Two Broken Hearts

82 Investigação Policial


Quando eu cheguei ao hospital, o Dr Hall já me aguardava. Ele parecia exausto, como se o último plantão tivesse sido o mais longo da sua vida.

— Eu sinto muito, srta Swan _ ele disse, caminhando na minha direção. _ Nós tentamos tudo, eu lamento. A saúde debilitada do seu pai tornou impossível que qualquer medida tivesse sucesso _ ele fez uma pausa, antes de voltar a falar, olhando dentro dos meus olhos com firmeza. _ A equipe acha imprudente que a família continue mantendo esperanças.

Eu fechei os olhos com força, sentindo o ar sumir dos meus pulmões. Ouvir aquelas palavras era ainda mais doloroso do que eu imaginava. Se algum dia eu achei que estava preparada para deixar Charlie partir, eu estava muito enganada.

— Eu lamento _ ele tornou a dizer. _ Sei que a dor da família, nesse momento, deve ser respeitada. Porém, o resultado do exame de sangue no Sr Swan nos deixou confusos.

Edward e eu nos entreolhamos rapidamente.

— Encontramos resíduos de uma determinada substância no seu organismo _ Dr Hall esclareceu. _ Me diga, Srta Swn, seu pai fez algum tratamento utilizando substâncias botulínicas?

— Botox? _ eu olhei para Edward, que franziu o cenho, sem compreender _ Não. Quer dizer, eu duvido muito. Meu pai não tinha esse tipo de preocupação. Ele não era chegado a tratamentos estéticos.

O Dr Hall assentiu.

— Talvez ele tenha feito algo do tipo sem a senhorita saber. Muita gente não gosta de se ver exposto em relação a isso.

— Não o meu pai _ eu garanti. _ Ele não teria problemas em admitir qualquer tipo de tratamento. É só que correções estéticas não são... não eram a sua cara.

— Certo.

O Dr Hall me pediu licença, dizendo que voltaria em alguns minutos com os papéis autorizando o desligamento dos aparelhos.

— Podemos ir embora _ Edward disse, me abraçando pelos ombros enquanto eu tentava não desmoronar. _ Esme teria prazer em fazer isso por você.

— Talvez ela já tenha feito _ eu sugeri, olhando para ele.

— Como assim? _ Edward baixou a voz para um sussurro _ Você acha mesmo que ela...?

— Substância botulínica _ eu assinalei bem as palavras. _ Eu não conheço muitas pessoas com acesso a este tipo de coisa.

Edward meneou a cabeça, exalando um suspiro derrotado.

— Esme é médica, faz todo o sentido.

— Ela poderia conseguir isso com qualquer amigo da área de tratamento estético _ eu racionalizei, sentindo um gosto amargo na boca. _ Eu quero essa mulher morta, Edward _ eu grunhi, furiosa. _ Ela assassinou o meu pai e me entregou a tarefa de desligar os aparelhos. Não vai ser suficiente que ela vá para a cadeia, você entende?

Edward não disse mais nada. Apenas me enlaçou pelos ombros e me puxou para que eu chorasse com o rosto enterrado em seu peito.

Três dias após o enterro de Charlie, Gwen foi até o quarto me chamar.

Eu estava arrumando algumas roupas nas duas gavetas da cômoda que ela e Alice haviam cedido para Edward e eu. Nós havíamos aceitado ficar ali por uns tempos. Nenhum dos dois tinha estômago para suportar olhar para Esme diariamente nos corredores da mansão.

— Bella, tem um policial na sala querendo falar com você.

Aquilo não era exatamente uma surpresa. Edward me alertou sobre o procedimento da polícia. Assim que eles soubessem sobre o envenenamento de Charlie iriam querer interrogar a família.

Eu fui até a sala e cumprimentei o policial, um sujeito negro e alto, bastante simpático, de fala macia e olhar astuto. Detetive Burns.

— Srta Swan, eu lamento realmente sua perda, mas precisamos conversar.

— Certo _ eu assenti, convidando-o a se sentar. _ O senhor quer um café ou uma água?

— Não, obrigado _ ele dispensou. _ A senhorita se incomoda se eu fizer algumas perguntas? Não quero parecer inconveniente. Sei que o sei pai foi sepultado há poucos dias, mas é de extrema importância.

— Tudo bem_ eu concordei, me sentando ereta na cadeira a sua frente. _ Eu só quero que a morte do meu pai seja solucionada, detetive.

— É bom ouvir isso _ ele agradeceu, olhando dentro dos meus olhos. _ Srta Swan, a senhora sabe que tipo de susbtância foi encontrada no sangue do seu pai após o infarto?

Eu assenti, cruzando as mãos sobre o colo. Pensar no infarto de Charlie e na sua natureza ainda me davam calafrios. Nas últimas noites, eu havia tido sonhos repetidos, soturnos e bem definidos, com aquilo. Na sua maioria, eu podia ver meu pai sofrendo e se retorcendo enquanto Esme assistia com uma taça de vinho cabernet nas mãos.

— Toxina botulínica _ eu respondi. _ O Dr Hall, que cuidou do meu pai no hospital, me avisou quando eu voltei para... desligar os...

— Eu entendo _ ele interrompeu, me poupando de concluir a sentença. _ E você entende do que isso se trata?

— A toxina botulínica é obtida a partir de uma bactéria. Ela é facilmente encontrada em tratamentos estéticos também, entre outros.

— Outros?

— Tratamentos musculares, estrabismo. Ela pode ser usada de diversas formas _ eu expliquei, vendo a surpresa em seu rosto. _ Eu fui estudante de Medicina, detetive.

— Ah, certo _ ele abriu um largo sorriso, assentindo. _ Está explicado. Você tem um conhecimento impressionante do assunto.

Um momento de silêncio pairou na sala e eu desejei que Gwen entrasse, oferecendo um chá ou uma caneca com chocolate quente, mas isso não aconteceu.

— Me diga, srta Swan...

— Isabella _ eu o corrigi, me sentindo estranhamento inquieta. De repente, minhas mãos pareciam desajeitadas demais sobre o colo e eu comeceia mexê-las sem saber onde colocá-las.

— Certo, Isabella. Me diga, Isabella, por que deixou a faculdade?

Eu olhei para o policial sem compreender aonde ele queria chegar. O ar na sala parecia ter ficado subitamente frio, embora a expressão do detetive Burns ainda fosse suave e sua voz muito educada.

— Eu saí de casa e não tive como pagar meus estudos.

— Da casa em que vivia com seu pai e madrasta _ não foi uma pergunta.

— Correto.

O detetive anuiu com a cabeça, me olhando significativamente.

— Vocês tiveram algum tipo de briga? Uma discussão?

— Algo assim _ fui evasiva. _ Nós discordamos em um ponto e eu resolvi, para o bem de todos, deixar aquela casa.

— E veio morar aqui, com suas amigas.

Eu refleti por um segundo e mentir não me pareceu a forma mais aconselhável de prosseguir a conversa. Se o detetive Burns estava enveredando por aquele caminho, provavelmente já conhecia todas as respostas.

— Com o meu namorado. Na casa dele.

Ele assentiu, conforme eu previa.

— Edward Cullen, certo? É o nome dele?

— Sim.

— O filho da sua madrasta?

Eu fiquei em silêncio.

O detetive continuou me olhando como se estudasse um criminoso em potencial. De repente o seu olhar já não parecia tão tenro, nem a sua voz tão gentil.

— Nós estivemos na casa da sua madrasta, mais cedo. Esme. Ela nos falou um pouco sobre você e sobre o seu namorado.

— E o que ela disse? _ a menção do nome de Esme me fez estremecer.

— Disse que você sempre foi uma menina estudiosa e inteligente, a filha de quem ela e o Sr Swan se orgulhavam.

— E sobre o Edward? _ perguntei, temendo a resposta.

O detetive Burns respirou fundo, coçando a nuca.

— A relação dela com o filho é uma incógnita. Ela parece completamente distante dele, como se não passassem de conhecidos.

— A palavra certa é ódio — eu salientei. _ Esme odeia o próprio filho.

O policial me observou com curiosidade.

— E Edward Cullen? Ele também odeia a própria mãe?

Eu abri a boca para responder, mas preferi ficar calada. Não queria implicar Edward naquele caso. Com certeza, Esme havia feito a caveira do próprio filho para a polícia. Que conveniente.

— Eu não sei se o senhor sabe, Sr Burns, mas minha madrasta é médica. O conhecimento sobre toxina botulínica que o senhor notou em mim é muito menor do que o que ela mesma tem.

Ele inclinou-se para frente na cadeira.

— Isso é uma acusação, Isabella?

Eu engoli em seco.

— Bom, o senhor pode ter certeza que ela tem acesso a este tipo de medicamento o tempo todo.

Ele se esticou na cadeira. Era muito mais alto do que havia parecido. E muito mais ameaçador quando cravou os olhos duramente sobre mim.

— Você tem razão. A sua madrasta tinha acesso irrestrito a toxina botulínica. Nós perguntamos e ela foi muito solícita em nos auxiliar na investigação _ ele continuou. _ Especialmente quando nos mostrou o boletim de ocorrência.

— Boletim de ocorrência? _ eu hesitei.

O policial deu de ombros antes de responder.

— A Sra Swan registrou um na noite anterior ao ataque cardíaco do marido. Parece que a substância foi roubada do centro de pneumologia onde ela trabalha.

— Roubada?

— Isso mesmo _ ele confirmou. _ E a cópia da chave que ela mantinha em casa também desapareceu.

Notas finais
Olá, eu de novo! Prometi que postaria conforme escrevesse e aqui está mais um capítulo. Ainda vou tentar escrever mais um hoje, já que no fim de semana eu fico fora e não tenho como postar :( Devido a longa conversa do detetive com Isabella (fazer o que? Sou culpada de ser prolixa), os capítulos estão se desenrolando para o desfecho, mas não vou garantir se o próximo seré o último ou penúltimo ou sei la mais o que. Não quero um final rápido e cru. Quero realidade, por isso não vou jogar um desfecho no ar e bater palminhas dizendo que concluí a fic. Espero que compreendam e, melhor ainda, que aprovem. Tenho certeza que as leitoras mais fiéis vão adorar. Beijinhos e ate o próximo! P.S.: não me matem por Bella e Edward estarem na reta da investigação de homicídio. Lembrem-se de que Esme também está sendo interrogada e qualquer tropeço é motivo de queda.