Two Broken Hearts
8 Drinks Coloridos e Homens de Preto
Notas iniciais
A visão de Edward atrás de um balcão de bar mexeu com meus instintos mais primitivos. Quando dei por mim, eu já havia transposto a distância entre nós e a superfície de madeira era a única coisa que nos separava.
_ Vai beber o que?
O burburinho ao redor dele diminuiu.
Havia meia dúzia de olhares rancorosos na minha direção e por um breve momento imaginei se estariam estudando a concorrência. Se fosse verdade, elas não poderiam estar mais enganadas, coitadas... para Edward Cullen eu era insignificante.
Ele havia parado com os malabarismos, mas ainda segurava no ar uma garrafa com um líquido de cor âmbar, sexy e misterioso. Assim como ele.
Respirei fundo, enchendo meus pulmões de ar e coragem.
_ Vou querer isso que está servindo a elas.
Uma das garotas fez um muxoxo de desdém. As outras se dividiram entre olhares atravessados e sorrisinhos irônicos.
Edward não sorria. Seus olhos ainda estavam pousados sobre os meus desde que nossos olhares haviam se cruzado. Suas pálpebras semicerradas demonstravam seu esforço e concentração. Mas esforço e concentração para que? Eu não sabia dizer. Seus cílios eram longos e escuros, conferindo a ele um ar carregado de sexualidade explícita.
Através do uniforme do Seven’n Seven, eu podia ter um vislumbre dos seus músculos salientes. A calça, o colete e a camisa social de mangas compridas, todas as peças em preto retinto, eram um convite ao imaginário feminino. Quem poderia ficar imune a idéia agridoce de tirá-los em cima de uma cama? Ou atrás de um balcão de bar.
Eu podia entender por que aquelas pobres coitadas se arrastavam em volta dele como mariposas ao redor da luz.
Só que Edward Cullen não era luz. Ele era a definição ideal das trevas.
_ Você não agüentaria. Tem idade para estar aqui?
_ Tenho idade pra muitas coisas.
A resposta saiu antes que eu pudesse morder a língua. Embora não tivesse sido aquela a intenção, certamente havia soado como uma cantada das mais desesperadas.
E, então, lá estava. Aquele sorriso torto de um bilhão de dólares.
_ Tenho certeza que tem _ seu tom de voz irônico fez meu sangue ferver.
Além de arrogante, mesquinho e insensível, ele se mostrava completamente imune a qualquer coisa que eu dissesse ou fizesse. Maldito! A maior parte do tempo eu tinha vontade de esganá-lo.
Ele voltou a trabalhar nos drinks, os pedidos aumentando a sua volta enquanto a rodinha de fãs se dissipava pouco a pouco, ofendidas com a perda da atenção.
Percebendo que eu não desistiria, o Cullen veio até mim e apoiou os cotovelos sobre o balcão, se aproximando até que nossos narizes quase se tocaram.
_ Não diga que não avisei, ursinhos carinhosos. Por sua conta e risco.
Eu apenas o encarei desafiadora enquanto ele esperava que eu desistisse. Como não recuei, Edward se pôs a preparar a bebida lançando olhares furtivos de desconfiança na minha direção. Ele fazia aquilo com extrema habilidade e agilidade das mãos. Aquele não era o seu primeiro emprego de bartender.
Por um segundo minha auto-confiança fraquejou. E se aquela coisa me derrubasse mesmo? Aí o tiro sairia pela culatra e eu seria obrigada a aceitar a ajuda daquele Cullen maldito. Ou pior... o mais provável seria que ele me deixasse caída no chão sendo pisoteada pelos saltos assassinos das suas amiguinhas.
Respirei fundo, deixando os ombros caírem. Você está fodida, Isabella Swan.
O drink ficou pronto e o corpo era maior do que eu imaginara. Eu o agarrei com a mão firme e levei até os lábios, hesitando apenas um momento ao sentir o fedor inconfundível do álcool. Então virei. Não o copo inteiro, mas um gole sem dúvida generoso.
Edward não desgrudou os olhos até que eu coloquei o copo de volta sobre o balcão com um sorriso triunfante nos lábios. Match Point. Mas na verdade eu sabia que não seria match point até que um dos dois tivesse se rendido completamente. Então me debrucei sobre o balcão, ignorando o fato de que não estava nem um pouco sexy com jeans, tênis e camiseta.
_ Ei, é o melhor que você sabe fazer? _ eu o provoquei.
Edward estreitou os olhos. A íris escura nadava em um oceano verde e eu me deixei perder ali por um momento, tomada por um fascínio inexplicável.
_ Princesa, você não quer ver o meu melhor _ ele também se debruçou sobre o balcão, nossos braços se tocando e nossos rostos de novo tão próximos que eu podia sentir o hálito fresco de hortelã _ É o meu pior que você quer provar.
Um arrepio percorreu o meu corpo vulnerável. Minhas pálpebras cerraram e eu inclinei o torso mais para frente, lábios entreabertos. Esperei o beijo que me faria levitar nas alturas, o corpo carregado de uma excitante expectativa que até então eu desconhecia.
Nada aconteceu.
Abri os olhos e vi Edward na outra ponta do balcão de costas para mim, servindo um bando de adolescentes bêbados. Perdida em algum lugar entre a raiva e a vergonha, quase derrubei o copo quando o levei depressa até a boca. Dessa vez, sem hesitar, deixei a bebida escorregar pela garganta até a última gota.
Meus olhos e garganta queimaram. Eu não sabia dizer se era apenas efeito do álcool ou também da sensação de ter feito papel de idiota. Nunca havia me entregado a alguém tão rápida e completamente. Como tinha sido estúpido pensar que alguém como Edward Cullen, que tinha uma dezena de mulheres rastejando aos seus pés, fosse querer alguma coisa de uma nerd tola e inexperiente como eu, cheia de complexos, manias e traumas que me prendiam como amarras a um passado que eu não conseguia superar.
Tropecei para longe do bar, empurrando a multidão enquanto tentava encontrar o lugar onde havia deixado Alice.
O Seve’n Seven estava realmente lotado agora. Com certeza era bem tarde para uma noite de domingo. Alguma coisa me dizia que eu deveria estar na cama àquela hora, mas era apenas uma voz distante e entorpecida e eu não dei ouvidos a ela. As luzes piscando bem acima da minha cabeça só contribuíam para me deixar tonta e enjoada.
Senti uma pressão desconfortável ao redor do pulso e me virei. Um garoto alto, de pele morena e sorriso atraente, tentou me puxar na sua direção. Eu fiz força para sair do aperto, mas ele não me soltou e o máximo que consegui foi me manter imóvel. A essa altura, as pessoas pulavam ao nosso redor, embaladas por uma batida eletrônica que eu não conhecia. Comecei a entrar em pânico. Tentei puxar o braço mais uma vez, mas o aperto dele era doloroso.
Talvez percebendo minha reação, ele relaxou um pouco a pressão e expandiu mais o sorriso.
Olhei ao redor em busca de ajuda, mas ainda não conseguia ver Alice ou Jasper e àquela altura também havia perdido Edward de vista.
Para o meu espanto, o garoto se inclinou encostando os lábios na minha orelha. Levei uma mão ao seu peito, não para estimulá-lo, mas para afastá-lo caso tentasse qualquer coisa.
_ Meu nome é Jake. Jacob Black _ ele disse e eu pude ouvir tão claramente quanto às batidas do meu coração. Como eu não disse nada, ele fez uma nova tentativa. _ Qual é o seu nome?
_ Bella.
Minha voz saiu tão baixa que eu não achei que ele tivesse escutado, mas Jacob balançou a cabeça sorrindo.
_ Você está sozinha _ não foi uma pergunta.
Meu sangue gelou. Eu estava num bar lotado, seria impossível alguém me fazer algum mal. Certo?
Mas ele poderia ser louco o suficiente para tentar e eu não queria arriscar sair ferida.
_ Estou com amigos _ minha voz saiu mais clara dessa vez. _ Estou indo encontrá-los agora, com licença.
Fiz um movimento para me afastar, mas o aperto em torno do meu pulso rapidamente se tornou mais forte outra vez. O efeito da bebida evaporou quando o medo me invadiu sem reservas. Meus sentidos estavam todos em alerta outra vez.
_ Eu vi você no bar. Sozinha _ o hálito dele roçou o lado do meu rosto e eu não senti qualquer cheiro de álcool ali. Ele estava sóbrio, bem consciente. Por alguma razão, aquilo não aliviava minha sensação de angústia.
A batida da música se tornou muito mais alta e agitada. Ao nosso redor, uma dezena de pessoas começou a pular sincronizadamente, braços para o alto, enquanto cantava um refrão. Jacob foi empurrado para o lado. Enquanto eu tentava me soltar do seu aperto, um trenzinho surgiu. Um dos garotos, usando piercing no nariz e no lábio inferior, o cabelo inteiro pintado de roxo, me empurrou para o meio da bagunça em forma de fila indiana, as mãos magras de dedos esquálidos sobre os meus ombros.
Enquanto o trenzinho se afastava, ainda tive tempo de olhar para trás e ver Jacob procurar ao redor enquanto lutava para ganhar espaço na multidão.
Depois o perdi de vista.
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Encontrei Alice e Jasper sorrindo entre beijos e amassos num canto escuro do bar. Antes de chegar até eles, olhei num impulso através do balcão. Um garoto louro de olhos azuis e barba rala servia drinks na cor âmbar.
Meu estômago se revirou.
_ Bells _ o sorriso de Alice se transformou em uma careta assustada. _ O que houve? Você bebeu? Está péssima.
_ Bebi, mas não foi isso. Um cara... _ olhei para trás por reflexo. _ Um idiota tentou me agarrar na pista.
O sorriso dela se iluminou.
_ Um idiota bonito?
Foi a minha vez de fazer uma careta. De nojo.
_ Um babaca. Ele apertou o meu pulso e não queria soltar.
Ergui o ponto onde uma marca avermelhada se destacava sobre a pele clara, no lugar em que o cardigã não cobria. Ainda estava dolorido, mas pelo menos tudo havia terminado bem.
_ Argh, que imbecil _ ela grunhiu, agora revoltada.
_ Esse tipo de coisa é nojenta _ Jasper concordou. _ Como ele era? Eu posso ir lá dar uma olhada.
Eu sorri para Jasper, tranqüilizadora. Com seus cachos louros e o olhar angelical, não achava que ele tivesse muitas chances contra o brutamontes da pista de dança. Eu ainda conseguia me lembrar dos músculos retesados sob a camisa e o jeans pretos e pensei na primeira pergunta de Alice. É, ele seria bonito... se não fosse tão asqueroso.
_ Obrigada, Jasper. Tudo sob controle.
_ Ah! _ Alice fez um biquinho aborrecido _ Enquanto você enfrentava todos os dragões sozinha, seu príncipe encantado cansou de esperar e foi embora.
Meu coração deu um salto dentro do peito. A imaginação foi preenchida por imagens do dono de um certo par de olhos verdes, que sabia preparar drinks como ninguém enquanto desprezava as investidas de garotas burras.
_ Príncipe?
Jasper sorriu, divertido.
_ Meu primo ficou curioso para te conhecer, Bella. Mas como você não apareceu e já era tarde, ele foi para casa...
_ Mas vamos encontrar outra oportunidade _ Alice completou, depressa. Seus olhos faiscavam e seu sorriso parecia menos presunçoso e muito mais genuíno.
Eu adorei ver aquilo, de verdade. Embora soubesse que estava entrando numa enrascada. Alice estava enxergando aquele primo como uma possibilidade de me tirar do zero a zero amoroso, enquanto criava oportunidades para conhecer melhor Jasper através de encontros a quatro. Eu sabia que ela era bem desinibida quando o assunto era sexo casual... mas também sabia que havia uma ferida dentro dela que não permitia que ninguém se aproximasse. Eu era ótima em reconhecer feridas. Tinha a minha própria que nunca se fechava.
Exalei um suspiro sem coragem para contrariá-la.
Ah, merda... teria que aturar algumas maratonas de Star Wars se quisesse ver minha amiga feliz.
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