Twice Love

4 Capítulo 3 - Decisão.


Notas iniciais
Não vou nem pedir desculpas por ter demorado um século para postar o próximo capítulo!Só vim com esse para comunicar que postarei com mais frequência agora! Boa Leitura!

É assim que que acontece quando uma pessoa desenvolve atração por alguém.Ele não estava em nenhum lugar e de repente, ele estava em tudo. Quer você queira ou não.

Sarah permanecia de pé em frente ao quarto da paciente desconhecida,observando-a pela janela de vidro,totalmente imóvel.A jovem Jones soltou um suspiro,e ajeitou a armação do óculos que estava em sua face.Voltou novamente seus olhos para os papéis que estavam em suas mãos,avaliando mais uma vez os resultados dos exames feitos.Se tudo que estivesse escrito nele fosse correto,aquilo queria dizer,que a desconhecida não acordaria tão cedo,se é que acordaria.O estado dela era mais do que preocupante,era critico.Haviam muitos danos cerebrais.Se ela acordasse as sequelas seriam irremediáveis.Ainda haviam os resultados dos testes sanguíneos.Tudo era muito mais complicado do que parecia.Sarah sabia o erro que seu melhor amigo estava cometendo ao se empenhar tanto em salvar aquela garota.

Totalmente exausta com a quantidade de informações que recebeu,se despediu do enfermeiro que estava ao seu lado,e caminhou pelo extenso corredor do hospital rumo ao elevador.A médica entrou na cabine,e escolheu a opção do andar em que o consultório de seu melhor amigo ficava.Caleb precisava saber do que a mesma descobriu.Essas noticiais eram cruciais para as decisões dele.

Ao chegar na porta da sala do mesmo,bateu na porta e o médico murmurou um “entre”.Ele não estava tão disposto como sempre era,Caleb parecia cansado,e para Sarah não fora difícil notar isso.Além de o conhecer muito bem,estava evidente,que mesmo tempo descansado por horas,aquilo não foi o suficiente para que ele resgatasse suas energias.

—Sarah...Aconteceu algo? —ele questionou estranhando a presença dela.Já que os dois sempre se encontravam na lanchonete ou na sala de reuniões,durante o expediente.

—Avaliei o estado da desconhecida como você me pediu...É preocupante Caleb,possibilidades de sobrevivência:minímas.Possibilidades de acordar:quase inexistentes.Possibilidades de consequências e sequelas:Altíssimas.Os danos foram muito fortes,as fraturas podem se recuperar,mas vai muito além disso.—ela comunicou,mostrando sua desesperança em relação ao caso.Ela precisava ser sincera,precisava dizer a ele que as expectativas eram baixas — E além de tudo,os resultados do exame de sangue,denunciaram que ela estava grávida Caleb...Que ela perdeu o bebê provavelmente durante o acidente...Sabe o que isso significa? Que ela tem alguém,que pode estar procurando por ela nesse exato momento.—Sarah se exaltou enquanto falava aquilo.Caleb sabia que não devia ter confiado que a amiga o apoiaria.

—As circunstâncias em que ela chegou aqui foram suspeitas Sarah...E se ela estivesse fugindo de alguém? Vamos anunciar que temos uma desconhecida aqui,e então a acharão,sem sabermos o que querem com ela.E depois ? —ele retrucou num tom firme.Sarah se limitou a revirar os olhos.Será que seu amigo não percebia que seus argumentos eram absurdos?.

—E se a pegarem agora,de que servirá Caleb? Ela está quase morta,está vegetando.Sejam lá o que queriam com ela,se é que alguém queria alguma coisa,podem dar-se por satisfeito,porque ela não vai sair daquele estado.É impossível.—a Jones falou aquilo automaticamente,sem se dar conta do efeito de suas palavras.

—É isso que você acha que deve ser feito? Jogar a garota aos leões ? Felizmente a escolha não é sua,doutora Jones.Ela é minha paciente,e se eu digo que ela ficará aqui,ela irá ficar,por quanto tempo eu decidir ser o necessário.—ele afirmou indiferente as criticas dela.

—O conselho do hospital ficará sabendo,como acha que eles irão reagir a isso? Te parabenizando pelo ato heroico,por favor Caleb você já foi mais inteligente.É o San Martin,eles acharão sua atitude estúpida.—ela tentou fazer com que ele enxergasse os riscos que estava dispostos a correr.

—Eu sei onde me meti Sarah.Não faria isso se não estivesse decidido a enfrentar eles.—Caleb falou sem se afetar com as tentativas de Sarah de dissuadi-lo dessa “loucura”.

—Espero que tenha sorte nisso.Só saiba que está entrando num barco que tem tudo para afundar.—ela avisou,e em seguida deu-lhe as costas.Não querendo mais discutir com ele.Sabia que falaria coisas desagradáveis das quais provavelmente se arrependeria depois.Sabia que não valeria a pena insistir em convence-lo a desistir daquilo.

A Jones seguiu pelo corredor totalmente irritada com o rumo daquela conversa.Caleb estava tomando uma péssima decisão,e a mesma se sentia impotente por não conseguir fazer nada para muda-la.Seu melhor amigo estava tão cego com esse senso de bondade que nem notava o quão estúpida e imprudente era sua atitude.Ser médico e salvar vidas era uma coisa,arriscar sua carreira por uma paciente desconhecida era outra.

Estava tão distraída com sua fúria que nem notou Paul vindo em sua direção,por isso os dois acabaram colidindo,o que resultou no óculos de Sarah quase caindo de seu rosto.A mesma ficou ainda mais irritada quando isso aconteceu,ainda mais por se tratar de seu ex namorado.Quando se recompôs,ajeitou a armação do óculos,e encarou Paul.

—Que tal prestar mais atenção? —falou irônica,querendo descontar toda sua frustração nele.

—Você que esbarrou em mim,Sarah. —ele acusou se defendendo.Só com uma breve avaliação pôde notar que algo estava errado com a Jones.Afinal ela não era grossa com ele,ela simplesmente o ignorava.

—Tanto faz. —assumiu a culpa que ela sabia que era dela e em seguida suspirou.

—O que aconteceu? —Paul se sentiu no dever de perguntar.Mesmo que os dois não se falassem muito depois do término do namoro,estava claro que ele ainda se preocupava com ela,ainda que fingisse que não.

—O Caleb ainda está agindo desse modo imprudente...Isso me tira do sério...Ele está arriscando tudo por causa daquela paciente...Paul,você é o melhor amigo dele tem que convence-lo do quão errada é a decisão de deixar aquela garota continuar sob seus cuidados. —ela protestou mostrando sua opinião sobre a situação.

—Se tem alguém que podia faze-lo desistir disso,essa pessoa era você,Sarah.E se nem você conseguiu o melhor é dar-se por vencida.Caleb é firme,ele decidiu que de algum jeito vai salva-la,a melhor reação a essa decisão é acreditar nele. —Paul afirmou com uma maturidade que nunca teve no relacionamento deles.

—As chances dela acordar são mínimas,Paul...Você sabe...E além dos mais,foi comprovado que ela estava grávida antes do acidente...Entende o que significa? Ela podia ter um namorado,ou um noivo,e essa pessoa pode estar esperando por ela,mas o Caleb se recusa a divulgar a informação de que a mesma está aqui. —continuou a expressar seus pontos sobre quão errado Caleb estava sendo.

Paul não parecia surpreso com aquela informação,o mesmo já tinha conhecimento sobre ambas as coisas,e também tinha uma opinião sobre elas.Sabia que Sarah não aprovaria,mas não se importou muito com isso,se quisesse agradar a Jones um dia,nunca a teria traído.

—Nessa eu tenho que apoiar o Caleb,Sarah...As circunstâncias sobre quais a garota chegou aqui foram suspeitas,ela poderia ter morrido de hipotermia,e a abandonaram na frente de um hospital...Se ela tem um noivo,ou um namorado,onde ele estava estava no momento em que a mesma estava morrendo? —questionou com ironia.

—Você e o Caleb são inacreditáveis. —ela falou balançando a cabeça negativamente.

—Ele tem fé na garota...Eu tenho fé nele. —Paul disse com sinceridade,e aquilo de certa forma desarmou Sarah.

—E se isso ferrar com ele? —indagou preocupada.

—Sarah,Caleb é adulto,ele tem o direito de tomar suas próprias decisões,não é porque você é amiga dele,que tem que agir como sua mãe.Se ele se ferrar estaremos aqui para dizer um “eu avisei” e para apoia-lo. —Paul resistiu a vontade de tocar no ombro de Sarah naquele instante para tranquiliza-la.Contato físico era um limite muito recente para ultrapassar.

A fúria de Sarah diminuiu gradativamente,e isso fez com que a mesma ficasse calma.Paul havia a acalmado e isso era surpreendente.Os olhos claros da médica encontraram os castanhos do homem.Ela não conseguiu desvia-los,mesmo que soubesse que permanecer daquele jeito faria com que sua sanidade fosse para o alto.

Se julgava por ter considerado Paul por 2 meros segundos alguém gentil,já que ele havia lhe prestado apoio e consideração no seu momento de fúria,então lembrou de todo sofrimento que já havia passado por ele,e foi por essa lembrança que a mesma ficou feliz quando uma enfermeira do hospital,interrompeu a troca de olhares chamando ela para checar um paciente.

Afundou suas pequenas mãos nos bolsos do jaleco,e suspirou.Ajeitou a armação do óculos apenas por costume,então adquiriu uma postura séria.

—Eu tenho que ir...Nos vemos depois,Paul. —ela falou se fazendo de indiferente.Paul assentiu,sabendo que ela falava a verdade,eles se “veriam” depois,não queria dizer que conversariam.

Logo Sarah Jones passou por ele,e foi em direção ao elevador.Paul não resistiu a vontade de olha-la por uma última vez e então se virou vendo a mulher sumir a medida que o compartimento metálico se fechava.

Um suspiro longo pôde ser ouvido quando o mesmo constatou pela milésima vez que havia sido um tolo por perder aquela mulher.

[...]

Ignorando a discussão que teve com sua melhor amiga,Caleb havia fugido de suas funções obrigatórias temporariamente,e se encontrava novamente no quarto de sua paciente desconhecida.Encostado na mesma parede do dia anterior o médico observa a garota desacordada,e expressava chateação em seu rosto.Ele estava assim,pois ficava triste por ela,e se ela quisesse a criança que perdeu,qual seria sua reação ao saber o que aconteceu?

Aquela garota era uma incógnita para ele,de diferentes modos,além de não saber de onde a mesma veio,ele não entendia porque sentia que devia protege-la.Ela era só uma desconhecida,porque a cada segundo esse sentimento de proteção só crescia?.

Se aproximou da cama sobre qual a mesma estava deitada e fitou seu rosto novamente,os aparelhos de respiração camuflavam sua beleza,mas mesmo assim ele podia apostar que ela não era só bonita por fora,algo nela o fazia acreditar que ela era linda por dentro.

—Eu não sei quem você é...Mas sei que eu quero te ajudar...Eu vou enfrentar quem quer que seja para fazer isso...Só que eu preciso que faça algo em troca por mim;Sobreviva.Lute o quanto puder.Lute pelo que você ama.Por quem você ama,se é que existe alguém aqui fora que você ame...Eu estou contando com você. —ele havia estudado,sabia que estimular os pacientes conversando com eles era um bom método.As chances deles escutarem suas palavras eram altíssimas,e ele estava usando tudo que sabia para que houvesse esperança para ela.

—Sabe...Eu decidi que seria médico quando tinha 6 anos,estava brincando no parquinho com um amigo meu e ele ralou o joelho,eu fiquei desesperado para salva-lo...É eu sei que ele não morreria por aquilo...Mas eu só senti que tinha que ajuda-lo,algo despertou em mim naquele instante,e foi ali que eu descobri que minha missão era cuidar das pessoas...Meus pais não pensavam dessa forma,achavam que isso era só um desejo de criança,então eu cresci,e minha escolha continuou intacta.Eu tive que romper com eles para seguir o meu sonho, e até então eu tinha em mente que deveria trabalhar o máximo que pudesse para ajudar as pessoas...E quando você entrou naquela maca ontem a noite meu sentimento de querer salvar a todos se renovou...Eu quero te salvar,quero de verdade. —a essa altura o médico já se encontrava mais próximo a ela,tentado a agarrar sua mão,mas segurando sua vontade.

—Eu tenho que ir agora...Tenho mais vidas para cuidar...Mas eu estarei aqui se você decidir acordar...Eu posso esperar...Só não demore muito. —pediu num tom baixo,e evidentemente não teve nenhuma resposta para isso.

Sem mais conversas,o médico decidiu voltar ao seu trabalho.Afinal como o mesmo havia dito anteriormente,ainda tinha várias vidas para salvar naquela tarde.

[...]

O Walters estava em seu consultório,receitando um remédio para o simpático senhor Trevor,ele tinha consultas mensais com ele,e apesar de todos seus problemas o mesmo sempre esbanjava bom humor.Aproveitou o tempo livre com ele,para lhe contar sobre a paciente desconhecida que estava tratando,e esperou que o homem desse sua experiente opinião.

Seria bom ouvir outras pessoas sobre o assunto,queria ter certeza que pelos menos alguém não achava aquela decisão insana.Queria que alguém entendesse ela.Que respeitasse,e se fosse contra que apresentasse argumentos realmente válidos.Não um vago “Isso vai ferrar com você”.

Ele só queria que alguém entendesse sua necessidade de salva-la.Alguém que entendesse esse sentimentos de dever que povoava seus poros.

—Se vai mesmo fazer isso...Se for enfrentar tudo para salvar a garota...Não hesite,ignore as opiniões do contra...Tenha certeza do que quer..."E" e "Se" são duas palavras tão inofensivas quanto qualquer palavra, mas coloque-as juntas lado a lado, e elas tem o poder de assombra-lá pelo resto da sua vida. “E se… E se… E se?. —aquela concessão camuflada com outras palavras fez com que Caleb sorrisse.Ele precisava daquilo para renovar sua certeza.

—Eu vou salva-la. —afirmou com toda convicção que pôde.

—Eu acredito nisso. —o outro não duvidou da afirmação.Já tinha tido inúmeras provas de que o médico era mais perseverante do que o aconselhável.

Acabou de preescrever os remédios,e foi com o senhor Trevor até a porta.Os dois se despediram com um aperto de mão camarada,e logo o médico decidiu que aquela era uma boa hora para tomar um café,e tentar convencer Sarah de que ele não estava tomando a pior decisão de sua vida.

Só que sua intensão não se cumpriu,pois alguém parou em sua frente,impedindo sua passagem estava o filho dos donos do hospital e também o diretor dele; Jorge San Martin.O mesmo sustentava em seu rosto uma expressão de desagrado.Caleb não precisou juntar muitas informações para constatar que ele havia descoberto sobre a desconhecida.

—Dr. Walters.Será que pode me acompanhar até a sala da presidência? —questionou num tom profissional.

Caleb assentiu sem temer uma discussão.Se ele havia conseguido enfrentar Sarah Jones que era praticamente uma leoa protegendo suas crias,seria fácil enfrentar Jorge.

Suspirou antes de o seguir pelo extenso corredor rumo ao elevador.

Durante o caminho pescou seu celular no bolso do jaleco disfarçadamente,e enviou um torpedo para Paul o informando sobre a situação,mas pedindo que ele não contasse a Sarah sobre o que estava acontecendo.

Ao entrar na sala da presidência,Jorge o indicou um lugar para sentar e assim ele o fez.Encarou o diretor do hospital,esperando que ele iniciasse a sessão de broncas e finalizasse com uma bela demissão,mas o que ele fez surpreendeu a Caleb;ao que parecia ele queria primeiro confirmar tudo.

—Eu fique sabendo de algumas coisas e antes de tomar partido na situação preciso perguntar:É verdade que você está mantendo uma garota não identificada aqui no hospital? —indagou com uma postura firme.

—Sim. —Caleb respondeu sem nem hesitar.

—Sabe que isso é contra as regras,certo? —Jorge perguntou querendo saber se ele estava ciente disso e mesmo assim o fez.

—Deixa-la morrer parecia mais errado do que desobedecer essas tais regras. —Caleb respondeu sem se afetar.

—Supondo que eu não te demita por ter feito isso...O que fará quando o prazo de internação gratuito acabar?Porque segundo os comentários que eu ouvi a situação da garota é grave,ou seja,ela não vai estar recuperada antes dele acabar. —falou o obvio e o que todos repetiam.

Naquele momento Caleb decidiu que essa era a hora de tomar uma real posição diante de sua atitude.Quando ele disse que iria salvar a garota ele não estava brincando.Ele iria salva-la,não importava o que tivesse que fazer no processo.Iria honrar com a sua promessa silenciosa.

—Eu vou pagar seu tratamento. —foi a decisão mais certa de sua vida segundo sua opinião.

Aquilo pegou Jorge de surpresa.

—Vai pagar um dos tratamentos mais caros para uma garota que nem conhece? —indagou incrédulo.

—Vou. —respondeu mais uma vez sem hesitar.

—Certo...Faremos o seguinte;se todos souberem que eu não te puni por desobedecer as regaras não irão me respeitar...Então para todos os efeitos eu conheço a garota,ninguém ficará sabendo que você paga o tratamento dela e assim ela continuará aqui até que seja a sua vontade.Estamos entendido? —mesmo que não parecesse certo mentir,Caleb tinha que concordar que aquele era um bom acordo.Ambos não saiam beneficiados.

—Temos um acordo. —ele anunciou e com um aperto de mão o selaram.

Após aquilo Caleb foi até seus amigos e contou-lhes o que aconteceu naquela sala,ele ocultou algumas partes cruciais é obvio,e só disse a eles que tudo estava resolvido,e que tinham que dar o assunto por encerrado.

Ele sabia que os termos de Jorge só iriam ser respeitados,se o mesmo fizesse sua parte.De toda forma continava firme em sua decisão.

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Há Mais de um ano atrás...

Mia dirigia distraidamente pelas ruas de San Francisco,ainda incrédula pela mensagem que acabara de receber.Era com aquele tipo de encontro que Austin pretendia conquista-la?A ideia de rejeita-lo mais uma vez parecia ainda mais divertida.Não podia negar que ao menos riria muito essa noite.

Virou uma esquina quando seu GPS indicou e constatou que não faltava muito para chegar ao endereço que Austin havia lhe enviado.Sorriu para si mesma pensando no homem de belos olhos azuis,e em seguida se repreendeu.Austin era um idiota,e ela não cairia em seus joguinhos.

Assim que chegou ao seu destino,estacionou seu carro em uma das pouquíssimas vagas e desceu do veículo,segurando sua bolsa firmemente.Revirou os olhos quando um universitário bêbado esbarrou nela e constatou que Austin decididamente havia perdido a aposta.

Quem em sã consciência marcaria um encontro num campus de faculdade durante uma daquelas festas que sempre acabavam em:sexo e ressaca? Mia encarou o bando de pessoas que passava por ela,com aqueles copos vermelhos clichês e se enojou quando viu alguns casais se agarrando descaradamente no jardim do campus.

Não é que a Grey não frequentasse aquele tipo de festa ou fizesse coisas como aquelas,a mesma só não acreditava que Austin pretendia conquista-la a levando para uma situação daquelas.No fim ela estava enojada com a atitude dele.

Mal teve tempo para pensar mais no assunto,pois logo avistou o Headthorne vindo em sua direção.O mesmo apresentava um sorriso displicente nos lábios e estava decididamente lindo com aquela camisa jeans marcando seus músculos.

Mia adotou uma postura indiferente como sempre,e aquilo fez com que Austin sorrisse ainda mais.Apesar de ser irritante,o fato de Mia se fazer de difícil tinha lá seu charme.

Ela estava linda com aquele vestido,e o fato de defini-la assim causava surpresa no próprio Austin,ele não costumava referir-se as garotas como “Lindas” Era mais algo como “Gostosa” ou “Apetitosa” como se as mesmas fossem alimentos...Mas não demorou a notar que Mia era diferente.Muito diferente.

—Não acredito que depositou todas suas fichas num encontro em um lugar como esse. —Mia debochou,cruzando os braços.

Suas palavras fizeram o Headthorne rir.Claro que ele não havia feito aquilo.

—Eu não sou louco. —afirmou dando a entender uma negativa. —Não te trouxe aqui por causa da festa,te trouxe aqui para jantarmos...Eu pedi o apê do meu melhor amigo emprestado,fazerem uma festa hoje foi só uma pura coincidência. —Mia mentiria se dissesse que não se surpreendeu com aquilo.Então o mistério ainda estava no ar?

Ela estranhamente sorriu por isso.

—Então você pensa...Surpreendente. —continuou com o deboche.Mas dessa vez não foi como uma acusação,era apenas um comentário divertido.

—Você ficará ainda mais surpresa essa noite,Mia. —Austin afirmou com um sorriso de lado.

Mia conteve sua vontade de responder um “Eu espero que sim”.

Ele já começou cumprindo sua promessa quando lhe ofereceu sua mão,afinal ela não esperava aquilo.A mesma olhou para a mão estendida e em seguida para o rosto de Austin.Ela sentiu algo naquele instante,uma sensação estranha em seu peito.Uma ansiedade curiosa.

Austin notou que ela não sabia o que fazer e ajudou a decidir.

—Confie em mim. —pediu num tom firme.

Mia quis dizer que aquela não parecia ser uma boa escolha,mas se conteve mais uma vez e após um longo suspiro,encaixou sua mão na dele.Sentindo um choque elétrico percorrer seu corpo ao fazer isso.E pelo olhar de Austin ele também sentiu.

Ignorando essas sensações,ele a puxou delicadamente e guiou a mesma pelo jardim do campus até o primeiro apartamento presente nele.Mia pensou que os dois entrariam,mas Austin a fez contornar o prédio,onde uma escada de ferro estava escondida.

Aventureira e curiosa como era,ela não criou caso quando os dois subiram na escada precária.E suas mãos ainda continuavam unidas,e ela estranhou não estar se sentindo desconfortável com aquilo.

Quando chegaram no telhado do apartamento,Mia arregalou os olhos.Pelo chão do mesmo estavam espalhadas centenas de pétalas de rosa,e velas aromáticas.Sem contar a majestosa mesa exibida no centro do lugar.Onde um verdadeiro banquete estava servido.Mia encarou Austin ainda estupefata o que o mesmo fez foi rir.

—Okay...Você me surpreendeu de verdade. —ela admitiu com um sorriso.Com aquele sorriso Austin confirmou que havia valido a pena ter passado a tarde toda preparando aquele encontro.

Pela primeira ele não se sentiu recompensado pelo sexo que viria após um encontro.Se sentiu feliz com o sorriso que ela esbanjou,porque fora umas das coisas mais sinceras que já viu na vida,e em sua vida havia poucas destas.

Soltou a mão de Mia cedo demais,e ela tratou de disfarçar seu incomodo.Ele procurou algo atrás dela,e logo um buquê surgiu em frente ao seu rosto.Então mais um sorriso foi conquistado por ele.

—Você está sendo tão clichê que eu estou começando a ficar irritada. —Mia respondeu aceitando o buquê e o cheirando em seguida.

—Eu não estou sendo clichê...Estou sendo eu mesmo. —respondeu fingindo-se de ofendido.Mia revirou os olhos e em seguida encarou as flores novamente.Notando que nunca havia visto antes;eram vermelhas e tinham um fundo preto diferente,vendo a dúvida da garota,Austin lhe contou: —São anémonas,elas significam persistência. —disse como se tivesse conhecimento daquilo a muito tempo,e não como se tivesse descoberto isso a tarde, quando foi a uma floricultura.

Mia riu da explicação.

—São flores convenientes. —afirmou.

Logo Austin disse que era melhor os dois irem jantar,para dar uma boa impressão o mesmo puxou a cadeira para ela,como um cavalheiro faria.E apresentou o menu da noite;um risoto ao molho branco com vinho tinto.

Se serviram e assim começaram a refeição.A comida estava deliciosa isso Mia não poderia negar.

A música acústica que tocava no lugar que eles estavam,camuflava o fato de que abaixo deles uma festa de universitários ocorria.Era como se estivessem num restaurante exclusivo,fechado só para eles.Na verdade Austin até pensou em fazer isso,mas considerou um tanto exagerado.

Conversaram sobre assuntos amenos e riram bastante de algumas opiniões distintas.Tudo estava indo bem até Austin anunciar:

—Então...Esse deve ser o momento que começamos o encontro de verdade,com perguntas e coisas desse tipo. —Austin anunciou,e a expressão de Mia fez com que ele entendesse que o mesmo podia começar. —Qual seu lugar preferido no mundo todo? —aquela pergunta estranha fez com que Mia sorrisse pois a mesma já tinha a resposta na ponta da língua.

—A quadra de tênis...Quando estou nela...Quando segurou a raquete...É mágico...Me sinto livre...Eu só sou uma garota que está fazendo o que gosta...Deixo de ser a mulher com a vida problemática. —falou sem hesitar.

Foi automático,Austin se encontrava concentrado nela enquanto a mesma dizia isso,e aquilo a fez sorrir.

—Sua vez. —Austin anunciou,querendo disfarçar o momento anterior.

—Por que faz isso? ...Quero dizer...ilude as garotas fazendo com que elas pensem que você quer algo com elas,quando na verdade não quer...Transa com elas e depois as trata como se elas fossem objetos. —a pergunta de Mia foi forte,e obviamente fora dos padrões de um encontro normal.

—Digamos que transar com elas é uma forma de conhece-las...Tentativas de encontrar a garota certa para mim. —havia certo deboche em suas palavras.

— Uma mulher não está escrito em braille, você não tem que tocá-la para conhecê-la. —afirmou incrédula. —Não se preocupa se um dia um cara tão babaca quanto você fazer isso com a sua filha? —indagou com ironia.

—Oh já chegamos na parte dos filhos...Esse encontro está sendo produtivo. —afirmou divertido.

—Quer saber...Velas,flores,músicas,comida boa...Nada disso vai camuflar o fato de que você é só mais um idiota que acha que pode conquistar qualquer garota com lábia. —Mia afirmou então se levantou.

Assim Austin percebeu que havia ido longe demais.Ele e sua mania de sempre rebater ironias.

—Isso quer dizer que eu perdi a aposta? —perguntou mesmo a resposta sendo obvia demais.

Os olhos de Mia encontraram os dele e ela suspirou sabendo que se arrependeria do que estava prestes a fazer.

—Você apostou comigo que me mostraria que é diferente do que eu acho...Mas você é exatamente do jeito que eu acho que é...Tudo isso...Todas essas coisas foram só uma tentativa sua de soar como alguém decente...Você não falou do meu vestido porque isso se encaixava na categoria:Coisas que você diria a uma garota para leva-la para cama.Porque desde que me viu pela primeira vez aposto que fantasiou transando comigo mais do que se pode contar. —afirmou com toda certeza que tinha.

—Quer saber? Você tem toda razão,só fiz isso tudo porque quero te levar para cama.Porque é isso que eu faço;eu olho uma garota,eu desejo ela e eu a tenho. —admitiu com desdém.Irritado pelo comportamento “Sabe-tudo” dela.

—Oh...Então esse é o verdadeiro Austin. —Mia anunciou com deboche.

—Sim...E eu sinto muito se a perfeitinha ai não suporta tipos como esse. —falou também com deboche,e em seguida deu as costas para ela,indo para o parapeito do telhado.

Mia ficou indignada pela atitude dele,tanto que alcançou o buquê de flores que havia ganhado dele e o jogou no jardim.Austin se irritou ainda mais com aquilo.

—Esse foi o pior encontro da história . —Austin gritou.

—Concordamos em algo então. —Mia gritou de volta.

—Você é louca. —ele acusou.

—E você um tarado. —Mia acusou também.

Logo o mesmo já estava próximo dela de novo.Um de frente para o outro se encarando com fúria.Uma Mia com a respiração descompassada não conteve seus impulsos,e com um movimento rápido colou seus lábios nos de Austin.Ele ficou estático no começo,mas quando deu-se conta de que aquilo estava acontecendo realmente,puxo-a pela cintura com brutalidade e aprofundou aquele beijo o máximo que pôde.

As mãos habilidosas e experientes de Mia alcançaram os cabelos do Headthorne que aprovou aquela ação.Suas peles pareciam queimar uma contra a outra,e suas línguas dançavam algo erótico.Austin só conseguia pensar que se Mia fosse tão boa na cama quanto era beijando ele enlouqueceria.

Sem pedir permissão,ele a empurrou contra o parapeito,e com ousadia separou suas pernas para que Mia se encaixasse nos meios delas.Agarrou uma das coxas dela e a levou até seu quadril,enquanto a garota arfava de prazer.Assim Austin passou a beijar seu pescoço,fazendo a mesma ir e voltar ao paraíso diversas vezes.

Austin não ficava atrás nas sensações avassaladoras,havia ficado com mais garotas do que se podia contar,mas nenhuma delas havia feito o mesmo ficar tão excitado somente com um beijo.

Sem mais delongas,aparentemente sem se importar que estavam num lugar a céu aberto,Mia desabotoou a camisa Jeans em que Austin havia ficado tão atraente.Logo o tecido estava no chão,e a Grey mordia os ombros largos de Austin de uma forma sedutora.Arranhou cada espaço de pele que pôde nas costas dele.Enquanto seu cheiro se impregnava no mesmo.

Ainda totalmente vestida,o momento que Austin ansiou chegou,as mãos de Mia alcançaram o cinto de sua calça,só que antes que ele pudesse cumprir o desejo de possuir a Grey ali mesmo,a mesma o surpreendeu com uma gargalhada graciosa.

De um jeito provocante,mordiscou a orelha dele e disse as seguintes palavras:

—Infelizmente não podemos continuar...Afinal você não ganhou a aposta,ou seja,nada de prêmios. —se afastou de um jeito presunçoso.

Deixando estático um Austin completamente excitado.Então ele concluiu que a mesma não havia seguido droga de impulso algum,havia sido tudo planejado.

—Então...O que eu tenho que fazer já que perdi? —perguntou tentando conter sua frustração,e a humilhação que estava sentindo no momento.

—Oh...Nada cruel...Só jogar uma partida de tênis comigo no fim de semana...Quem sabe não fazemos outra aposta e você sai ganhador dessa vez... —anunciou divertida.

Então para acabar seu show de presunção,a mesma agarrou o queixo de Austin e mordeu o lábio inferior dele de modo sensual.

—Acredite eu sinto muito que tenha perdido a aposta. —falou e em seguida se foi,deixando um Austin excitado para trás.

Mesmo após a situação estranha que passou o Headthorne constatou que Mia estava errada:Ele não havia perdido nada.Ter a oportunidade de vê-la de novo e acabar o que começaram era um prêmio e tanto.

Notas finais
Comentem!