POV Edward

Jacob se aproximou, lentamente, mantendo a 45 cromada apontada diretamente para o meu rosto.

Eu conhecia aquela arma. Havia sido um presente do meu avô quando Jake tinha completado vinte e um anos. Nós havíamos saído pela fazenda e depois pelas ruas, completamente bêbados, atirando nas coisas apenas para vê-las pularem. Na ocasião, eu tinha achado muito engraçado até que Ethan levara um tiro no braço e havia precisado de socorro médico. O Coronel tinha ficado puto da vida.

Bastante irônico que ele estivesse usando aquela arma agora. Contra mim.

Jacob pareceu perceber aquilo e abriu um sorriso de canto, quase lembrando o velho Jake que costumava dirigir comigo por aí até que eu estivesse sóbrio e pudesse voltar para casa, sem levar uma bronca. Meu avô detestava bêbados. Não era a toa que se sentisse repulsa pelo próprio filho. Honestamente, eu também sentia.

— Muitas lembranças, não é? _ ele me olhou, quase pesaroso.

— Muitas _ eu assenti. Mas nós havíamos chegado a um ponto do qual era possível recuar. Enquanto ele não havia mexido com Bella, enquanto não colocara em cheque a sua vida... talvez eu pudesse perdoá-lo. Mas, agora, tudo o que eu conseguia ver era o homem que ameaçara a vida da mulher que eu amava.

— Você lembra quando Carlisle quis bater em você com o cano de ferro? _ Jacob era o único que não se referia a Carlisle como meu pai, o único que sabia o quanto era importante para mim me distanciar dele. _ Lembra que o seu avô te caçou pela fazenda porque você não suis voltar pra casa? _ ele ficou sério, de repente, e eu também, enfiado em lembranças inúteis. _ Você estava confuso e assustado pra caralho. Seu pai ia matar você.

— Não ia _ eu me recusei a pensar naquilo, porque fazia parte do passado grotesco que eu estava empenhado em enterrar.

— Ia sim e você sabe disso, porra_ ele acusou, cuspindo as palavras enquanto se aproximava e brandia a arma bem diante do meu rosto. _ Fui EU quem encontrei você naquela noite! Eu procurei por duas horas naquele monte de mato até achar você, seu filho da puta. Eu deixei que você se escondesse na minha casa e passei a noite numa busca idiota com metade da fazenda pelo neto do Coronel. Eu menti para o seu avô, disse que não sabia onde você estava _ ele parou de repente, pressionando o cano da arma bem no centro da minha testa. _ E agora, acabou. Diga adeus a sua vida bastarda, Cullen. Sua mãe prostituta vai gostar de saber que o filho está morto.



POV Bella

Eu não podia dizer a Adriana a verdade sobre Charlie. Não podia explicar que, talvez, o meu pai estivesse morrendo e que, por isso, ele me pedira ajuda para tocar as empresas.

Por outro lado, eu não podia simplesmente aceitar sua proposta. Embora eu quisesse viver a experiência, não seria justo com Charlie. E, principalmente, não seria justo com Esme. Se eu recusasse a oferta do meu pai, provavelmente, seu patrimônio terminaria nas mãos daquela bandida e eu não poderia admitir que o mal vencesse.

Edward tinha razão. Charlie precisava conhecer a verdadeira face daquela bruxa e, infelizmente, seria eu a transmitir as más notícias.

Na hora do almoço, eu fui até o salão de beleza que ficava na esquina do prédio. Era espaçoso, muito bem decorado e chocantemente caro, mesmo para os meus antigos padrões. Mesmo assim, pedi um corte de cabelo moderno, bem no estilo parisiense, na altura do queixo, com mechas douradas elegantemente desfiadas.

Alice se orgulharia, Adriana se orgulharia. Mas, acima de tudo, eu estava orgulhosa de mim.

Pela primeira vez na vida, não tinha medo de parecer bonita.

Quando voltei ao estúdio, bati na porta de Adriana, que sorriu instantaneamente ao ver meu novo look pela divisória de vidro.

— Uau! Você está fantástica!

Eu sorri. Muito.

E aceitei a proposta.



POV Edward

— É uma pena que você vá me matar, porque eu vim aqui fazer uma proposta.

Jake tinha o dedo no gatilho e eu sabia que não tinha muito mais tempo.

No caminho até ali, o plano de Bella havia passado de lógico e racional, para algo longe de ser convincente. Eu não estava decidido. Jacob, claramente, não era uma pessoa em que se podia confiar e as palavras dele para Bella, quando a havia abandonado para morrer naquela casa em chamas, poderiam muito bem ser outra das suas mentiras.

Ele riu, um som rouco e gutural.

— É claro que tem. Eu te deixo viver e você desaparece daqui. Você está se peidando, Edward. Não tem dignidade?

Eu fechei os olhos, irritado, e, quando abri, encontrei uma curiosidade discreta nos dele.

— Na verdade, é um pouco mais complexo do que isso. Não sei se a sua cabeça é capaz de acompanhar.

Eu o vi trincar os dentes. Excelente, eu tinha a sua atenção. Perigoso, mas excelente.

— Eu queria perguntar uma coisa desde que eu cheguei aqui _ comecei, improvisando um discurso que Bella e eu não havíamos previamente ensaiado. _ Como você pode ser tão otário, cachorrinho idiota?

A irritação nos olhos de Jacob me atravessou como uma navalha. Eu vi o sangue fugir do seu rosto exatamente como na noite em que havíamos tido aquela briga. A grande e definitiva briga.

— Vou matar você, desgraçado _ ele rosnou. _ Eu juro que...

— Como era mesmo aquele provérbio...? Ah, "Ninguém pode servir a dois senhores." _ eu sorri para ele _ É bíblico, não é?

A mão de Jacob se afrouxou um pouco ao redor da arma. Os olhos dele perderam nitidamente a confiança e eu o vi hesitar.

— E do que você está falando, Cullen? _ ele riu, mas o som da risada me pareceu com algo que sairia da boca de um condenado no corredor da morte _ São as alucinações de um moribundo?

O plano de Bella havia me parecido furado enquanto eu pensava a respeito até chegar ali. Mas, quando Jacob Black, apontando uma arma contra a minha cabeça, havia sugerido que minha mãe ficaria feliz com o meu enterro, então as coisas finalmente se encaixaram e a verdade surgiu, recém saída do esgoto.

— Eu sei de tudo, Black.

— Tudo o que? _ ele ponderou, segurando a arma com as duas mãos e se recusando a dar por vencido. _ Tudo... o que?

Sei que você traiu a confiança do Coronel com a pior inimiga que ele já teve na vida. Sei que a sua ambição passou dos limites _ revelei, com um sorriso obscuro no rosto que fez qualquer traço de segurança nos olhos de Jacob desmoronar. _ Sei que se o Coronel descobrir que você é o novo lacaio de Esme, você é um homem morto andando, Black. Um homem morto andando.



POV Bella

No final do expediente, eu não fui para o apartamento de Alice e Gwen. Apesar de haver combinado com Edward que só nos mudaríamos nos próximos dias, dependendo do resultado de sua conversa com Jacob, eu segui para a mansão.

Abracei Rhonda, que se surpreendeu com o meu novo corte de cabelo e me disse como eu estava bonita.

Ela não foi a única a se surpreender.

Esme apareceu no hall de entrada, como uma ave de rapina a espreita de problemas. Seu cabelo louro estava preso em um rabo de cavalo alto novamente e eu pensei que nunca a havia visto tão bonita e desinibida antes. Usava tênis e legging preta justa, com a camiseta branca transparente sobre um top verde que não deixava muito a imaginação.

Ela não parecia ter muito mais do que a minha idade, embora tivesse quase o dobro disso. Sua genética era excelente.

Eu me lembrei, subitamente, que ela também era a mãe de Edward e sorri. Em outros tempos, teria ficado corada por pensar que dividia a cama com o filho da minha madrasta. Mas não agora. Era meio excitante.

Rhonda havia se retirado para a cozinha, a fim de preparar o jantar.

Nós estávamos, finalmente, a sós.

— Seu corte de cabelo é... interessante — Esme estalou a língua ao dizer a palavra e sorriu de maneira indulgente, como quem faz uma observação sobre a escolha culinária da empregada. _ Não sei se o louro combina com você, mas... _ ela deu de ombros com superioridade _ Tanto faz, não é mesmo?

— Tenho certeza de que combina mais com você _ eu comentei, com um meio sorriso. _ De onde veio a expressão "loura fatal", aliás?

Eu comecei a caminhar para o interior da mansão, mas, quando passei por ela, Esme segurou o meu braço e me deteve.

Eu olhei nos olhos da minha madrasta, azuis como um oceano imenso e cheio de segredos. Um oceano gelado com correntezas letais.

— O que você veio fazer aqui?

— Eu vim jantar com o meu pai _ respondi, erguendo o queixo sem me deixar abater. _ Por acaso você controla as visitas dele?

— Eu estou perguntando _ ela disse devagar, cada palavra parecendo imergir de uma parte profunda e obscura dela a qual nenhum de nós nunca havia tido acesso _ o que você está planejando, Isabella. Por que decidiu vir morar aqui... com Edward? Você e o meu filho bastardo não são bem vindos nesta casa! Se eu fosse você, sairia daqui agora e não apareceria nunca mais.

— Ou então você vai fazer o que? _ eu a provoquei, sentindo o meu braço formigar onde ela estava apertando.

Quando Esme se deu conta de que havia perdido o controle, o choque pelo seu ato refletiu nos seus olhos e ela pareceu desconcertada, me soltando bruscamente.

— Apenas não diga que eu não a avisei, Bella. Não diga que eu não a avisei _ ela repetiu, entrando na mansão depressa, como se tivesse visto um demônio.

Notas finais
Oi, meninas, como estão? Espero que muito bem :) enfim, descobrimos quem tinha acarta na manga hehe parece que o cachorro do Jake ficou bastante assustado quando o Edward o colocou na parede. E agora? Ele vai ajudar o casal e depor contra Esme? Aliás, a bandida está cada vez mais enrascada, apavorada e... perdendo a linha /crazy A presença da Bellinha está fazendo a madrasta sonsa ir a loucura! Imagina quando o nosso casal for morar lá para atormentá-la hahaha Espero que estejam curtindo a fic, aguardo vocês nos comentários! beijos e até lá