Two Broken Hearts
7 Alice Brandon
Notas iniciais
POV Alice
Eu sempre me orgulhei de não depender de ninguém. Há três anos, havia saído de casa com minha irmã mais velha, Gwen, não só porque acreditava no seu sonho hollywoodiano, mas porque acreditava no meu potencial para estudar Medicina na Columbia e fazer tudo diferente do que meus pais haviam feito.
Minha mãe, Stephenie, havia se casado com meu pai aos dezesseis anos. Meus avós forçaram a união por causa da gravidez indesejada. Talvez por isso, a vida deles fosse um inferno desde sempre, o que fazia da nossa vida, consequentemente, um inferno também.
Gwen era a que mais sofria. Talvez por ser considerada a razão daquela união maldita, era sempre julgada e excluída. Meus pais ridicularizavam qualquer coisa que ela dissesse. A menor das suas escolhas era recebida com escárnio e nenhuma consideração. Quando ela confessou o seu desejo de estudar teatro em Nova York, foi motivo de deboche em casa por meses inteiros.
Eu sentia pena da minha irmã, mas minha vida também não era fácil. Apesar de não ser o alvo direto de Jonathan e Stephenie Brandon, eu era a caçula sem direito a opinião, ignorada sempre que possível.
Na altura do meu nascimento, meus pais se ressentiam tanto com a vida que levavam, que ambos tinham suas vidas particulares. Minha mãe tinha um namorado chamado Michael, que fedia a cigarro, bebida e mentiras; meu pai tinha um relacionamento com uma garota bem mais jovem. Seu nome era Rachelle e ela fingia que minha mãe, minha irmã e eu simplesmente não existíamos.
Quando eu tinha doze anos e Gwen, quinze, Rachelle engravidou. Descobri aquilo quando ouvi uma discussão entre meus pais atrás da porta do quarto. Minha mãe dizia que a culpa não era dela se meu pai nunca conseguia segurar aquele esperma sujo dentro do próprio pau. Meu pai respondeu com um tapa que deixou o olho dela roxo por vários dias.
Uma semana depois, meu pai e Rachelle saíram de casa enquanto Gwen e eu nos arrumávamos para o colégio. Ela tinha os olhos vermelhos e inchados e, como de costume, não falou com a gente. Quando voltaram, no fim da tarde, minha mãe estava trancada no quarto bebendo e assistindo os episódios repetidos de Friends na tv. Rachelle continuava com os olhos vermelhos, mas agora também estava pálida e trêmula. Meu pai fez ela se sentar. Rachelle gemeu, obedecendo com alguma dificuldade. Ela murmurava algo que eu não conseguia compreender. Meu pai gritou com ela e ameaçou lhe bater, então, para minha surpresa, ela berrou bem alto: Assassino! Você matou o meu bebê! Assassino!
Ele saiu de casa batendo a porta com força. Eu não sabia o que fazer e só fiquei olhando para Rachelle enquanto ela chorava histérica. Algum tempo depois, as lágrimas cessaram. Ela olhou dentro dos meus olhos com um ódio que me fez gelar os ossos. Depois saiu da sala aos tropeços, batendo a porta atrás dela.
Meus pais se odiavam e por eles aquele casamento nunca teria acontecido, muito menos perdurado por tantos anos. O caso é que nenhum dos dois trabalhava. Eram vagabundos por natureza, bêbados egoístas que não se preocupavam com nada além da próxima garrafa de uísque barato. Eram meus avós, os pais de Stephenie, que sustentavam os dois com uma mesada que cobria os gastos e permitia sobrar o suficiente para cigarro e bebida. Meus avós, Julian e Gwen Donovan, eram um casal de metodistas fanáticos de classe média alta. Para eles, separação e divórcio eram pensamentos tão bárbaros quanto assassinato e suicídio. Eles sempre faziam questão de lembrar que a mesada continuaria por tempo indeterminado desde que meus pais continuassem vivendo sob o mesmo teto.
Infelizmente, nenhum dois tinha qualquer interesse especial por Gwen ou por mim. Quase nunca iam nos visitar e poucas vezes fomos até sua casa. Eles se envergonhavam da vida imunda dos filhos e consideravam os netos, frutos daquela imundície.
Quando Gwen fez vinte anos, já trabalhava há quase cinco servindo mesas; primeiro em uma lanchonete perto do colégio, depois em um bar nos arredores da cidade, onde fingiam não saber que era menor. Eu trabalhava na biblioteca perto da escola e estava perto de me formar no ensino médio.
Foi quando Gwen recebeu uma carta de aceitação para um teste na Escola de Teatro de NY. Ela ficou tão eufórica que pediu demissão na mesma hora, passou no colégio, me arrancou literalmente da sala de aula e fomos comemorar sua liberdade em uma lanchonete onde o hamburguer custava doze dólares e tínhamos várias garçonetes sorrindo a nossa volta, nos tratando como se fossemos pessoas importantes.
Eu me sentia tão especial que não conseguia parar de sorrir.
_ Hey, Ali.
_ O que?
O sol brilhava atrás dos cabelos vermelhos e encaracolados da minha irmã, fazendo com que se parecessem línguas de fogo em torno do seu belo rosto. Eu a adorava. Gwen tinha personalidade e era muito extrovertida. Nós duas éramos independentes pelas mesmas razões, mas ela parecia ter sede de liberdade acima de tudo. Eu sempre fui mais doce e desconfiada com tudo e todos, escondendo minhas limitações atrás de um sorriso dissimulado e uma falsa confiança.Tudo não passava de fachada. Por dentro eu ainda era uma criança assustada desejando acordar do pesadelo de ter nascido.
_ Se eu te pedir, você vem comigo?
Arregalei os olhos, congelando o hamburguer na altura da boca. Meu coração acelerou dentro do peito. Gwen estava me oferecendo mesmo a chance de partir com ela sem nem olhar para trás? Caramba...
Nem cheguei a pensar duas vezes.
_ Vou a qualquer lugar que você for, Gwen.
Então agora eu era uma universitária da Columbia cursando o sexto período de Medicina. Gwen e eu dividíamos um apartamento minúsculo em um bairro assustador. Tínhamos apenas o suficiente para comer e pagar as contas, nunca os problemas financeiros haviam parecido tão terríveis. E éramos absurda, maravilhosa e inacreditavelmente felizes. Não éramos apenas as donas dos nossos próprios narizes, mas o ar que respirávamos — a poluição negra de NY — tinha cheiro de vitória e paz.
A história de vida de Bella foi a primeira coisa que me atraiu nela. A morte de sua mãe, a depressão — e quase morte também — do seu pai, o descaso dele por ela na infância... tudo isso havia contribuído para que eu me sentisse a vontade em me aproximar dela. Bellinha sabia um pouco da minha história, mas não tudo. Além de Gwen e eu, ninguém sabia tudo.
Agora eu era Alice Brandon, tão descontraída e cheia de estilo quanto minha irmã e melhor amiga Gwen. Ela havia me ensinado tudo o que sabia sobre a vida e as pessoas, e eu... eu tinha aprendido e executava tudo com louvor. Homens eram o alvo e também o inimigo. Eles não prestavam e mereciam ser iludidos porque não valiam um centavo. Eu lembrava do meu pai gritando e batendo em Rachelle e na minha mãe; também lembrava de Michael, aquele porco asqueiroso que tentava entrar no nosso quarto sempre que minha mãe estava dormindo. Homens eram serem perversos que mereciam ser usados e depois atirados na lata do lixo.
Foi então que eu conheci Jasper. Olhos verdes sonhadores, sorriso inocente e um beijo... aquele beijo que me fazia levitar nas nuvens! Será que eu estivera, então, me enganando durante todo aquele tempo? Era possível que existisse um homem capaz de domar meu coração selvagem e me fazer feliz para sempre? Era possível... o amor?
Eu não queria me precipitar mas estava se tornando impossível. Desde que nos conhecemos na noite anterior, ele havia telefonado quatro vezes. Queria me desejar bom dia, boa tarde e bons sonhos à noite. Queria dizer que meus olhos eram a coisa mais linda que ele já tinha visto na vida e que não se cansaria de olhar para eles nunca, nunca.
Cacete. É difícil resistir quando um ser louro e gato tenta roubar seu coração desse jeito. Gwen não sabia como me orientar... ela mesma não acreditava nos homens, mas não queria me desiludir. E Bella... Bella não tinha experiência nenhuma naquela área. Eu precisava descobrir as reais intenções de Jasper sobre mim, e rápido. Antes que me apaixonasse de um jeito tão fodido e neurótico que simplesmente não pudesse mais voltar atrás. Ele era tão... AW!
Ali, na Seve'n Seven, eu podia sentir meu coração disparado, as mãos tremendo.
E quando Jasper segurou a minha mão, tudo pareceu tão simples, absolutamente descomplicado... senti borboletas voando no meu estômago e inevitavelmente abri um sorriso.
E desta vez, eu não estava fingindo.
(FIM DO POV ALICE e RETORNO AO POV BELLA)
Alice e Jasper pareciam tão perfeitos juntos que eu resolvi sair de mansinho e dar espaço aos dois.
Caminhei um pouco pelo bar e logo comecei a me sentir constrangida pela escolha errada da produção. O sentimento de “Foda-se, essa sou eu” estava perdendo rápido para a sensação de ser o patinho feio da festa.
Foi quando eu vi um grupinho de meninas que se aglomerava em torno do bar, as cabeças iluminadas pelo jogo de luz da casa. Podia ouvir seus gritinhos agudos e risadas histéricas, enquanto jogavam o cabelo para trás quase a ponto de quebrar os pescoços.
A cena chamou minha atenção e não resisti em ir dar uma olhada de perto, mas acabei estatelada no meio do caminho.
Do outro lado do balcão, entre drinks, malabarismos e garotas, um certo bartender de olhos verdes profundos me encarava como se não existisse mais nada ao redor.
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