Twisted

2 Capítulo 2 - Caos


Quando chego na escola meus nervos já estão a flor da pele. Não sei como vou suportar isso, realmente não sei. É equipe de reportagem pra tudo enquanto é lado e até mesmo uma viatura da polícia. Luzes e flashs das câmeras quase cegam os meus olhos quando me aproximo do pátio da escola. Isso parece errado. Na verdade, nada parece certo hoje. Meu estômago está revirado como se eu estivesse acabado de sair de uma montanha russa. Meu olhar encontra o de Lacey do outro lado da escola, e vejo que ela está tão apavorada quanto eu.

Lacey e eu dividimos o mesmo passado. Ambas estávamos lá quando tudo aconteceu. Éramos amigas desde que eu me lembrava e se dependesse apenas de mim teria continuado assim. Dividíamos uma amizade com Danny e era perfeito. Nós três éramos inseparáveis. Parte de mim culpa Denny por ter destruído minha amizade com Lacey. Depois de tudo, seguimos caminhos diferentes. Lacey fez novas amizades, Danny foi para a detenção juvenil e eu... bem, eu estou aqui, como sempre estive.

– Da pra acreditar? – Quase dou um pulo para trás quando Rico chega e começa a andar ao meu lado. Ele tem o péssimo habito de me surpreender a todo momento. – Como você está?

– Apavorada, para dizer o mínimo. Parece que meu coração vai saltar do meu peito a qualquer momento. – Digo porque é exatamente o que estou sentindo. Rico me olha com curiosidade enquanto examina meu rosto.

– Não imaginava que matemática te deixaria tão nervosa. Você estudou, pelo menos?

Olho para ele confusa. Matemática? Do que ele estava falando, afinal? O motivo do meu nervosismo nada tinha a ver com matemática. Era apenas por Denny.

– O que? Por que eu estaria nervosa com matemática? Rico, do que você esta falando?

– Uê, hoje é dia das olimpíadas de matemática. Não acredito que você esqueceu. Não ta vendo essas câmeras todas? – Notando o meu olhar confuso, Rico pergunta: — Não é por isso que estão aqui?

Rico me conhece desde a oitava série. Acho que nossa nerdice nos uniu. Formamos dupla no laboratório de biologia uma vez e depois disso nunca mais nos separamos. O ruim de conhecer uma pessoa a tanto tempo é que ela sabe absolutamente tudo sobre você, as vezes sabe até o que estamos sentindo. Destesto quando Rico olha pra mim desse jeito, como se estivesse me analisando.

– Claro que não. Quem se importa com as olimpíadas? Estão todos aqui por causa do Denny. Ele volta hoje. — Não sei se ele nota meu olhar apavorado. Faço de tudo para parecer indiferente.

– Ah, isso. Me esqueci. – Ele diz meio sem graça. – Mas, como você está com essa coisa toda?

– Só um pouco nervosa, mas quem na escola não está?

– Eu. Ele é só um cara que vai começar a estudar na nossa escola. – Rico diz como se não fosse nada de mais.

– É. Só um cara que vai começar a estudar na nossa escola e que matou a própria tia.

***

Me separo de Rico quado entro no prédio da escola e ele acena da porta e vai em direção ao outro prédio. Não conseguiria suportar todo a confusão que está se formando lá fora. As pessoas estão curiosas, então permaeceram do lado de fora esperando para vê-lo chegar. Por isso, quando chego ao corredor do colégio está um silência e não há quase nenhum aluno. Vou direto para o meu armário e tento organizar meus pensamentos. Espio por entre as frestras da pequena porta e vejo que Lacey também está no corredor. Quando percebe que estou observando ela rapidamente desvia o olhar e começa a retirar os livros do próprio armário.

Ouço o som do sinal e de repente uma enchorrada de alunos começam a chegar pelo corredor, todos apressados. Olho para os lados a procura de Lacey mas ela parece ter sumido. Tão rápido quanto a chegada dos alunos, um silêncio se instala e o único som que ouço é o de alguns cochichos do outro lado do corredor. E então é ele. Entrando pelas portas do colégio como se fosse a coisa mais natural de se fazer. Mesmo depois de cinco anos, eu o reconheceria em qualquer lugar, apesar de algumas mudanças notáveis. Está pelo menos três vezes mais alto do que eu, também está mais forte. O cabelo cresceu até a altura dos ombros e observo enquanto ele o prende com um elástico. Seus olhos são imutáveis. Sempre foram de um castanho quase preto, do mesmo tom dos cabelos, que contrastam com sua pele levemente morena. Caminha de cabeça erguida e olhar sério. Está procurado alguém. Quando finalmente parece encontrar o que procurava, percebo que seu olhar está em mim, e sinto minhas pernas moles. O que ele está fazendo? Observo enquanto ele vem em minha direção e abre um pequeno sorriso. Sou incapaz de me mexer nesse momento. Sinto o suor frio escorrendo por minhas costas. A uns três passos de mim ele para e diz:

– Olá Jô.