Notas iniciais
Desculpem a demora.. notebook ruim, escrevendo no trabalho esses dias e postando por lá ou pelo net do namorado. Também estava esperando pelo jeito certo para escrever esse capítulo. Espero que tenha ficado bom, porque me agradou rs boa leitura!

Deslizei a mão por baixo do travesseiro, encontrando o aparelho que tocava escandalosamente sob a minha cabeça. As janelas estavam fechadas e também as cortinas, então eu nem imaginava que horas poderiam ser. Minha cabeça não doía — graças a Deus por isso! — e eu não tinha nenhum outro sintoma de ressaca, porque, na noite anterior, tinha estado mais concentrada em permanecer viva do que virar margaritas. Além disso, havia Edward, me tirando o foco a casa segundo no Seven'n Seven, seus olhos verdes roubando completamente o meu juízo.

Quando, enfim, ajustei os olhos para a claridade do aparelho, o nome no visor me fez afundar de novo entre os lençois, tamanho o desgosto. Big Emm. Quem tinha dado o meu telefone para aquele Shrek cheio de testosterona?! Muito provavelmente, Alice, o que só me fazia querer torturá-la lentamente com as próprias mãos. Enquanto eu pensava em formas macabras de fazer Alice pagar com sangue e muita, muita dor, o celular parou e voltou a tocar umas três vezes. Inferno! Agora, aquele ser das cavernas não ia desgrudar nunca mais do meu pé.

Me levantei da cama a contragosto. Meu corpo todo estava mole e preguiçoso e eu considerei voltar a academia pela primeira vez desde que eu a havia largado, um ano antes. Na verdade, nunca fui muito de levantar peso, nem praticar qualquer exercício, com exceção para levantamento de livros e cadernos, mas não queria entrar numa situação crítica de flacidez mórbida. Não quando havia Edward Cullen dormindo bem no fim do meu corredor. Longe de mim ser superficial — vaidosa era uma coisa que eu realmente não era -, mas cada vez que pensava em Edward, eu sentia uma química estranha dentro de mim. Nó na garganta, frio na barriga, borboletas no estômago...! De repente, eu tinha me tornando mais consciente do meu corpo, sempre se manifestando na presença daquele demônio de sorriso torto.

Demônio. A palavra me provocou um arrepio. Quem sabe, ele não merecesse, de fato, ser chamado assim...

Entrei no chuveiro com a sensação de ser uma idiota, porque eu quase tinha esquecido o motivo de ter topado entrar naquela farsa com o Cullen. Independente do que estava sentindo por ele — fosse lá o que fosse -, eu ainda precisava desenterrar o seu passado e salvar a relação de Charlie e Esme. E sabia que, mesmo que as coisas entre Edward e eu estivessem melhores, ele não me diria nada de boa vontade. Eu teria que arrancar dele. Ou descobrir sozinha.

Vesti short e camiseta e saí para o corredor me sentindo renovada.

A porta do quarto de Edward estava entreaberta como um convite silencioso.

Senti um frissom se espalhar pelo meu corpo. Por que, diabos, ele deixaria a porta daquele jeito? Aquilo não fazia o menor sentido para alguém tão misterioso, tão cheio de segredos. Alguém que, visivelmente, não gostava de ver sua privacidade invadida. Avancei alguns passos até alcançar a entrada e, antes mesmo de empurrar a porta, ouvi o som da água caindo do chuveiro. Pensar em Edward Cullen tomando banho me deu vontade de tomar outro banho. Por mais de um motivo.

Dentro do quarto, eu sabia que precisava ser rápida. Investiguei primeiro os bolsos da calça jeans pendurada na poltrona de canto e, quando não achei nada, dei uma olhada nas gavetas do criado-mudo. Eu estava ficando muito boa naquilo. Ágil e eficiente. Começava a me sentir como uma CSI no cumprimento do dever. A cama bagunçada me surpreendeu. Nã era como se ele tivesse acabado de acordar, mas como se houvesse revirado tudo a procura de alguma coisa. Livros, algumas peças de roupa e até artigos de higiente, como shampoo, pasta e escova de dentes. O Cullen provavelmente tinha vasculhado armários e gavetas antes de mim.

A calça preta do uniforme do Seven estava embolada aos pé da cama. Me abaixei para uma vasculhada rápida nela, assim como tinha feito antes no jeans, embora já esivesse começando a perder as esperanças. Um décimo de segundo depois, Edward saía do banheiro, sem nem mesmo desligar o chuveiro. Fiquei abaixada ao lado da cama, o coração aos pulos e os ouvidos muito atentos a qualquer barulho no quarto. Se ele tivesse vindo pegar a calça preta, puta que pariu. Por outro lado, era sábado a tarde, ainda não estava na hora de ele ir para o tabalho.

Prendi a respiração enquanto assistia seus pés descalços e molhados se movimentando do outro lado da cama. Separados por uma king size. Quem diria? Mordi o lábio, esperando ser descoberta. Pensei em me enfiar por baixo da cama, mas o espaço da box era estreito e tornava a tentativa inviável. Quando vi os pés de Edward se afastando novamente na direção do banheiro, soltei o ar dos meus pulmões e me levantei depressa. Dei uma olhada rápida na cama. Ele tinha levado o shampoo. Abafei um riso nervoso, me dando conta de que ainda estava com a calça preta nas mãos. Pensei em deixá-la onde tinha encontrado e sair voando dali porque, convenhamos, seria a coisa mais ajuizada a fazer. Mas, de repente, somente parcialmente consciente dos meus atos, estava enfiando a mão, bolso por bolso, entre uma espiada ou outra na direção do banheiro.

Um clique metálico estalou dentro da minha cabeça, quando meus dedos descobriram um papel dobrado enfiado bem fudo no bolso da frente. Poderia ser qualquer coisa, até mesmo o numero de telefone de uma das suas fãs, mas meu instinto dizia que não era. Desdobrei o papel e minha garganta travou enquanto eu lia o que estava escrito.

Indo contra todas as expectativas, consegui deixar o quarto sem ser pega no flagra.

O pau estava quebrando no andar de baixo. A voz de Charie era irritada, enquanto a de Esme dava sinais de desespero. Fiquei chocada, aquele comportamento neles era bem atípico. Me sentei no topo da escada, exatamente como costumava fazer quando era criança e queria ouvir a conversa dos adultos.

_ Se ele for, eu vou com ele! É isso mesmo o que você quer?

Meu pai ficou em silêncio por um momento, talvez tentando prever se Esme falava mesmo a verdade.

_ É uma decisão sua _ ele disse, por fim, duro como uma rocha.

Eu me segurei no corrimão, pendendo o corpo para frente sem me atrever a perder nada da discussão. Consegui ter um lampejo da cabeça loura e dos ombros de Esme, inclinados para baixo em posição de subserviência. Caramba, o que havia acontecido com ela? Minha madrasta nunca tinha sido tão frágil, submissa e impotente em relação ao meu pai, nem a ninguém! Me lembrei de como ela costumava ser forte quando eu era pequena e como isso rompera as barreiras que Charlie criara ao redor de si mesmo. Tinha sido o calor e a determinação de Esme invadindo o caos em que Charlie mergulhara após a morte da minha mãe. Ela havia sido como um sol. O nosso sol.

_ Charlie, seja razoável...

_ Eu estou sendo razoável _ ele a interrompeu, ríspido. _ Tenho sido razoável desde que esse garoto colocou os pés na minha casa. O seu... filho bastardo.

_ Ele não é um bastardo! _ Esme deu um grito sufocado, que me deixou paralisada _ É o meu único filho. O meu sangue. Edward pode ter muitos defeitos, mas todos eles são culpa minha. Por que eu... eu não estava lá. Eu não estava... você não sabe como foi _ sua voz estava embargada e ela cobriu o rosto com as mãos.

Eu ouvi passos e Charlie entrou no meu campo de visão. Ele estava bem próximo dela agora. Sua expressão era austera, mas se desfez um pouco quando ele tocou uma mecha do seu cabelo com a ponta dos dedos.

_ Me conte como era, Esme.

Ela suspirou, arriando os ombros. Então se afastou.

_ Eu não posso.

Eu quase podia ouvir Charlie rosnando.

_ Porra, Esme!

_ Por favor, Charlie. Não me faça escolher... _ ela suplicou e a sua aparência era a de alguém dez anos mais velha.

Eu podia sentir minha antiga raiva por Edward Cullen voltando. O filho da puta. Como ele podia conviver tão bem com o sofrimento da mãe?

Passavam das duas da tarde e ele ainda estava dentro do quarto, nenhum barulho de água caindo agora. Eu me sentia subitamente cansada. E frustrada. Com tudo e com todos. Esme com sua lerdeza e seus segredos, Charlie com sua prepotência mesquinha e Edward com sua arrogância. Me levantei em um salto e desci as escadas correndo, fazendo tanto barulho quanto possível.

A primeira coisa que vi, quando cheguei lá embaixo, foram dois pares de olhos me fitando. Charlie parecia zangado de verdade e, embora eu soubesse que não era comigo, quase me encolhi. Quase.

_ Bella _ minha madrasta murmurou, a aparência exausta. _ Seu pai e eu estamos só...

_ Armando o maior barraco, eu ouvi lá de cima! Eu e todos os empregados, aliás _ explodi, abrindo os braços _ Caramba, vocês não podiam ser m pouquinho mais discretos?! Fico admirada por você, hein, papai... _ acrescentei, em tom de desprezo.

Ele se empertigou. Vestia terno, gravata e sapato social e eu pude ver que estava indo para o escritório.

_ O que tem eu, Isabella?

_ Sempre tão elegante e cheio de classe... _ respondi, cruzando os braços. _ Gritando como se estivesse vendendo laranjas na feira. Que coisa mais ridícula!

Esme virou o corpo totalmente na minha direção agora, os olhos arregalados. Eu podia entender. Nunca havia falado com meu pai naquele tom antes. Mas agora que estava finalmente colocando para fora, sentia o meu corpo ser iberado de uma carga pesada, uma energia ruim, que tinha me esmagado por anos sem que eu me desse conta da sua existência. Raiva, frustração, mágoa... tudo fluindo pela minha boca. E estava apenas começando.

_ Eu não lhe devo satisfações, menina. Estou dentro da minha casa.

_ Nossa casa _ corrigi. _ Ou não?

Esme tentou se aproximar, mas eu recuei. Meu corpo ainda estava tremendo de raiva e tudo o que eu não queria, naquele momento, era ser abraçada.

_ É claro que sim, Bella _ ela conciliou, um pouco sem jeito.

_ Então tenham um pouquinho mais de respeito por ela e pela nossa família também.

Charlie ia dizer alguma coisa quando ouvimos os passos na escada. Então, de repente, Edward tinha vindo se juntar a nós, a família monstro. Cabelos molhados, cheiro de banho, ele era mais do que nunca uma tentação. E uma distração. Respira, Bella, respira. Ele havia começado a confusão toda e não vinha se mostrando nem um pouco inclinado a por um ponto final nela.

_ Isabella, vai para o seu quarto. Nós vamos conversar mais tarde _ Charlie ordenou, num tom áspero, a atenção agora voltada para o Cullen.

Eu sabia o que ele ia dizer, sabia que ia expulsar Edward de casa. Além disso, estava ignorando totalmente o meu surto de fúria com se fosse uma situação idiota a ser contornada depois, quando houvesse tempo. Aquilo só trouxe mais ainda a tona minha recém-descoberta petulância. Foi minha vez de ficar rígida como uma estátua e encará-lo como uma leoa faminta.

Respirei fundo.

_ Pense bem no que está prestes a dizer, pai. Se alguém deixar essa casa hoje... eu vou junto.

Notas finais
Meninas queridas, o que acharam? A Bella está prestes a se meter em uma confusão gigantesca! Alguém arrisca dizer qual? Mandem seus reviews! Beijooo