Two Broken Hearts
78 Causas
POV Bella
Tão doloroso quanto saber que eu havia cescido em um castelo de mentiras, foi olhar nos olhos de Edward e testemunhar a dor que as minhas palavras causaram.
— Eu sempre soube que ela tinha me abandonado para seguir a sua vida... mas ouvir tudo isso, em palavras, é... _ ele não terminou a frase. Olhava para as mãos entrelaçadas, o corpo inclinado para a frente, cotovelos sobre os joelhos.
Eu estava sentada ao seu lado no sofá e toquei o seu ombro, desejando confortá-lo. Desejando receber um pouco do seu sofrimento e, quem sabe, assim, amenizar a dor que o dilacerava agora.
— Ela é um monstro _ eu disse.
— Ela é pior do que isso _ ele ergueu os olhos para mim e havia tanto desespero neles que eu me senti partir ao meio. _ Esme nem pensou duas vezes, Bella. Eu tinha seis anos e ela me descartou, me deixou para trás com uma família de loucos... um pai bêbado e um avô manipulador. Que tipo de mãe faz uma coisa dessas, Bella? Me diz.
Eu fechei os olhos. Não tinha uma resposta para dar ele. Na verdade, eu duvidava que houvesse uma.
Eu gostaria de dizer que as atitudes de Esme, mesmo cruéis como haviam sido, haviam resultado naquele homem maravilhoso e surpreendente para o qual eu estava olhando agora. Mas não tinha exatamente certeza. A alma de Edward era torturada e, mesmo, talvez, em anos, eu jamais viesse a conhecer os detalhes mais sombrios da sua história.
Mesmo assim eu o amava. E estava disposta a enfrentar qualquer coisa para estar ao seu lado. Qualquer coisa.
— Eu odeio aquela mulher _ falei, sinceramente. _ Odeio como nunca pensei que pudesse odiar alguém, em toda a minha vida. Eu a odeio pelo que fez comigo, com o meu pai e, principalmente, pelo que fez a você. Eu quero vê-la atrás das grades, Edward.
— E, nem assim, será o bastante _ ele me observou, soturnamente. _ Colocar Esme na cadeia não vai apagar o meu passado, nem torná-lo menos doloroso.
Eu o encarei, surpresa.
— O que você quer dizer com isso? Vai desistir do nosso plano?
— Não _ ele respondeu, seco. _ Vamos seguir em frente. Ela tentou matar você e, possivelmente, vai tentar de novo.
Meus músculos enrijeceram e eu senti um arrepio percorrer minha espinha.
Eu não havia pensado sobre aquilo. Esme havia tentando me matar uma vez. Por que ela desistiria na primeira tentativa?
— Você acha que Jacob vai cumprir sua parte no trato? _ eu perguntei, subitamente ansiosa por mudar o rumo daquela conversa.
Edward desviou os olhos de mim e voltou a encarar as próprias mãos. Ele parecia tenso e distante. Eu sempre soube que contar sobre a minha conversa com Esme teria um peso enorme sobre ele, e, agora, desejava não tê-lo feito.
— Acho que não. Por isso o plano B é tão importante.
Eu suspirei. Embora tivesse partido de mim, aquela ideia me causava ainda mais arrepios.
Eu me ajeitei no sofá e me aninhei ao seu lado. Para o meu alívio, Edward envolveu meus ombros com o braço, embora ainda parecesse estar em outro mundo.
— E quando vamos fazer isso?
— O quanto antes, melhor _ ele assegurou. _ Que tal amanhã noite?
Eu engoli em seco. Logicamente, não estava preparada, mas me vi concordando com um movimento da cabeça.
Edward também assentiu e me puxou para que eu deitasse em seu ombro.
Nós ficamos em silêncio nos minutos seguintes, perdidos nos próprios pensamentos.
POV Edward
Eu deixei Isabella no apartamento de Alice e fui para o Seven. A casa estava em pleno expediente e com a lotação habitual.
Rose acenou para mim por trás do balcão, entre drinques e canecas de cervejas, mas eu passei por ela como um maldito fantasma e fui direto para os fundos do bar.
Eu me sentia detonado, destruído. Como se tivesse envelhecido cem anos em poucos dias. Desde o incêndio na vila, o meu cérebro vinha tentando entrar em curto, mas eu não permitia, sempre repetindo a mim mesmo que Bella precisava de mim, que eu deveria protegê-la, cuidar dela, que só tínhamos um ao outro.
Eu entrei no banheiro dos funcionários e fechei a porta, em seguida, me trancando lá dentro. Esme havia dito a Isabella que eu tinha estrada, bagagem, e ela estava certa. Mas não imaginava o quanto aquilo me custara. Não imaginava ou não dava a mínima sobre isso.
Espalmei as mãos na parede e fechei os olhos, sentindo a cabeça doer, martelar. Cada briga com Carlisle, cada surra, cada palavra ofensiva. O meu amor leal ao meu avô. E depois, as mágoas. A descoberta de que eu não havia passado de um fantoche em suas mãos. Nas mãos de todos eles.
Engoli duro. O quanto eu podia suportar antes de, finalmente, explodir? O quanto e até quando?
Eu cerrei o punho e soquei a parede, sentindo o choque dos ossos contra o cimento frio. Uma lágrima rolou silenciosa pelo meu rosto. Eu vi o rosto da minha mãe. Ela estava parada nos degraus da frente da casa, com o sol tocando os seus cabelos de um jeito que merecia ser emoldurado. Eu estendi os braços para ela. Ela sorriu e pousou a mala no degrau. Depois, se ajoelhou. Eu corri para os seus braços e nós ficamos assim por algum tempo, o rosto dela contra o meu pescoço, sua respiração quente e pesada na minha pele.
— Eu volto para buscar você, Edward.
Eu estava chorando e minhas lágrimas tinham gosto de sal e de tristeza. Exatamente como agora. Eu soquei a parede novamente, rangendo os dentes quando a dor do impacto me atingiu. Depois, repeti. E repeti, repeti. Até que a imagem da Esme cheia de luz e promessas tivesse ido embora e tudo o que me restasse fosse a certeza de que só havia dor e escuridão. Dor e escuridão aonde quer que eu fosse.
Quando terminei, os nós dos meus dedos estavam sangrando.
Eu enfaixei as mãos cuidadosamente antes de assumir o meu turno.
POV Bella
O dia seguinte correu tão rápido que eu desejei quebrar cada relógio em meu caminho.
Cada minuto que passava era um minuto mais próximo de um grande passo. Talvez, um terrível erro. O medo e a ansiedade estava me consumindo. Na hora do almoço, não consegui tocar na comida.
Adriana me levou a um restaurante a duas quadras do estúdio. Segundo ela, o sabor dos pratos era surreal e a decoração em estilo parisiense, fantástica. Mas eu não consegui prestar atenção a nada daquilo. Minha cabeça estava em Edward, Charlie, Jacob, Esme e no Coronel. E no plano que eu iria executar naquela noite.
O dia estava feio, o céu cheio de nuvens carregadas. Meu estômago dava voltas, eu me sentia terrivelmente enjoada.
— Você não está bem, Bella _ minha madrinha comentou enquanto saíamos do restaurante. _ Tire o dia de folga. Você teve um fim de semana pavoroso, não deveria ter vindo trabalhar. E antes de ir, desmarque, por favor, minha hora no salão... olha essas nuvens, inacreditável! _ ela disse, observando o céu.
Eu precisava concordar com ela. Estava a beira de um ataque de pânico. Por mais que quisesse me sobressair no trabalho, eu não estava em condições de me concentrar em nada. Precisava descansar.
Aceitei a oferta da minha tia e voltei ao estúdio apenas para pegar minha bolsa.
Havia uma chamada perdida de Edward no celular que eu havia esquecido sobre a minha mesa.
Eu tentei retornar para ele, mas a ligação entrou em caixa postal. Deixei uma mensagem pedindo que ele retornasse, peguei minhas coisas e segui para o elevador.
Quando cheguei ao saguão do edifício, a chuva já estava caindo. Corri até a portaria na esperança de pegar o táxi parado em frente ao prédio, mas ele estava ocupado.
O segurança se ofereceu para sinalizar para outro veículo, mas eu estava com pressa. Queria chegar logo no apartamento e pedir colo para Alice. Colo e conselhos. Também estava curiosa para descobrir por que Edward havia telefonado. Então, fui eu mesma para a rua procurar um táxi disponível.
Decidi ficar ali mesmo, na rua principal, que era movimentada e tinha um tráfego intenso. Estava sem guarda chuva e logo ficaria ensopada, por isso, torci para ter sucesso logo. Além disso, o celular já tinha tocado outras duas vezes, mas eu não ousei abrir a bolsa com medo de perder a oportunidade de pegar um táxi.
Em Nova York, quando chove, a temperatura desce rapidamente. Eu estava usando uma saia cinza justa até os joelhos e camisa social branca, ambas da grife da Adriana, e comecei a tremer de frio assim que minhas roupas encharcaram. Meu calçado, um par de ankle boots pretas de cadarço, tiveram maior sucesso em proteger meus pés, mas eu não esperava sinceramente que fossem sobreviver até o final do dia se eu continuasse muito tempo esperando um táxi aparecer.
Quando eu o vi, virando a esquina, desci o meio fio já acenando, tentando tomar a dianteira em meio a executivos, secretárias e todo tipo de gente que havia planejado sair mais cedo do trabalho naquele dia.
Outro carro, um Honda Civic preto, entrou cantando pneu. Ele veio logo atrás do táxi, mas, perigosamente rápido, ultrapassou o veículo pela faixa da direita, a mesma em que eu estava fazendo sinal.
Eu não tive qualquer reação. Tudo aconteceu muito depressa e eu fiquei imóvel, imaginando como aquele carro poderia estar em uma velocidade tão alta no trânsito das duas da tarde em Nova York.
Foi quando duas mãos me puxaram pelos ombros e eu caí, sentada, na rua, perto do meio fio, e o Civic passou zunindo a poucos centímetros de mim.
POV Edward
Meu dia inteiro foi uma merda.
Eu havia dormido pouco na noite anterior, o que já estava virando rotina, mas a novidade mesmo era a que me esperava pela manhã.
Minha desconfiança em relação a Jacob me fez procurá-lo no início da tarde. Eu fui até o prédio de Sarah e tive um mau pressentimento quando vi a placa de "aluga-se unidade" do lado de fora do edifício. Encontrei o apartamento vazio, com a porta aberta e um corretor mostrando o imóvel para um cliente. Ele disse que a moradora se mudou, apressadamente, na noite anterior, sem informar o motivo, e a corretora se apressou em repassar o lugar.
Eu tentei contato com o numero que Jacob havia me passado, mas recebi a notificação de numero inexistente. Então soube que ele havia me enganado. Provavelmente, Jake tinha imaginado que, depois de fugir da fazenda, eu não iria querer me aproximar novamente daquele lugar ou do Coronel.
Bom, em teoria ele estava certo. Na prática, a situação era outra.
Eu liguei para Bella para avisá-la sobre o que tinha acontecido, mas a ligação caiu em caixa postal. Eu olhei para o relógio, constatando que era muito cedo e ela ainda estava no trabalho.
Eu tinha duas alternativas àquela altura: aguardar a noite chegar e pôr em prática o plano que, obviamente, não agradava a Bella, ou tentar manter o plano anterior. Para isso, eu precisava ir até Maryland e ter uma conversa com o Coronel a respeito do seu capacho mais fiel.
Eu tentei o numero da Isabella novamente. Outra vez, a maldita da caixa postal. Mas que porra.
Eu pensei naquilo que eu tinha, um maldito trunfo na manga, uma informação que certamente iria interessar ao Coronel. Traição era algo que ele não perdoava, e eu iria encontrar, assim, minha vingança contra Jacob.
Era uma ideia tentadora.
Olhei para o celular, frustrado. Se Bella atendesse o maldito telefone...
Aquela decisão afetava a nós dois, mas eu teria que tomá-la sozinho.
Fale com o autor