Two Broken Hearts
80 Farpas à Mesa
— Acho que deveríamos tentar.
— O que?
— Nossa segunda opção. Você sabe... o plano B.
Eu levantei a cabeça para encará-lo.
Edward estava lindo. Rosto vermelho e afogueado, os cabelos bagunçados de quem havia acabado de fazer um sexo delicioso e desesperado.
Por falar nisso, eu ainda me sentia zonza. Deitada em seu peito, sentindo-o subir e descer no ritmo da sua respiração que retornava a normalidade, minha cabeça girava com todas as sensações anteriores ainda impregnadas em mim.
Mas suas palavras me trouxeram de volta a realidade com um baque.
— Isso foi antes _ eu respondi, deixando meu lugar confortável para deitar de costas sobre o piso encerado do Seven. _ Antes dessa tarde...
— O que houve? _ Edward se apoiou sobre um cotovelo para me olhar.
Eu respirei fundo, voltando os olhos para o teto. Então contei a ele sobre o carro avançando direto para mim na saída do trabalho.
— Pode não ter sid nada _ tentei passar convicção, mas as palavras soaram falsas até mesmo para mim.
— Não podemos ter certeza _ Edward se levantou em um rompante, com o semblante irritado. _ Não com Esme e Jacob na jogada, aqueles desgraçados. Eles vão continuar tentando até... _ ele se interrompeu, o cenho franzido.
Eu engoli em seco.
— Até?
Edward exalou um suspiro, vestindo a camisa.
— Vamos atrás deles, é o único jeito.
— Não, Edward _ eu recusei, me levantando e vestindo minhas próprias roupas. _ Eu estive pensando... e se nós deixássemos isso pra lá? Eu estou em um emprego ótimo, com oportunidades maravilhosas. E você...
— E eu o que? _ ele soou debochado _ Sou um barman num bar para adolescentes. O que isso faz de mim? Uma porra de um Peter Pan? _ seu tom agora era frustrado _ Olha, que tipo de vida alguém como eu tem a oferecer a alguém como você? Você sempre teve tudo. Tudo. E o que eu tenho, afinal?
— Você tem a mim _ eu respondi, exasperada. _ E eu amo você. Isso deveria bastar.
Edward baixou os olhos para as mãos cerradas. Aos poucos, a tensão em seu pescoço diminuiu e ele voltou a respirar quase normalmente. Quando ergueu os olhos para mim, a expressão já havia suavizado.
— Sinto muito _ murmurou, angustiado. _ Só quero garantir que nada de mal vai acontecer a você.
— E não vai _ eu assegurei. _ Se Esme souber que nós saímos do caminho, ela vai desistir de nos machucar.
Edward assentiu para mim, mas seu olhar era sombrio.
— Talvez. Mas e você, vai conseguir viver sabendo que ela saiu dessa levando a melhor sobre todo mundo?
Nós passamos rapidamente pela casa de Alice para anunciar nossa decisão. Eu enfiei minhas coisas na mala. Edward já tinha as suas na mochila que carregava pendurada no ombro. Nós dois não estávamos nem um pouco ansiosos para chegar em nosso novo destino, por isso, pegamos o ônibus que fazia o caminho mais longo de todos.
Quando chegamos, os seguranças liberaram facilmente a nossa entrada. Eu já havia ligado para o meu pai. Charlie estava feliz e muito ansioso. Mas eu nem imaginava como Esme nos receberia, qual faceta dela nós veríamos aquela noite.
Rhonda abriu a porta com a expressão angustiada. Meu coração parou por um segundo.
— Alguma coisa errada? Como está Charlie? _ eu perguntei, entrando na casa com Edward no meu encalço.
— Está tudo bem com seu pai _ ela recebeu meu abraço, parecendo realmente aliviada por me ver ali. _ Você está voltando de vez?
— Pode-se dizer que sim _ eu assenti, desconfiada. _ O que está acontecendo? Por que você está desse jeito, Rhonda? Parece que viu um fantasma.
Ela olhou atravessado para Edward. Eu sabia a péssima impressão que tinha sobre ele. Especialmente porque foi na garupa da sua moto que eu abandonei aquela casa.
— Olá, Rhonda _ ele disse entre os dentes. Os dois não se bicavam mesmo.
— Oi _ ela murmurou, voltando-se novamente para mim._ Você tem certeza do que está fazendo, Bellinha? A respeito desse... indivíduo?
Eu sorri. Rhonda era adorável e sempre muito preocupada comigo e com Charlie, desde que minha mãe nos deixou.
— Eu tenho absoluta certeza _ respondi, acariciando o seu braço enquanto repreendia o ar de rebeldia de Edward apenas com o olhar. _ Nós dois vamos nos casar.
— Casar?
Edward, Rhonda e eu nos voltamos na direção da escada. Esme estava estatelada no topo, o olhar fixo sobre nós. Seu rosto estava vermelho, assim como o pescoço, e ela parecia prestes a saltar sobre mim a qualquer momento e me dilacerar com os dentes.
— Como assim, casar? Vocês enlouqueceram? _ ela vociferou, descendo as escadas com os saltos do sapato estalando no piso.
Minha madrasta usava um longo vestido vermelho sangue. O corpete tomara que caia era justo e o tecido seguia assim até pouco abaixo dos quadris. A partir daí, se afrouxava, ondulando ao redor das pernas. Seu cabelo estava preso em um coque rígido e baixo e diamantes tilintavam reluzindo em suas orelhas, enquanto ela caminhava na nossa direção.
— Vai sair, Esme? _ eu abri um sorriso cheio de ironia _ Pensei que fosse ficar para jantar conosco.
— Você vai se casar com ele? _ ela rosnou, erguendo a mão para me dar um tapa _ Como se atreve, sua garotinha burra?!
Edward agarrou a mão de Esme no ar.
Eu estava perplexa demais para dizer qualquer coisa. A expressão no rosto dela era furiosa.
— Eu disse a você para se afastar dele! Edward é um miserável, um bandido! _ ela berrou, a voz ficando rouca _ Você devia ter me ouvido. Ele é um fraco, um hipócrita, um medíocre, assim como o pai dele! Eu criei você para ter mais _ ela franziu o cenho, lutando para se soltar quando Edward segurou-a pelos ombros. _ Me solta, seu marginal!
— Sou um marginal filho de uma prostituta _ ele rosnou, com amargura. _ Que conveniente.
Meu coração se partiu pela maneira como ele disse aquilo. Como Esme podia ser tão fria e insensível a ponto de desprezar o próprio filho?
— Você é uma psicopata _ eu acusei, mortificada. _ O seu fim vai ser horrível, Esme.
Ela abriu um sorriso lento e mordaz para mim. Seus olhos cintilavam, me envenenando com a sua crueldade.
— Vamos ver quem encontra o seu fim primeiro, não é mesmo, Bella?
Esme era uma atriz perfeita. Durante o jantar, ela se portou como a mãe preocupada que vê seus filhos pródigos retornando ao lar. Sorriu, acenou e disse as palavras certas, como uma miss em noite de eleição.
Charlie parecia não desconfiar de nada. Sua mão estava entrelaçada com a da esposa sobre a mesa e ele sorria, me ouvindo falar sobre o trabalho que estava realizando junto a minha madrinha. Mas eu estava enojada. As palavras saíam da minha boca sem emoção alguma.
Edward também parecia desconfortável, se remexendo o tempo todo ao meu lado. Ele trocou alguns olhares raivosos com Esme quando sabiam que Charlie não estava olhando.
— Eu achei que você fosse sair essa noite _ comentei me dirigindo a Esme, secando os lábios com um guardanapo. _ Estava tão elegante naquele vestido vermelho.
Os olhos de Esme me fuzilaram.
Edward e eu trocamos um olhar vitorioso.
— Você ia sair, querida? _ meu pai perguntou, parecendo sem jeito. _ Algum evento de caridade?
— Isso _ ela assentiu rapidamente. _ Um evento entediante, mas eu sempre saio de casa se for por uma boa causa.
— Eu imagino que a causa fosse realmente nobre _ Edward alfinetou, bebericando um gole de vinho da taça. _ Você tinha esquecido de colocar o sutiã.
Esme ficou vermelha como um pimentão. Seus olhos vidraram no filho e eu soube que ela poderia matá-lo naquele momento se Charlie não estivesse ali.
— Quem sabe apenas relembrando os velhos tempos, não é? _ ele instigou com um sorriso lascivo.
Meu pai olhou de Esme para Edward sem compreender.
Eu fechei os olhos. As coisas não deveriam acontecer daquele jeito. Eu não queria que meu pai se sentisse usado e, muito menos, que fosse humilhado à mesa do jantar.
— Chega, Edward _ eu murmurei, sorrindo amarelo para Charlie que me observava confuso. _ E como você está se sentindo, pai?
— Nesse momento? _ Charlie perguntou, a cabeceira da mesa _ Muito curioso. O que Edward quis dizer com 'relembrar os velhos tempos'?
Eu olhei para Esme do outro lado da mesa, bem a minha frente. Ela estava paralisada. Sua mão estava sobre o garfo e os olhos pousados no prato de sopa intacto a sua frente.
— Nada, pai _ eu toquei sua mão suavemente, mas o olhar dele continuou me interrogando. _ Edward só está discutindo com a mãe como sempre.
— É verdade _ Edward se inclinou para a frente, com um sorriso duro para a mãe. _ Além disso, mamãe não gosta de falar dos velhos tempos, não é? Ela se arrepende muito do que fez comigo.
Charlie assentiu, aguardando que Theresa servisse o prato principal. Meu estômago já estava dando voltas, eu não aguentaria colocar mais nada dentro da boca.
— E deve se arrepender mesmo _ ele concordou. _ Sua mãe cometeu um erro terrível. Mas eu tenho certeza de que ela pretende passar o resto da vida tentando consertá-lo.
— O resto da vida _ Esme repetiu, despertando do transe com um sorriso nervoso. _ Por que não conversamos sobre isso amanhã, Edward querido? Charlie está cansado, ele precisa de repouso. Pelo bem dele _ ela acrescentou diretamente para mim.
Edward me olhou e eu assenti. Ele exalou um suspiro, mas se calou imediatamente.
Quando o jantar terminou, eu me despedi do meu pai com um beijo de boa noite.
— Amanhã precisamos conversar _ ele disse no meu ouvido, quando eu me inclinei para abraçá-lo. _ É muito importante. Precisamos esclarecer algumas coisas.
Eu assenti, um pouco surpresa. Esperava que ele não fosse me colocar contra a parede por causa da indiscrição de Edward no jantar.
Esme nos observava de longe, parecendo desconfiada. Quando meu pai passou ao seu lado, ela segurou seu antebraço e o guiou pela escadaria acima, extremamente possessiva.
Edward e eu aguardamos que eles se fossem e, então, seguimos para o meu quarto. Nós deitamos sobre a cama e eu pude relaxar em seus braços pela segunda vez naquele dia.
— Ela é uma víbora _ eu fechei os olhos, cobrindo o rosto com as mãos. _ Como vamos fazer para detê-la, Edward?
— Eu não sei _ ele suspirou. _ Vamos continuar com o nosso plano, precisamos desmascará-la. Logo ela vai acabar tropeçando e estaremos aqui para empurrá-la para baixo.
Eu mudei de posição para acariciar o seu peito com a ponta dos dedos, o rosto enterrado em seu pescoço. Seu cheiro me inebriava, o que era uma recompensa adequada por um dia miserável.
— Eu tenho medo dela _ admiti, sem coragem de olhar para ele. _ Sei que prometi ser forte, mas essa casa me traz muitas lembranças. Aqui eu me sinto mais fraca, mais... como a Bella de antes.
— Não tem nada de errado com a Bella de antes _ Edward segurou o meu rosto, me forçando a olhá-lo. _ Você é uma garota pura, sem maldade. Nunca mude isso em você.
Eu balancei a cabeça, negando.
— Eu era assim. Agora sei que para ser o lobo, eu preciso deixar de agir como o cordeiro.
Edward não disse mais nada. Ele sabia que eu só estava falando a verdade.
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