Notas iniciais
Boa leitura!

A expressão de Edward era hostil, ameaçadora. Seus olhos agora revelavam uma emoção que ia além do habitual desprezo. Era um rancor profundo, alimentado a mais tempo do que eu poderia começar a imaginar.

Em um movimento brusco, ele me puxou na sua direção e quando nossos corpos se chocaram, eu tropecei sobre os meus pés. O aperto ao redor do meu pulso agora era mais forte e eu engoli a saliva com gosto de medo, enquanto tentava recuperar o equilíbrio e olhava de esguelha na direção da porta, minha única mas improvável rota de fuga.

Quando Edward falou, as palavras saíram em um rosnado baixo e amargo, que me provocou calafrios.

_ Como se sente, Isabella?

_ O — que? _ balbuciei.

_ Como se sente sendo a princesinha do papai?

Meu corpo congelou e um lampejo de satisfação subiu aos seus olhos.

Senti a bile vir até a garganta, um gosto ocre e ácido, enquanto brigava para que as lágrimas não viessem à tona. Travei os sentimentos dentro do peito, ardendo, queimando e me corroendo, enquanto encarava seu olhar triunfante. Eu não sabia se Edward conhecia minha história com Charlie, mas era impossível que tivesse escapado a ele que nosso relacionamento andava sempre na corda bamba. Um observador desatento teria percebido com facilidade. E Edward não fazia o tipo desatento.

Sendo assim, havia uma única justificativa para o seu comportamento. Ele estava sendo propositalmente maldoso. Não por uma questão de autodefesa, não que ele precisasse ser maldoso comigo por qualquer motivo. Aquele era o seu instinto. Ele era naturalmente cruel. Se satisfazia vendo as pessoas ao redor machucadas, feridas. Aquele era um jeito estranho e doentio de levar a vida. E era o jeito dele.

Pensar nisso fez meu estômago embrulhar e a ira borbulhou dentro de mim. Maldito, desprezível, ASQUEROSO CULLEN. Eu queria pular nele, enfiar meus dedos e unhas ao redor da sua garganta e descontar cada humilhação que ele já tivesse infringido a Esme, a Charlie, a mim ou a qualquer outra pessoa. Eu me gabava de nunca haver desejado o mal a ninguém em toda a minha vida. Edward estava se tornando a exceção. Ele era capaz de despertar os piores sentimentos dentro de mim. Todos os meus pecados capitais estavam direcionados a um único homem.

De repente, eu soube exatamente o que precisava fazer. Poderia ser perigoso e com certeza era imprudente, já que eu não o conhecia e o pouco que sabia sobre ele depunha contra o seu caráter. Mas quando falei, as palavras não vieram engasgadas e não saíram em um murmúrio. Estavam claras, limpas e seguras, cheias de um veneno que até então eu desconhecia em mim.

_ E como você se sente sendo o filho bastardo da Esme?

Um silêncio gelado tomou conta do quarto e a mão dele tremeu de leve ao redor da minha carne. As emoções atravessaram os olhos de Edward como uma seqüência de raios em meio a tempestade. Perplexidade... vergonha... e finalmente fúria. Tive um breve receio da explosão que estava por vir, mas não me encolhi e não abaixei a cabeça. Estava puta demais para sentir medo de verdade. Eu queria magoá-lo, queria feri-lo. Queria matá-lo.

Antes de descobrir quem sairia vitorioso daquela batalha, porém, ouvi o som de passos na escada.

Ao mesmo tempo em que ele me soltou, eu disparei para fora do quarto.

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Eu havia feito dado uma espiada no universo sombrio de Edward Cullen.

Três dias depois, ainda não o tinha visto de novo.

Não tinha idéia do que ele fazia enquanto eu estava fora. Mas quando eu estava em casa, permanecia no quarto trancado, escutando Metallica ou Iron Maiden no último volume. Tinha a impressão de que ele andava me evitando. Mas aquilo era ilógico. Era eu quem deveria está-lo evitando, não o contrário.

Alice estava cada vez mais mergulhada em seu conto de fadas particular com Jasper Hale. O fim de semana se aproximava e ela estava decidida a viajar com ele para a casa no lago dos pais de Jasper.

_ Ainda não somos namorados _ ela disse, um pouco nervosa, sem eu sequer perguntar. _ Somos amigos. Com benefícios _ um sorrisinho sacana surgiu nos seus lábios.

Mas não era um sorrisinho sacana como eu estava habituada a ver em Alice Brandon. Aquele era também o novíssimo exemplar de um sorriso bobo e apaixonado. Ela estava mergulhando naquele novo sentimento como quem experimenta o mar pela primeira vez após um quase afogamento. Havia mergulhado um pé, depois o outro; então, andara brincando no raso, dando um tempo para se acostumar. Agora estava caminhando mais e mais para o fundo, os olhos se desprendendo do movimento das ondas, se fixando no horizonte.

Eu tinha medo. Temia que ela pudesse ser atingida por uma onda mais forte e seu coração frágil e imaturo fosse jogado para a areia sem piedade.

Alice acreditava que eu não sabia muito sobre ela ou sobre seu passado turbulento. Mas eu sabia o suficiente para querer protegê-la de ter seu coração partido novamente.

Tentei afastar aquele pensamento... uma idéia essencialmente estúpida, aliás. Eu estava logicamente transformando o caos da minha vida pessoal e familiar em um suposto mau presságio sobre o novo relacionamento de Alice. Aquilo não fazia o menor sentido. Era uma puta idiotice e no fundo, eu sabia. Mas na superfície, flutuavam as piores impressões para o que estava por vir.

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Quando a sexta feira chegou, Esme bateu na porta do meu quarto para avisar que Charlie viajaria para Connecticut no início da semana. Aparentemente, ele precisava visitar alguns clientes pessoalmente, mas eu sabia que outras coisas estavam acontecendo e, mais uma vez, eu estava sendo excluída.

_ Edward está incomodando você?

A pergunta me pegou desprevenida. Eu mantive a porta entreaberta e não a convidei para entrar. Nós duas nos encarávamos somente pela fresta e, por um momento, vi a compaixão que eu sentira por Esme nos últimos dias se transformar em irritação.

De certa forma, ela era a responsável por virar o meu mundo do avesso. Fora ela quem enfiara Edward pela minha goela como um remédio ruim. Naquele instante, eu era perfeitamente capaz de entender a raiva que Charlie estava sentindo dela. Intencionalmente ou não, Esme dera um jeito de provocar um novo abalo nas estruturas da nossa família já estragada.

_ Ele sabia?

_ O que? _ ela parecia confusa daquele seu jeito sempre sereno.

_ Meu pai sabia que você tinha um filho quando se casaram?

Esme abriu a boca para responder e então seus lábios se fecharam de novo. Ao cruzar os braços, parecia estar assumindo uma postura de silêncio e encerrando o assunto.

Por isso, foi uma surpresa para mim quando respondeu.

_ Charlie não sabia, ninguém sabia. Eu escondi o fato de todos quando vim para Nova York. Fiz isso para... me proteger.

Soltei um gemido chocado.

_ O que você está chamando de “fato” era o seu filho, Esme! Você está me dizendo que o deixou no passado, de propósito. Você queria abandoná-lo, esquecê-lo, fingir que ele nunca existiu e começar sua vida do zero... como pôde fazer isso?!

_ Eu não queria esquecê-lo, nunca poderia! _ ela irrompeu em lágrimas e, ao contrário do desejo de abraçá-la, a vontade de sacudi-la pelos ombros e obrigá-la a despejar toda aquela história, me atacou como um furacão _ Edward é a pessoa mais importante da minha vida, meu único filho, é tudo o que eu mais amo! Eu queria tanto que todos entendessem, que ele entendesse... eu simplesmente não podia mais, não tinha forças... _ ela cobriu o rosto com as mãos para abafar os soluços.

Ouvi um ruído às suas costas, e quando vi o rosto pálido de Charlie brotar no corredor, pensei ironicamente que só faltava Edward chegar para o circo dos horrores estar completo.

Ele se aproximou hesitante, como no dia em que travamos aquela conversa definitiva no escritório. A conversa que mudou o rumo do resto da minha vida. Fiquei observando –o, ignorando completamente a Esme chorosa, desesperada e sem o menor sintoma de arrependimento a minha frente.

_ Esme.

A voz dele era baixa e grave, apenas o suficiente para tirá-la do surto emocional em que eu a tinha metido.

_ Vá para o nosso quarto. Eu preciso conversar com você.

Antes de sair, Esme me lançou um último olhar, que era ao mesmo tempo magoado e resignado. Eu bufei, desviando os olhos dela. Estava me sentindo estúpida e rebelde, uma versão light de Edward, mas não podia evitar.

Virei as costas, entrando no quarto, e empurrando a porta para que ela se fechasse atrás de mim. Mas o baque surdo não aconteceu.

Quando tornei a me virar, vi que Charlie estava ali dentro comigo.

Charlie. O meu pai. Apesar da raridade daquele encontro, era tarde demais para considerar o momento precioso. Eu já não conseguia sentir nenhum vínculo sincero com ele, apenas um elo frágil que se deteriorava mais a cada dia.

_ Nós também precisamos ter uma conversa _ ele resumiu, pouco a vontade com a minha presença. _ É melhor se sentar, com certeza o assunto não vai ser nada agradável.

Notas finais
Boa tarde, meninas! Quero pedir desculpas pela demora do novo capítulo, mas aconteceu uma coisa bem ruim aqui em casa e eu fiquei triste demais pra escrever. Meu cachorrinho pegou uma bactéria e nós ficamos duas semanas tentando recuperá-lo.. mas ele acabou ficando bem doente e, como já tinha onze anos, não resistiu e morreu na quarta feira :'( Só consegui forças pra terminar esse capítulo (que eu já tinha começado há um tempão) hoje. Peço desculpas de novo e espero que vocês continuem acompanhando! A propósito, o cap 11 está quase pronto e eu digo... a coisa vai ferver entre esses dois! Estou só esperando os comentários de vocês para postar mais :) Beijinhos