Two Broken Hearts
47 Confissões
Notas iniciais
_ Então, nós ficamos na mesma? _ a mudança no meu tom de voz fez ele franzir a testa, surpreso.
_ Como assim?
A estupidez dele me fez explodir.
_ Os mesmos segredos! Com a diferença de que agora eu sei que o que eu sinto por você nunca vai ser suficiente _ eu me sentei no colchão tão depressa que demorei a notar que ainda estava nua. Quando percebi, cobri os seios com as mãos e corri os olhos pelo quarto, procurando a minha blusa. O clima ali dentro havia atingido — 10ºC. _ Você nunca vai confiar em mim.
Edward suspirou, correndo os dedos através dos cabelos. Eles ficaram ainda mais bagunçados e essa visão me fez engasgar.
_ Eu não confio em mim... quando estou longe de você.
_ Não entendo _ fui sincera. Eu não estava preocupada em parecer a pessoa mais esperta do mundo naquele momento. Só precisava de algumas respostas.
Edward também se sentou no colchão. O lençol deslizou pelo seu corpo e eu tive a visão gloriosa do seu peito e abdome nus, mas não foi o suficiente para eu parar de esconder o meu próprio corpo. Se Edward não confiava nele longe de mim, eu não confiava em mim perto dele.
Quando seu olhar recaiu sobre mim novamente, a tensão não evaporou, mas reduziu um pouco. Seus olhos eram sinceros e havia uma transparência neles que não estivera ali dias antes. Aquilo, de certa forma, me consolava. Talvez, entre erros e acertos, nós estivéssemos finalmente chegando a algum lugar.
Quando Edward abriu um sorriso torto irresistível para mim, eu senti a minha nuca formigar de excitação e soube que estava corando.
_ Quando nós dois estamos juntos, as coisas ficam mais leves _ ele começou, puxando o meu braço para o seu colo e tocando meu pulso, suavemente, com a ponta do indicador. _ Mesmo quando estamos brigando ou nos odiando... sei lá. Vale a pena acreditar em alguma coisa.
_ Vale? _ eu perguntei, distraída com os movimentos lentos e circulares do seu dedo sobre a minha pele ainda quente do sexo. Precisei piscar várias vezes para poder voltar à realidade.
_ Sim. Com certeza, vale _ ele assegurou, segurando o meu queixo para que eu pudesse olhar para ele de frente.
Eu respirei fundo, tentando criar coragem. As palavras pareciam travadas na minha garganta, mas aquele, definitivamente, não era um momento para ficar calada.
_ Então, pode começar acreditando em mim _ eu pedi. _ Não sou tão frágil quanto você acha, Edward. Eu... eu não sou a filha mimada de Charlie Swan. Meu pai e eu... _ eu engasguei com as palavras e notei, pelo seu olhar, que ele percebeu o meu constrangimento em tocar naquele assunto. _ Bom, nós não temos uma relação convencional de pai e filha.
Edward assentiu. Seus dedos passaram a acariciar os meus lábios e eu senti os olhos queimarem nas bordas, como se lágrimas fossem descer a qualquer momento. Era um gesto tão bonito, meigo e tocante que superava qualquer outro tipo de carícia que eu já tivesse recebido. Incluindo Ronda, Gretha, Thereza, Esme ou meus avós. E obviamente, Charlie nem poderia ser citado nessa comparação.
_ Eu notei _ ele disse, puxando o meu rosto para que eu pudesse deitá-lo contra o seu peito. Eu não o impedi. Sentir o calor da sua pele me provocava ondas moles e agradáveis de felicidade por todo o meu corpo. _ Só não sabia que isso te abava desse jeito. Me desculpe... _ pela voz, ele parecia um pouco envergonhado. _ Você sabe... por ter sido um monstro com você.
Eu franzi a testa, mesmo sabendo que ele não poderia ver. Eu tinha uma vaga recordação de como nosso começo havia sido péssimo. Mas, estranhamente, agora eu só conseguia me concentrar nas boas lembranças. O beijo em seu quarto na casa de Charlie. A forma como ele esteve ao meu lado durante a briga no Seven. Seu jeito protetor quando Jacob tentou me forçar a ficar com ele.
Edward não precisava me pedir desculpas. Mas eu precisava agradecer a ele pela explosão de adrenalina que havia causado na minha vida.
_ Tem uma coisa nessa história, Isabella Swan _ ele interrompeu os meus pensamentos e eu me afastei do seu peito para poder encarar os dois olhos verdes que me fitavam com um brilho lascivo. _ Quanto mais eu te provocava e irritava, mais gamado eu ia ficando. Você me viciou.
Quando ele me enlaçou pelo pescoço, eu retribuí o beijo com a mesma urgência. Seus lábios deslizaram pelos meus e eu senti suas mãos se enroscarem em meus cabelos, até que, pousando as mãos sobre o seu peito, descobri, emocionada, que os nossos corações batiam no mesmo ritmo, na mesma frequência.
Quando nos separamos, olhamos um para o outro com a respiração cortada. Aquela era a melhor coisa que já havia acontecido na minha vida. Edward era o melhor terremoto de todos os tempos.
Eu não pude evitar um sorriso besta.
_ Te viciei em ser uma peste comigo? _ provoquei, me recusando a soltá-lo e dando uma mordidinha leve em seu queixo.
_ Me viciou em ficar perto de você _ ele respondeu, me puxando para sentar de frente em seu colo, com as pernas ao redor da sua cintura. _ Era melhor ter o seu ódio do que a sua indiferença.
_ Mas agora eu não quero te dar nenhum dos dois _ eu balancei a cabeça em negativa. _ Eu me apaixonei por você quando te vi pela primeira vez, Edward. Não quero deixar esse sentimento quieto, não quero escondê-lo no fundo de uma baú trancado a sete chaves _ eu sabia que minhas emoções estavam claras demais, vulneráveis demais, mas não me preocupei em escondê-las. _ Eu quero que você saiba e não me importo que todo mundo saiba também. Eu amo você, Edward Cullen. Eu amo você e nada do que aconteça vai me fazer voltar atrás na decisão de ficar ao seu lado.
O silêncio pairou no quarto assim que eu disse aquelas últimas palavras. Suas mãos permaneceram acariciando as minhas costas, na base da espinha, e os músculos do seu torso continuaram pressionando os meus seios com deliciosa firmeza.
Eu exalei um suspiro trêmulo quando ele beijou minha testa com uma hesitação desconcertante. Eu o estava perdendo de novo. Edward era como areia fina, que deslizava entre os meus dedos sempre que eu imaginava ter conseguido segurá-lo. Encostei o nariz no dele e agora foi sua vez de suspirar.
_ Você importa se as pessoas souberem a nosso respeito?
_ Sim _ ele respondeu sem hesitar, e o meu coração se quebrou em milhões de fragmentos. _ Mas não do jeito que você está pensando _ Edward se apressou em corrigir. _ Bella, talvez você não entenda isso agora, mas não se afaste de mim. Antes de ficarmos juntos, eu preciso ter certeza de que nenhuma atitude ruim do meu passado vai voltar pra assombrar nós dois. Eu preciso proteger você, Bella. Você é o que mais importa pra mim, agora.
Eu assenti devagar, embora minha vontade fosse gritar, xingar e estapeá-lo. Eu queria ganhar sua confiança, mas, para isso, as meias verdades entre nós dois precisavam ter um fim.
_ Esse passado, essa história... _ eu arrisquei, tentando não pressioná-lo demais e partir o elo tênue que estava se formando. _ Isso tem alguma coisa a ver com sua mãe?
A respiração profunda de Edward foi a resposta que eu precisava.
_ Tem tudo a ver com ela.
Eu assenti, compreendendo.
_ Ela abandonou você.
_ Sim, ela me abandonou _ ele repetiu as palavras, mecanicamente.
Eu passei as mãos pelas linhas firmes do seu maxilar. Seu rosto estava contraído e qualquer traço de humor havia desaparecido de novo.
_ E você é incapaz de perdoá-la, não é?
Edward se calou. Eu não fiz pressão nenhuma nesse sentido novamente. A respostava ali, estampada em seu rosto, clara demais para ser ignorada. Por isso, quando ele falou novamente, eu me surpreendi com a vulnerabilidade das suas emoções.
_ Como você se sentiria se a única pessoa capaz de te livrar do inferno simplesmente te virasse as costas, Isabella? Você já imaginou um tipo de mulher capaz de abandonar o filho a própria sorte e nunca mais ligar... nem sequer pra saber se ele estava vivo?
Minha garganta travou. Eu estendi a mão para tocar a dele e percebi que Edward estava tremendo. Nossas mãos se entrelaçaram e tremeram juntas. Eu não sabia o que dizer, mas não queria parar de tocá-lo e não queria que ele parasse agora que, finalmente, estava falando. Aquilo tudo era uma doença, um vírus terrível e altamente destrutivo.
Edward precisava colocá-lo para fora antes que morresse envenenado.
_ Coisas ruins aconteceram, Bella. Bem, bem ruins. E ela nunca voltou, nem ligou. Ela nunca se importou... _ ele meneou a cabeça, o queixo trincado de ódio e rancor. _ Eu esperei durante muito tempo. Anos. Esperei ela voltar e me abraçar, pra que eu pudesse perdoá-la e fugir com ela.
_ Mas ela nunca voltou _ eu murmurei, mais surpresa com a atitude de Esme do que eu esperava. Eu já imaginava uma história de abandono. Mas a mágoa nos olhos de Edward revelava que tudo era bem pior do que parecera a princípio.
_ Não _ ele confirmou, voltando os olhos para baixo. Eles estavam secos, mas sua voz saía rouca e engasgada. _ Então eu esperei de novo _ quando os olhos de Edward encontraram os meus novamente, havia uma emoção diferente neles. _ Mas, dessa vez, pra me vingar dela.
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