POV Bella

Eu senti que acordava de um sono muito, muito longo.

Tentei piscar, mas senti as pálpebras pesadas como nunca havia sentido antes. Então, fiz a única coisa que consegui.
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POV Edward

Eu acordei com o bater da asa de uma borboleta dentro da minha mão.

Abri os olhos. Eu havia ferrado no sono na poltrona do quarto de Isabella no hospital, ao lado da sua cama. Eu olhei para o seu rosto, que permanecia lindo e tranquilo. Serena era a palavra adequada. Ela ainda estava adormecida.

Mas, então, a borboleta se moveu de novo e eu descobri que ainda segurava a mão de Bella entre a minha.

— Amor?

Ela piscou algumas vezes, embora o movimento não passasse de um leve bater de cílios, tão suave que eu não cheguei sequer a ver os seus olhos. Até que, de repente, eles estavam lá. Primeiro tentando entrar em foco e, depois, me lançando para dentro de um universo feito de chocolate cremoso e infinitas possibilidades.

Eu me inclinei para a frente e, ansioso, apertei um pouco demais a sua mão. Depois, a soltei, achando que poderia tê-la machucado.

Bella respondeu com um sorriso capaz de fazer girar a lua.

— Amor _ ela repetiu, com a voz sonolenta._ Eu gostei de ouvir isso.

— E eu gostei de dizer _ era verdade.

A enfermeira entrou no quarto, empurrando um carrinho com uma bandeja sobre ele, e nossos olhares foram direto para ela. Eu não me preocupava em enfrentar algum tipo de consequência pelo teatro da noite anterior, porque tinha dormido tão perto de Bella quanto possível e aquela recompensa era suficiente.

— Srta Swan, o café da manhã. Seus remédios estão ao lado dos biscoitos.

— E para que são? _ Bella perguntou, desconfiada.

— Para dor.

Eu a ajudei a se sentar e a enfermeira acomodou a bandeja em um suporte especial sobre a cama.

Bella tomou os remédios sem mais perguntas.

Eu acariciei seus cabelos até que ela terminasse de mastigar o último pedaço de biscoito, e continuaria fazendo aquilo se o médico não tivesse chegado com a alta de Bella e a minha.

— Eu até diria "vamos para casa", mas parece que somos temporariamente sem-tetos _ eu tentei não soar sarcástico para não perturbá-la, mas foi impossível. Aquele golpe do Coronel ainda estava atravessado na minha garganta.

Bella mordeu o lábio inferior como fazia sempre que hesitava sobre alguma coisa.

— Sobre isso...

Duas enfermeiras retornaram ao quarto, interrompendo o que quer que ela estivesse prestes a dizer. Elas fizeram o seu trabalho, desmontando o soro e retirando o cateter ligado à veia de Bella.

Eu assisti tudo, pacientemente. Em seguida, elas a levaram ao banheiro para que pudessem ajudá-la a se vestir.

Quando foram embora, eu achei que Bella fosse retomar sua frase inacabada, mas ela não o fez. Em vez disso, eu ofereci meu braço para que ela pudesse se apoiar e nós deixamos o hospital após passarmos pela recepção para assinar papéis e prestar contas.

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Bella deu ao taxista o endereço de Alice, me poupando a vergonha de admitir que não tinha um lugar para abrigar a nós dois. Nos poucos minutos que levou para chegarmos a frente do edifício, eu fiz alguns planos. Primeiro, deixaria Isabella em segurança dentro do apartamento. Depois, procuraria um quarto de hotel tão barato que o salário do Seven pudesse cobrir.

Em seguida, iria até Charlie Swan, meu velho inimigo. E pediria a ele, imploraria se preciso, que aceitasse a sua filha de volta, pelo bem dela.

Mas, quando chegamos, Alice já estava afoita por notícias na calçada. Assim que descemos do táxi, ela cobriu Bella de abraços, beijos e perguntas.

Eu tentei dizer que Isabella ainda estava se recuperando e precisava de um tempo, mas Bella fez um gesto para que eu parasse de poupá-la, envolveu Alice pelo pescoço em um abraço afetivo e as duas choraram em silêncio por alguns segundos.

— Venha, vamos subir. Gwen fez chocolate quente para todos _ Alice anunciou, secando as lágrimas com as costas das mãos. _ E ela nunca faz chocolate quente pra ninguém, então é melhor irmos mesmo.

Eu fiquei paralisado, sabendo que devia ir embora logo. Aquele seria um longo dia.

— Venha logo, badboy. Eu não vou chamar um montão de vezes _ a baixinha disse, com cara de brava. _ Temos chocolate quente pra você também. Na verdade, temos chocolate para NY inteira. Se você não entrar, vamos acabar distribuindo senhas no final do dia.

Bella riu e recebeu um beijo estalado de Alice na bocheha como recompensa. Era o seu primeiro riso de alegria genuíno desde que havia acordado naquela manhã.

Eu nunca adorei tanto Alice quanto naquele momento.

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POV Bella

— Vocês sabem que podem ficar por aqui. Sabe, pra passar a noite. Ou uns dias.

— Ou meses _ acrescentou Gwen à oferta da irmã, com um revirar de olhos. Depois, sorriu, evidenciando que o seu sarcasmo era só brincadeira. _ Vamos receber vocês com todo prazer. Desde que lavem a própria roupa e cozinhem sua comida, claro.

Ela estava usando sombra roxa nos olhos e um batom preto, que a deixavam com um ar gótico e rebelde. Visualmente, Gwen era o oposto da irmã caçula, mas as duas eram, na verdade, dois elos extremos de uma corrente unida e forte, esculpida em aço. Elas vinham se apoiando e equilibrando em corda bamba há tanto tempo quanto poderiam se lembrar.

— Bella, aceite o convite_ Edward pediu, com a voz grave, o que me fez olhar para ele imediatamente.

— E você?

Ele sorriu daquele jeito triste que fazia o meu coração se apertar.

— Não vamos ficar separados por muito tempo. Eu vou providenciar um jeito de sustentar nós dois.

Alice arregalou um par de olhos brilhantes e deu um meio sorriso para a irmã. Eu achei que ela permaneceria calada, mas, logicamente, aquilo era exatamente uma coisa que Alice não faria.

— Admiramos a sua dignidade, badboy. Mas estamos com um quarto extra e, pelos próximos dias, nenhum dos dois vai a lugar nenhum.

Eu sabia que o quarto extra do qual ela estava falando era o único do apartamento e pelo olhar carinhoso da minha melhor amiga, também sabia que ela já havia planejado dormir na sala, junto a irmã, por tanto tempo quanto necessário.

Mordi o lábio e sorri para Alice com vontade de chorar de novo. O atentado de Jacob havia me deixado mais emotiva do que o normal.

O atentado.

Eu precisava conversar com Edward a respeito daquilo. Mas como dizer a ele que sua própria mãe havia contratado seu velho amigo para assassinar sua namorada?

Edward tinha razão. Sua vida era como um romance sombrio. Nos arrebatava com sua aparência soturna e instigante, mas, ao cair da noite, se tornava impossível apagar as luzes.

— Eu agradeço o convite, mas fico feliz se puderem manter Bella abrigada, por enquanto_ Edward tomou minha mão, dando um beijo singelo em meus dedos. Ele se dirigia a Alice e Gwen enquanto falava, mas seus olhos não saíam de dentro dos meus. _ Será por pouco tempo.

Eu olhei para Alice em busca de ajuda, mas sua expressão revelava aquilo que eu já sabia. Ela havia tentado. E ele não cederia. Eu conhecia Edward o suficiente para entender isto.

— Para onde você vai agora? _ eu perguntei, abraçando-o pela cintura e apoiando minha cabeça em seu peito.

— Eu não sei ainda, mas eu vou descobrir.

— Edward... você tem onde ficar. Bem aqui. Comigo.

Ele acariciou meus cabelos e beijou o topo da minha cabeça.

Eu fechei os olhos, curtindo a sensação maravilhosa de tê-lo comigo. Eu não queria que ele se fosse. Não agora, nem nunca. Quando estava longe dele, tinha a impressão de que minha vida se fragmentava e nenhuma das partes parecia boa o bastante.

— Eu tenho um assunto a resolver, Bella.

— Que assunto?

Ele ponderou por um momento, antes de responder.

— Preciso deixar bem claro para uma pessoa que ela não deve mais se meter com a mulher que eu amo.

Eu me afastei de Edward para encará-lo.
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— Esme?

A expressão em seu rosto se modificou, assumindo um ar taciturno.

— Por que eu iria atrás de Esme? Ela tem alguma coisa a ver com isso?

Eu respirei fundo e segurei suas mãos entre as minhas. Se iria mesmo fazer aquilo, precisava ser rápido, antes que ele tomasse uma atitude precipitada. Edward estava a beira de cometer algum tipo de erro irreversível. Seus olhos tinham adquirido um brilho cínico e obsessivo. Eu odiava vê-lo daquele jeito, era como se o velho Edward estivesse de volta. O Edward vingativo, aquele que não havia conhecido o amor.

Eu olhei ao redor e vi que, em algum momento, Alice e Gwen haviam se retirado para nos deixar a sós. Era melhor assim.

— Acho que você pode se surpreender com o que eu tenho a falar. Mas, primeiro, eu preciso que me prometa que não vai se colocar em perigo _ eu pedi.

— Eu prometo que vou manter você a salvo. Custe o que custar _ ele respondeu, honestamente.

Eu entendi que ele não dava a mínima para como as coisas acabariam, desde que eu estivesse em segurança no final das contas. Seria poético, romântico e lindo, se o meu coração não estivesse sangrando por dentro com medo de perdê-lo.

Mas eu não tinha alternativa. Precisava contar a ele e minimizar as consequências o máximo possível.

Então, respirei fundo, tentando aplacar a tensão que mantinha os meus ombros suspensos como uma marionete.

— Foi Jacob quem causou aquele incêndio.

Ele rangeu os dentes, torcendo as mãos em punhos ao lado do corpo.

— Eu já imaginava.

Eu assenti, sentindo a dor atravessar meu corpo como um punhal bem afiado. Estendi a mão e acariciei o seu rosto enquanto dizia as próximas palavras.

— Mas ele não estava a mando do Coronel, Edward. Dessa vez, estava cumprindo as ordens de Esme.

Notas finais
Olá, meninas! Como têm passado? Peço desculpas pela demora em postar mas a vida está daquele jeito, bem de pernas para o ar hehe dessa forma, espero que gostem do post, pois demorei uma vida pra conseguir escrever tudo com a bagunça constante aqui em casa. Beijo grande e muitas saudades de vocês e de TBH, queridas! Obs: um muito obrigada a Sara Arcanjo pelo reconhecimento e recomendação da fic! Fiquei muito feliz por saber que você curtiu a históriae a "devorou" de uma vez só. É muito fôlego, garota haha seja muito bem vinda!