Two Broken Hearts

11 Cointreau, Tequila e Mais Brigas


Notas iniciais
Espero que gostem (:

Charlie se mostrou desconfortável quando se sentou ao meu lado na cama. Cada movimento seu parecia ser feito a contragosto, e eu imaginei se aquilo teria tanto assim a ver com o assunto a ser tratado ou muito mais pelo fato de estarmos os dois sentados lado a lado, como não fazíamos há tantos anos.

Ele esfregou as mãos sobre o tecido fino da calça social, seu uniforme mesmo nos dias mais descontraídos. Eu não me lembrava de já tê-lo visto usar uma bermuda ou mesmo jeans, mas sabia que aquilo acontecera num passado bem distante, através de suas fotografias com Rennè.

_ Quais são os seus planos para o feriado?

Um ponto de interrogação enorme e brilhante acendeu-se no meio da minha testa. Aquelas eram as últimas palavras que eu imaginara escutar de Charlie. O que era aquilo, afinal? Ele estava me integrando aos seus planos de feriado ou o que?

Bem no meu íntimo, uma pontinha de esperança se acendeu, mas eu não me permiti comemorar antecipado. Era do conhecimento de todos que Charlie não programava férias e seus dias de folga em família eram todos arquitetados por Esme. Como a situação entre os dois andava caótica, era bastante improvável – não, era mesmo impossível – que ele tivesse tomado aquela decisão por vontade própria.

_ Hm, não sei. Não pensei em nada ainda.. eu acho _ mordi o lábio, nervosa com a situação e irritada comigo mesma por estar nervosa. Ele era meu pai, cacete. Por que não podíamos simplesmente manter um diálogo tranqüilo sobre a droga de um feriado? _ Você tem... um plano? _ eu me odiei por ter perguntado. Cada palavra havia parecido um pedido desesperado de atenção.

_ Na verdade, tenho sim. E acho que você pode até gostar _ ele ergueu uma sobrancelha, sugestivo.

Não pude deixar de sorrir. Caramba... em que mundo eu poderia imaginar Charlie e eu planejando passar um tempo juntos? Meu coração se encheu de um sentimento estranho, quente, imenso e quase sufocante. Olhei para o meu pai com esperanças renovadas. Talvez pudesse mesmo dar certo entre a gente. Mesmo depois de tanto tempo...

_ Esme me disse que você tem vontade de conhecer a Grécia. É verdade?

Arregalei os olhos e vi um sorriso lento se formar no rosto dele. Um sorriso pequeno, mas ainda assim um sorriso dele para mim.

_ Eu visitei a Grécia uma vez. Atenas é fantástica, Bella. Sua mãe... _ as palavras morreram e ele olhou para os próprios pés, contemplando o chão em silêncio.

Lá fora a temperatura parecia agradável, o céu ensolarado... mas ali dentro, mais uma vez Charlie e eu mergulhávamos em um oceano glacial. Quando tornou a olhar para mim, estava sério novamente, a expressão impassível de um homem de negócios brilhante.

Ele me lançou um breve sorriso comercial, como se estivesse fechando um contrato.

_ Achei que você se oporia, mas parece que me enganei. Vou confirmar a compra da sua passagem. Você viaja na próxima sexta-feira.

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Era quase meia- noite. Alice e eu mostramos as identidades aos seguranças e entramos no caos cintilante do Seven’n Seven, já com algumas doses de álcool na corrente sanguínea. Eu não sabia como ela conseguira me convencer a sair naquela sexta-feira... muito menos como conseguira me fazer concordar com aquela idéia idiota de roubar uma garrafa de Johnnie Walker Blue Label da adega de Charlie.

A verdade, no entanto, era tão óbvia quanto humilhante. Eu queria se convencida. Queria seguir passiva na minha postura de vítima, enquanto minha melhor e única amiga punha em prática uma vingancinha saudável contra Charlie Swan. Eu sabia, claro, que não estava sendo absolutamente criminosa, mas Alice encarava aquilo como uma atitude de represália. Nas suas palavras, ela estava “totalmente ao meu lado nesse lance do Charlie e da viagem, mas muito curiosa para conhecer esse tal ‘Cullen babaca’ antes de fechar sua opinião”. Não que ela desconfiasse de mim, claro, mas precisava conferir o nível de babaquice dele com os próprios olhos.

Foi quando surgiu a idéia de ir ao Seven’n Seven...

Era uma situação bastante confortável ir na “onda rebelde” de Alice Brandon. E eu queria ir na onda. Queria ser imatura, Maria vai com as outras e inconseqüente.

E queria estar muito bêbada quando fosse enfrentar o Cullen aquela noite.

O bar estava ainda mais apinhado de gente do que no domingo anterior. Observei as luzes coloridas assumirem formas inumanas nas paredes pintadas de melancia e lançarem sombras em forma de bolas brilhantes pelo piso. Movida pela frustração e por meia garrafa de Johnnie Walker – ok, talvez um pouco menos -, considerei que um bar não fosse uma coisa assim tão desagradável.

_ Vamos pegar uma tequila _ Alice me arrastou antes que eu pudesse raciocinar.

Oh, merda. Não, ainda não...

A figura indesejável de Edward Cullen criou forma diante dos meus olhos como o demônio da garrafa. Atrás do balcão, novamente cercado por um harém considerável, ele estava inclinado na direção de uma loura alta e exuberante, no estilo Barbie Califórnia, que se derretia em sorrisos melosos.

Tentei ignorar a visão da língua dele fazendo cócegas na orelha dela, enquanto Alice me atirava aos leões.

_ Tequila! Duas! _ ela gritou bem alto, acima da música, chamando a atenção de Edward.

Quando ele me viu, o sorriso sacana deu lugar a uma expressão de ira.

_ Não vou dar nada a você.

Mordi o lábio, irritada e ao mesmo tempo instigada. Debrucei-me sobre o balcão antes que ele pudesse chamar a polícia e mandar me prender por assédio.

Por algum motivo, a idéia era engraçada.

_ E por que não?

_ Porque eu não quero.

Forjei um longo suspiro entediado, enquanto brincava com uma mecha de cabelo castanho sobre o ombro.

Graças a Deus havia dado ouvidos a Alice naquela noite, e não só minha maquiagem, mas a produção inteira estava impecável. Eu estava usando um vestido curto da Chanel, com costas nuas e alça em um único ombro. Meus seios pareciam desenhados contra o tecido justo e preto. O batom vermelho fazia minha boca parecer “tentadoramente maior”, nas palavras da minha amiga.

_ Você é só um barman _ estalei os dedos, bancando a presunçosa. _ Rápido, garoto, me serve.

Alice olhou atônita de Edward para mim, e de mim para Edward novamente, enquanto ele parecia prestes a cometer um homicídio.

_ Eu perdi alguma coisa?

_ Esse é o babaca _ eu avisei sem tirar os olhos dele.

Para minha satisfação, os olhos dele também estavam presos a mim.

_ Oh.

Edward espalmou as mãos sobre o balcão, rosnando ameaçadoramente há centímetros do meu rosto.

_ Se quiser beber, tem um bar do outro lado da pista, Swan.

_ Acontece que tem um bar bem aqui... Cullen.

_ É, mas esse bar não serve adolescentes mimadas desesperadas por atenção.

Barbie Califórnia se mexeu desconfortável no banco alto de couro vermelho. O vestido parecia menor e mais justo do que deveria, como se tivesse pegado emprestada a roupa da irmãzinha de nove anos.

_ Ok _ ela comprimiu os lábios cor de rosa um contra o outro. _ Quem é ela?

Edward se afastou do balcão, sua presença magnética se desprendendo lentamente na mesma medida em que meus pulmões voltavam a funcionar.

Ao passo em que ele se distanciou, seu campo de visão foi aberto e ele se deu conta do vestido que eu estava usando. Balançou a cabeça então negativamente, provavelmente reprovando o meu novo estilo. Senti uma pontadinha de vergonha seguida de outra mais forte por estar levando em consideração a opinião dele.

_ Ninguém, Tanya _ seus olhos pousaram nos meus novamente, e ele deu de ombros. _ Só a enteada da minha mãe.

_ Ah _ a loura sorriu, destilando veneno pelos olhos. _ Você tem uma irmãzinha.

_ Não somos irmãos _ Edward e eu dissemos ao mesmo tempo.

Ele revirou os olhos. O simples fato de concordar comigo em alguma coisa já era motivo de irritação. Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude, ele colocou dois copos baixos sobre o balcão e escolheu uma garrafa onde se lia cointreau.

_ Ah, ótimo! _ Alice pareceu reviver ao meu lado, posicionando as unhas pintadas de azul na beirada do balcão e sorrindo alegremente. _ Talvez possa usar um pouco de Bourbon.

_ Talvez eu use arsênico.

A baixinha franziu a testa, mas depois sorriu de canto relaxando.

_ Só cointreau já está de bom tamanho, obrigada.

_ Você é o bartender mais abusado que eu já vi _ reclamei, pegando o copo quando ele me estendeu.

Seus lábios se abriram em um sorriso debochado.

_ É bom saber que mesmo assim minha clientela acaba sempre voltando _ ele tirou um copo alto, quase cheio por um líquido amarelado, escondido embaixo do balcão e levantou na minha direção em um brinde.

Sem esperar retorno, Edward entornou o conteúdo goela abaixo. Eu não sabia o que era aquilo, mas pela sua expressão estava longe de ser um inofensivo suco de laranja.

_ Você pode beber aqui? _ a loura perguntou.

Tanya . Era assim que ele a tinha chamado. Sem qualquer motivo, além do tom de propriedade que ela parecia assumir em relação a ele, eu pude apostar que ela não era só mais uma do galinheiro, mas a chefe do bando das galinhas.

_ Gata _ ele olhou excitado para o decote vulgar do vestido dela. Os seios quase pulavam para fora. _ Eu posso fazer o que eu quiser.

Tanya se desfez em um milhão de grãos de purpurina cor de rosa. A bolsa em seu colo, dourada e com franjas, era a segunda coisa mais vulgar que eu já tinha visto na vida. A primeira era a sua dona.

Eu segurei o braço de Alice, que quase derramou sua tequila.

_ Vamos pra pista.

_ É você que manda _ ela ergueu a mão livre por cima do balcão. _ Foi um prazer conhecê-lo, Sr Barman.

Para o meu total espanto, ele não hesitou em trocar um cumprimento amigável com ela.

Mas que porra...?!

Arrastei Alice por metade do bar, ignorando seus protestos sobre a bebida que ia se derramando um pouco a cada metro percorrido. Só parei quando eu estava certa de estar fora do alcance dos olhos do Cullen.

_ Posso saber por que estava... confraternizando com o inimigo?

_ Ah, Bells! _ ela revirou os olhos, virando a tequila garganta abaixo. _ Hm, ele é arredio, mas não é o inimigo. E tem mais...

_ Mais? O que?

Alice abriu um sorriso lento e malicioso.

_ Acho que ele tem uma quedinha por você.

Deixei escapar um som estranho e estrangulado.

_ Você deve estar louca!

_ E sabe o que mais?

_ Não, definitivamente eu não quero saber, Alice.

O sorriso dela duplicou de tamanho.

_ Acho que você ta despencando do Empire State por ele, nesse exato momento.

Notas finais
Boa tarde, meninas! Quero agradecer de todo o coração pela consideração de vocês e pelo apoio que eu recebi na última postagem, além de todo o carinho que venho recebendo desde o início da fic (: vocês são leitoras incríveis! Por isso, tô postando o capítulo onze logo, sem enrolação hehe Leiam e não deixem de comentar, por favor! Bjss