Twisted Life
15 Poder divino (1)
"É fácil de notar. Como são desleixados com quase tudo nesse lugar. Um jovem qualquer poderia vir e passar a frequentar esse lugar... e se ele tivesse segundas intenções, ninguém iria nem perceber." — Explicou Kizuko, gesticulando com as mãos. "Quer dizer que aquela garota pode ser uma divergente ou algo assim?" — Perguntou Masato. O rapaz em resposta balançou a cabeça levemente. "Não, não. Digo essas coisas em relação ao futuro, não atualmente. Acha mesmo que alguém seria idiota o suficiente para fazer um golpe comigo por perto?" — Respondeu Kizuko, rindo arrogantemente. "É, tem razão quanto a isso. Você é o mais forte, obviamente." — Disse Masato. Kizuko riu orgulhosamente da resposta de Masato. "E antes que venha a dizer, ninguém sabe o que pode acontecer amanhã, muito menos na próxima década. Aonde eu vou estar quando isso tudo acontecer? Qual será a atual situação dessa sociedade? É um mistério bem interessante, não acha?" — Completa Kizuko, coçando o nariz.
Os dois caminharam por mais um tempo antes de Kizuko pegar seu telefone, que vibrava loucamente com diversas mensagens. O rapaz rapidamente respondeu as mensagens e guardou seu aparelho, e olhou para seu amigo. "Sua mãe?" — Pergunta Masato. "Pai. Assunto de família, parece importante." — Respondeu Kizuko, com seriedade. "Então vê se vai logo, pra não se atrasar." — Disse Masato. Kizuko aproximou-se e apertou a mão de Masato, despedindo-se. "Me liga se precisar de mim." — Disse o jovem antes de sair do local. "Kizuko! Mais uma coisa..." — Exclamou Masato, chamando por seu amigo, que se virou imediatamente. "Tente botar essa sua cabeça pra pensar sobre oque eu te disse, ok? Sinceramente acho que você não quer morrer sendo lembrando como um arrogante maldito." — Terminou Masato. O jovem em resposta balançou a cabeça enquanto ria, antes de sair do local.
Masato sabia que Kizuko não pensaria sobre. Sua natureza arrogante e orgulhosa não o permitiria, não importava o quão próximos fossem um do outro, não importaria o quanto Kizuko confiasse em Masato. Uma tentativa cada vez mais desgastante, porém o rapaz preocupava-se demais com seu amigo e as consequências de suas ações. O fato fixado na mente de Kizuko que de era o mais forte indivíduo de sua sociedade o fazia pensar que poderia fazer oque bem quiser, sem nenhuma consequência. Afinal, não há nada que pudesse pará-lo. Entretanto, a bondade no coração de Masato o fazia permanecer tentando. Passaram-se uma semana desde então. O calor daquele verão cada vez mais forte a cada dia. Naquela quinta-feira, Masato desistiu de ir de uniforme completo e vestiu apenas uma camiseta branca. Eram aproximadamente 9:46 da manhã. Masato estava relaxando na sala de aula com Kenji, tentando aguentar o calor escaldante, quando o professor abruptamente adentra a sala, assustando os dois rapazes. "Onde está o Kizuko? Ah, tanto faz." — Murmura o homem, pegando um giz de cera e começando a fazer um esquema no quadro com urgência.
"Oque houve professor? Tá com pressa pra dar aula?" — Disse Masato, limpando o suor da testa com a mão. Rapidamente terminando o esquema — que mais parece com um plano de ataque — ele se vira para os dois rapazes. "Um divergente pirocinético classe SS apareceu nas últimas horas no bosque de bambus de arashimya e vem causando uma queimada significativa. Por causa de um erro de rede tivemos um atraso quanto a localização do indivíduo, mas nossos gráficos mostraram que ao passar do tempo as queimadas vem ficando mais intensas quanto mais a temperatura sobe, oque nos faz acreditar que esse divergente fica mais forte com o calor." — Terminou o professor, ficando praticamente sem ar de tão rápido que disse. Os dois jovens ficam quietos fingindo que entenderam todas as informações. "Certo... Mas a gente vai achar esse divergente ou...?" — Disse Masato. "Só você, Masato. Irão você e Alaska." — Disse o professor, com seriedade. Masato ficou quieto um momento, pensando. "Só eu e a Alaska? Duas pessoas contra um divergente classe A+? Isso é loucura. Onde está o Kizuko?" — Exclamou Masato, com indignação na voz.
"São o melhor que temos para capturar esse divergente. Por isso..." — Disse o homem, apontando pro quadro. "Desenhei esse plano." — Terminou o professor. Masato analisa cuidadosamente o esquema de ataque com bastante atenção. "É péssimo. Vai fazer ele me incinerar me jogando pra cima dele." — Disse Masato, profissionalmente. O professor ficou irritado com a atitude do rapaz e o mandou ir logo se encontrar com Alaska na entrada da organização. Hesitantemente, o garoto foi sozinho. Encontrou-se com a garota no local determinado, que estava esperando-o juntamente ao cientista que os enviaria ao lugar de encontro do divergente. "Você demorou." — Disse a garota, num tom seco e direto. Masato sentiu-se bastante envergonhado, e coçou a nunca com a mão. "Sinto muito... o professor ficou tagarelando na sala." — Respondeu Masato. "Vamos logo para não perdermos mais tempo." — Terminou Masato, que caminhou até um ponto específico da área que estavam. "Eu ia dizer isso." — Completou Alaska, seguindo Masato.
Assim que se estabeleceram nas suas atuais posições, um símbolo que brilhava azul claro feito pelo cientista apareceu embaixo dos dois, e desejando-os boa sorte, o enviou-os para o local determinado do divergente. Assim que chegam no local, Alaska fica bastante surpresa com oque acabou de acontecer, surpresa o suficiente para Masato perceber. "Legal, não é?" — Disse Masato, mas não recebe resposta. Quando os dois focam no objetivo, param para perceber os seus arredores. Uma visão infernal tanto quanto linda. Fogo, em todos os lugares. Fumaça para todo lado. O campo de visão era limitado devido a quantidade de fumaça no local causado pela queimada. Os dois, um pouco desconfiados, caminham em frente, a procura do divergente, sempre atentos.
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