Turquesa fantasiosa
3 Ida aos Estados Unidos parte 2
Notas iniciais
Um lenço limpa meu sangue e as mãos de Ísis me levantam e me ajudam a sair do local. Não entendia porque isso aconteceu, até porque não tenho nenhum problema de saúde, mas sei bem o que vi e fiz. Eu aguardava uma pergunta de Ísis, até porque deve ter sido constrangedor, ela odeia chamar atenção, fomos até a praça de seu Juca perto da praia de Copacabana, lembro-me do sol queimando meu rosto. Ela terminou de limpar meu nariz ensaguentado. Ainda estava tonto e querendo vomitar minha alma.
– O que foi que aconteceu? – Diz Ísis apreensiva.
– Eu não sei, eu simplesmente comecei a andar e tropecei. – Falo tentando até mesmo me entender.
– Não me assuste assim não Josh, Nunca! Meu Deus! – Diz Ísis me dando um forte abraço. Achei meio infantil da parte dela, mas gamei no abraço e ficamos assim por alguns segundos.
O tempo passa e Ísis termina sua mala. Ela pediu para que eu fosse na frente porque se caso não conseguir, eu terei de ir sem ela. Estava no aeroporto esperando há uma hora, e nada de ela chegar, faltavam vinte minutos para o avião decolar e já estava chateado, sem crédito pra me comunicar estava também desesperado, podia ter acontecido algum acidente ou outra coisa, até que um rostinho feliz apareceu no visor do meu celular que dizia a seguinte mensagem “vou pegar o segundo voo, foi mal, bjs”. Fiquei irritado quando vi a mensagem.
Ao chegar à porta do avião, a aeromoça pediu pra eu entrar, dei as passagens mas fiquei parado, duro feito pedra esperando alguém me empurrar.Tive a sensação indescritível de que algo me arrastava de eira a beira do meu corpo, como se fosse conduzido a ir adentro do avião, e num só passo entrei, quase flutuando nessa sensação estranha.
Procurei meu assento; sentei e fiquei quieto, não havia ninguém do meu lado, fiquei entusiasmado porque não queria ninguém me atormentando, pelo menos não aquelas crianças que não param de pular, já tive muitas experiências desgastantes. Até que entrou uma mulher que parecia discutir com o aero moço num idioma que parecia o francês, que sentou dois bancos depois do meu, foi a ultima a entrar no avião.Fecharam-se as portas e um som que mais parecia vir da cabine do comandante toca para dar a largada do avião.
Mãos soando, e coração batendo a mil; pensei, e tive a breve conclusão, que bom que estou vivo, mas intensamente nervoso! O avião começou a decolar produzindo aquele som redundante que iniciou uma onda de calor e calafrios. Começa a subir lentamente até o alcance máximo, consigo ver todo aquele céu, casas, prédios e o imenso oceano azul. Num momento esqueço que estou lá, e me imagino voando. Meu irmão mais velho sempre me dizia que eu tinha a cabeça nas nuvens, principalmente quando desfruto de algo tão belo.
O avião pousa; saio diretamente para a porta de desembarque, onde estava escrito meu nome numa cartolina branca. O dono do cartaz dizia para eu entrar numa limusine enorme que estava estacionada fora do aeroporto, juro que por um momento pude sentir a quentura que não se comparava ao Rio de janeiro, mas que se encontrava os Estados Unidos.
Ao entrar tive a surpresa de encontrar meu pai, dizendo que vai passar algum tempo nos Estados Unidos devido a alguns assuntos do trabalho.
Chegamos numa casa bem grande, onde tinha vista para o mar, lembro muito bem de ter sentido a brisa de verão tocar sobre o meu rosto, e depois de uma viagem turbulenta, tudo que eu queria era tomar um banho, a praia ficava a algumas quadras de minha casa.Não perdi tempo; tirei a roupa e fui dar um belo mergulho, sentia-me sendo guiado novamente, algo me chamava, era como ser arrastado pelo mar,fui bem longe, encontrei uma caverna onde a água era muito bela,suas cores eram como a sintonia de um acústico, ou a aurora bureau que combinava cores. Num leve mergulho, avistei uma garota, mas essa garota era diferente, tinham olhos e cabelos que pareciam o céu, mas não só isso, era muito bonita, perfeita como as sereias dos contos, parecida também com a do meu estranho devaneio na biblioteca. Mas não entendi o porquê de ela estar lá, a água estava escura e parecia densa, não consegui ter uma visão ampla, percebi que estava perdendo o fôlego, e de repente, aquela garota some de vista como se fosse minha imaginação que estivesse trabalhando naquele momento. Quando fui para superfície, avisto um rosto bem familiar, e notei que era Ísis que tinha acabado de chegar de viagem com minha camisa de algodão verde-mar que havia tirado, ela me deu a mão e me ajudou a sair da água. Fui pra casa junto com ela.
Tinha que dormi cedo, pois amanhã seria o primeiro dia da faculdade. Entrei em casa e dei de cara com meu pai novamente, com seu celular e com as grandes conversas de negócios, falei a Ísis que se quisesse dormir comigo que estava ótimo, a casa era grande, e tinha espaço se não quisesse ir pra seu dormitório na faculdade, ficou tentada, mas negou porque tinha que primeiro se hospedar e entregar documentos, disse que não queria se enrolar nisso, era melhor dormir lá. Dei um tchau a Ísis, e fechei a porta. Fui ao meu quarto porque não agüentava mais aquele clima tenso de advogados e empresários discutindo sobre preços e valores para a economia da empresa em que meu pai estava protegendo, coisas desse tipo.
Tomei um belo banho, arrumei-me, mas não conseguia dormi, eu pensava muito sobre o que tinha acontecido nas águas do mar ao lado, minha casa era posicionada em cima, quase na beirada do mar, tinha uma rocha gigante que ficava uns trinta centímetros de distancia da casa e que fazia contato com o mar, dava pra ver tudo perfeitamente do meu quarto no andar de cima da casa. Pensava bastante, poderia ser sim um fruto da minha imaginação, como tantas outras coisas foram. Acho que a minha habilidade de pensar, e imaginar demais, prejudicava minha mente para distinguir a realidade entre a minha imaginação fértil. Me lembrei da noite na ilha de búzios, estava com a mesma dificuldade para dormi, minha mãe ainda estava viva e tentava acalmar meus soluços. O sono não chegava, ela já estava cansada, suas mãos macias passavam sobre meus cabelos negros e aos poucos me deixava calmo, sua voz era doce, assim como ela, cantarolava uma historia mística sobre fadas, elfos e ninfas.
“As fadas choram sobre suas asas,
Os elfos cantam para o além,
As ninfas clamam por uma luz,
e você pequeno Josh,
Feche seus grandes luzeiros”
Fui dormir, decidi que iria parar de pensar nela, que era apenas um fruto de minha imaginação, e já era meio tarde pra eu ficar pensando em algo que não iria me beneficiar em nada.
Era uma noite linda, juro que dava pra ver seus olhos refletidos da lua, não conseguia parar de pensar nela, virei do outro lado pra tentar não pensar, não pensar em nada. Mas não tive escolha, a dúvida estava me matando. Tive uma atitude muito estranha, sai da cama meio que enfraquecido, meus olhos cheios de extremidades escuras indicavam minhas noites de insônia e os olhos caídos e inchados só faziam meu rosto parecer uma bola, sentia uma vontade imensa de me jogar no mar, o frio era constante, mas mesmo assim subi numa cadeira de madeira acolchoada em couro, e sai pela janela que ficava ao lado de minha cama, onde ficava o mar, andei pela viscosa rocha e deslizei no musgo dando um mergulho forçado e perigoso, até que vi uma fita azul, parecia de algum tipo roupa. De algum modo, alguém havia me puxado e me levado até o fundo do oceano, onde não conseguia enxergar nada por causa da escuridão que estava, o mais interessante era que não sentia vontade de respirar.
Fiquei parado no fundo do mar como uma alga marinha, sem saber o que fazer, implantado no meio do mar. Até que belos olhos iguais aos que vi naquela tarde apareceram, aquela garota olhou bem pra mim e veio em direção aos meus lábios, sentia meu coração bater como se estivesse querendo sair de mim, meus olhos estavam ligados aos delas, sentia um prazer imenso em vê-la, seus dentes perolados se abriram, parecia a pessoa mais feliz do mundo, alguma coisa em meu coração me dizia ser ela o meu mundo, a quem devo retribuir meu amor escondido no canto rejeitado de meu coração, me deu uma vontade desgastante de tocar seu rosto, sentir suas boca na minha. Quando chegamos ao clímax da situação, já podia sentir seu cheiro e seus lábios carnudos e vermelhos e gelados como a noite tocarem minha boca, meus olhos brilhavam de agonia, queria logo beijá-la, estava com muita ansiedade de senti-la, era tão singela e calma, mexia o rosto para obter uma melhor posição do beijo, quando simplesmente cheguei a hora de não sentir nem se quer minha pulsação, meus olhos já estavam fechados, uma grande luz iluminou todos os cantos possíveis de minha visão, mesmo com os olhos fechados. Viro de um lado para o outro, estava no meu quarto em cima da cama como se tudo fosse apenas um sonho. Confesso que minha primeira reação foi olhar a situação que estava, a janela aberta, praticamente escancarada, meu corpo estava frio e sujo de algas, estava todo molhado e sentindo um pouco de náuseas, fiquei sem saber o que pensar sobre tudo aquilo, provavelmente, por como estou no momento, não foi apenas um sonho.
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