Twilight: Moonlit Desire

3 Capítulo 3 - Desejo ou maldição?


A chuva continuava a sussurrar segredos pelas janelas enquanto a noite se adensava, trazendo consigo um manto de incerteza e melancolia. Cada gota que caía era um sussurro insistente, um eco dos sentimentos que Rosalie tentava enterrar, mas que, teimosamente, insistiam em ressurgir.

Dentro de seu quarto, envolta pela penumbra, ela sentia o peso da escuridão se misturar ao caos de suas emoções. Sentada à beira da cama, os dedos entrelaçados com força, Rosalie fechou os olhos, mas não conseguiu afastar a lembrança do beijo. Ele estava lá — na ponta dos seus lábios, na eletricidade de sua pele, na batida descompassada de seu coração.

Jacob.

Era impossível ignorar a forma como ele a fazia se sentir. O calor de seu toque, o jeito firme com que segurou seu rosto, o desejo cru e indomável que brilhava em seus olhos. Um desejo que ela sentiu espelhar dentro de si. Mas junto com a excitação, vinha a culpa.

A lealdade a Emmett era um fardo pesado. Ele era seu porto seguro, a rocha que sustentava a parte de si que ainda queria acreditar que sua história tinha sido escrita para sempre. Mas e se aquele amor, outrora tão certo, já tivesse se esvaído sem que ela percebesse? O beijo de Jacob não deveria ter significado nada. Não deveria ter sido o bastante para fazê-la questionar tudo.

Mas foi.

Rosalie sentia que algo dentro dela havia mudado — uma rachadura em suas certezas, um desejo sufocado que agora lutava para emergir.

No outro lado da cidade, Jacob também não encontrava paz.

Sentado à luz fraca do abajur, ele passava os dedos pelos fios de cabelo úmidos, respirando fundo, tentando acalmar o caos dentro de si. Não adiantava. O gosto de Rosalie ainda estava em sua boca, e cada vez que fechava os olhos, via o brilho dourado de seus cabelos, sentia o calor de seu corpo contra o dele.

Jacob era um homem de instinto, alguém que vivia de forma visceral, sem temer o que sentia. Mas aquela noite… aquela noite havia o deixado sem chão.

Ele não devia ter se aproximado. Sabia dos riscos, conhecia as consequências. Rosalie não era uma mulher qualquer — ela pertencia a um mundo que lhe era proibido. Mas quando a teve nos braços, quando sentiu a entrega na forma como os lábios dela responderam aos seus… foi como se todas as regras tivessem sido apagadas, e tudo o que restava era a necessidade primitiva de tê-la, de fazê-la sua.

Agora, a solidão do quarto parecia zombar dele. Jacob abriu o caderno à sua frente, rabiscando palavras desconexas, tentando traduzir o que sentia. Seu coração pulsava no ritmo acelerado das emoções conflitantes.

"Desejo ou maldição?"

Ele escreveu, deixando a tinta absorver o peso do seu dilema.

Porque era isso que aquilo se tornava: uma maldição. Um desejo impossível, ardente e perigoso, como fogo correndo por suas veias.

Ele se levantou abruptamente, incapaz de permanecer parado. Andou até a janela, observando a chuva deslizar pelo vidro em trilhas sinuosas. Seus músculos estavam tensos, e seu corpo clamava por algo que ele não poderia ter.

Aquela era a realidade que precisaria enfrentar: Rosalie nunca poderia ser sua.

Mas então… por que aquela única noite parecia ter mudado tudo?

Horas se passaram, mas o sono se recusava a vir. Rosalie continuava deitada na cama, os olhos fixos no teto escuro. Seu peito subia e descia em uma respiração contida, como se cada suspiro fosse uma confissão de algo que não deveria sentir.

Ela levou os dedos aos lábios, sentindo-os ainda trêmulos, e uma onda de frustração a invadiu.

"O que estou fazendo?"

Ela se virou na cama, apertando os olhos, tentando apagar a memória. Mas o desejo pulsava, persistente, cravado em sua pele como uma tatuagem invisível.

Rosalie sabia que aquilo era um erro. Sabia que não podia se permitir sentir. Mas também sabia que, naquele momento, negar seria mentir para si mesma.

E então, sem pensar, se levantou.

O quarto parecia pequeno demais, sufocante demais para conter tudo o que sentia. Andou até a janela e encostou a testa no vidro frio. A noite lá fora era densa, as ruas desertas refletiam as luzes amareladas dos postes.

Longe dali, Jacob também estava acordado? Também sentia essa inquietação, essa maldita sensação de que algo havia sido desencadeado e não poderia ser revertido?

Seu coração acelerou com a ideia.

"Eu preciso vê-lo."

O pensamento a atingiu como um raio, e a simples possibilidade fez sua respiração falhar. Ela balançou a cabeça, afastando a ideia insana. Não podia. Não devia.

Mas o que aconteceria se fosse? Se apenas por essa noite, seguisse o que seu coração gritava?

Jacob olhava para a noite do lado de fora, as gotas da chuva criando padrões caóticos no vidro da janela. Seus punhos estavam cerrados, como se isso pudesse conter o desejo pulsante dentro dele.

Então, ele sentiu.

Uma presença.

Virou-se abruptamente, seus olhos encontrando a silhueta na porta. Seu coração quase parou.

Rosalie estava ali.

Molhada da chuva, os cabelos úmidos caindo pelos ombros, a respiração entrecortada. Seu olhar carregava algo que Jacob nunca tinha visto antes.

Ela não precisava dizer nada.

Ele já sabia.

Em um segundo, ele cruzou a distância entre eles. Suas mãos seguraram o rosto dela, os olhos analisando cada detalhe. Os lábios entreabertos, a forma como seu peito subia e descia, o brilho intenso em seu olhar.

Era tudo ou nada.

E então, ele a beijou.

Dessa vez, não havia hesitação. Não havia medo.

Havia apenas desejo.

As mãos de Rosalie agarraram sua camisa, puxando-o para perto, como se o espaço entre eles fosse insuportável. O beijo era um choque de emoções, intenso, bruto, cheio de tudo o que haviam reprimido.

Jacob sentiu cada curva do corpo dela contra o seu, cada tremor que percorria sua pele. Ele a segurou firme, suas mãos deslizando pelas costas dela, memorizando cada centímetro.

Ela suspirou contra seus lábios, e ele soube: ela estava tão perdida quanto ele.

O mundo ao redor desapareceu.

Não havia Emmett. Não havia proibições.

Havia apenas eles dois, consumidos pelo desejo e pela promessa silenciosa de algo que poderia destruí-los.

Rosalie puxou Jacob para mais perto, deixando-se levar pelo que sentia. Pela primeira vez em muito tempo, ela não pensou em consequências. Não pensou no amanhã.

Apenas sentiu.

O beijo se tornou mais urgente, os corpos se movendo como se já soubessem o caminho. O toque de Jacob era fogo contra sua pele, e Rosalie sentia-se viva de uma maneira que jamais imaginou possível.

Ela sabia que aquilo não poderia durar. Que, em breve, a realidade os alcançaria.

Mas, por agora…

Por agora, ela apenas se entregaria.

E, naquela noite interminável, entre a chuva e o desejo, os dois perceberam algo que não poderiam mais negar:

Eles já estavam perdidos um no outro.