Two Broken Hearts

77 Bella Decide Contar


POV Edward

— Eu não sei do que você está falando _ Jacob balançou a cabeça de um lado para o outro, os olhos fixos nos meus. _ Seu avô é o meu patrão, você sabe disso.

Eu assenti, olhando para a pobre Sarah sentada no chão, alheia a tudo o que estávamos falando. Senti pena da pobre garota, outra vez, com sua vida já tão complicada sendo devastada por aquele desgraçado.

— Você é um pilantra, Jacob Black _ eu ri, sem poder evitar a irritação transbordando na minha voz. _ Sempre gostou de passar a perna em todo mundo. Por que com o Coronel seria diferente, não é mesmo? Afinal, ele está num maldito pedestal... mas você também sempre gostou de destruir pedestais.

Ele me olhava de um jeito diferente agora, como se estivesse, de repente, muito interessado e cuidadoso em relação ao que eu tinha a dizer.

— Você gosta de se dar bem em cima do maior numero de pessoas possível. Foi irresistível tripudiar sobre o homem que te manteve em coleira todos esses anos, certo? E ainda ganhar um bom dinheiro extra? Aposto que Esme te pagou a altura do serviço.

Jacob não se moveu realmente, mas pela expressão em seus olhos, foi como se recuasse diante das minhas palavras.

— Eu sei que foi você quem ateou fogo na casa onde Bella e eu estávamos vivendo _ esperei que ele dissesse alguma coisa, mas ele permaneceu em silêncio. _ Você deixa muitas pontas soltas.

— Pontas soltas?_ ele repetiu, receoso _ Do que você está falando?

Eu me inclinei para perto dele e baixei o tom de voz para um sussurro, a fim de que só ele me ouvisse.

— Se alguém pede a você um serviço muito importante, você precisa terminar esse serviço. E nunca, nunca dizer o nome do remetente.

O rosto de Jacob se tornou lívido como o de um boneco de cera. Eu achei que ele fosse se cagar ali mesmo.

Minha satisfação estava completa. Ou quase.

Jacob tropeçou, dando um passo para trás e caindo com o traseiro no chão, quando o meu punho acertou o seu rosto. A arma caiu junto e eu a chutei para longe antes que ele pudesse pegá-la.

Eu o segurei pela gola da camisa e soquei de novo, dessa vez ouvindo o estalar dos ossos do seu nariz.

O sangue fluiu na mesma hora e ele levou as mãos ao lugar, tentando contê-lo inutilmente.

Pronto. Agora seriam dois narizes quebrados para o Coronel consertar.

Jacob abriu a boca como se fosse dizer alguma ofensa, mas desistiu no caminho.

— Vou fazer o que você quiser, Cullen _ prometeu, de cabeça baixa, limpando o sangue do nariz com as costas das mãos. _ E depois, você me deixa em paz.

Eu assenti.

Eu estava, literalmente, fazendo um pacto com o diabo.



POV Bella

Ainda faltavam vinte minutos para o jantar e eu esperava que fosse tempo suficiente para dizer a Charlie que a esposa dele era uma traidora interesseira, uma vigarista. Eu precisava alertá-lo e não sabia como fazer aquilo, até que ele desceu para me encontrar no escritório, como eu havia pedido a Rhonda.

— Minha querida.

Ele me envolveu e abraçou o mais firme que conseguia, o que não era muito. Suas mãos eram quentes, mas o aperto era suave, como se ele tivesse ficado, de repente, muito mais velho.

Eu tive pena do meu pai. Principalmente, pena do que não tivemos tempo de viver juntos depois da nossa reconciliação.

"Tempo", a palavra ressoou dentro da minha cabeça com o peso do martelo de um juiz proferindo a sentença. Eu precisava de tempo e era tudo o que eu não tinha. Se eu dissesse ao meu pai que Esme era uma criminosa, que havia mandado me matar, mesmo se ele acreditasse em mim, ela acabaria por sair impune. Afinal, todo mundo é inocente até que se prove o contrário, não é mesmo?

— Você queria conversar comigo?

Eu fiz o possível para sorrir, mas, por dentro, as palavras gritavam dentro de mim. Meu coração parecia prestes a explodir e eu me sentia exausta, espantosamente abalada pelos últimos dias. A noite passada havia sido terrível e os dias que a antecederam não tinham sido nem um pouco melhores.

— Eu vim agradecer a oportunidade que você me deu _ comecei, me sentindo subitamente triste em decepcioná-lo. Eu não havia imaginado que seria tão difícil quanto estava sendo realmente. _ É uma honra saber que você confia em mim a ponto de entregar algo tão precioso nas minhas mãos.

Charlie assentiu, sem conseguir esconder o desapontamento no seu olhar.

— Mas você vai recusar.

— Sim, eu vou _ confirmei, mordendo o lábio inferior como quando era criança e ele me castigava. _ Me desculpe.

Uma ruga surgiu na testa de Charlie e ele inclinou a cabeça para o lado, parecendo um pouco surpreso.

— Desculpá-la pelo que? Eu fiz um pedido a você, Bella, e você teve o respeito e a gentileza de refletir a respeito.

— Mas você contava comigo _ eu menei a cabeça,me sentindo uma idiota completa. _ Eu queria realmente compartilhar dos mesmos interesses que você. Eu queria ser útil.

— E você é _ ele garantiu, com um sorriso compreensivo nos lábios. _ Eu aposto que Adriana já descobriu isso.

Eu respirei fundo, tomada por uma emoção que eu não esperava na forma de uma onda silenciosa e cálida, que me invadiu e desmanchou por completo.

Fiquei boquiaberta por alguns instantes, sem saber o que deveria dizer. Então, meus olhos começaram a transbordar e eu abracei Charlie, me sentindo como a criança que chega da escola, no primeiro dia de aula.

Eu queria contar tudo a ele. Tudo. E se Esme era terreno perigoso, por enquanto, haviam outras coisas que eu poderia compartilhar.

— Paris? _ os olhos dele se arregalaram e ele riu, pasmo _ Fomos lá, uma vez, quando você era adolescente.

— Eu me lembro. Você tinha um negócio na cidade.

— Sim, sim_ ele concordou.

Estávamos sentados no confortável sofá que havia em frente a lareira do escritório. Minha cabeça repousava em seu ombro e ele tinha um braço ao redor dos meus. Estávamos

— E você foi junto. Para ir a um desfile com uma de suas amigas da escola.

"Não. Para ficar perto de você", eu pensei, mas não disse realmente.

— Josephine _ eu lembrei, fazendo uma careta que ele não pôde ver. _ Ela era tão esnobe! Queria se sentar na primeira fileira e ficou repetindo isso até que o segurança nos expulsou do desfile do Roberto Cavalli. Ela se achava superior porque a mãe trabalhava no ramo.

Charlie riu.

— Eu me lembro. Felicia era uma grande amiga minha _ ele lembrou. _E por que você era amiga da filha dela, afinal, se era tão chata?

Eu levantei a cabeça para olhá-lo, estranhando que ele não se lembrasse.

— Você queria que nós fossemos amigas. Disse que ela era perfeitamente aceitável, ao contrário dos "filhos da criadas com os quais você anda" — eu repeti suas palavras, imitando até mesmo o tom de voz.

Era para Charlie rir, mas ele não riu. Em vez disso, pareceu encabulado.

— Acho que me lembro de ter dito isso _ ele me observou com olhos paternais que quase me fizeram ter uma nova crise de choro. _ Me perdoe, Bella. Quando ouço suas palavras, eu olho para trás e percebo que eu fui um tirano.

— Está tudo bem, pai. Eu não estou mais chateada. Não mais _ eu assegurei, me afundando novamente em seu ombro e segurando sua mão direita entre as minhas.

— Eu estou orgulhoso de você _ eu ouvi a sua voz embargada e senti, eu mesma, me encher com um acesso de orgulho próprio, o segundo do dia. Era mesmo promissor _ Estou orgulhoso da mulher que se tornou sem a ajuda de ninguém. Espero que Paris conheça essa mulher chique e sofisticada, com um corte de cabelo fascinante.

— Você gostou? _ eu levantei a cabeça de novo e, dessa vez, tenho certeza de que meus olhos se iluminaram _ Eu fiz hoje!

— É maravilhoso _ ele garantiu _ Você está maravilhosa. Uma perfeita dama francesa. Eu gostaria de poder assisti-la trabalhar nesse desfile.

Nenhum de nós falou, mas nós dois sabíamos o motivo pelo qual ele, provavelmente, não iria.



POV Edward

Agora que Jacob e eu tínhamos um trato, eu me sentia um passo a frente daquela corja de bandidos.

Esme seria a primeira a ser desmascarada. Em seguida, Jacob e o Coronel cairiam. Eu não pretendia cumprir uma só palavra da minha parte no acordo e suspeitava que Jake também não, por isso, ia ficar de olho nele pelos próximos dias, até que Bella me mandasse dar o próximo passo.

Achei que ela ficaria contente quando eu dissesse que já havia localizado o desgraçado e que ele não se recusaria a depor contra Esme, desde que a sua participação na tentativa de homicídio fosse esquecida. O maior medo de Jacob, além de ser preso, era que o Coronel ficasse sabendo que ele andara prestando serviços particulares a Esme.

Eu garanti que seu nome não apareceria em nenhum arquivo vinculado ao caso e se ele ficou desconfiado quanto a minha promessa, não disse absolutamente nada.

Eu havia combinado encontrar Bella na casa de Alice e segui para lá, depois de dar uma passada rápida no Seven e tomar um banho. O banheiro dos funcionários nos fundos do bar tinha aproximadamente dois metros por dois, então mal cabiam um vaso sanitário e uma pia quebrada.

O chuveiro era, basicamente, um cano que pendia da parede e ensopava todo o resto.

Eu havia dormido no trabalho, na noite anterior. Mais precisamente no sofá preto descascado da sala do gerente. O couro rangia sempre que eu tentava virar de lado e eu pensava no corpo quente de Isabella ao meu lado, em nossa cama na vila, o tempo todo. Aquilo estava me matando.

Quando cheguei ao apartamento, Bella se jogou nos meus braços, com a aparência de quem também havia tido uma noite fodidamente ruim.

— Eu tenho novidades _ ela anunciou, parecendo ansiosa e até um pouco animada, embora ostentasse um par olheiras arroxeadas. _ Senta aqui. Eu vou te contar tudo!

E foi o que ela fez. Durante quase uma hora, tagarelou sem parar sobre o seu dia. Começou falando sobre a ida a casa de Charlie e sobre a conversa que teve com ele.

Eu fiquei feliz que ela e o pai, finalmente, estivessem sem entendendo. Ficaria feliz, basicamente, por qualquer coisa que a fizesse feliz.

Mas quando Bella me contou o seu confronto com Esme, eu esqueci de tudo o que ela havia dito antes. Um sentimento conhecido de ódio e rancor subiu pela minha garganta e eu sabia que o gosto ficaria impregnado até muito tempo depois.

Se Bella estava vivendo tudo aquilo agora, enfiada até o pescoço naquele monte de merdas, a culpa era minha. Eu a havia convidado para uma visita ao inferno e, talvez, ela jamais conseguisse sair de lá.

O medo de que eu fosse o maldito veneno destruindo a vida de Bella me devorou por completo.

— Posso te perguntar uma coisa?

Ela estava deitada no sofá da sala, a cabeça no meu colo, enquanto eu acariciava seus cabelos recém cortados. O cheiro dela enchia a porra da casa e me mandava diretamente para cima como um foguete. Bella estava sexy pra cacete. Não só pelo corte de cabelo ou pela escolha da cor, mas pelo ar de maturidade e liberdade que emnava dela agora.

Alice e Gwen haviam saído do apartamento, o que nos dava alguma privacidade para conversar e era isso o que vínhamos fazendo desde que eu chegara ali. Entre o assunto da sua reconciliação com Charlie e a briga com Esme, eu a havia informado sobre a situação com Jacob. Ela havia ficado tremendamente satisfeita.

— Diga, badboy _ ela sorriu, a voz harmoniosa e melódica que embalava os meus sonhos.

— Você, às vezes, pensa como seria sua vida agora se não tivesse me conhecido?

Bella congelou no meu colo. Eu senti seus músculos retesarem e vi quando seus olhos se prenderam em algum ponto fixo no teto que eu não estava enxergando. Toda a sua descontração, toda a sua leveza durante a conversa, pareceram evaporar.

— Eu ainda viveria em mentiras, Edward.

Eu considerei o que ela disse. Não era nem perto de ser o suficiente naquele momento.

— Às vezes, as mentiras podem ser uma boa coisa.

— Você deve estar brincando _ ela se irritou, levantando do meu colo em um rompante. _ Esme me enganou a vida inteira, enganou ao meu pai! O que tem de bom em ser enganado?

Eu respirei fundo, olhando para ela, agora, sentada a pelo menos quinze centímetros de distância. Ela estava brava, profundamente furiosa, e eu ainda queria tocá-la desesperadamente.

— Esme amava você _ eu argumentei. _ De um jeito insano, completamente doentio e limitado... do jeito dela... mas, provavelmente, ela amou você mais do que a qualquer outra pessoa.

— Ela mandou alguém me matar! _ Isabella gritou, soando perplexa _ Você entende o tamanho da loucura que você tá falando?!

— Eu sei, eu sei _ respondi, coçando a cabeça. _ Não digo agora. Provavelmente ela odeia você quase tanto quanto odeia a mim, mas... ela não fingiu sobre você ser a filhinha preferida dela, a filha escolhida. Ela me abandonou, Bella. Ela me abandonou e elegeu você.

Possivelmente, eu havia soado ciumento e rejeitado ao dizer aquilo, mas funcionou. Bella voltou a se sentar e segurou minhas mãos entre as suas, um olhar aceso de aceitação em seu lindo rosto.

Toda a fúria havia sido dissipada e lá estava a minha Bella outra vez, linda e amável. A Bella que eu não merecia, mas que estava enraizada na minha alma, impossível de arrancar.

— Ela é louca, Edward. Tenho certeza de que nunca soube o que é o amor _ ela opinou, hesitando nas próximas palavras. _ Eu preciso contar uma coisa a você. Algo que eu já devia ter te contado há muito tempo. É sobre Esme... e uma conversa que nós duas tivemos há algum tempo, na cozinha da casa do meu pai.

Eu fiquei em silêncio e aguardei que Bella despejasse sobre mim o que quer que fosse.

Eu já havia estado no fundo antes, bem lá embaixo, por tanto tempo e tão profundamente que nada nem ninguém poderia me despedaçar.

Mas quando Bella terminou de falar, eu soube que podia quebrar de novo , tantas vezes, até que não restasse mais nada.

Notas finais
Olá a todas, como vocês estão? E o que estão achando da fic? Repararam que poupei o coração de vocês nesse capítulo? hehe é para o que está por vir! Edward conseguiu uma "parceria" com Jake, mas, vindo daquele lá, não é de se esperar muita lealdade... por isso, olho vivo, Edward!! E nossa Bellinha está beira de um colapso! É muito estresse em tão pouco tempo! Vocês acharam que ela tomou a decisão correta sobre Paris? E, agora, o que vai acontecer com as empresas de Charlie? Até o próximo capítulo, meninas!