Twice Love
3 Capítulo 2- Constatações.
Notas iniciais

“Escolhas todo mundo faz, todos os dias, mas nas consequências delas é que ninguém pensa, eu fiz minha escolha e vou estar aqui para receber a consequência, porque eu sei que no final de tudo isso, vou ser recompensado pela coragem”
Os olhos — agora — atentos do médico percorreram todo o cômodo do quarto, em que ele se encontrava.Com os braços cruzados,numa postura séria,encostado em uma das paredes brancas do local ,o mesmo observava a garota que dormia profundamente ,na cama próxima a ele.A respiração da mulher era tão lenta,que quase não podia ser ouvida,alias, só estava respirando por causa da ajuda dos aparelhos.Havia uma enorme faixa branca ,cobrindo sua cabeça ,e em sua bochecha esquerda,um grande corte,agora era visível.Seu estado era critico,os danos internos ainda estavam sendo avaliados,mas somente pelas teorias,já se podia supor que a situação era grave.A mesma estava na .U.T.I.
Caleb havia feito o possível por ela,e esperava esperançoso ,que suas tentativas de salvar a vida da desconhecida dessem certo.Quando chegou ao hospital,a garota estava quase morta,seja o que for que aconteceu com ela,tinha tudo para ser fatal,teve sorte de não morrer inicialmente por conta do frio.Ele quebrou os protocolos por ela,as regras e os procedimentos,e pedia internamente que suas falhas não fossem motivo de arrependimento futuramente.Que ela sobrevivesse para que seus erros valessem a pena.Chegou mais perto de onde a moça estava,e num ato de instinto ,tocou os dedos gelados dela. Tinha uma pele tão macia — constatou ele com o contato anterior,pôde sentir ,mesmo estando com luvas.
Ele se perguntou o que havia acontecido com ela,o porquê de a abandonarem a própria sorte na entrada de um hospital,mesmo estando tão ferida,tão desamparada.Quem era o monstro asqueroso que largaria um anjo daqueles? O Walters estava indignado por dentro,incrédulo pela situação.
Só soltou a mão da garota,quando o barulho da maçaneta sendo aberta chegou aos seus ouvidos.Deixou com que um suspiro exausto escapasse de seus pulmões,e pegou sua prancheta que se encontrava na poltrona ao lado da cama e em seguida checou o soro da paciente,no qual medicamentos eram injetados em sua veia.Ele sabia quem havia entrado,mas não se deu ao trabalho de questionar o motivo,mesmo tendo o ajudado a salvar a vida da garota,Paul era contra os modos que ele tinha em relação as regras inescrupulosas do San Martin,e isso lhe rendeu várias discussões ao longo da noite,daquelas maçantes.
—Será que pode me acompanhar até lá fora ? preciso te mostrar algo — Paul perguntou,num tom cansado também.Caleb rendeu-se ,e o encarou,assentindo brevemente, e apontando para porta,indicando que ele poderia ir primeiro.Seguiu seu amigo,enquanto ele atravessava a superfície de madeira e em seguida a fechou,não antes de dar uma ultima olhada,na direção da garota,certificando-se mais uma vez de que ela estava realmente bem.Mesmo que isso soasse irônico,porque a mesma estava longe de estar bem.Ela estava estável.
Quando alcançaram o corredor,que estava vazio,o Walters suspirou,passando a mão por seu rosto.Paul o encarou com uma expressão nada confiante,e se lamentou antecipadamente pelo o que tinha que dizer.
—O resultado dos exames saíram agora,a cirurgia na perna foi um sucesso...Mas... — ele iniciou sua explicação e antes que pudesse finaliza-la Caleb o interrompeu,mesmo sem saber o motivo ,o mesmo se encontrava agitado em relação a situação da garota.Era como se ela fosse importante para ele,o que era no mínimo estranho levando em conta que os dois nem ao menos se conheciam.
—Ela não vai se salvar,não é ? — perguntou num tom baixo,mesmo estando bravo com o amigo,conseguiu controlar sua irritação.O jovem Walters ainda não havia tido a oportunidade de avaliar os exames da paciente,estava preocupado demais com os procedimentos de sobrevivência,então deixou aquela parte na responsabilidade de seu melhor amigo.Paul não respondeu,apenas estendeu o envelope de exames em direção a Caleb,o mesmo ergueu suas mãos,e pegou os papeis,os lendo logo após,franzindo as sobrancelhas ao ver o que estava escrito.
—Ela está em coma,a pancada causou danos cerebrais,mesmo que sobreviva haverá sequelas,ela pode nunca acordar —ele constatou ,derrotado por perceber que não poderia fazer nada para mudar o quadro da garota.Claro que ele já tinha plena certeza do quadro dela,apenas pelas avaliações,suas suspeitas eram evidentes,só precisava da preocupante confirmação.
—Você é médico assim como eu Caleb,sabe que as chances dela acordar são minímas,é praticamente impossível que ela acorde antes que o prazo de internação gratuita do hospital acabe,são só duas semanas ,e estamos sendo negligentes em interná-la e mante-la sob antedimento quando ela não está identificada — Paul tentou convencer o amigo de quanto aquilo é imprudente,mas Caleb estava decidido a confiar no senso de sobrevivência da garota,ela parecia ser forte,não iria desistir,uma hora iria acordar.
—Vamos esperar pelas duas semanas,e quanto a quebra das regras, irei arcar com as consequências — Caleb avisou num tom firme,ajeitando sua postura.
—Irá correr o risco de perder seu diploma por uma garota que você nem ao menos conhece? —Paul perguntou incrédulo,ele tinha plena certeza de que isso ocorreria sob influência de um dos diretores do San Martin.Afinal ir contra eles,era pedir por guerra na certa.
—Não vejo motivos para perder meu diploma.Eu estou tentando salvar uma vida,foi para isso que fiz meu juramento de ética,para ajudar as pessoas— Caleb afirmou convicto,começando a caminhar em direção ao elevador,com a intensão de ir para seu consultório.Seu melhor amigo suspirou ,devido a insistência do outro em sempre ser diplomático,e deu-se por vencido,quando ele viu que o Walters não desistiria de seus ideias,nem mesmo com uma ameaça eminente o cercando.
—Okay senhor patriota,mas enquanto tenta salvar o mundo,será que não é melhor ir para casa ,tomar um banho e dormir um pouco ? Dá para ver que você está exausto,cobriu muitos turnos.Pode deixar que eu cuido da Bella Adormecida—Paul debochou,acabando com o clima tenso, Caleb não resistiu e sorriu.
—Esse devia ser o nome dela “Bella”—comentou sem ao menos perceber o que estava falando,e nem saber o porque de ter pronunciado tais palavras.Seu melhor amigo então arqueou uma sobrancelha.
—Então quer ajudar a garota por que ela é bonita? —questionou divertido.Mesmo que soubesse que isso incluía muito mais que beleza,envolvia a humildade semi-igual de Caleb.
—Eu quero ajudar ela,porque é isso que eu faço.Sou um médico — explicou amistosamente,não se afetando com a brincadeirinha de seu amigo.A verdade é que nem ele mesmo sabia o porquê de ajudar uma garota que ele nunca havia visto na vida.Só sabia que ela era especial,sentiu isso desde que a viu pela primeira vez,mesmo que a situação tenha sido trágica,mesmo que ele não tenha podido encara-la nos olhos,e ver seu sorriso,esse ultimo ele tinha total certeza que deveria ser lindo.Só pelo formato angelical e perfeito da face da jovem “Bella” ele podia afirmar que ela deveria ser encantadora.
Balançou sua cabeça negativamente,querendo dispersar tais pensamentos ,e decidiu seguir a sugestão do amigo,e descansar.Pois seu corpo implorava por um banho e por uma cama macia para dormir.Cumpriu as ultimas tarefas de seu turno,e reuniu suas coisas,se despedindo das pessoas e rumando para a frente do hospital.Onde poderia pegar um táxi.Já que não era apropriado dirigir estando exausto daquele jeito.Logo um veiculo amarelo se destacou em suas vistas e o mesmo acenou para que ele parasse,entrou dentro do carro,e indicou o endereço que o taxista deveria seguir.O médico encostou sua cabeça no banco,enquanto observava o movimento da avenida principal.Olhando a paisagem daquela tarde ensolarada.Sua cabeça latejava um pouco por causa do excesso de trabalho,mas sabia que um décimo do incomodo físico se devia a preocupação que residia em sua mente,por conta de sua paciente recente.Não queria admitir para si mesmo,mas Paul estava certo, as chances dela acordar eram pequenas demais,se comparadas a chance dela ficar naquele estado para sempre.Mas em seguida irritou-se por deixar-se levar pelo pessimismo do amigo e decidiu que o que tinha de melhor a fazer era acreditar que salvaria a garota,seja lá quem fosse ela.
Sem que ao menos percebesse o tempo passou e logo o carro estava estacionado num simpático bairro da cidade.Sua casa se destacava na esquina da rua familiar,os tijolos que enfeitavam a varanda num tom avermelhado,o jardim conservado e bem cuidado próximo a uma pequena escadaria na frente,nele existia um pequeno balanço de ferro que repousava próximo á algumas estatuetas decorativas.Possuía dois andares e uma chaminé podia ser observada no canto lateral da estrutura arquitetônica,junto com algumas janelas de vidro .As portas amadeiradas num leve bege eram convidativas.A pequena caixa de correio posicionada na frente da residência dava um ar charmoso e simpático a casa.Uma pequena garagem ao lado da tal caixa de correio tornava o ambiente ainda mais aconchegante.Junto com algumas arvores,que eram plantadas pela vizinhança.Qualquer um pensaria que aquele era o lar de uma família tradicional e enorme,mas não ! aquele era o lar de Caleb.Mesmo que não aparentasse ser a casa de um solteiro.O Jovem comprou a casa com seu próprio dinheiro,fruto do seu trabalho e se orgulhava disso.Ele adorava a localização de sua casa,e adorava o ar amistoso que seus vizinhos esbanjavam.
Por ter chegado ao seu destino ,desceu do carro e retirou alguns dólares do bolso da calça,deixando uma boa gorjeta para o motorista.Se despediu educadamente e logo rumou para sua casa.Cumprimentou um de seus vizinhos que passeava com seu cachorro, com um breve aceno e um sorriso leve nos lábios,e sorriu ainda mais ao ver alguns irrigadores molharem a grama de sua residência.Aquilo só poderia ser obra de Justine,a meiga senhora que as vezes limpava sua casa,já que o mesmo não tinha tempo para fazer isso, devido ao seu trabalho.Fez uma nota mental para agradece-la depois,e em seguida subiu a pequena escada da varanda e alcançou a porta,encaixando a chave na mesma,fazendo com que ela se destrancasse e girando a maçaneta para entrar.Logo mais,dentro de sua casa,o Walters colocou sua maleta de trabalho,no cabideiro,fazendo questão de deixar tudo organizado,para não dar mais trabalho a Justine.Colocou suas chaves em cima da mesa de centro,enquanto soltava um bocejo e se encaminhou para o andar de cima,entrando no seu quarto logo depois.Não era nada extravagante ou luxuoso,mas para Caleb era perfeito,um espaço só dele,recheado por seus gostos.Tudo muito pessoal.Havia apenas uma cama de casal ,com a cabeceira preta de couro,forrada por um grosso edredom cinza e branco.Na parede acima do móvel existiam dois quadros decorativos,relacionados a arte,daqueles que ele achava bonito.Luminárias em cada lateral da cama ,num tom claro,uma mesa no canto esquerdo na cor cinza,repleta de livros e objetos como relógios e canetas e acompanhada de um quadro criativo também.Já no canto direito repousava um criado mudo repleto dos pertences de Caleb.Na parede frontal um enorme armário branco estava estendido ,próximo a uma porta,que dava para o banheiro do quarto,já que aquele cômodo tratava-se de uma suite.E existia também uma pequena janela no canto,era estreita porém longa.Todas as paredes eram pintadas de branco,deixando tudo mais harmonioso.
O Walters,se encaminhou até o banheiro e se despiu,colocando seus trajes num cesto de roupas sujas e ligando o chuveiro logo depois e entrando debaixo dele,sentindo o mesmo liberar jatos de água,relaxando finalmente seus músculos.Permaneceu por mais tempo do que devia no banho ,pois precisava tirar a tensão de seu corpo.Assim que se sentiu satisfeito,enrolou uma toalha em torno de sua cintura,deixando seu torso nu,e foi até a bancada da pia fazendo sua higiene pessoal.Observando seu reflexo cansado no espelho.Eu realmente preciso dormir — constatou ele seriamente.Antes de sair dali e voltar para o quarto.
Abriu o armário e retirou de lá uma calça de moletom cinza,e uma camiseta básica branca.Se vestiu rapidamente,e em seguida pegou seu MacBook e se sentou na cama,ligando o aparelho e indo até a área de buscas.Sabia que precisava descansar,mas não conseguiria se a falta de informações continuasse rondando sua mente.Moveu seus dedos pelas teclas com maestria,digitando o que queria saber.
Acidentes de carro, San Diego,Vitimas.
Logo o Google expôs vários resultados para aquela pesquisa,mas nenhum realmente interessou a Caleb,nenhuma das vitimas faziam jus as características físicas da paciente que ele atendera ontem no hospital.Todos se tratavam de pessoas que foram atendidas em hospitais vizinhos,e nenhum tinha uma vitima desaparecida.Ele optou por procurar por acidentes de carro,já que as faturas na desconhecida demonstravam que foi algo semelhante aquilo.Ainda decidido,mudou as palavras digitadas,as trocando por outras.
Acidentes de carro ,Califórnia,vitimas ...
Dessa vez até acrescentou a data,mas nada de satisfatório surgiu na tela,nada,absolutamente nada.Nenhuma pista de quem era ela,ou do que causou seu estado alarmante,nenhuma informação que servisse.Continuou as buscas por mais de uma hora,mudando a pesquisa para sequestros ou atentados,mas logo se deu por vencido,precisava descansar,nada de produtivo surgiria se ele continuasse naquele estado.Por isso guardou seu MacBook na mesa próxima a cama,e logo se aconchegou em seus travesseiros,movendo-se de forma confortável no colchão e logo mais,sem delongas,caindo no sono.E aquela foi a primeira vez que sonhou com a “Bella”adormecida,e se sentiu estranhamente contente ao vê-la em seus sonhos.Mal sabendo que daqui á um bom tempo ela habitaria não somente fantasias na sua vida,mas sim sua realidade.Uma realidade no mínimo inesperada,que ele estaria disposto a abraçar.Pois quando encontramos algo bom,nos prendemos a isso com unhas e dentes.
Na manhã seguinte o sol deu o ar de sua graça,e adentrou pela vidraça da janela do quarto de forma despojada,iluminando todo o ambiente,e despertando Caleb.O médico piscou algumas vezes para se acostumar com a claridade do quarto e soltou um bocejo,se sentou na cama e se espreguiçou sentindo algum de seus ossos se estralarem.suas mãos foram de encontro com o despertador e o jovem arregalou os olhos ao reparar que tinha literalmente apagado no dia anterior,pois havia dormido por toda a tarde e a noite.Levantou-se disposto,e escovou os dentes ,vendo que suas feições estavam bem mais apresentáveis depois de uma boa noite de sono.Calçou seu tênis de corrida,e vestiu seu casaco de moletom,pegou seu headphone no criado mudo e o colocou no braço,conectando os fones de ouvido.Desceu as escadas rapidamente e alcançou a porta de saída,o mesmo, estranhamente,estava sem fome,só estava com muita adrenalina no seu corpo e precisava coloca-la para fora.
Por isso ,logo alcançou o asfalto da rua,e começou a correr,adorava se exercitar pela manhã ,quando tinha tempo,aquilo clareava seus pensamentos e o deixava mais leve.Suas pernas se moviam com facilidade,enquanto pingos de suor desciam por sua testa,e sua respiração se encontrava ofegante.Aquela era sua rotina.Dobrou uma esquina ainda correndo,e fez a volta na rua.Viu algumas vizinhas babarem ao vê-lo passar e apenas riu.Continuou a se exercita-se e quando ficou cansado,voltou para casa.Precisando urgentemente de um banho,e assim o fez.
Depois de ter se trocado ,ouviu sua campainha tocando,foi para o andar de baixo,onde se viu pronto para atender quem estivesse por trás daquela porta e quando a abriu foi impossível não sorrir.Abraçou a pessoa com carinho,e soltou uma risada boa de se ouvir ao ver que a pequena mulher carregava algumas sacolas da padaria predileta dele.
—O que é isso,Sarah ? — Caleb questionou divertido,se referindo aos sacos de papelão que estavam nas mãos da jovem de pele clara,e sorriso fácil.Ela moveu os ombros de forma descontraída e sorriu.
—Isso é uma forma de agradecer ao meu amigo por ter cobrido meu turno.Trouxe seu café da manhã preferido,panquecas.Agora seria ótimo se você me convidasse para entrar,estou me sentindo uma idiota aqui fora — ela comentou rindo,e Caleb abriu espaço,para que ela passasse e em seguida fechou a porta.
—Como foi a reunião de família? — ele questionou,vendo Sarah retirar o que havia comprado da bolsa,e colocar sobre a mesa da cozinha.Ela se sentia em casa quando ia para o lar de Caleb,por terem uma amizade muito intensa,quase maior do que a dele com Paul,os dois se tratavam como irmãos.
—Você sabe,não é...são a minha família...foi estranho — ela definiu de forma atrapalhada,enquanto buscava alguns pratos no armário e Caleb se segurou para não gargalhar ao ouvir aquilo.
—Seu pai continua a insistir que você devia se casar com o Alan ,o cara da fazenda vizinha,não é ? — ele questionou estando por dentro da história inusitada,Sarah suspirou e deixou seu serviço de lado,e encarou Caleb.
—É...quando ele vai entender que eu não quero me casar com um cara que eu não gosto...quando ele vai entender que eu ainda amo o... — ela percebeu o que ia falar e se calou.Seus olhos azuis como oceano se desconcertaram um pouco e ela pegou uma flanela em cima da pia,e fingiu estar limpando a mesa.Caleb cruzou os braços,e em seguida puxou uma cadeira e se sentou de frente para ela.
—Se você ama o Paul,e ele te ama,por que não ficam juntos ? — Caleb questionou realmente sem entender,o porquê deles complicarem as coisas.Sua amiga sentou-se também e mordeu seus lábios antes de explicar.
—Não existe um universo em que eu e o Paul daremos certo,só nos amarmos não basta.Ele não consegue se comprometer com seus sentimentos,ele comete erros,ele me magoa —ela destacou seus pontos e seus argumentos e Caleb foi obrigado a concordar— mesmo que não entendesse como podia duas pessoas se amarem e isso ainda sim não ser o suficiente —por mais que Paul fosse seu amigo,não podia fechar os olhos diante das atitudes estúpidas dele.Ele estava deixando uma mulher incrível como Sarah escapar por entre seus dedos,diante de seus olhos e não estava fazendo nada para impedir isso — Agora vamos mudar de assunto,como foi o plantão ? algum paciente em especial ? —ela questionou desconfortável e ao mesmo tempo curiosa.O Walters suspirou antes de fazer o relato da noite de seu turno,esperando saber a opinião de Sarah,a mesma ouviu tudo atentamente, sem lhe atrapalhar em nenhum segundo,e em seguida o encarou.
—Sabe o que está fazendo,não é ? Está se envolvendo emocionalmente em um caso.Isso é anti profissional.Não é que eu concorde com as regras insanas e anti-éticas do hospital ,mas de qualquer forma elas não deixam de ser regras.Odeio concordar com o Paul ,mas o que você está fazendo é negligente e impróprio ,está arriscando seu trabalho por um caso,de uma garota que você nem conhece — ela protestou com avidez,mostrando sua firmeza,e Caleb a olhou decidido também.
—Eu só te contei porque sabia que você ia descobrir sozinha,mas não quero sua autorização,sei muito bem o que estou fazendo— ele explicou convicto,e ela assentiu,sabia que era inútil discutir com alguém tão destemido quanto Caleb.
—Tudo bem,não irei mais me intrometer,confiarei em você e no seu bom-senso ...Ah tenho outra coisa para você — ela disse sorridente,saindo do assunto anterior o mais rápido possível,e lhe estendendo um ingresso ,que havia retirado da sua bolsa anteriormente.Caleb sorriu diante do gesto,e o sorriso aumentou ainda mais,quando viu do que se tratava.
—São da exposição da galeria aqui próxima de casa,como sabia que eu queria ir ? — ele questionou curioso,avaliando o papel em suas mãos.Sarah o olhou sorirndo.
—Sou sua melhor amiga Caleb,te conheço como a palma da minha mão.Sei que você adora arte e sei também que precisa de uma namorada.Quem sabe não arruma uma pseuda-artista lá, ein? — deu a sugestão se fingindo de brava,desejando que sua ordem se concretizasse e Caleb gargalhou.
Sarah Jones era mesmo sua melhor amiga.A simpática médica formada em Stanford havia o conhecido quando entrou para o quadro de funcionários do hospital e começou a namorar Paul,que no caso era seu melhor amigo,os dois se tornaram muito próximos imediatamente, por terem personalidades parecidas.Ela morava no Texas com sua família numa fazenda,antes de se mudar para ir para a faculdade.A família da mesma era enorme,e no mínimo cômica,cheia de pessoas diferentes e de histórias para contar.Os Jones tinham como tradição sempre se juntarem para reuniões familiares ,e como Sarah trabalhava muito e morava longe,quase sempre faltava nessas reuniões,mas na ultima que ocorreu foi intimada a ir.Seu pai ,o velho Bily Jones sonhava com a filha se casando com Alan, o filho do proprietário da fazenda vizinha a sua,mas Sarah não mostrava nenhuma interesse nessa relação.O pai da mesma nunca apoiou a relação dela com Paul,pois dizia que o jovem não queria nenhum compromisso sério com ela...E no fim estava certo.Ela foi muito repreendida ao decidir repentinamente morar com Paul,sem terem um compromisso instável,e as consequência disso foi o término deles dois meses depois.
Sarah tinha um senso maternal um tanto quanto possessivo,sempre tentava cuidar de seus amigos como se fosse mãe deles,aquilo divertia Caleb,era como se ele tivesse uma irmã mais velha,o que era contraditório ,já que Sarah era muito mais nova que ele.
Possuía os cabelos castanhos,num tom quase ruivo,liso,longo,na altura dos cotovelos , cortado em camadas,e uma pequena franja que moldurava seu rosto de um jeito bonito.Sua pele era clara,e tinha algumas sardas — quase invisíveis— nas bochechas.Seus olhos eram azuis oceano,daqueles que se destacavam á longa distância.Lábios pequenos e avermelhados,e um sorriso infantil,que fazia com que as pessoas não lhe levassem a sério na maioria das vezes.Era baixa e tinha um corpo de uma adolescente,sua fisionomia aparentava á de uma boneca.Usava óculos de grau,desde muito nova,por isso o acessório já fazia parte de seu visual.O que lhe dava um charme especial.
Caleb e Sarah tomaram seu café da manhã animadamente,falando sobre assuntos paralelos e rindo de alguma coisa que a família dela havia lhe dito.Degustaram as panquecas deliciosas que ela trouxe,e em seguida lavaram a louça juntos,dividindo a tarefa em duas partes.Enquanto a morena lavava,Caleb enxugava com uma flanela que estava em suas mãos.Ele parecia estar tão absorto de repente,que Sarah estranhou.O jovem era sempre atento e hoje parecia estar no mundo das nuvens.
—No que está pensando ? — ela indagou com interesse,enquanto molhava uma xícara.Caleb despertou de seus devaneios e encarou a paisagem de fora da casa,pela janela na parede da pia,depois voltou seu olhar para Sarah e suspirou.
—Na paciente.Em como não havia nada que pudesse fazer com que ela fosse identificada.Nenhum documento,nenhuma joia,nenhum contato,absolutamente nada —ele disse sério,um tanto quanto confuso,se encostando na bancada.Sarah tocou seu ombro com delicadeza,ao ver as sobrancelhas dele se franzirem num obvio sinal de descontentamento,e lhe enviou um breve sorriso.
—Daremos um jeito,.Podemos espalhar cartazes com a foto dela,como um aviso de que ela está lá no hospital,é o mais certo a se fazer — ela afirmou,enxugando suas mãos,e ficando na mesma posição que Caleb ,ao lado dele.O óculos de armação preta,pendia em seu rosto,enquanto ela observava as oscilações de humor,no rosto de seu melhor amigo.
—Não.Não iremos fazer isso,e se ela corria perigo,e se ela fugiu de alguém e acabou parando no hospital ? A decisão mais coerente a se tomar,é deixar ela acordar —O Walters foi firme e expôs exatamente o que faria,a Jones o encarou um tanto incrédula.
—O que pode demorar anos.Segundo o que você me contou,sobre o diagnóstico dela —ela retrucou diante da firmeza dele.
—Não seremos precipitados ,a medicina ensina ciência,mas eu acredito na esperança,e eu inusitadamente tenho uma esperança absurda por aquela garota—ele admitiu num tom um tanto quanto atordoado.
—Sabe o que dizem sobre esperança : Um pouco de esperança é eficaz,muita esperança é perigoso,e acreditar que ela acordará em uma semana,ou duas ,depois de tantos danos,é muita esperança — Sarah protestou e Caleb a olhou.
—Achei que fosse confiar no meu bom-senso — relembrou o que ela tinha dito com esperteza.
—Eu confio só que...Oh droga !...Acredita mesmo que isso vale a pena, não acredita? —ela indagou se dando por vencida, sinceramente dessa vez.
—Acredito Sarah !Salvar aquela garota é um questão de honra para mim — ele explicou com perseverança e Sarah sorriu.
—Okay ! Então iremos salvá-la juntos.Não importa,que eu esteja me arrependendo agora por ter te feito cobrir meu plantão,e te colocar nessa imensa confusão — ela disse mordendo os lábios.Os amigos uniram as mãos,num gesto de carinho e sorriram.
—Quando ela acordar quero receber os créditos por ter ficado do seu lado nessa loucura—Sarah afirmou ,encostando sua cabeça no ombro de Caleb,fazendo um biquinho fofo.
—Obrigado.Jones — ele disse ignorando o comentário anterior dela,a mesma apertou ainda mais a mão de Caleb e em seguida respondeu.
—De nada.Walters.
[...]Há mais de um ano atrás[...]
Ela sorria abertamente ,enquanto cantarolava o trecho da música que tocava na rádio,dirigindo pelas ruas movimentadas de Los Angeles.Lembrou-se da aposta que havia acabado de fazer com o belo desconhecido do clube e seu sorriso aumentou ainda mais.Os dois haviam trocado os telefone e ele havia lhe dado o endereço do local do encontro.Ela se perguntava quanto tempo duraria até ele perceber que nunca conquistaria ela.Uma hora ? Um minuto? Um segundo? .A morena de olhos quase dourados tinha plena certeza de que Austin era só mais um cara estúpido que achava que ia conquistar ela ,com apenas um olhar.O coração dela era algo no minimo difícil de adentrar,desde a morte de sua mãe por culpa dela (segundo a garota dizia)a mesma não se permitia ser amada por alguém,tinha alguma trava invisível que a impedia de ver que as pessoas a amavam.Isso também se devia ao fato de ter uma madastra como a dela.Que a criou desde que a mesma se entendia por gente,o fato de que seu pai sempre estava trabalhando e o fato dela ter que ser independente desde muito cedo,pois não havia ninguém que intercedesse por ela.Logo seu trajeto teve um fim e a mesma estacionou seu carro em frente a enorme mansão branca,em que morava.Tirou o cinto de segurança e saiu do carro,carregando em seu ombro,sua bolsa de treinamento.Sorriu para o jardineiro da casa,sorriso esse que foi retribuído e entrou dentro para dentro dela.Atravessando as portas de vidros.
Seus olhos percorreram a sala,até encontrarem sua madastra,sentada no sofá,de forma despojada ,lendo uma revista de fofocas qualquer,apreciando uma caixa de chocolates belgas.Mia revirou os olhos diante da cena,e foi até onde a megera estava,largou a bolsa que estava em suas mãos ,com uma força brutal, no chão,despertando a atenção de Ruby que a encarou com desdém.
—Oh então estava treinando aquele esporte estúpido? Pensei que estivesse na faculdade,tentando fazer algo produtivo — ela debochou com maldade,fazendo com que as rugas de seu rosto se ressaltassem.Mia pensou em retrucar dizendo que não tinha aula naquele dia,mas não o fez.Apenas resolveu responder no mesmo tom ríspido que Ruby falou.
—O tênis é muito produtivo Ruby,muito mais produtivo do que ficar num sofá,se empanturrando de doces,num processo intenso para virar uma preguiçosa inútil,com obesidade mórbida — Mia foi atrevida como sempre era,ao ofendê-la.Ela simplesmente odiava o fato de seu pai ter se casado com Ruby quando sua mãe morreu,achando que ela precisava de uma mãe.Aquela mulher grotesca e má não poderia de forma alguma ser considerada uma mãe.
—É incrível como os anos vão passando e você ao invés de crescer,se transforma numa criança mais insuportável ainda.Deveria começar seu processo de amadurecimento saindo dessa casa.Já vai fazer 19 anos,podia ir para outra cidade ,cursar faculdade em outro lugar.Você é rica garota,deveria aproveitar seu dinheiro e me deixar em paz — Ruby a incentivou a seguir suas dicas,e Mia riu sem humor,totalmente indignada com os “conselhos” dela.Aquela mulher era cínica e prepotente,e parecia que tinha o dom de tirá-la do sério ,quando queria.
—Eu não deixarei você sozinha aqui com meu pai,não irei abandonar ele.Do jeito que você é perversa é capaz de matá-lo para conseguir a herança — ela disse firme e ameaçadora.Fazendo com que sua madastra a encarasse com fúria.Mia não sabia medir palavras quando se tratava de Ruby,a mulher despertava seus sentimentos mais descontrolados.
—Nunca mais repita um absurdo desse Noêmia.Eu amo seu pai — e aquelas palavras que saíram tão irônicas aos ouvidos de Mia,foram o suficiente para uma discussão se iniciar,e para que a felicidade que ela sentia anteriormente se esvaísse do seu corpo..
—Você ama o dinheiro dele—Mia retrucou sem se abalar com o jeito superior que Ruby a encarava.O que ? ela achava que a assustaria usando seu nome completo? — pensou Mia,desdenhosa.
—Garota ingrata,te criei como se fosse sua mãe,depois que ela morreu no seu parto,e você me agradece me acusando com coisas sem sentido — Ruby disse num tom irritado,e a fúria de Mia só aumentou,tanto que sem ter controle de seus atos,acertou uma bofetada na face de sua madastra,fazendo um estalo soar no ambiente e o corpo dela cambalear para o lado,.Tanto que a mulher buscou apoio no sofá,para não cair.Ruby a encarou indignada,acariciando sua bochecha,que estava vermelha e dolorida por conta do tapa.
—Nunca mais ouse falar da minha mãe— Mia apontou o dedo em riste na direção dela,sentindo seus olhos marejarem.Ninguém tinha o direito de falar de sua mãe.Não quando ela se culpava todos os dias por ter causado a morte dela,mesmo tendo se passado 19 anos desde a sua morte,e mesmo ela não tendo o prazer de ter conhecido ela.Ainda existia uma ferida aberta no peito dela,incapaz de cicatrizar.
—Seu pai ficará sabendo disso,mimada — Ruby disse entredentes,saindo dali com passos pesados,esbarrando propositalmente no ombro de Mia,que a observou sair da sala,completamente transtornada.Mia tentou controlar sua respiração,e as lágrimas que queriam sair do seu rosto,mas para seu azar,a garota não era boa em conter impulsos,por isso instantes depois,sem pensar duas vezes ,a jovem pegou em suas mãos,um vaso caro a qual sua madastra adorava e o jogou contra parede,vendo o vidro se quebrar com o impacto.Viu que um dos empregados havia se assustado com seu surto,mas ignorou isso.Suspirou profundamente,e em seguida se encaminhou para o seu quarto.
Ruby tinha uma aparência jovem,apesar de sua idade avançada.Possuía cabelos ruivos bem tratados,uma pele clara,olhos verdes e um corpo esguio.Havia se casado com o pai de Mia,meses depois do falecimento da primeira mulher dele.No começo aparentava se importar com Mia,mas depois mostrou que aquilo tudo era só fingimento.A infância de Mia foi regada de ações más de Ruby,e mesmo que a garota insistisse,seu pai nunca acreditava que a madastra não gostava dela.Não que ele tivesse tempo para notar isso,já que passava mais tempo em sua empresa do que em casa.A verdade é que todos diziam que desde que a mãe de Mia morreu, o homem não era o mesmo de antes,Mia não podia dizer isso,já que não conhecia essa versão mais amorosa do pai,mas as vezes ,mesmo que em silêncio ,clamava por ela.
Seu quarto fazia reflexo a sua personalidade.Totalmente decorado por ela.As paredes eram cinzas,com vários detalhes floridos.A cama tinha uma cabeceira na cor cinza também,um armário marrom escuro no canto direito,junto com um espelho em forma de circulo acima dele,junto com duas luminárias ouro.Uma poltrona bege com algumas almofadas ,ao lado do armário.Um criado mudo branco de cerâmica, com uma planta artificial,um abajur e alguns livros antigos e no outro lado também.E na parede principal duas luminárias se estendiam,acopladas na parede,acima da cabeceira da cama.Uma escrivaninha com aparelhos modernos,também decorava o cômodo,junto com um painel de fotos polaroids.Uma porta para o banheiro próxima as duas janelas,cobertas por uma cortina preta e branca e o teto com um material que aparentava madeira.
Assim que entrou dentro de seu quarto,jogou-se na cama,abraçando os milhares de travesseiros que lá estavam.Seus cabelos caramelos se espalharam pelo edredom,quando a morena se deitou de bruços.Tentando se acalmar de sua discussão recente.Precisava de um banho urgentemente,mas não estava disposta a sair dali.Escutou o trinco da porta girando e se preparou para xingar Ruby,mas se conteu ao ver que não se tratava dela.Quem havia entrado,era sua melhor amiga(pelo menos uma delas) Chloe,a garota carregava uma bandeja com um lanche bem apetitoso em suas mãos.Colocou –a em um dos criados mudos e encarou Mia,que revirou os olhos,diante da avaliação critica de sua melhor amiga.
—Você não devia estar na sua aula na faculdade ? Sabe,melhorando seu futuro — A Grey resmungou como uma criança birrenta ,usando um dos artifícios que ela mais usava:O drama.Chloe era completamente centrada nos seus estudos,talvez pelo fato de ser filha de uma das empregadas da casa,a mesma tivesse o pensamento que teria que tirar sua mãe daquela vida penosa.Era amiga de Mia ,desde que sua mãe começou a trabalhar lá,o que o foi quando era criança.As duas não se desgrudavam e eram confidentes uma da outra.Emma também fazia parte daquela equação de amizade,isso quando não estava em nenhuma de suas viagens exóticas.
—Não pude ir hoje,mamãe tinha muito trabalho.Preferi ficar e ajudar ela.Ouvi sua discussão com Ruby e como sabia que você havia chegado de um treino,trouxe seu lanche — ela explicou com sua rotineira calma.Mia se sentou na cama e a encarou com certa irritação,e tentou ponderar suas palavras,para que elas não soassem hostis.
—Eu não sei se te odeio por sempre colocar os outros á sua frente,ou se te amo por cuidar de mim— Mia murmurou,fazendo com que sua melhor amiga sorrisse abertamente,a garota sentou-se ao lado da Grey,e a acolheu nos braços.Num abraço caloroso,Mia encostou sua cabeça no ombro de Chloe,apreciando o carinho.
—Acho melhor você me amar — A outra disse,acariciando os cabelos caramelos da tenista,que apenas a encarou,por cima dos olhos.As duas sempre foram tão conectadas uma a outra,como unha e carne,popularmente falando.
Chloe parecia uma modelo,de tão magra e alta que era.Um rosto fino e bem desenhado,com um nariz arredondado na ponta ,mas fino no resto da extensão.Com as sobrancelhas bem marcadas.Cílios longos.olhos pequenos castanhos,do mesmo tom de seus longos cabelos lisos.Tinha uma beleza natural que dava a ela um ar de sensualidade.Era simpática,caridosa,e bondosa.
—Sabia que eu odeio a Ruby ? — Mia fez a pergunta retórica,lembrando-se da mulher cruel que ela tinha que chamar de madastra — Eu estava feliz,e ela fez questão de estragar isso,uma verdadeira vadia — A Grey reclamou avidamente,totalmente irada.Chloe girou seu rosto,e fitou os olhos quase dourados de sua melhor amiga,com animação e euforia,ao ouvir as palavras ditas por ela.
—Por que estava feliz ? — indagou curiosa,e diante da pergunta tão previsível,Mia soltou uma gargalhada harmoniosa,e se separou do abraço da amiga,se jogando de costas na cama,Chloe repetiu seu ato,e deitou-se ao seu lado.
—Um cara me chamou para sair.Apostou comigo que me conquistaria...Eu me divirto vendo eles tentarem — ela admitiu.Sorrindo ao se lembrar das tentativas de Austin de convencê-la a sair com ele.
—Sabe o que você deveria fazer ? Se apaixonar,ficaria feliz todos os dias — Chloe aconselhou com sinceridade,mesmo que soubesse que Mia não levaria aquilo á sério.Conhecia sua amiga bem demais.
—Não obrigada, dispenso. Não quero isso para mim. Se apaixonar é roubada, já sou complicada demais sozinha, não preciso de alguém para complicar ainda mais— defendeu seu ponto de vista sem hesitar.Era sempre assim quando tratavam de assuntos relacionados a sentimentos,e casos amorosos.
—Ele pelo menos era bonito ? — Chloe perguntou ,sabendo que não valeria a pena insistir no assunto anterior.
—O pecado em forma de homem,você não tem noção.Mas um tremendo galinha,daqueles que pega todas,o tipo errado para se apegar — ela contou o que havia percebido,e sua amiga a encarou ,um tanto quanto surpresa.
—Não sabia que você tinha um tipo...Espera...Você tem um tipo ? — Questionou confusa,e ao mesmo tempo espantada.Mencionando algo sobre o qual Austin tinha falado.
—Meu tipo são “os não Austin” Quando cometer o pior erro do ser humano,que no caso é se apaixonar,prefiro que seja por alguém que valha a pena — Mia falou o que consideraria lógico,surpreendendo mais uma vez sua amiga.
—Você é surpreendente ,Noêmia — ela elogiou,e Mia jogou um travesseiro na direção dela de forma divertida,fingindo-se de brava.
—Não me chame de Noêmia,só a Ruby me chama assim,e apenas por implicância — ela disse rindo,iniciando uma guerra de travesseiros infantil,na qual as consequências foram uma onda de gargalhadas.
[...]
Quando a noite chegou,Mia encarou seu reflexo no espelho e sorriu.Estava deslumbrante ,e isso era um fato.Seus cabelos estavam moldados em cachos perfeitos.Apenas a franja estava jogada para trás ,no topo da cabeça,presa por um grampo.A maquiagem deixava seu rosto ainda mais bonito,os olhos marcados por um deliniador e uma sombra leve no tom areia ,e a boca coberta por um batom nude,destacando seus dentes incrivelmente brancos,que brilhavam quando ela sorria.Trajava um vestido justo,cinza,com as laterais pretas,com um tecido de couro nos ombros — O vestido destacava seus seios pequenos,porém arrebitados,e seu corpo curvilíneo, e realçava suas pernas torneadas,de tenista — Um par de saltos de tiras,preto,e suas unhas pintadas da mesma cor,carregando na mão uma bolsa carteira cheia de detalhes metalizados,na cor ouro.
Desceu as escadas agradecendo mentalmente por não encontrar sua madastra ao chegar na sala.Odiaria começar sua noite tendo mais um embate com ela,para sua não surpresa,seu pai também não estava em casa.Com certeza deveria estar trabalhando em algum projeto de engenharia seu.Checou se seu celular estava em sua bolsa,e ergueu seus olhos em direção ao sofá,onde Chloe arrumava algumas almofadas distraidamente.Mia soltou uma tosse forçada,para chamar a atenção de sua amiga,e quando a capturou,deu uma volta em torno de si própria ,girando os calcanhares.Chloe riu por seu gesto,e balançou a cabeça negativamente.
—Isso tudo para quê ? — questionou curiosa e divertida,avaliando o visual da amiga.Mia sorriu de lado e fingiu estar pensando.
—Para mostrar ao Austin a garota deslumbrante que ele vai perder esta noite — ela debochou,achando graça de suas palavras.Concluindo seu raciocínio,totalmente lógico,segundo seu ponto de vista.
—Ou mostrar a garota que ele vai ganhar — Chloe argumentou rapidamente.Não perdendo a oportunidade de ter esperanças,que esse cara,seria o ganhador do coração de sua melhor amiga.Ela acreditava que a pessoa mais merecedora de um grande amor era Mia,pena que ela não aceitava isso.
—Possibilidade fora de cogitação — Mia cantarolou,enquanto se encaminhava rumo a porta.Sorrindo de orelha a orelha.Ouviu seu telefone apitar,e abriu a mensagem que havia acabado de chegar,ficando incrédula após ler o conteúdo.
—É oficial! Ele vai perder a aposta — ela afirmou enigmática,sem revelar o que estava escrito no torpedo ,virando-se uma ultima vez na direção de sua melhor amiga e depois se pondo para fora de casa.Sentindo o frio da noite acolher seu corpo.
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