Twilight: Moonlit Desire
8 Capítulo 8 – Cinzas e Sombras
A tempestade havia cessado, mas Forks permanecia mergulhada em penumbra. O céu, antes apenas nublado, agora parecia um túmulo aberto onde o sol jamais ousaria nascer. A floresta encharcada exalava o cheiro de terra revirada e madeira queimada – vestígios das batalhas recentes e do que havia sido perdido.
Rosalie vagava sem destino entre as árvores, seus passos leves sobre o chão macio contrastando com o peso insuportável que carregava dentro de si. O mundo ao seu redor havia perdido toda cor e som. Tudo o que restava eram sombras e o gosto amargo do vazio.
— Ele se foi — murmurou finalmente.
Na casa dos Cullen, o silêncio era mais ensurdecedor que qualquer grito. Seu quarto tornara-se um santuário de ausência: o colar quebrado de Jacob no chão, o rubi estilhaçado em fragmentos que ela recolhia e reorganizava todas as noites, como se pudesse remendar o passado. As bordas afiadas do cristal cortavam seus dedos, mas as feridas fechavam-se em segundos – nada doía mais que a memória dele.
Emmett tentava ajudá-la, mas nem mesmo sua força era capaz de arrancá-la daquele abismo.
— Você não pode continuar assim, Rose — disse ele encostado na porta, os olhos carregados de preocupação.
Ela não respondeu. Apenas girou o rubi quebrado entre os dedos. Emmett suspirou profundamente antes de desaparecer novamente nas sombras do corredor.
Todas as madrugadas, Rosalie subia ao telhado e sentava-se no mesmo lugar onde Jacob a beijara pela primeira vez, com os joelhos encostados na telha fria. O céu estava vazio – sem estrelas, sem lua, apenas um abismo que engolia até a esperança. Ela fechava os olhos e tentava reconstruí-lo: o calor da mão dele em sua cintura, o rastro de respiração quente em seu pescoço, o som de sua voz rouca sussurrando "Você é minha maldição." Mas tudo o que restava era o vazio.
Enquanto isso, a guerra avançava. Os Volturi não perdoavam nem esqueciam. Atacavam as fronteiras da reserva Quileute como abutres, rasgando a terra com garras e dentes. Leah liderava a alcateia agora. Vampiros e lobos lutavam lado a lado, mas até sua força combinada não era suficiente.
Quando Leah retornou à base, coberta de cinzas e feridas, Rosalie a encarou pela primeira vez em semanas.
— Quantos mais? — perguntou, sua voz tão seca quanto as folhas mortas sob seus pés.
Leah mostrou os dentes, não em ameaça, mas em dor.
— Até não restar nenhum de nós... ou nenhum deles.
Foi na terceira lua nova que os sinais começaram.
Primeiro, o cheiro: fumaça de carvalho queimado, o mesmo que Jacob usava para acender fogueiras. Depois, as pegadas – marcas de lobo ao redor da casa, profundas demais para serem de qualquer membro da alcateia. Rosalie seguiu-as uma noite, as mãos trêmulas, até encontrar algo que a fez cair de joelhos.
No meio da clareira, onde Jacob sacrificara-se para salvá-la, crescia uma única flor: Wolfbane. Pétalas negras como a noite, centro vermelho-sangue. Rosalie estendeu a mão, mas a flor murchou ao seu toque, reduzindo-se a pó. Foi então que ela o viu – um lobo de pelagem negra, olhos dourados que queimavam como brasas.
"Jacob?"
Ele não se moveu. Apenas inclinou a cabeça, como fazia quando a provocava. Seu pelo brilhava sob uma luz inexistente e, por um instante, Rosalie jurou ver cicatrizes prateadas cruzando seu peito – as mesmas que ele ganhara ao protegê-la.
— Você... está aqui? — ela sussurrou, avançando.
Mas o lobo recuou, dissolvendo-se na névoa como fumaça.
De volta à casa, Rosalie enfrentou seu reflexo no espelho. Seus olhos, antes dourados, agora tingiam-se de vermelho-sangue. Nas veias de seu pescoço, padrões negros serpentavam como raízes de Wolfbane. Ela sabia o que significava: o vínculo com Jacob não morrera. Estava enraizado nela, consumindo-a.
Quando Leah a encontrou no porão, cercada por mapas e amostras de solo, Rosalie não hesitou:
— Ele está vivo. De alguma forma.
A loba estudou-a, farejando o ar.
— Ou você está disposta a queimar o mundo para acreditar nisso.
Na borda da floresta, onde as árvores encontravam o céu, Rosalie plantou a última semente. O solo era fértil – sangue de lobo, lágrimas de vampiro, cinzas de um amor que o fogo não consumira. Quando a primeira Wolfbane brotou, negra e rubra, ela sorriu.
O vento soprou através das árvores, e entre os sussurros das folhas, ela ouviu sua voz:
"Você talvez tenha sido minha maldição... e com certeza meu grande amor."
Lágrimas escarlates escorreram pelo rosto de Rosalie, caindo sobre a terra que Jacob tocara. Luto e esperança eram gêmeos inseparáveis naquele momento. E nas sombras daquela noite, algo estava mudando.
O mundo estava repleto de cinzas e sombras. E Jacob ainda estava lá, em algum lugar entre elas.
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