Twilight: Moonlit Desire

2 Capítulo 2 - Sob a Pele da Lua



A noite já ia alta quando Jacob subiu os degraus estreitos que levavam ao telhado da casa. O ar estava carregado com o cheiro de terra molhada e resquícios de madeira encharcada pela chuva recente. O vento frio roçava sua pele quente, criando um contraste quase reconfortante. Ele não sabia bem por que tinha ido até ali—talvez para escapar do peso daquela noite, talvez apenas para respirar. Mas, assim que pisou no telhado, percebeu que não estava sozinho.


Rosalie.


Sentada na borda, com as pernas balançando no vazio, ela parecia esculpida pela própria luz prateada da lua. O cabelo dourado caía em ondas desleixadas, e sua postura, ainda que relaxada, carregava uma tensão silenciosa. Ela olhava para o horizonte como se procurasse algo que nunca encontraria.


Jacob hesitou. Nunca imaginou Rosalie sozinha, vulnerável, longe da presença constante de Emmett e do resto dos Cullen. Algo parecia errado.


— Não esperava te ver aqui — disse ele, a voz mais rouca do que pretendia.


Rosalie não se moveu de imediato. Apenas piscou devagar, como se estivesse saindo de um transe.


— Às vezes, a solidão nos leva para lugares estranhos — murmurou.


Jacob franziu o cenho. Não era comum vê-la tão... humana. Rosalie sempre foi feita de aço e gelo, uma presença fria e impenetrável. Mas ali, sob a lua, ela parecia mais próxima, mais real.


— E você? — ela perguntou, finalmente virando a cabeça para encará-lo. — O que faz aqui?


Jacob deu de ombros, caminhando até a borda oposta do telhado e apoiando as mãos nos joelhos.


— Fugindo da multidão, acho. Eu precisava... respirar.


Ela soltou um riso seco.


— Engraçado. Você pode fugir da multidão, mas nunca consegue fugir de si mesmo.


A frase ficou entre eles, pairando no ar como uma verdade incômoda.


Jacob a observou por um instante. Havia algo de errado. Algo que a deixava tensa, ainda mais do que o normal.


— Rosalie, o que está acontecendo?


Ela apertou os lábios, o olhar fugindo para a noite. O vento agitou seus cabelos, mas ela não se moveu. Então, depois de um longo silêncio, murmurou:


— Emmett.


O nome dele era um peso entre eles.


— O que tem ele?


Rosalie suspirou, inclinando o queixo para o céu.


— Há algo que ele me escondeu. Algo que eu não consigo entender, mas que muda tudo.


Jacob sentiu um aperto no peito ao ver a expressão dela. Rosalie sempre fora forte, orgulhosa, ferozmente leal ao que acreditava. Mas ali, naquele momento, ela parecia perdida.


— Você pode me contar — disse ele, suavemente.


Ela virou o rosto para encará-lo, e por um instante, Jacob teve a estranha sensação de que aquele olhar atravessava sua pele, lendo cada pedaço de quem ele era.


— E por que eu faria isso? — perguntou, num tom desafiador.


Jacob sorriu de canto.


— Porque talvez seja mais fácil dividir a dor do que carregá-la sozinha.


Rosalie prendeu a respiração, e Jacob percebeu a hesitação nela. Pela primeira vez, ela parecia querer ceder.


Mas então, em vez de palavras, houve um movimento.


Ela desviou os olhos, mas Jacob já estava perto demais para ignorar o que viu ali—um medo quase imperceptível, misturado a algo que não deveria estar ali.


Desejo.


O ar entre eles ficou pesado.


Jacob não soube dizer quem se moveu primeiro. Talvez tenha sido ele, impulsivo como sempre. Talvez tenha sido ela, em um momento de rendição. Mas de alguma forma, o espaço entre eles desapareceu.


Os dedos dele roçaram o braço dela, e Rosalie estremeceu. Um tremor quase imperceptível, mas real.


Jacob prendeu a respiração.


— Rosalie…


Ela fechou os olhos por um segundo, como se estivesse lutando contra algo dentro de si.


— Não.


Mas a palavra soou fraca. Sem convicção.


Jacob deslizou os dedos até o rosto dela, traçando a linha do maxilar. Rosalie segurou seu pulso, mas não afastou sua mão. O toque dele queimava contra sua pele fria, e pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu algo quebrar dentro dela.


— Isso é errado — sussurrou, os olhos presos aos dele.


— Então me diga para parar — Jacob desafiou, a voz baixa, carregada de um desejo contido.


Rosalie abriu a boca, mas as palavras nunca vieram.


No segundo seguinte, Jacob fechou a distância entre eles e encontrou os lábios dela.


Foi um choque de mundos.


Ela era fria, ele era calor. Ela era controle, ele era instinto. Mas, naquele instante, eram apenas dois corpos buscando alívio no meio da tempestade.


O beijo começou hesitante, como se ambos testassem o terreno perigoso em que estavam pisando. Mas então Rosalie cedeu. As mãos dela encontraram os cabelos de Jacob, puxando-o para mais perto, enquanto a urgência crescia entre eles.


O tempo parou.


Por um instante, nada mais existia além da pele, do toque, da sensação crua de estar vivo.


Mas então, tão rápido quanto começou, Rosalie se afastou, os olhos arregalados.


— Isso... — sua voz falhou. — Isso nunca deveria ter acontecido.


Jacob ainda sentia o gosto dela nos lábios quando respondeu:


— Talvez não. Mas aconteceu.


Ela o encarou, o conflito estampado no rosto.


E então, sem dizer mais nada, Rosalie se levantou e desapareceu na noite.


Jacob ficou parado ali, sentindo o vento frio contra sua pele quente, com o gosto do proibido ainda marcando sua boca.


Ele sabia que aquele beijo mudava tudo.


Mas, por Deus, ele não se arrependia.