalho, aguardando a nossa demissão :( vou dividir isso com vocês porque acho que não tem nada demais e eu divido tudo porque sou assim mesmo... foi assim com o noivado, a gravidez e o nascimento da minha filha... nossa, essa fic tá sendo escrita há tanto tempo assim? Haha Bem, é um momento chato pra mim, mas escrever me ajuda a aliviar. Por isso, é com prazer que entrego mais esse capítulo. Como sempre escrevia e postava aqui do trabalho, vou precisar encontrar um tempinho pra fazer isso de casa com a bebê esticando os bracinhos pra mim o tempo todo ♥ mas vou dar conta, não se preocupem! É reta final e não vou desapontar vocês. Beijos e até o próximo!!